Nunca Ninguém Conseguiu Repelir a Lei da Oferta e Procura

NSupplyAndDemandunca ninguém conseguiu repelir a lei da oferta e procura, o que não impede que os governos continuem a tentar. Em Portugal os utentes vêm-se cada vez mais confrontados com falta de medicamentos nas farmácias. Entre as explicações dadas, são a exportação dos medicamentos para mercados onde esses medicamentos obtém preços mais elevados  e a baixa por decreto dos preços que por um lado desincentiva a comercialização dos medicamentos, e que por outro incentiva a sua exportação.

A solução do governo – a solução para um problema criado pela intervenção do estado é sempre mais intervenção do estado – e que deveria deixar o PCP e o BE orgulhosos passa por proibir a exportação dos medicamentos em falta, por produzir medicamentos em falta no laboratório militar por colocar mais inspectores no terreno. O ministro da saúde entretanto já veio acusar as farmácias de “colocarem o preço acima do primeiro propósito de servir o doente“.

Muito se poderia escrever sobre isto, mas se é para fixar preços, porque é que não se colocam os medicamentos gratuitos para todos? Porque é que o ministro e todo o pessoal do ministério da saúde não trabalha gratuitamente (ou vá lá, com o salário mínimo) colocando o propósito de servir o doente acima do seu salário? Porque é que os doentes dos países para onde os medicamentos são exportados – que são seres humanos iguais a nós – não podem comprar os medicamentos exportados de Portugal? Que empresa farmaceutica vai querer produzir ou comercializar medicamentos em Portugal se estiver sujeita a estes constrangimentos, quando noutro país não estará?

17 pensamentos sobre “Nunca Ninguém Conseguiu Repelir a Lei da Oferta e Procura

  1. balde-de-cal

    fico estarrecido com tanta sabedoria sobre o problema dos medicamentos.
    depois de trabalhar 50 anos na indústria (produção de matérias-primas, pomposamente designadas ‘raw-material’) cheguei à conclusão que nunca passei de porteiro. as multinacionais, no final de 60, estabeleceram a sua politica. os pequenos mercados devem ter bom comportamento para com empresas que tem orçamentos 5-10 vezes superior ao desses países. se o Blangdesh fabrica têxteis também pode fabricar remédios. para haver genéricos são necessárias as matérias-primas que há 60 anos faltam em Cuba

  2. Balde-de-Cal,

    «se o Blangdesh fabrica têxteis também pode fabricar remédios»

    Tem razão. Houve um tipo da Grundig que afirmava no fim dos anos 70 que os chineses nunca iriam fabricar um televisor.

    A Europa está no seu ocaso. O Sol desloca-se para Oeste, mais uma vez, depois de ter passado pelos Estados Unidos na segunda metade do século passado.

  3. Carlos,

    Pelo menos este país ainda vai tendo papel próprio para limpar o que se tem de fazer. Ainda não estamos na Venezuela. Estamos apenas a caminhar na mesma direção por causa das mesmas políticas.

  4. A. R

    Depois chamam-lhe “exportação ilegal”: diz a TVI! Uns pândegos estes jornalistas: é mais sossegado dormir com uma cascavel.

  5. José Chouriço

    Pois pois. No dia em que este senhor, se por azar ou sorte, for com o filho, se o tiver, ao hospital, e lhe disserem que o remédio que precisa para salvar o filho, é muito, muito caro, e que terá que pagar o preço na totalidade, mais do que ganha num mês, porque o laboratório não tem procura suficiente, mesmo que tenha lucros pornográficos, aí talvez, o senhor esqueça a lei da procura e da oferta.
    Até porque, talvez, o melhor mesmo é acabar de vez com todos os deficientes, pois estes dificilmente têm procura, mesmo que sejam muitos e uma grande oferta.

  6. A. R

    “No dia em que este senhor, se por azar ou sorte, for com o filho”: isto era um caso frequenete, e ainda é, nos regimes comunistas. Não tinha dinheiro para untar os médicos nem aspirinas havia. Não se morria no Hospital: era-se empurrado para casa. Radiografias … nem pensar

  7. Consenso, crescimento e emprego

    É isto que procura Tozé Seguro. Dizem.
    Como é evidente, por aí, não encontrará nada de útil.

    Mudança, ajustamento e trabalho.
    É o que precisamos.

    Com consensos não há decisões. Pelo menos, decisões úteis. Consenso é palavra gasta. Lembra Guterres e o caminho para o pantano. Caminho inevitável para quem não decide, não muda e procura consensos (principalmente com a esquerda).

    Crescimento é a impossibilidade mais clara no futuro próximo e mais ou menos longo nos Países desenvolvidos. Todos, com excepções limitadas a quem possui reservas naturais energéticas passíveis de exportação. O Mundo até pode crescer, mas os países emergentes vão ocupar todo esse espaço e mais algum. Num processo de convergência que conduzirá inevitavelmente a uma recessão (normal) nas economias empoladas nos países desenvolvidas. Que vivem há muitos anos (e não sabem) numa “bolha” (qualidade de vida, consumo e estado social) prestes a explodir. Este estado futuro de ajustamento (em baixa) irreleva as teorias económico-financeiras dos últimos anos. Que se sustentam, todas, num crescimento que não voltará (ou será demasiado caro para ser conseguido através de intervenção estatal) por ter atingido o topo de um esquema piramidal típico de ponzzi.

    Inviabilizando qualquer possibilidade de sucesso de todas e quaisquer políticas à esquerda. Até porque os níveis de expropriação da economia pelo Estado estão bem acima dos máximos sustentáveis (á economia). O ajustamento também se terá de fazer por aqui e, ajustar o Estado não é tarefa de que a esquerda possa ser capaz. O problema de Portugal é que este Governo travestiu-se de liberal e manteve políticas socialistas, conseguindo levar o Estado ainda mais longe do que os próprios socialistas sonhariam, eliminando o capital de intervenção liberal que ainda restava…

    Finalmente, o emprego. Ora, sem trabalho suficiente, não haverá emprego. A não ser que… (já lá vamos).
    Criar emprego sem trabalho significa mais um rombo na economia (são necessários mais impostos para pagar esses empregos “criados”), no défice e na dívida (alguém empresta – pagamos no futuro – para criarmos esses empregos que não se pagam a si próprios).
    Esperar pelo crescimento é atitude sebastianica.

    Pelo que, nada a fazer: precisamos mesmo de novas soluções. Que passam pela redistribuição do trabalho existente. Até e sempre que necessário para garantir que os níveis de desocupação se mantêm entre os 4 e os 8%. E como fazer isso? Simples: redução do trabalho adstrito a cada emprego com a redução proporcional do rendimento obtido. Um processo simples de partilha do maior e mais relevante elemento nos próximos anos, nos países desenvolvidos em ajustamento: o trabalho.

  8. Ricardo Monteiro

    Gonçalo, quem exige consenso é quem nos emprestou dinheiro. A troika quer que os países do arco da governação se entendam para que o acordo que foi firmado não sofra grandes variações em cada ciclo governativo.

  9. Pingback: Doutrina Maduro em acção | O Insurgente

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