Exemplar

Recomendo vivamente a leitura da entrevista de Bret Stephens a Yang Jisheng no Wall Street Journal. Um sério aviso aos que acreditam o poder político deve dispor de amplos poderes para controlar e regular a sociedade. Como nota Joe Salerno no Mises blog, a descrição que Yang faz da promiscuidade entre o poder político e económico e nos entraves à liberdade e ao crescimento que isso coloca (devido ao elevado poder discricionário do primeiro sobre o segundo) faz recordar o nosso próprio caso.

“China’s economy is not what [Party leaders] claim as the ‘socialist-market economy,’ ” he says. “It’s a ‘power-market’ economy.”

What does that mean?

“It means the market is controlled by the power. . . . For example, the land: Any permit to enter any sector, to do any business has to be approved by the government. Even local government, down to the county level. So every county operates like an enterprise, a company. The party secretary of the county is the CEO, the president.”

Put another way, the conventional notion that the modern Chinese system combines political authoritarianism with economic liberalism is mistaken: A more accurate description of the recipe is dictatorship and cronyism, with the results showing up in rampant corruption, environmental degradation and wide inequalities between the politically well-connected and everyone else. “There are two major forms of hatred” in China today, Mr. Yang explains. “Hatred toward the rich; hatred toward the powerful, the officials.” As often as not they are one and the same.

8 pensamentos sobre “Exemplar

  1. Miguel Noronha

    O Dr Miguel Noronha não fala de temas que não conhece. Confesso que pouco sei sobre a Mongólia. Sugiro que publique essa questão num post em que alguém se discorra sobre o tema evitando assim comentários off-topic.

  2. Eu diria que a China é uma economia de mercado governada pelo regime com mão de ferro. E funciona prodigiosamente, a ponto de muitos prognosticarem ao Império do Meio o estatuto de maior potência do novo século.
    Olhando a coisa na longa duração do tempo histórico, o “Império do Meio” foi sempre governado a partir de um centro todo-poderoso, o Estado/uma superstrutura estatal (quando tal não sucedeu mergulhou no caos e na humilhação). E tal não o impediu de dar grandes obras ao mundo,ou não fosse a gesta da civilização chinesa uma história de sucesso.

  3. Surprese

    O regime político chinês é o Nacional-Socialismo, também conhecido como Fascismo.

    Esta é a verdade inconveniente que ninguém quer admitir ou verbalizar.

    Trata-se de um país que respeita, com limitações, a propriedade e a iniciativa privada, mas que não tolera a liberdade política, ou mesmo a liberdade individual.

    Se pensarmos bem, não é muito diferente do Portugal de Salazar, pois também nessa altura estávamos na EFTA (a China está na OMC) e tínhamos muito investimento estrangeiro. Por outro lado, as polícias, secreta e de costumes, não faziam muito diferente do fazem hoje as polícias chinesas.

  4. Miguel Noronha

    O Dr. Luís Marvão, conhecido adepto do centralismo, provavelmente conecerá melhor a Mongólia que eu.

  5. rmg

    Comparar a “gestão” política e económica de um país com 1.344 milhões de habitantes , no mundo de hoje , ao Portugal de Salazar que nem 10 milhões tinha , no mundo de há 50 anos ou mais , é uma visão curiosa dos factos .
    De resto a palavra “fascismo” foi e é tantas vezes usada a despropósito entre nós que a suporto mal pois demasiadas vezes a ouvi de muitos que foram directamente da Mocidade Portuguesa para a esquerda revolucionária .

    Mas que a China é um regime “musculado” lá isso é – resta saber se podia ser de outra maneira , para já , por muito que pese aos teóricos .
    Como já focou Luís Marvão , não só lhe é prognosticada a ascensão a maior potência do século como ainda se sabe quando : entre 2016 e 2020.
    Única dúvida : se continuam a comprar dívida pública americana como o têem feito , ainda que se compreenda porquê , as coisas podem-se complicar para os dois .

  6. Nuno

    A ascensão da China nada tem que ver com gestão centralizada, muito pelo contrário. O rápido crescimento económico desde que foi relaxado o controlo estatal explica-se pelo investimento estrangeiro, pela iniciativa privada, pela poupança, pela formação de capital fixo e pelo (ainda) muito reduzido nível de rendimento médio do país. O processo de liberalização deverá continuar sob pena de não se concretizarem as previsões de avanço económico (pelo menos da magnitude que se espera) pois já se nota desaceleração na produção industrial, o aparecimento de bolhas, sobretudo no imobiliário, utilização de critérios políticos na atribuição de financiamento (uma bomba-relógio de malparados) – razão pela qual o regime devota especial atenção às taxas de reservas dos bancos – etc.
    De resto, é triste e elucidativo ver nos comentadores acima a desculpabilização do regime,

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