Krugman admite que Dívida acima de 90% prejudica o crescimento!

Ainda por causa desta polémica, Krugman admite que ter acima de 90% de dívida é negativo para o crescimento económico de um país!

There is, as everyone in this debate has acknowledged, a negative correlation in the data between debt and growth. As a result, draw a line at any point — 80 percent, 90 percent, whatever — and countries with debt above that level will tend to have slower growth than countries with debt below that level.

There is, however, an enormous difference between the statement “countries with debt over 90 percent of GDP tend to have slower growth than countries with debt below 90 percent of GDP” and the statement “growth drops off sharply when debt exceeds 90 percent of GDP”. The former statement is true; the latter isn’t. Yet R&R have repeatedly blurred that distinction, and have continued to do so in recent writings.

 

Já vi os inventores da praça darem as interpretações mais fantásticas a frases de Krugman, mas sempre quero ver como se safam de uma afirmação tão inequívoca como esta.

20 pensamentos sobre “Krugman admite que Dívida acima de 90% prejudica o crescimento!

  1. João Branco

    O que ele disse foi simplesmente que existe a correlação, de valor negativo, entre as duas variáveis divida e crescimento (coisa que praticamente toda a gente concorda que é verdade nos dados históricos). A existência da implicação “Dívida acima de 90% prejudica o crescimento” ele não disse (não sei se acredita nela ou não, mas não a afirmou).

  2. Mais uma do Krugman:

    “The Keynesian argument instead has been that this inherently difficult situation is made worse by two aspects of fiscal policy. One is the extreme austerity being imposed on the periphery; nobody is suggesting stimulus for, say, Portugal, but the question is whether a less extreme austerity regime might not do almost as well at limiting debt while internal devaluation takes place, while hugely reducing the human cost.”

    Reitero: “nobody is suggesting stimulus for, say, Portugal”

    Leram bem, defensores do “crescimento económico e emprego”?

  3. Vivendi

    Se a dívida pública americana fosse apenas de 90% as nuvens no horizonte não andariam tão carregadas.

    A realidade é que ela anda entre os 120% a 150%.

  4. João Branco

    Estou a querer dizer que a correlação não é implicação. Não existe nada que permita afirmar que a relação não é “menor crescimento implica maior défice”, por exemplo. Ou “qualquer coisa no desenvolvimento de certos países (por exemplo, nível de desenvolvimento ou envelhecimento) levam históricamente a menor crescimento e maior défice”.

    Ver por exemplo:

    http://delong.typepad.com/sdj/2013/05/accurate-and-inaccurate-ways-of-portraying-the-debt-and-growth-association.html

  5. tina

    Krugman diz uma coisa hoje, outra amanhã. Por exemplo, agora diz que deveria haver menos austeridade em Portugal. No entanto, quando cá esteve disse que os salários dos portugueses deveriam baixar em 20%! Ou seja, ele próprio recomendou mais austeridade do que alguma vez o governo português se atreveu a impor.

  6. rmg

    Paul Krugman diz de facto uma coisa hoje e outra amanhã e assim agrada a gregos e troianos .
    Isto de ser Nobel da Economia tem a vantagem de poder “dizer” e ninguém lhe perguntar porque nunca tentou “fazer”.

    Como os que o podiam criticar por uma razão ainda ontem o elogiaram por outra qualquer , ficam caladinhos quando discordam pois já sabem que amanhã ele vai dizer algo que eles vão querer elogiar ; e assim vai dando a volta a todos .

  7. migspalexpl

    Este Ricardo Guimarães é um iliterato. O Krugman (e outros) tem repetidamente (e até no post citado) apontado o facto que correlação não significa causalidade – e se significar, não sabemos o sentido da causalidade (pode ser o crescimento da dívida a prejudicar o crescimento, ou o baixo crescimento a fazer crescer a dívida). O que Krugman disse e causou vivas de alegria no iliterato, é algo que ninguém contesta: sim, existe uma correlação estatística negativa entre crescimento e dívida. E aponta que os 90% não são nenhum limite acima do qual essa correlação se torna mais evidente: um pais com divida de 90% tende a ter um crescimento inferior do que um pais com duvida de 80%, tal como um pais com divida de 80% tende a ter um crescimento inferior do que um pais com dívida de 70%. E volto a apontar que estamos a falar de correlação, não causalidade – não estamos a dizer que a dívida influencia o crescimento, apenas que estas duas variáveis estão correlacionadas. É suposto ser coisa trivial, mas a ranhosice do iliterato não conhece limites: “Krugman admite que Dívida acima de 90% prejudica o crescimento!”

  8. Pingback: sobre ranhosos | miguel lopes

  9. Desde que esta questão existe que o Krugman, o De Long e essa malta admitem que os países com muita dívida tendem a ter menor crescimento – a polémica sempre foi qual a causa e qual o efeito (e mesmo o Rogoff e a Reinhert acho que nunca disserem que era a dívida que reduzia o crescimento)

    Já o ponto que o Mário Amorim Lopes levanta (” nobody is suggesting stimulus for, say, Portugal”) parece-me muito mais relevante, já que anda por aí muita gente a citar o Krugman como argumento contra a austeridade(e ele próprio presta-se a essas confusões, quando se põe com títulos “Just say nao”)

  10. Andre

    10. Bem visto. Da mesma maneira que os defensores de K&R deveriam ler com atenção as consequências que eles retiram da conclusão sobre a relação entre dívida e crescimento. Eles não defendem “austeridade”, ao contrário do que muitos dizem. O que eles afirmam é que a partir de um determinado nível a dívida deve ser reduzida, mas para isso recomendam uma variedade de ferramentas, incluindo defaults (restructurings, na versão mais politicamente correcta), inflação e sim, austeridade.

  11. Joaquim Amado Lopes

    João Branco (6),
    “Estou a querer dizer que a correlação não é implicação.”
    Só que é isso mesmo que os economistas (incluíndo Krugman) dizem sempre que apresentam dados relativos a uns países para defenderem soluções a implementar noutros.
    Os países não são experiências de laboratório. Não se pode pegar num país, “congelar” todo o contexto e variar apenas um factor para medir os resultados e estabelecer o que provoca o quê. Assim, os economistas observam os dados disponíveis relativos aos vários países, reduzem a análise aos factores que consideram relevantes e presumem que correlação corresponde a implicação.

    O que Krugman diz EXPLICITAMENTE é que TODOS (incluíndo ele, naturalmente) reconhecem que existe uma relação negativa entre dívida e crescimento e que tal acontece SEJA QUAL FÔR o valor da dívida que se considere. O que ele defende é que 90% do PIB é um valor meramente arbitrário e que mais 5% de dívida acima dos 90% não tem um impacto no crescimento desproporcionalmente diferente do que resulta de mais 5% de dívida acima dos 80%.
    E fica bem claro que, para Krugman e em termos de crescimento económico, 80% de dívida é melhor do que 90% e, portanto, 70% será melhor do que 80% e 0% melhor do que 70%.
    Naturalmente, Krugman defenderá o investimento público (mais impostos ou mais dívida) por outras (boas ou más) razões mas, pelo que é citado no artigo, nem ele defende (agora) que o crescimento económico possa ser conseguido através de investimento público por via de mais dívida (que é o que acontece quando há deficit público).

  12. Miguel Madeira,
    “Já o ponto que o Mário Amorim Lopes levanta (” nobody is suggesting stimulus for, say, Portugal”) parece-me muito mais relevante, já que anda por aí muita gente a citar o Krugman como argumento contra a austeridade(e ele próprio presta-se a essas confusões, quando se põe com títulos “Just say nao”)”

    Eu já fico contente com o que eu apontei. O Krugman assumir aquela correlação é histórico!
    Em relação à Austeridade Portuguesa, ele já disse tudo e o seu contrário, pelo que prefiro nem comentar…

  13. Miguel,
    Já que estamos nisto, a relação de causalidade inversa também é uma hipótese bem estranha. Então um baixo crescimento económico causa uma dívida estatal superior a 90%? Isso para mim tem ainda menos lógica do que outros disparates em todo este debate…

  14. Não vejo grande estranheza, e por duas razões (ou será apenas uma vista de maneira diferente?):

    1) imagine um país que tenha regularmente um deficit equivalente a x% do PIB e uma taxa de crescimento de y%; o rácio divida / PIB desse pais tenderá, se os meus cálculos não falham, para x/y, logo quanto menor o “y”, maior a dívida

    2) uma recessão tende a aumentar a divida em percentagem do PIB nem que seja pelo simples efeito da redução do denominador, logo as recessões representarão momentos de baixo crescimento e aumento da divida (o oposto para as expansões); fazendo uma análise intertemporal, misturando anos de recessão e anos de expansão não é dificil chegar-se a uma correlação negativa entre divida e crescimento.

  15. ricardo saramago

    O que será que o Krugman tem?
    Fala, escreve, tem audiência.
    Serve opiniões políticas disfarçadas de análise económica a uma audiência maioritáriamente ignorante e que lê e ouve aquilo que lhe agrada sem compreender.
    Faz sucesso entre os jornalistas e vende o seu peixe.
    O homem também tem contas para pagar.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.