As greves, as centrais sindicais e etc.

O meu artigo hoje no Diário Económico:

A Frente Comum de Sindicatos da Função Pública, afeta à CGTP, antes do fim da negociação com o Governo anunciou uma greve para Junho. Passemos ao lado da evidente falta de vontade sindical de chegar a acordo, para nos concentrarmos na reação do comum português, que vive e sobrevive sem ordenado pago pelo Estado, a esta notícia: um enorme bocejo.

Já teremos uma greve dos CTT a 7 de Junho, em “defesa de um serviço público de qualidade” e contra a privatização (só motivos altruístas, claro). Teremos ainda a greve dos professores anunciada pela Fenprof (CGTP) para o primeiro dia de exames do 12º ano, que mostra como a Fenprof não rejeita prejudicar deliberadamente alunos num momento decisivo para o seu futuro.

Os sindicatos afetos à UGT ponderam associar-se às greves decididas pela CGTP, mas o potencial aumento dos grevistas não conseguirá contrariar a perda de eficácia ocorrida com a banalização do instrumento “greve”.

Outros fatores levarão ao efeito nulo da greve anunciada pela CGTP. Um desempregado ou um trabalhador de uma empresa com futuro incerto não se comove porque os funcionários públicos recusam dar o seu quinhão para os sacrifícios para que todos os do setor privado foram já chamados a contribuir, nem sequer aceitando o horário de 40h usual para a maioria das empresas (é inconstitucional, dizem).

O facto de os sindicatos não representarem “os trabalhadores” também ajuda a que o País não dê grande relevância às greves, por muito eco que tenham na comunicação social ou que causem transtornos. Em 2012, um estudo do ICS-UL concluía que 82% dos trabalhadores portugueses nunca tinha feito greve e apenas 9% o havia feito nos últimos cinco anos.

Por fim, a realidade, inflexível, não se alterará. Recusada a manutenção dos postos de trabalho na Função Pública com diminuição temporária de remunerações, resta o imperativo de reduzir o número de funcionários públicos, através da mobilidade especial ou sob outra figura. Percebe-se que as centrais sindicais se oponham: estão a lutar por manter aqueles que ainda não lhes viraram as costas.

2 pensamentos sobre “As greves, as centrais sindicais e etc.

  1. Joaquim Amado Lopes

    “Recusada a manutenção dos postos de trabalho na Função Pública com diminuição temporária de remunerações, resta o imperativo de reduzir o número de funcionários públicos, através da mobilidade especial ou sob outra figura.”
    Terá que ser outra figura porque a mobilidade especial, como é agora e pelo que depreendo da leitura do respectivo regulamento, representa muito pouca poupança para o Estado.

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