Descubra as diferenças

Ciara Whooley é uma adolescente de 17 anos que constituiu a sua própria empresa – Irish Baubles – com apenas 16 anos. Com a produção centrada na Ásia por razões óbvias, Ciara tem hoje mercado para além fronteiras e exporta activamente para o Reino Unido, EUA e África do Sul sempre com os olhos postos em expandir a sua rede de distribuidores. Por terras celtas aparentemente não houve ataques de “varicela”, não só ninguém pareceu preocupado em difamá-la pela miséria a que sujeita os seus parceiros asiáticos como ainda por cima parece que lhe tecem rasgados elogios à forma como conseguiu trazer o seu produto ao mercado a um preço acessível e montar um plano de negócio arrojado independentemente da sua idade.

Por aqui esta iniciativa rendeu-lhe já variados prémios (honoríficos e monetários) e agora, graças ao Martim, podemos saber o que aconteceria a esta jovem empreendedora se tivesse o azar de nascer em Portugal. Prémios de empreendedorismo não seriam certamente, com um bocado de azar a única coisa a que podia aspirar era sair-lhe uma pseudo-intelectual na rifa a explicar-lhe como é mau dar emprego a pessoas que não ganham o que outro tipo qualquer que não tem nada a ver para o caso acha que deviam ganhar.

E a verdade é que sendo fácil personalizar em Raquel Varela o problema, olhando para o eco que é dado às suas palavras e ao esforço dedicado a destruir a imagem do Martim por essas redes fora,  ela é apenas mais um sintoma de uma sociedade portuguesa em avançado estado de decomposição. Uma sociedade aparentemente composta de gente que não entende o que é criação de valor numa cadeia produtiva mesmo que o dito valor lhes entre pelos olhos dentro. Não admira que não percebam o porquê dos (relativamente) baixos salários em Portugal e se tornem devotos seguidores de quem disser o que eles quiserem ouvir.

Não vou ser optimista ao ponto de dizer que na ilha não há “varicelas”. Infelizmente parasitas a viver do sistema encontram-se por todo o lado, mas ao menos nos países civilizados têm a decência de não morder a mão que os alimenta (em vez de serem convidados, com o dinheiro dos contribuintes, para perpetuarem as ideias que colocaram Portugal de rastos) e isto faz toda a diferença para se poder dar um “pontapé na crise”. Já que não fazem pelo menos saiam de cima.

Ao Martim os meus parabéns pela vontade de fazer. Ser novo ajuda a não estar contaminado pelas ideias dominantes do país que habita e a levar os projectos para a frente. De qualquer forma  recomendaria que acabasse a escola e se fizesse à estrada, se não emigrar depressa Portugal dá cabo dele e da sua vontade de fazer o que quer que seja.

14 pensamentos sobre “Descubra as diferenças

  1. Ricardo Monteiro

    Nós por cá temos um miúdo como 1º Ministro, exporta portugueses como há muito não se via e trabalha afincadamente para se exportar a si próprio. Um Empreendedor portanto.

  2. Ricardo Monteiro

    E nada como um português para dizer mal do seu país e dos seus concidadãos: ” o azar de nascer em Portugal”, “uma sociedade portuguesa em avançado estado de decomposição”, “Uma sociedade aparentemente composta de gente que não entende o que é criação de valor numa cadeia produtiva”, ” Infelizmente parasitas a viver do sistema encontram-se por todo o lado, mas ao menos nos países civilizados têm a decência de não morder a mão que os alimenta”, ” se não emigrar depressa Portugal dá cabo dele e da sua vontade de fazer o que quer que seja “. Quem não pensar como o Nuno Branco considere-se descrito.

  3. rmg

    Mário Amorim Lopes (17.58)

    Alto aí e pára o baile !
    Vocês os dois são parte do problema , você menos que ele mas enfim …

    Eu esforço-me por ser parte da solução e acho que Nuno Branco tem razão ,
    não vejo onde diz mal dos portugueses que fazem pois só se referiu aos que
    não deixam fazer .

    Se eu o consigo com muito ou pouco êxito é outra história : tem dias .
    Mas não vivo na auto-flagelação própria de quem nasceu vencido .

  4. Manuel Costa Guimarães

    Caro Mário Amorim Lopes,

    “Ricardo Monteiro, eu acrescentaria: Portugal não tem um problema, nós somos o problema.”

    Fale por si. Eu não me sinto parte do problema.

  5. António Joaquim

    O Nuno foi para a Irlanda porque o verde é mais saboroso, em Portugal não há almoços grátis, o Martim ceou muito bem,

  6. MCG, eu, individualmente, também não. Mas como herança antropológica de ser português, nascido em Portugal, faço. E você também. Não tenho responsabilidade por 100 anos de desvario republicano (e uns tantos de desvario monárquico) pelo que herdei-o e, goste ou não, fazemos todos parte do problema. Ou por complacência ou por passividade. Escolha um.

  7. Manuel Costa Guimarães

    Eu gosto de pensar que herdei um fardo de loucura que a minha geração vai ter que corrigir. Sei que a minha geração vai ser sacrificada, mas só sentindo que não sou parte do problema, mas sim a ínfima parte da solução, é que consigo acordar todos os dias e ir trabalhar arduamente.
    Esta auto-comiseração tão portuga é inacreditável e eu não compactuo com ela!

  8. A. Cabral

    Sim, um país em avançado estado de decomposição, física e moralmente falando, como dizia uma personagem de “Os Brilhantes do Brasileiro” do Camilo Castelo Branco.

  9. Carlos Pacheco

    Antes uma sociedade em avançado estado de decomposição do que uma sociedade com uma bomba atómica em cima.

  10. Nuno

    Vamos lá ter calma com os “se fosse cá”, é verdade que em Portugal o discurso do desgraçadinho tem especial aceitação mas no caso concreto do Martim, o miúdo defendeu-se bem e até foi “protegido” pelo público presente no local.

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