get over it

O “Prós e Contras” de ontem, dedicado ao tema “Mudar o País ou mudar de País”, foi delicioso. Nele destaco a participação do economista e professor universitário do ISCTE Sandro Mendonça, munido das suas interessantíssimas propostas e teses, umas mais exóticas do que outras, entre as quais a introdução de um imposto para “taxar a publicidade dos bancos”, a referência ao problema “[d]a má despesa privada” (por oposição, é claro, ao problema menor da má despesa pública), sem esquecer, como não podia deixar de ser, a sua profunda reflexão quanto “[a]o direito à felicidade dos povos” (o que, por inferência, como o próprio fez questão de referir, é dizer que uns povos não podem fazer outros infelizes). Estas ideias, às quais se juntaram as sólidas teorias de Raquel Varela quanto à plena sustentabilidade do Estado social em Portugal e quanto à colectivização dos meios de produção, ou ainda as intervenções, editorialmente caídas do céu, de Paulo Côrte Real da ILGA, acerca da co-adopção de crianças por casais homossexuais, e a do treinador da equipa feminina do Clube de Rugby de São Miguel em Cascais, a propósito já não me lembro de quê, resultaram num magnífico programa que, enfim, só mesmo visto! Para mais tarde recordar.

Ps: Parabéns ao rapaz-designer-criador da marca “Over it” pela forma construtiva, e surpreendentemente madura para os seus tenros 16 anos de idade, como apresentou o seu projecto empreendedor ligado ao vestuário – que Raquel Varela tentou desconsiderar com uma conversa de chacha sobre salários mínimos – e que mereceu amplos aplausos da plateia. Muito bem; o miúdo vai longe. Tivéssemos mais miúdos assim, com garra e ganas de fazer coisas, em vez de tantos “so-called” investigadores sabe-se lá de quê, e o País muito beneficiaria. As finanças públicas também!

19 pensamentos sobre “get over it

  1. Pedrovski

    Esses investigadores e professores, tão preocupados com o bem comum dos outros que querem gerir as vidas dos outros, deveriam fazer uma associação. Proponho a criação da associação C.H.U.L.O.S. (Cidadãos Humanistas Unidos pela Liberdade e Ordem Socialistas).

  2. Miguel Noronha

    “um imposto para “taxar a publicidade dos bancos”
    Eu continuo a insistir no imposto para taxar propostas idiotas de criação de novos impostos

  3. Nuno

    Isto sem esquecer o investigador da Universidade Humboldt que quer “repensar o papel dos bancos” e para quem estes devem ser colectivizados, esclarecendo que “colectivizar não é nacionalizar”. Eu, por mim, gostava de repensar o significado da palavra ‘repensar’, especialmente quando é utilizada por socialistas.

  4. Eu confesso que fiquei estupefacto com o que ali se passou ontem. FCF começou por apelidar aquele grupo de elite intelectual por diversas vezes (contei pelo menos duas) sendo que, estranhamente, a Raquel Varela não refutou o elogio, perdão, o vitupério. Afinal, ser de elite não é mau nem um atentado à luta de classes, especialmente quando estamos do lado da elite.

    Por outro lado, toda aquela selva, aquelas intervenções caóticas, a escolha editorial que junta tudo e mais alguma coisa, a falta de um tema central. Ora se fala de modelos económicos e sociais ora se fala de rugby ora de empreendorismo. Enfim, foi mau de mais para ser verdade. Se aquilo é a nossa elite intelectual (excepção feita ao Gonçalo, Prof de Direito da UCP e à Jurista, que não me recordo do nome), estamos mesmo condenados.

  5. DavC

    O Prós e Contras nunca habituou ninguém a qualidade e a boa televisão. Mas ontem foi por demais, eu não sei se alguma vez vi um tão mau. Era difícil aquilo baixar o nível ainda mais, mas tenho que tirar o chapéu à Fátima Campos Ferreira, conseguiu!

  6. silver

    Mário, e havia o investigador do Instituto Europeu, onde o Ministro Poiares Maduro leccionava aulas

  7. MaDi

    Não esquecer também o comentário da Raquel Varela sobre o facto de não perceber porque é que há propriedade privada, que os bancos deviam ser todos públicos. Ah… e que os portugueses não devem nada a ninguém. Hilariante!
    @Mario Amorim Lopes, a jurista chama-se Bárbara Rosa.

  8. DavC

    A Raquel Varela anda aí a apregoar um estudo que fez que diz que “os trabalhadores não devem nada a ninguém”, eu não sei com que base é que diz isto, também não sei com que base é que o estudo foi publicado (e com que “peer-review”), mas gostava que alguém capaz se desse ao trabalho de analisar esse tal “estudo”. É que há aqui alguma coisa que está a falhar, se há défice e dívida do Estado…é porque o dever não bate certo com o haver, digo eu que sou burro.

  9. DavC, o que a Raquel Varela diz é, por definição, mentira. Numa empresa, quem onera as dívidas são os detentores de equity, isto é, os shareholders. Nesse caso, dívidas a credores estão circunscritas à empresa e aos seus representantes, pelo que um trabalhador dessa empresa não tem, de facto, qualquer responsabilidade. No entanto, no Estado os shareholders somos nós — todos os cidadãos capazes de exercer o voto e de nacionalidade portuguesa, trabalhadores e não trabalhadores. São os shareholders os detentores do património, mas também das dívidas. Os trabalhadores portugueses e qualquer outro português é, de facto, o devedor da dívida contraída pelo Estado.

    Não é necessário consultar números e teorias para perceber o disparate que a Raquel Varela e a sua presunção sobranceira proferem.

  10. dervich

    #9 – Eu não sou propriamente velho mas ainda me lembro de um tempo em que não havia bancos privados em Portugal…e também me lembro que a coisa não corria propriamente mal, pelo menos não tão mal como agora…

    #11 – Uma boa parcela dos portugueses deve o montante da hipoteca da sua casa e nada mais, outra boa parcela não deve nada porque é tão miserável hoje como era antes, só uma infíma parcela (<10%?) está afogada em dívidas incobráveis (isto apesar da crise e do desemprego avassaladores).
    Portanto, eu arriscaria a dizer que a Raquel Varela é capaz de ter alguma razão: Os portugueses devem todos muito quando considerados como membros de uma nação mas devem pouco quando considerados como casos individuais, o que é notável – Significa somente que foram roubados!

  11. Mas ninguém percebe que o problema não é a dívida, se existe ou não. É que se declaramos que se ela não existe, o que não existe daqui para a frente é crédito.

  12. PedroS

    “: Os portugueses devem todos muito quando considerados como membros de uma nação mas devem pouco quando considerados como casos individuais, o que é notável – Significa somente que foram roubados!”

    Também pode significar que aquilo que os portugueses recebem do Estado em serviços públicos não é totalmente suportado pelos impostos que pagam, e que por isso o Estado se tem endividado para pagar a diferença.

    PS: Não duvido que o custo efectivo dos serviços prestados pel Estado é bastante superior ao seu real valor (por ineficiências várias, imobilismo, uma cultura buocrática atroz e um sistema jurídico que parece pensado de propósito para emperrar ao máximo a vida de toda a gente). Mas dizer simplesmente que a diferença entre o custo e o valor é devido a “sermos roubados” desvia a atenção do essencial: um sistema que promete tudo a toda a gente (justiça, segurança, saúde, educação, etc.) tem inevitavelmente custos enormes, que não podem ser suportados por uma economia débil e com pouco valor acrescentado. Obviamente que se deve perseguir a corrupção, compadrios, etc. mas a colossal dívida do nosso Estado não é devida só (ou possivelmente nem sequer na sua maioria) a isso.

  13. Vivendi

    O caso do miúdo de 16 anos demonstrou que o problema do país é a maldita engenharia social da esquerda…

    Por pouco não o acusaram de ser muito novo para trabalhar e não ter formação suficiente.

  14. rmg

    Não foi só conversa de chacha .
    Foi conversa de quem come todos os dias .
    E conversa de quem sabe que vai continuar a comer .
    Porque para dizer este tipo de coisas vai haver sempre quem a queira . .
    Precisamente aqueles que ela diz combater .

  15. jhb

    Não deve haver muitos países que se podem gabar de ter uma sessão de psicanálise colectiva e de catarse nacional uma vez por semana.
    Isto sim é serviço público!
    Não tenho dúvidas de que enquanto houver programas como o Prós e Contras, tudo ficará na mesma neste país.

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