Greve em dia de exame: é certamente em defesa do interesse dos alunos

Quando os professores se queixarem da falta de respeito que os alunos lhes têem, é bom que antes de culparem os pais por não terem dado educação aos rebentos se lembrem que se calhar as culpas próprias são maiores.

13 pensamentos sobre “Greve em dia de exame: é certamente em defesa do interesse dos alunos

  1. Manuel Costa Guimarães

    Alunos? O que é que essas “coisas” têm que ver com educação ou escolas, professores, etc?

  2. Joaquim Amado Lopes

    “Os professores não têm nada a perder”, declarou Mário Nogueira.
    O que os alunos e as famílias perdem não diz respeito – nem preocupa – os professores.

  3. Os médicos prejudicam pacientes, os maquinistas prejudicam utentes, os carteiros idem, toda a gente prejudica alguém quando faz greve, mas os professores não podem fazer greve aos exames porque prejudicam os alunos, veja-se lá. E eu, provavelmente, nem vou fazer greve, mas olhe que um caso como meu cansa um bocado. Ando há dezoito anos a contratos, a fazer o mesmo que os outros e a ganhar menos, mudei de cidade há uns anos para poder continuar a dar aulas e não ficar desempregado, mesmo assim este ano estive seis meses sem dar aulas, e arrisco-me a ficar desempregado para o ano quando aquilo que sei fazer e gosto de fazer é dar aulas. Entretanto sobe-se a carga horário de muitos professores – alguns deles já completamente balhelhas, aumentam-se as turmas e por aí. Seja no ensino público ou no privado.

  4. paam

    “…mas os professores não podem fazer greve aos exames porque prejudicam os alunos, veja-se lá.”

    E o Estado não pode cortar na despesa porque não pode despedir funcionários públicos, veja-se lá.

    Nem despedir, nem mobilidade especial, nem sequer avaliar quando mais reformar o sistema de ensino.

  5. Por acaso, este ano saíram do sistema de ensino vários milhares de contratados. Não é despedimento, tecnicamente, mas deixaram de trabalhar para o estado. Quanto ao resto, não sabia que a única forma de reduzir a despesa é despedindo funcionários públicos. E, já agora, em relação aos professores há muito que o estado anda a reduzir a despesa. Como nos últimos dez anos entraram poucas centenas de professores para o quadro tem-se recorrido sobretudo a contratados. Quando comecei a trabalhar ganhava uns 900 euros, a cálculos actuais. Como contratado, ando há coisa de dez anos a ganhar à volta de 1050 euros limpos. Estivesse no quadro e ganharia mais. Faço o mesmo trabalho que os outros. Se isso não é reduzir a despesa do estado é o quê?

  6. murphy

    Uma nota pessoal… … ingressei no ensino superior em 1993, já na altura existiam professores no desemprego e se sabia que a tendência (demográfica) era a redução do n.º de alunos – quantos professores se formaram desde então?

    Desde os anos 80 que a taxa de natalidade em Portugal não para de cair. No entanto, o rácio de professores Vs aluno nas nossas escolas não pára de subir.
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/05/historias-que-todos-conhecem.html

  7. Vasco

    Embora não simpatize de todo com a causa dos profs se calhar o melhor seria a Maria João escolher a data da greve.

  8. jo

    As greves devem ser feitas quando não prejudicarem ninguém. Proponho que se façam greves ao trabalho quando os locais de trabalho não estiverem a funcionar.
    Estendendo este conceito de luta proponho que as forças armadas só tenham armas de papelão para não magoar ninguém.
    E na economia só se venda um produto se não prejudicar a venda das concorrência.
    Que parte do conceito de luta é que não entende? Só se pode lutar se não se prejudicar a outra parte?

  9. paam

    João,

    Despedir não é a única forma de reduzir a despesa, pode-se tentar reformar o sistema aumentando a sua eficiencia. Mas quando a maior fatia de despesa são os salários, convenhamos que é díficil baixar a despesa sem despedir funcionários.

    Se o Estado anda à muito a reduzir a despesa com os professores não o tem feito na Educação em geral. Em 1999 Portugal gastava 5.3% do PIB em Educação, em 2007 gastava exactamente o mesmo valor. Sempre acima da média europeia, até a crise de 2008 chegar. http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&id=69

    “Estivesse no quadro e ganharia mais. Faço o mesmo trabalho que os outros. Se isso não é reduzir a despesa do estado é o quê?”

    É ser enganado. Os professores em final de carreira em Portugal são os mais bem pagos, em relação ao PIB per capita, da Europa. Ganham três vezes mais que o PIB per capita. Se reparou no gráfico do link anterior, a Dinamarca, por exemplo, é o pais que mais gasta em educação (7,8% do PIB) no entanto os professores em final de carreira tem o salário mais baixo, 1,15 em relação ao PIB per capita. E até “no que diz respeito aos que ganham menos, ou seja, ao salário mínimo de um professor, os portugueses também não ficam mal colocados. Ao seu lado estão ainda os colegas alemães, gregos, espanhóis e ingleses. Todos acima do PIB “per capita”. http://www.publico.pt/educacao/noticia/salarios-relativos-dos-professores-portugueses-acima-da-media-europeia-1165122

    E os sindicatos têm uma grande responsabilidade pela situação actual. Nem que seja pelas centenas de professores sindicalizados que nem um pé colocam dentro de uma sala de aula.

  10. “são os mais bem pagos, em relação ao PIB per capita”

    Não sei se é verdade, mas se for é perfeitamente natural. Quanto mais pobres forem os países maior é o diferencial entre tabalhadores não qualificados e qualificados.

    Quanto ao direito à greve, é um considerado indispensável num sistema liberal apenas limitado em sectores especiais que não incluem o ensino(forças armadas, etc.).

    Quer concordemos ou não com as suas motivações (pessoalmente preferia que lutassem por outras causas), é um direito que lhes assiste mesmo que isso nos transtorne a vida.

  11. Joaquim Amado Lopes

    jo (8),
    “As greves devem ser feitas quando não prejudicarem ninguém.”
    Não é preciso. Basta que os sindicatos e os grevistas respeitem a Lei da greve da mesma forma que exigem que os outros a respeitem. Nomeadamente em dois aspectos:
    1. Serviços mínimos decretados pelos tribunais;
    2. O direito à greve não implica dever de fazer greve nem inclui o direito a impedir a circulação de quem decide não fazer greve.

    Também ajudava se fazer greve implicásse apresentar-se no local de trabalho e manifestar estar em greve.

  12. Francisco Lopes

    Greve de médicos: o risco de vida não conta para nada…
    Greve de transportes… o facto de se perder um dia de trabalho não conta
    Greve de professores… mesmo sabendo que não deixam de ter classificações no fim… mesmo sabendo que as avaliações vão acontecer embora provavelmente mais tarde… prejudica gravemente o “futuro” (Mas que futuro????) dos alunos… Ao menos que alguém assuma… dá mau jeito nas férias… não é? Ninguém vai deixar de ter as classificações para o novo ano … ninguém vai ter classificações que lhe permitam entrar em universidades antes de outros… são mesmo as férias não é? Creio que a luta pela educação dos nossos filhos e pela dignidade da profissão é capaz de ser menos importante que aquele pacote de férias que alguém comprou no Natal com um fabuloso desconto!

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