Causas invertidas

Hoje, e sem que tenha havido um debate minimamente consistente na sociedade portuguesa, foi aprovado um projecto de lei que permite a co-adopção por casais homossexuais.

Mais uma vez, promovem-se diplomas que se centram no egoísmo e na afirmação de “causas”, em vez de se definir aquilo que realmente deveria interessar ao Estado: o superior interesse das crianças.

Uma adopção que pondera como critério inclusivo ou exclusivo (no sentido da exclusão) a identidade sexual dos responsáveis fere a neutralidade que deveria informar estas leis.

O que eu gostaria é que se discutissem leis que definem critérios claros centrados no interesse das crianças, que se promovesse um sistema que avalie se os candidatos à adopção, em concreto, são ou não idóneos para educar uma criança, nas circunstâncias objectivas e subjectivas em que vivem, e face a outros candidatos, e não a consagração de “direitos” baseados em aspectos tão voláteis como a identidade sexual. Esta obsessão do Estado de se meter na cama dos cidadãos, e de alguns cidadãos promoverem o vouyerismo estatal desfoca a discussão daquilo que é essencial.

7 pensamentos sobre “Causas invertidas

  1. MaDi

    “O que eu gostaria é que se discutissem leis que definem critérios claros centrados no interesse das crianças, que se promovesse um sistema que avalie se os candidatos à adopção, em concreto, são ou não idóneos para educar uma criança, nas circunstâncias objectivas e subjectivas em que vivem, e face a outros candidatos”. Se acha que isso é mesmo função do Estado, porque não avaliar as pessoas em idade de reprodução para ver se são ou não são idóneos para educar uma criança? Só aqueles que estariam “à altura” é que poderiam procriar.

  2. FilipeBS

    MaDi,
    Todas as pessoas têm o direito inalienável de procriar. É um direito dado pela biologia, não atribuido pela sociedade ou pela política. Mas quando uma criança já existe, e está a cargo do Estado, seja por que motivo for, o Estado tem, nesse caso, a obrigação de zelar pelo maior interesse das crianças. De recordar que as crianças são dependentes, e não podem tomar conta de si próprias na sociedade em que vivemos. Portanto, aquilo que você compara não é minimamente comparável.

  3. politologo

    MaDi
    E porque não ? Exigem-me uma carta de condução . Exigem-se inúmeros requisitos para o exercício de determinadas profissões . Acha que qualquer par de seres é competente para a educação de um ser ? Não . Então temos a educação em que os filhos batem nos pais e os pais batem nos professores .Ad minus exigir-se-ia formação prévia obrigatória . A biologia e o primata precedem a Sociologia … . De passagem pela Holanda , recordo uma holandesa grávida que era obrigada todas as semanas a ir ao centro de saúde . Em caso de falta era imediatamente recolhida pela Policia .

  4. rmg

    MaDi

    Grande confusão que vai por aí .
    Nem me atrevo a comparar o seu raciocínio com os que determinado sujeito de bigodinho fazia cá pela Europa há uns 80 anos .

    Então se , como FilipeBS diz , a criança existe e está a cargo do Estado como é que se faz ? Tira-se à sorte ?
    É que me parece que na frase que cita não está em sítio nenhum escrita qualquer especificidade dos candidados a adoptar .

    É o que dá disparar para onde se está virado …

  5. MaDi

    @FilipeBS: Claro que eu acho que a partir do momento que uma criança está a cargo do Estado, deve-se ponderar o superior interesse das crianças. E é o que eu presumo que se faz, avalia-se caso a caso se as pessoas que querem adoptar são capazes de dar as melhores condições para as crianças. Antes desta lei, havia um impedimento que parte da população pudesse candidatar-se. Agora já podem. Ainda bem! Há mais por onde escolher…
    @rmg: Não há confusão nenhuma que vai por aqui. E a comparação foi propositadamente provocatória. A questão é que não se pode excluir em bloco o acesso de uma parte da população à adopção simplesmente por causa da sua sexualidade. O post foi escrito como se não houvessem critérios para a adopção já previstos, o que obviamente há. Até hoje, não me parece ter havido grandes problemas com o sistema de adopção, pelo que se presume que funciona bem. Dizer que foi um diploma centrado no egoísmo ou em “causas” parece-me erróneo. Foi apenas um diploma que permite uma maior igualdade entre os cidadãos no acesso à adopção.

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