afinal, faz ou não sentido que a direita seja liberal e conservadora?

Aqui há uns dias defendi neste blog, em dois artigos publicados, que o liberalismo deveria ser colocado na direita político-partidária (não esquecer que a “direita” é, sobretudo, uma posição geométrica…), devidamente acompanhado pela boa tradição conservadora. Por isto eu queria essencialmente dizer que deve ser na direita política que devemos procurar (e encontrar) os valores da liberdade individual, da defesa da propriedade e da livre-iniciativa, do mercado não intervencionado, do governo com poderes limitados, do estado regulado pela lei e pelo direito (não sendo este último a simples expressão da vontade do legislador, mas o acervo das regras sociais espontâneas, gerais e abstractas), mas também a defesa dos valores sociais tradicionais, do respeito pela religião e pela liberdade religiosa, da ordem social que resulta da vivência comunitária e dos princípios, costumes, normas e regras que a conformaram ao longo do tempo. E colocado na direita política por quê? Por várias razões, algumas delas muito longas para poderem ser aqui expostas, mas sobretudo por duas muito pragmáticas: porque isto tem de ser defendido por alguém que aja politicamente na esfera da soberania e porque, se à direita poderemos ter dificuldade em encontrar alguns ou mesmo muitos destes valores, na esquerda não os  encontraremos de certeza absoluta. A maioria dos meus colegas e comentadores manifestou-se assumidamente contra esta ideia, defendendo que a direita era excessivamente conservadora e “bota-de-elástico” para poder ser considerada liberal, e que o liberalismo melhor ficaria distante dela, num qualquer limbo político de que ainda não consegui perscrutar o lugar. Pois bem, hoje tivemos a resposta a algumas destas ansiedades e dúvidas. E ela não nos foi muito simpática.

Com uma plena maioria parlamentar de direita, que sustenta um governo com a mesma identidade, foi aprovada uma lei que, na prática, abre alas à adopção de crianças por casais de pessoas do mesmo sexo. A lei beneficiou dos votos favoráveis e de abstenções de diversos deputados dos dois partidos da direita do regime, entre eles alguns destacados liberais e conservadores, como são os casos de Michael Seufert e João Rebelo, ambos do CDS. A coisa não teve praticamente debate público, e os referidos dois partidos deram liberdade de voto aos seus deputados, alegando tratar-se de matéria de “consciência pessoal”. É evidente que as “consciências” dos senhores deputados do PSD e do CDS de nada são para aqui chamadas. O que está em causa é saber o que os seus eleitores – a quem têm a obrigação de representar – pensam deste assunto e o que esperariam que tivesse sido o voto deles. Dito de outro modo, o que estava em causa era saber se a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo é um valor moral da direita e se estes partidos e os seus dirigentes sabem que valores devem representar e defender nos órgãos de soberania para os quais foram eleitos.

Ora, convém recuperar também a memória do que se tem passado, em Portugal, em relação aos valores que considero próprios do liberalismo e do conservadorismo. Já com este governo, os impostos foram aumentados de forma inédita e nunca vista. As razões podem ser até politicamente compreensíveis, dada a situação de ruptura das finanças públicas herdada do anterior governo, mas a verdade é que o governo só dois anos depois de começar as aumentar impostos severamente (durante os quais deixou o estado socialista na mesma), iniciou uma tentativa de implementar um programa de reformas que possam diminuir o peso absurdo do estado na sociedade e na economia, e, consequentemente, reduzir a esmagadora carga fiscal que pesa sobre os portugueses. O intervencionismo e a ameaça fiscal nunca foram tão grandes como nestes últimos anos e, por isso, não há mercado que seja livre ou propriedade que esteja a salvo numa situação como esta.

No que se refere aos valores conservadores tradicionais, a coisa não poderia estar pior. O casamento de pessoas do mesmo sexo está legalizado. Ainda que não o tendo sido por esta maioria, tudo leva a crer que quem aprova a co-adopção por estes casais teria forçosamente de apoiar que eles se constituíssem legalmente (“quem pode o mais, pode o menos”, obviamente). O aborto continua livre e a ser prestado gratuitamente pelo Serviço Nacional de Saúde, sem que ninguém tivesse questionado se a gravidez indesejada deve ser considerada uma doença com “tratamento” patrocinado pelos contribuintes, numa situação de emergência financeira onde os tratamentos de saúde são racionados ao limite do imaginável. Os símbolos religiosos desapareceram das escolas e dos locais públicos para não mais voltarem. Em síntese, a defesa dos valores tradicionais da família, da vida e da religião foram postos em causa, sem que a maioria PSD-CDS pareça incomodar-se com isso, ou sequer pretender reavaliar essas “conquistas civilizacionais”.

Estando, pois, estes valores num verdadeiro estado de abandono político, convém que nos interroguemos por que razão isso sucede. Formulando a questão de outro modo, ela pode ser vista assim: a quem deverá competir a defesa político-partidária destes valores e de outros que necessariamente compõem o ideário liberal e conservador? Onde os devemos procurar e onde deveremos ter a expectativa de os vir a encontrar? Admitindo que alguns deles possam não ser comuns a ambas posições, a verdade é que a sua maioria o é. Mesmo no que se refere àquelas regras de vida que possam parecer mais retrógadas e passadistas, há que recordar a importância que Hayek e muitos outros liberais clássicos atribuíram à tradição, enquanto processo de transmissão de informação e de valores úteis à formação de uma ordem social espontânea, ou de mercado lato sensu. E, também, o desagrado de todos os liberais pelo voluntarismo político de intromissão na ordem social, que é próprio destas rupturas, o que leva à natural defesa do direito ao que está, se o que está for genuinamente espontâneo e não ordenado pela soberania.

A resposta parece-me evidente: se a direita não defender estes valores, e se liberais e conservadores não considerarem a direita como coisa sua que tenha a obrigação de os representar, a ignorância e o analfabetismo continuarão a predominar nas cabeças desta gente, para quem a liberdade, o conservadorismo e os seus valores querem dizer coisa nenhuma, enquanto a sensibilidade lacrimejante da deputada Isabel Moreira placidamente continuará a dispor das nossas vidas. Depois, não se queixem.

38 thoughts on “afinal, faz ou não sentido que a direita seja liberal e conservadora?

  1. Vitor Gorjão

    “Admitindo que alguns deles possam não ser comuns a ambas posições”. penso que ambas as posições reparam que se passa à vol d’oiseau sobre o busílis da questão.

  2. Francisco

    O facto dos 2 deputados do CDS que mais se consideram na categoria de liberais serem precisamente os que se abstiveram em relação à co-adopção revela que a definição de liberal do rui a. é tudo menos consensual. E de facto liberalismos e conservadorismos há muitos. Cada um com as suas incompatibilidades e prioridades.

  3. Francisco

    Esqueci-me do Adolfo Mesquita Nunes, que presumo ter votado contra. Só confirma a diversidade.

  4. blitzkrieg

    Os liberais de esquerda são uma coisa estranha, a cheirar a “Bloco de Esquerda”. Os liberais de direita não têm representação política em Portugal, com o PSD como partido conservador de esquerda (posição natural da social democracia) e o CDS situado à sua esquerda, por incrível que pareça, mas os desvios esquerdistas dos seus ministros não deixam margem para dúvidas.

    A Direita pode dividir-se entre liberal e conservadora. Eu posiciono-me na ala liberal, aquela que quer ver um Estado mínimo, que por mim devia ter um terço do tamanho que tem hoje, com tudo o que isso implica na Educação e Saúde (em ambos o Estado é um prestador de serviços como qualquer privado), na Segurança Social (o Estado Social devia ser uma rede básica de segurança e não o enorme colchão espesso que é hoje, que desresponsabiliza os seus cidadãos), etc.

    A Direita Conservadora cheira a religião (não entendo a razão de um Estado suportar especificamente uma religião, seja ela qual for), mas percebe a importância do conceito de família como unidade central das sociedades humanas.

  5. Jónatas

    Não se entende como você concilia “sou a favor da liberdade individual” com “deve-se proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo”. Ou se é a favor de deixar que as pessoas sejam livres de fazer o que entendem consigo mesmas ou se é a favor de proibir que as pessoas sejam livres de fazer o que entendem consigo mesmas.

  6. rui a.

    Essa é fácil. Repare: os conservadores consideram o casamento uma instituição social, eventualmente inspirada por Deus e que deverá ser celebrada na Sua presença, pelo que não se lhe deve mexer; os liberais consideram-o uma instituição social, ou resultante da ordem social espontânea, ou resultante da liberdade contratual, ou resultante do mero reconhecimento da utilidade do acto, ou de tudo isto em conjunto, pelo também entendem que não se lhe deve mexer por ordem legislativa; os conservadores consideram que a instituição «casamento» não deve alargar-se a situações que não as tradicionais, sendo que, apesar de considerarem moralmente condenável a união de duas pessoas do mesmo sexo, consideram que dentro das suas portas cada um faz o que quer, o que conduz, no plano civil, ao entendimento da liberdade contratual de duas pessoas do mesmo sexo estabelecerem um vínculo de união e de vida em comum, que nenhum conservador se lembrará de pretender proibir, embora possa moralmente condenar; por sua vez, os liberais entendem que as instituições da ordem social espontânea não devem ser alteradas/modificadas pelo legislagor, pelo que condenam, também, o desvirtuamento legal da instituição «casamento», embora defendam a liberdade contratual de dus pessoas firmarem – nos termos que melhor lhes sejam convenientes – as suas relações pessoais e familiares. Não é muito diferente, pois não?

  7. Euro2cent

    > as pessoas sejam livres de fazer o que entendem consigo mesmas

    “No man is an island”, como um liberal qualquer escreveu.

    (A dignidade humana é incompatível com a liberdade absoluta. Discutam.)

  8. Jónatas

    Percebo a lógica, Rui. Mas está inquinada. E está-o no momento em que diz que os conservadores não querem proibir a união de pessoas do mesmo sexo, mesmo que não concordem com isso moralmente. Querem. Ou queriam. Nem é preciso lembrar que quer PSD quer CDS votaram contra o casamento civil de pessoas do mesmo sexo para perceber o que estou a dizer. Muito menos o papel da Igreja Católica nesta área. Nem tão pouco relembrar tantas e tantas posições e opiniões de conservadores na praça pública. Se fosse como você diz, não levantaria a questão. Mas não é como você diz.

    E sou-lhe sincero, não consigo entender quando diz que os liberais defendem a liberdade contratual de duas pessoas firmarem as suas relações mas que estão contra o desvirtuamento da instituição “casamento”. É óbvio para todos que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um desvirtuamento da instituição “casamento” tradicional. Por isso, ser-se contra o desvirtuamento da instituição “casamento” implica negar a liberdade contratual de duas pessoas que se queiram unir e que tenham o mesmo sexo. Acho ambas as ideias, mais uma vez, inconciliáveis.

  9. Pingback: ainda a direita | BLASFÉMIAS

  10. Seguindo a sua lógica do respeito dos deputados pelos seus eleitores ( com a qual concordo) este governo já devia ter caído porque, nomeadamente na aprovação do OE 2013. Sabe tão bem como eu que alguns deputados do CDS votaram contra a sua consciência e trairam os seus eleitores

  11. Nuno

    Num país com um sistema de eleição indirecta não deveria ser permitido qualquer tipo de liberdade de voto, nem neste nem em qualquer outro assunto em debate. Não há maneira de reflectir o pensamento do eleitor na composição da Assembleia da República e tampouco de sujeitar cada deputado às consequências dos seus actos. O que há são posições difusas dos partidos e, nos seus interstícios, a discricionaridade de cada deputado. É como se cada um deles detivesse o poder absoluto, válido apenas para cada votação com liberdade de voto, em que a sua consciência é independente da vontade popular, de onde supostamente emana o seu poder.

  12. Joaquim Amado Lopes

    Rui A.,
    Pode explicar por que razão escreve “uma plena maioria parlamentar de direita” e a seguir demonstra que a maioria parlamentar e o Governo que esta sustenta não são de direita?

  13. lb

    A birra de alguns liberais/conservadores/qqcoisa com o casamento e adopção é de uma infantilidade atroz. Vivam e deixem viver.

  14. lucklucky

    É a descoberta que o CDS e o PSD não são de direita como é obvio. Talvez algumas pessoas desses partidos o sejam. Mas nada mais. Aliás o mesmo se passa com Cameron no Reino Unido etc…

  15. YHWH

    Existe contradição lógica fundamental entre ser Liberal (na total e integral acepção do conceito) e Conservador (no mesmo grau total e integral de acepção).

    Donde, supondo a inexistência de liberais puros e de conservadores puros, quanto mais liberal se for, menos conservador se será.

  16. António Joaquim

    Aqui é que a porca torce o rabo. Como é que um liberal pode ser de direita ou de esquerda? Por isso é que é de desconfiar dos ditos liberais portugueses que na prática pensam e agem como fascistas, sim, fascistas. Um liberal é um independente certo?

  17. Vitor Gorjão

    Se consegue garantir que “nenhum conservador se lembrará de pretender proibir, [o que] possa moralmente condenar” nem usar o estado como instrumento para impor o que moralmente defenda, então tem razão: um programa comum é fácil, (a parte económica não levantará problemas). Desconfio, contudo, que haja conservadores que não se sintam muito confortáveis com essa limitação. E são fáceis de encontrar, até aqui no Insurgente.

  18. luis o

    “voluntarismo político de intromissão na ordem social, que é próprio destas rupturas”

    E não será que a relativa aderência do PSD e do CDS a esta ruptura não expressa a opinião de boa parte do seu eleitorado? Penso que expressa, principalmente dado o crescimento do CDS no eleitorado jovem urbano e a quantidade de votos ao centro que caíam nas últimas eleições para o PSD.

    Também me parece que a ordem social depende cada vez menos da tradição, e não vejo esta ruptura com a tradição como voluntarismo político de intromissão na ordem social. A ordem social depende da comunicação na sociedade, e esta comunicação é cada vez menos atravessada pela tradição, pela “moralidade”, ou pelos “valores”. O movimento é qualquer coisa como: cada vez preciso menos de referências externas óbvias e descaradas como a religião ou a lei da minha nação para formar a minha opinião individual, e cada vez estou mais convencido que a minha opinião é individual e é relevante para os outros, fazendo questão de a por a circular, no blog ou no facebook. A consequência é que a ordem social é cada vez mais volátil, e isto favorece a indeterminação de conceitos de conteúdo social como “família” ou “género”.

  19. Rui

    Há muito tempo que não venho chatear os Insurgentes, por isso vou gastar alguns desses pontos acumulados no cartãozinho de cliente assídua:

    “Estando, pois, estes valores num verdadeiro estado de abandono político, convém que nos interroguemos por que razão isso sucede. Formulando a questão de outro modo, ela pode ser vista assim: a quem deverá competir a defesa político-partidária destes valores e de outros que necessariamente compõem o ideário liberal e conservador? Onde os devemos procurar e onde deveremos ter a expectativa de os vir a encontrar?”
    Aqui prevejo que o Rui vá sofrer uma grande desilusão: as pessoas concretas, os eleitores, a população em geral, já está noutra plataforma: o pragmatismo, a vida diária, a sobrevivência. Já se adaptou às novas circunstâncias, tem de cuidar das suas crianças e dos seus velhos (coisa abandonada por este governo na sua cultura “liberal-conservadora”). Portanto, se o Rui olhar em volta vai perceber que provavelmente esses valores liberais-conservadores que refere estão sobre-representados na Assembleia da República até relativamente à sua própria base eleitoral. É na AR que agora estão os “bota-de-elástico”, os obsoletos, os desligados da realidade concreta.

    “… se a direita não defender estes valores, e se liberais e conservadores não considerarem a direita como coisa sua que tenha a obrigação de os representar, a ignorância e o analfabetismo continuarão a predominar nas cabeças desta gente, para quem a liberdade, o conservadorismo e os seus valores querem dizer coisa nenhuma, enquanto a sensibilidade lacrimejante da deputada Isabel Moreira placidamente continuará a dispor das nossas vidas. Depois, não se queixem.”
    Aqui também me parece que o Rui vai ser surpreendido pela realidade: 1 – alguns deputados da direita (geográfica…) quando lhes dão alguma “liberdade de voto, ou seja, “liberdade de consciência”, aproveitam para seguir a sua própria perspectiva; 2 – ultimamente tenho constatado que a esquerda (geográfica…) se tem revelado muito mais calma e sensata, no discurso e no comportamento, do que a direita (geográfica…); 3 – a agressividade irónica está a passar para a direita (geográfica…) no discurso e no comportamento.

    Cumprimentos
    Ana

  20. A opinião de um liberal que refuta e renega, como Hayek ou Friedman o fizeram, o conservadorismo: naturalmente que ninguém tem a ver com as opções sexuais e matrimoniais de ninguém. Aliás, a ser verdade que a homossexualidade é genética (e aliás existe em todos os animais), precede certamente em largos anos a instituição social e humana do matrimónio. E mantendo esta premissa como válida — e cujo corolário é que a homossexualidade não é uma doença — então é também perfeitamente natural que um casal homossexual possa adoptar uma criança. Esta posição é contestada, naturalmente, por via do dogma da vontade divina. Se a primeira questão é puramente da esfera da liberdade individual, a segunda é mais difusa, reconheço, e imagino que não seja vista da mesma forma por todos os liberais. Tal como a questão do aborto, em que a minha posição é paradoxal: eu próprio não o praticaria, mas não me julgo competente para proibir alguém de o fazer. É uma decisão, novamente, da esfera privada.

    Embora conservadores e liberais possam e devam coexistir nos assuntos económicos — dos quais têm a mesma visão, isto é, da defesa da liberdade individual e da meritocracia — não consigo vê-los como compatíveis nas questões sociais.

  21. FilipeBS

    Concordo com a ideia de que o liberalismo e o conservadorismo sejam dois grandes ramos da direita. Têm em comum a sua posição face à “igualdade” (a principal distinção esquerda/direita está precisamente na forma como se posiciona face ao conceito de “igualdade”). Ambos os ramos defendem também a meritocracia, o que decorre precisamente desse posicionamento. Mas no que respeita ao papel do Estado na sociedade/economia, e várias questões sociais (e.x. liberalização de drogas, tolerância face a comportamentos que não estão na norma), aí poderá haver divergências importantes. Também nas questões de soberania nacional, poderá haver divergências. Seja como for, começa a ser evidente que a Direita, seja ela conservadora ou liberal, não tem representação política. Depois há ainda a direita nacionalista, que é conservadora, identitária e soberanista.

  22. Sebastien De Vries

    1. Em Portugal, não há direita liberal ou conservadora. Nunca houve em democracia. Há carreiras políticas, gostos, ares, apostas, escolhas após uma conversa de café, … O ensino público está formatado (ainda). A. Smith ou Hayek não aparecem na secundária. Mas Marx por lá figura…
    Caso houvesse uma direita liberal, já tinha havido tiros com o aumento de impostos e o confisco a salários, caso houvesse direita conservadora há muito que o mesmo teria sucedido (desde o casamento pirim-limpimpim). Não pensem que as pistolas é no Faroeste por ser o Faroeste, é por causa da Propriedade.
    *
    O que existe é um povo “mais-ó-menos”, “amanhã-logo-sevê”, “caaallmmmmaaaa”, e etc..E que sobretudo gosta de spa, guru, timoneiro do povo, pai cavaco, ou papá salazar.
    *
    2. Provas:
    –o sector industrial português é dependente do Estado, e foi sempre.
    –os grupos económicos eram impulsionados pelo Estado, sobretudo por uma Administração Pública competente casada (literalmente às vezes) com o empresariado..
    –gente incompetente e afastada pelo mercado laboral , em Portugal , atinge a política, seja vereador ou deputado.
    –o povo não gosta de gente rica, apesar de a tentar imitar.
    –o povo quer o fim de semana, e a partir de segunda manda bitaite.

  23. Comunista

    “o povo quer o fim de semana, e a partir de segunda manda bitaite.”

    Para mim há poucas coisas mais estúpidas do quer querer inserir a culpa no gosto do fim-de-semana, no gosto do lazer. Enfim, se quiserem apaguem isto, mas bardamerda para este Sebastian De Vries.

    “(…)
    Three characteristics of the religious structure of capitalism are, however, recognizable at present. First, capitalism is a pure religious cult, perhaps the most extreme there ever was. Within it everything only has a meaning in direct relation to the cult: it knows no special dogma, no theology. From this standpoint, utilitarianism gains its religious coloring. The concretization of the cult connects with a second characteristic of capitalism: the permanent duration of the cult. Capitalism is the celebration of the cult sans rêve et sans merci.¹ Here there is no “weekday”, no day that would not be a holiday in the awful sense of exhibiting all sacred pomp – the extreme exertion of worship. Third, this is a cult that engenders blame. Capitalism is presumably the first case of a blaming, rather than repenting cult. Herein stands this religious system in the fall of a tremendous movement. An enormous feeling of guilt not itself knowing how to repent, grasps at the cult, not in order to repent for this guilt, but to make it universal, to hammer it into consciousness (…)”

    Walter Benjamin, “Capitalism as Religion”

  24. lucklucky

    Um belo retrato do Comunismo essa citação.Chama-se projecção e é típico do newspeak que George Orwell demonstrou, comunismo = mentir com todos os dentes.

    Lembremos os dias dados para a nação oops! pátria que nação é palavra fascista enquanto a grande guerra patriótica oops patria já pode ser proletaria. Lembremos os milhões assassinados pelo comunismo, por terem um familar “da reacção” , os kulak , os processos de Moscovo especializados em matar …. comunistas. Sim bastava vestir mais assado para se ser parte da burguesia a eliminar. De Angola e dos 1,5 milhões de mortos do 25 de Abril às perseguições e canibalismo na China da Revolução Cultural…

    Só uma religião ao nível do Extremismo Islâmico poderia ter semelhantes resultados.

  25. Comunista

    Walter Benjamin apanhou bem a estrutura religiosa do capitalismo – basta vir aqui, não há dia que não seja dia de culto do capitalismo e toda a vossa conversa desde há anos e todos os dias é a da culpa.

  26. lucklucky

    Escusas de projectar por aqui.

    Culpa e Vergonha é o que o Comunismo precisou desde sempre para dominar os outros.
    O Comunismo é uma ideologia que controlar tudo na vida humana – tal como as religiões mais fanáticas- logo tem inúmeras oportunidades para culpar alguém e o subjugar.

    Desde a comida ao dinheiro, do divertimento às artes, da roupa ao penteado: http://www.nydailynews.com/news/world/n-koreans-hairstyles-limited-28-state-approved-cuts-article-1.1277898
    Tudo serve para acusar alguém de inimigo da revolução.

  27. Rúben Lopes

    O casamento ou a sexualidade pertence ao mundo privado das pessoas. A solução é retirar o Estado fora do casamento, e acabar com a treta do casamento civil. Não cabe ao Estado decidir o que é o casamento e o que não é. O casamento e adopção pelos LGBT é apoiado pela esquerda por motivos culturais marxistas, pois promove a destruição dos da sociedade ocidental (como o Gramsci queria) e além disso, cria mais blocos sociais subsidiários, de onde a esquerda pode arranjar mais apoios permanentes (visto que são eles os defensores de tal sistema). A única razão pelo qual o casamento LGBT é apoiado por estes, é porque estes querem usufruir do mesmo sistema subsidiário que os casais heteros. Se tivessem mesmo orgulho do que eram, então não realizaram um ritualE sim Amorim Lopes, há casos em que a homossexualidade é genética, mas muitos devem-se à influência da cultura degenerada com que lidamos os dias de hoje. Homossexualidade é genética, mas a sexualidade é uma escolha.

  28. Rúben Lopes

    (Nota: não acabei bem o meu último comentário.): “Se tivessem mesmo orgulho do que eram, então não realizaram um ritual, que é por natureza, heterossexual. E sim Amorim Lopes, há casos em que a homossexualidade é genética, mas muitos devem-se à influência da cultura degenerada com que lidamos os dias de hoje. Homossexualidade é genética, mas a sexualidade é uma escolha.”

  29. Rúben Lopes, que me diga que existe algum afloramento propositado de alguns, numa posição típica de je suis ici, cherchez la femme, concordo inteiramente. Mas isso não é tanto devido à “influência de uma cultura degenerada” (ora aqui está uma frase conservadora🙂 mas tanto devido à repressão a que foram sujeitos durante muitos anos. Trabalhei em San Francisco e posso-lhe dizer que conheci muita gente que nunca diria que é gay. Quando esta questão deixar de ser tabú, estou certo que diminuirão os comportamentos típicos de um recém saído do armário. Ainda hoje conheço pessoas com medo de se afirmarem, levando-as a viverem vidas duplas e mais tarde a desiludir mulheres e filhos. Era tão melhor, digo eu, que o abjecto moralismo que paira sobre a homossexualidade desaparecesse. Afinal, isso é um atributo do indivíduo e, como tal, deve ser respeitado. E é precisamente questões como estas, a do respeito pelas opções do indivíduo, que nos separam da extrema-direita nacionalista.

  30. Lobo Ibérico

    @Comunista,

    “(…) Three characteristics of the religious structure of capitalism are, however, recognizable at present. First, capitalism is a pure religious cult, perhaps the most extreme there ever was. Within it everything only has a meaning in direct relation to the cult: it knows no special dogma, no theology. From this standpoint, utilitarianism gains its religious coloring. (…)”

    O Capitalismo, utilitarista?
    Hahahaha.

    Engraçado, eu pensava que o consequencialismo grassava sim no sistema que promove, onde um “bem comum” se torna a justificação para todo o tipo de atropelos aos direitos de cada um.
    Um acto imoral será _SEMPRE_ imoral. Independentemente do resultado final.

    “The concretization of the cult connects with a second characteristic of capitalism: the permanent duration of the cult. Capitalism is the celebration of the cult sans rêve et sans merci.”

    North Koreans would beg to differ.

    Epic fail.

  31. Rúben Lopes

    “Era tão melhor, digo eu, que o abjecto moralismo que paira sobre a homossexualidade desaparecesse. Afinal, isso é um atributo do indivíduo e, como tal, deve ser respeitado. E é precisamente questões como estas, a do respeito pelas opções do indivíduo, que nos separam da extrema-direita nacionalista.”

    Também respeito a liberdade homossexual, mas por favor: não prejudiquem o resto da sociedade, ao forçarem a política a promoverem o seu estilo de vida. Na minha posição não há nada de “extrema-direita”. Sou próximo ao ancapismo, completamente contrário aos totalitarismos. Chame-lhe assim se quiser, mas uma é coisa tolerar, e outra coisa é promover tal modo de vida. E isto é tão importante, numa situação actual, em que a natalidade desce e a população idosa aumenta. Não é preciso ser da “extrema-direita” para perceber isso, mas sim ter um visão realista, junta a como a Natureza funciona. Como disse anteriormente, não devia caber ao Estado definir o que é o casamento, além de que se devia abolir o casamento civil. Acho que tal medida (que é liberal) iria pôr termo a tais conflitos sectários (entre os pró e os anti casamento e adopção pelos LGBT). Assim cada um ia pelo seu caminho, e o marxismo cultural não impunha tal tema na política.

  32. Pingback: Liberalismo e Conservadorismo | O Comité

  33. Jose Macedo

    Boa tarde. E então o direitos dos homossexuais não constituem liberdades individuais tal como o direito à propriedade? Para mim, como liberal, ambas são. Porque é que o liberalismo económico terá de vir sempre acompanhado de conservadorismo social? Alguma vez o liberalismo social pôs em causa o liberalismo económico? Parece-me mais uma contradição. cumprimentos

Deixar uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Alterar )

Connecting to %s