Foi você que pediu igualdade?

‘O diploma enviado aos sindicatos com as alterações às regras da mobilidade especial revoga o artigo que protegia uma fatia dos funcionários públicos dos despedimentos coletivos ou por extinção do posto de trabalho.’

Não quiseram uma redução de ordenados para todos os funcionários públicos que permitia que todos conservassem o posto de trabalho, pois não? Ora então de que ficaram à espera? Os funcionários públicos que forem colocados na mobilidade especial sem regresso à função pública à vista ou os que perderem o emprego, seja por rescisão amigável seja por extinção do posto de trabalho, bem podem agradecer a Isabel Moreira e amigos (é o que dá desconhecerem as tentações suicidárias dos representantes populares eleitos para a AR e tomarem-nos como gente saudável a quem se deve dar ouvidos), aos excelentíssimos senhores juízes do tribunal constitucional e a todos os que impossibilitaram as escolhas do governo que, numa conjuntura de elevado desemprego, era mesmo aquela que menos custos tinha e que mais protegia os funcionários públicos. Já temos democracia há tempo suficiente para termos aprendido que os custos da estupidez são sempre grandes e a mim desde pequenina me ensinaram que temos de assumir as consequências das nossas escolhas. Se calhar não era mal pensado os sindicatos começarem a convocar manifestações pedindo o regresso das suspensões dos dois subsídios aos funcionários públicos; finalmente lá agiriam para defender os interesses dos seus membros. Na verdade até seria uma medida de sobrevivência dos sindicatos: não se reduzia o seu número de fregueses, que os que trabalham no sector privado são tão representados pelos sindicatos como pelo (tão útil) observatório dos neologismos do português europeu.

3 pensamentos sobre “Foi você que pediu igualdade?

  1. absurdo

    Mas os funcionários públicos querem mesmo igualdade!

    Por exemplo, querem que o regime de exclusividade, o regime de incompatibilidades, o estatuto disciplinar dos funcionários públicos, o regime de responsabilidade civil extra-contratual, o ónus da responsabilidade financeira, a disponibilidade permanente, a impossibilidade de licitação em praça pública, etc, sejam abolidos e que aos funcionários públicos seja permitido ter outras actividades remuneradas, tal como os seus pares da actividade privada.
    Anseiam que as regras de higiene, segurança e saúde no trabalho seja as mesmas que são aplicadas nas empresas e, curiosamente, fiscalizadas por um Estado que não as cumpre.

    Acabemos com a burocracia e regressemos aos felizes tempos do nepotismo, funções familiares por herança, enfim, da apropriação da Res Publica por uma elite iluminada, como a que por aqui escreve.

    Amén!

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