Documento de Estratégia Orçamental

Tardias

O meu artigo de hoje no Diário Económico:

As desvantagens das medidas do DEO? São tardias e lentas a surtir o efeito desejado. O aumento da idade da reforma irá levar a muitos se reformarem antecipadamente, o atraso no corte das pensões irá fazer os jovens pagar mais tempo por benefícios que não irão ter

e os atrasos em inúmeros cortes irão obrigar o Estado a pedir emprestado e a pagar juros por despesas que não fazem sentido. Alguns comentadores e jornalistas queixam-se que “70% dos cortes vêm de pensionistas e funcionários públicos”. Deveriam vir de onde? Dos criadores de emprego, que já escasseiam? Dos jovens a recibo verde? Sem reservas substanciais, sem possibilidade de aumentar ainda mais a carga fiscal – já no limite em muitos sectores, sem possibilidade de confiscar poupanças via política monetária e sem crédito internacional além do dos nossos parceiros, qual seria a opção dos demagogos?

Fingir que a situação não é grave e que o actual nível de endividamento não só é o maior da nossa história de quase 900 anos, como também é um dos maiores a nível mundial (em percentagem do PIB)? A festa acabou e não há alternativa a sair deste sobre-endividamento que não seja uma via dolorosa. Bruxelas apoiou as medidas de Pedro Passos Coelho por serem uma consolidação através de um “redução permanente de despesa”, ao invés de medidas ‘one-off’ e receitas fiscais”, apoiando os “princípios de eficiência, qualidade e sustentabilidade” e ainda a “convergência entre o público e privado”.

E em Portugal? Em Portugal sofremos de um problema que César das Neves denominou ontem no DN de “Disparates Plausíveis”, ou seja, deveria ser óbvio que não existe outro caminho que não “aperto e reforma”, mas acaba-se por “usar argumentos aparentemente sólidos para dizer grandes asneiras” e hoje “esses disparates plausíveis dominam as discussões”.

Imagino que custe aos privilegiados ter as condições dos privados, mas a aproximação entre público e privado finalmente chegou. E só peca por chegar tarde.

Ricardo Campelo Magalhães, Consultor Financeiro

Ligações adicionais: Marco Capitão Ferreira sobre o temaInfografia com os valores.

8 pensamentos sobre “Documento de Estratégia Orçamental

  1. Paulo Pereira

    Como este caminho não funciona, porque a divida aumenta e o PIB diminui, a unica alternativa racional é o aumento do PIB , obviamente.

    A pergunta é então como se aumenta o PIB : aumentando as exportações e substituindo as importações.

  2. José Silva vaz

    Vamos lá a consultoria financeira! Trabalho há 40 anos e sempre paguei para ter uma pensão de reforma . Agora vai ser cortada para que os jovens blá blá …. Já percebeu o sr que daqui por 40 anos os jovens estarão exactamente na mesma condição que eu … Porque outros jovens pagarao mais tempo etc… É o velho problema do primeiro o ovo ou a galinha… Ou melhor dos políticos que deram e gastaram aquilo que não sendo deles lhes foi confiado e abusaram e abusarão

  3. O sr. durante 40 anos pagou sempre?
    Durante esses anos pagou quanto? 35%?
    Quantos anos faltam até aos 80?
    Durante esses anos vai/deveria receber que percentagem?

    Se lhe é favorável, junte-se ao Pinhal e ponha-se a jeito para um dia haver represálias de alguém com menos juízo.
    Se lhe é desfavorável, bemv-vindo ao grupo. Queixe-se de todos os governos desde o 25 de Abril, sobretudo dos que mais subiram a dívida estatal cujo nível agora obriga a estes cortes.

  4. José Silva vaz

    Continua a debitar estereótipos que lhe enfiaram na tola sem ter verdadeiramente percebido o que lhe venderam ou eventualmente estudou …mal.
    Durante os 40 anos paguei sempre e aproximadamente na casa dos 35
    O que falta até aos oitenta …. Tem a ver com a esperança de vida? Se é essa a ideia tem que reestudar o conceito… Pois é talvez seja uma chatice ter pessoas que só morrem depois dos oitenta e não podem trabalhar até morrer..e os que morrem com 50 ou menos… Contribuintes líquidos!
    Não tenho nada a ver com o Pinhal ou outros, mas deixe- me dizer- lhe que não me incomoda quem ganha muito mas sim aqueles que ganham pouco…
    É de facto uma grande chatice que existam portugueses em Portugal… Se não fossem eles o pais estaria muitíssimo bem ,

  5. José Silva Vaz,
    1. Antes de classificar como “estereótipos” ou não, argumente. Senão também uso a palavra disparate para acabar a discussão e creio que não será esse o objectivo do seu comentário. Menos qualificadores, por favor.
    2. Oitenta é o valor aproximado da Esperança Média de Vida. Qualquer empresa de seguros para cálculo de um PPR usa um valor alguns anos acima da EMV e por isso 80 é um valor abaixo do necessário para acertar as contas. Se não conhece como as companhias de seguros (a minha área profissional) trabalham, é normal. Mas daí até achar que sabe mais do que eu… calma.
    3. EMV é, como o nome indica, uma média. Há quem morra aos 50 e quem viva até os 100. Na média…
    4. Sim, problemas com quem ganha muito tenho eu menos que o José provavelmente. O problema é quando ganham muito à minha custa. Porque vou-lhe dizer um segredo: quando entra dinheiro na Seg. Social, ele sai logo. Não pense que as suas poupanças estão lá: o Estado gastou tudo e conta com os mais novos para pagar a conta. O que vai funcionando enquanto os mais novos acreditarem que vão beneficiar do sistema. Como não é o meu caso…
    5. Essa frase dos Portugueses não faz sentido em si própria.

    É mesmo essa a sua defesa do seu ponto de vista?
    Limpando os adjectivos e qualificantes fica muito pouco. Ou na verdade nada. Parece que tenho razão, não é?

  6. PedroS

    José da Silva Vaz disse:

    “Durante os 40 anos paguei sempre e aproximadamente na casa dos 35”

    De certeza que pagou 35% para a segurança social sempre, e que esse valor não é de IRS+SS?

  7. José Silva vaz

    Ricardo, vamos lá voltar ao assunto . Claro que as seguradoras utilizam uma EMV maior . Os PPR são um negócio e há que assegurar a rentabilidade para as empresas gestoras… Para os subscritores já bastam os benefícios fiscais que tiveram .. A total opacidade na gestão destes instrumentos permite tudoooo… meu caro estamos em Portugal a republica da impunidade…Depois não pretendo saber mais do que você….nestas matérias..fico muito surpreendido com aquilo que simpaticamente apelidou de segredo mas não posso agradecer-lhe a revelação porque para mim nunca foi umsegredo… Talvez tenha sido para si …A gestão das contribuições foi sempre feita pela escumalha que nos governa desde o 25 de Abril e que gosta de gastar o que não lhe pertence dando a uns e a outros conforme o calendário eleitoral.Já agora perfilam-se no Hrizonte excelentes negócios para os fundos de pensões sobretudo se as entidades de supervisão tiverem á frente os personagens do costume Constâcios, Varas, Limas,Loureiros ,Portas e tutti quantti.Quanto à questão dos ricos (agora é a minha vez de lhe revelar um segredo…) não existe nenhum que não o seja à custa de Alguém…a verdadeira questão é apenas …quanto custou ao Alguem..pense nisso e reveja a teoria das probabilidades (permite ver melhor a estatística) e já agora quando tiver um tempinho folheie um livrinho sobre demografia .não aquelas superfialidades do pordata e do CM e vai ver como melhora o seu Focus sobre estas problemáticas . Para finalizar não quero deixar de lhe dizer que em tempos fiz descontos para o imposto profissional para a caixa de previdência e pasme- se para o SEGURO (sim!) DE DESEMPREGO .

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