A UE também não quer saber dos direitos humanos das muçulmanas na Europa

Para encerrar – por ora, que é inevitável que cá regresse – o tema das mulheres e das sociedades islâmicas, conto mais um episódio da viagem a Bruxelas aqui referida. Almoçámos um dos dias com Maria da Graça Carvalho, à data conselheira de Durão Barroso. Na conversa depois do almoço fomos-lhe fazendo perguntas e eu perguntei que medidas estavam a ser tomadas na UE, ou estavam em preparação, para assegurar o respeito pelos direitos humanos das mulheres das comunidades muçulmanas residentes na União Europeia, e que não continuavam a viver segundo os usos e costumes dos países de origem que não lhes respeitam os direitos humanos. A minha pergunta foi reputada de muito importante e muito difícil, Maria da Graça Carvalho evidentemente também se preocupava com esta questão; a resposta, infelizmente, foi inexistente. Uns tempos depois recebi do gabinete de imprensa da UE umas informações sobre uns programas de protecção a mulheres em situação de vulnerabilidade, mas nada que se pudesse aplicar às imigrantes muçulmanas da Europa, que tantas vezes não conhecem a língua, nunca trabalharam fora de casa e não têm habilitações. A UE, que se preocupa em regulamentar o diâmetro das maçãs e as lâmpadas que somos autorizados a comprar e um larguíssimo etc. não tem qualquer resposta para esta crise de direitos humanos dentro da portas.

Crise que, diga-se, não é discreta. Já houve tribunais alemães a aceitarem que um marido muçulmano pode bater na sua mulher, na Europa, devido à sua religião. Já houve propostas para se realizarem excisões do clitóris nos hospitais italianos para minorar os riscos das mulheres que se submetiam a essa prática em Itália. Já tivemos uma absurda proposta para a sharia reger as comunidades muçulmanas britânicas. Os crimes de honra nas comunidades muçulmanas crescem. Notícias de raptos (pelas famílias) de mulheres jovens enviadas de volta aos países de origem para casamentos forçados não são raras. Enfim, as atribulações das muçulmanas na Europa não são desconhecidas.

Mas, lá está, isto é apenas uma questão de mulheres. Se fosse uma questão de racismo, de protecção de uma minoria étnica, aí sim, despertariam as consciências.

12 pensamentos sobre “A UE também não quer saber dos direitos humanos das muçulmanas na Europa

  1. Surprese

    Continua a persistir uma confusão entre Islão e Civilização, e esta bloguista não cessa de me surpreender pelo seu conservadorismo e falta de liberalismo.

    Não há, nem deve haver, nenhuma medida para proteger as mulheres muçulmanas – a esposa do Scheik David Munir (Mesquita de Lisboa) precisa de protecção?. Não é por professar uma religião que existe violência doméstica.

    Tenho amigos muçulmanos (não são portugueses), monógamos, que jejuam no ramadão, e que são tão civilizados como qualquer ‘Infiél’.

    Terão de haver medidas para proteger os cidadãos da violência, doméstica ou não, independentemente do género (os casais homossexuais também têm direito a protecção), da religião ou nacionalidade (os católicos portugueses não matam as mulheres?).

    Como é óbvio, a religião não pode ser desculpa, e nem é nos seus países de origem. Os crimes de honra são permitidos em certas geografias, não por causa da religião, mas sim por causa da civilização. Basta verificar que já se praticavam antes de Maomé ter nascido, sob outras religiões (incluíndo o Cristianismo – por exemplo Copta).

    Um pouco mais de mundo e espírito liberal não faziam mal…

  2. Luís Lavoura

    Já houve propostas para se realizarem excisões do clitóris nos hospitais italianos para minorar os riscos das mulheres que se submetiam a essa prática em Itália.

    É ou não verdade que uma excisão do clítoris praticada em meio hospitalar é segura? Por que motivos deverá um hospital recusar realizar tal operação, quendo realiza outras, como por exemplo a implantação de implantes mamários, que também não têm qualquer caráter clínico? E quando, já agora, realiza circuncisões masculinas?

    Já tivemos uma absurda proposta para a sharia reger as comunidades muçulmanas britânicas.

    Absurda por quê? Não podem as pessoas, eventualmente as comunidades a que as pessoas livremente pertençam, reger-se por regras diferentes das das demais? Não é a lei judaica já comummente aplicada em muitas comunidades judaicas em muitas partes do mundo?

  3. CN

    Será que o Hinduísmo não tem problemas, e as tribos lá por África, não estarão as mulheres a necessitar de ser libertadas? haverá alguma forma de tradicionalismo e costumes not-of-our-business que a direita ainda reconheça? a direita ainda é direita?

  4. Maria João Marques

    CN, não se fala em ir libertar ninguém, fala-se do que se passa na UE. Não é assim tão difícil de entender.

  5. Sérgio

    A esquerda francesa, timidamente agora, já fala em casamento homossexuais só para os brancos que estas bichanices só servem para estes… Para quanto a eutanásia só de brancos?

  6. Unreal

    Somos de facto miseráveis quando perante uma questão destas, o que se discute é a segurança da excisão no hospital. A mulher tem sequer hipótese de a recusar? Mas alguma mulher no seu perfeito juízo aceita ser mutilada de livre vontade?
    No meu tempo, dizia-se que “em Roma, sê romano”. Se não tivéssemos anões neste momento a dirigir todos os países europeus, seguidos por milhares de outros anões, isto há muito que tinha acabado. Se querem vir para cá, venham, mas respeitem os costumes que por cá se observam. Se não gostam, a porta da rua deveria ser a serventia da casa. Mais ou menos o que disse o primeiro ministro da Austrália: venham, estamos de braços abertos. Mas respeitem o que somos e observem os nossos costumes, ou fora.
    Os nossos católicos matam esposas? Matam. É problema nosso e deviam apodrecer na prisão. Mas já nos basta o barbarismo caseiro para agora ainda termos de aturar o barbarismo de fora, dentro da nossa própria casa. Principalmente quando o barbarismo de fora começa a impor-se aos nativos, contra a sua vontade. No norte de Espanha já não são só os cães a levar por tabela. Já são os donos dos ditos, também. E lentamente vão avançando, uma vez que só se deparam com lesmas à sua frente.

  7. lucklucky

    O Surprese, Luís Lavoura e o CN demonstram bem a inanindade dominante.

    Estas pérolas:

    “Como é óbvio, a religião não pode ser desculpa, e nem é nos seus países de origem. Os crimes de honra são permitidos em certas geografias, não por causa da religião, mas sim por causa da civilização”

    Já cá faltava uma argumentação saída da Guerra Fria. É mesmo o doublethinking à Comunista. Tem piada uma religião totaliária como o Islamismo especialista em não permitir uma data de coisas e que se arroga de controlar tudo, afinal certas coisas acontecem por causa da “civilização” e não da religião que tudo se arroga de controlar… Patético.

    “Por que motivos deverá um hospital recusar realizar tal operação, quendo realiza outras, como por exemplo a implantação de implantes mamários, que também não têm qualquer caráter clínico?”

    Então o hospital faz implantes mamários a crianças de 5 anos?

    “Absurda por quê? Não podem as pessoas, eventualmente as comunidades a que as pessoas livremente pertençam, reger-se por regras diferentes das das demais? ”

    Então pode-se andar nú na rua? colocar posters pornográficos espalhados pela cidade? Pedofilia? Canibalismo consentido? Festival da Eutanásia?

    Depois da pérolas acima citadas fica bem notada a eficácia da intimidação e bombas Islâmicas.

  8. A. R

    Estes muslos são uns predadores: dinheiro, vidas, assaltos, roubos, violações, pedofilia, insegurança, violência sobre tudo e todos. E os dhimis igualmente. Chegam para viver à nossa custa e ainda cortar mãos, mutilar, apedrejar e querem a sua sharia abençoada na Europa.

  9. A. R

    Para o Luís Lavoura fazer uma lipo-aspiração e cortarem-lhes os ditos cujos é-lhe exactamente indiferente.

  10. SoSimple

    Por um tribunal alemão o ter afirmado, se é que o fez nesses moldes, não quer dizer que seja consensual e muito menos norma…
    Não me parece que os direitos de religião se sobreponham ao da própria vida e integridade física em qualquer ordem jurídica da união europeia, e sendo de facto um problema deste género, requer uma solução de proximidade e não de mais normas abstractas de um Conselho muito distante da realidade.
    A União Europeia não pode nem deve servir de alvo para as lacunas estaduais…

    E o mesmo se diga quanto a limitações absurdas que apenas servem interesses económicos de determinados países, como é o caso para os exemplos dados…

  11. Surprese

    @Lucklucky: Comunista é quem quer impor o seu ‘modelo’ aos outros à força.

    Não falo pelo Luís Lavoura ou CN, mas pode ter a certeza que o meu post é de inspiração Libertária: cada um que faça o que quiser, desde que não afecte a minha liberdade.

    Sabe qual é a diferença entre um Libertário e um Totalitário? É que o primeiro permite que o segundo viva em Totalitarismo, se assim o entender, enquanto que o segundo não permite que o primeiro viva em Liberdade.

    Quanto aos Muçulmanos, insisto que existe uma confusão generalizada entre Islão e Islamismo (googlem). O Islamismo é a politização da religião, como ferramenta de controlo totalitário dos povos, ao estilo fascista.

    Civilizações ou sociedades mais fracas, sem estruturas civis, são facilmente tomadas de assalto por estes neo-fascistas (basta ver o que se está a passar no Magrebe, ou o que se passou na Chechénia).

    Os maiores países muçulmanos do mundo (Indonésia e Índia) têm alguns problemas de radicalismo, mas face à dimensão da população, são residuais.

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