BCE Baixa Taxa de Juro Para Novo Mínimo Histórico, Draghi Considera Taxas de Juro Negativas

Desde Outubro de 2011 quando Mario Draghi tomou posse como presidente banco central que já baixou a taxa de juro em 1% para um novo mínimo histórico de 0,5% (ver gráfico abaixo retirado daqui). O banco central europeu (BCE) tem um único mandato que é a estabilidade de preços, definindo a estabilidade de preços como uma inflação próxima mas abaixo dos 2%, mas neste caso parece que a decisão tem a ver como objectivo estimular a economia da zona euro.

Juros_BCE

Os ciclos económicos expansão-recessão são explicados pela Escola Austríaca pela manutenção de taxas de juro artificialmente baixas por longos períodos de tempo. Um resumo pode ser encontrado aqui.

Num verdadeiro mercado livre ou num verdadeiro mundo capitalista (muito longe do mundo em que vivemos hoje), os juros não deveriam ser definidos arbitrariamente por uma entidade central. Antes, deveria ser o resultado natural de equilíbrio entre a oferta de crédito (poupança) e a procura de crédito (investimento). Esta procura e oferta é determinada pelas preferências temporais dos diversos agentes económicos uma vez que a poupança representa consumo diferido (e cujo deferimento é remunerado através de uma taxa de juro) e o investimento que representa produção futura. A taxa de juro natural tem assim também um papel muito importante de coordenação intertemporal.

Ao contrário do que se possa pensar, uma taxa de juro baixa tem efeitos negativos para a economia pelas seguintes razões:

  • Desencoraja a poupança (essencial para a formação de capital) e encoraja o consumo e o endividamento.
  • Encoraja a especulação para se tentar obter retornos melhores para as poupanças – os esquemas de Ponzi costumam proliferar quando as taxas de juro estão muito baixas.
  • Gera inflação que é um imposto escondido sobre todas as pessoas que têm poupanças ou rendimentos fixos (salários, pensões) uma vez que reduz o seu poder de compra.
  • Permite que se iniciem investimentos que não são rentáveis em circunstâncias normais, investimentos esses que vão competir em termos de recursos com investimentos realmente rentáveis – o que mais tarde ou mais cedo, culminará numa recessão.

Mais assustadora é a perspectiva do próprio Mario Draghi considerar taxas de juro negativas. Medo.

Anúncios

9 pensamentos sobre “BCE Baixa Taxa de Juro Para Novo Mínimo Histórico, Draghi Considera Taxas de Juro Negativas

  1. Miguel P

    pelo menos não podem imprimir euros… Thank the germans for that. Nem quero imaginar a catastofre quer seria..

  2. Dervich

    A escola austríaca deve estar a ficar um tanto vetusta porque, dos 4 pontos que referiu como consequências negativas da baixa da taxa de juro, nenhum deles se verifica actualmente (a não ser talvez o segundo), verifica-se aliás é o contrário do que está ali indicado…

  3. lucklucky

    Verifica-se a maioria deles excepto o primeiro devido ao medo e entropia a Soviética.
    O Dervich é que estranhamente não nota.
    Por exemplo quanto é que têm aumentado os Impostos no Ocidente?
    Impostos é Inflação também só que não aparece nas estatísticas.
    E depois de deixarmos os impostos que tal irmos ás taxas nos serviços do Estado?

  4. A escola austríaca é a única que fornece uma explicação coerente para os ciclos económicos. O efeito das taxas de juro artificialmente baixas tem dinâmicas muito complexas cujo timing não é fácil de prever, ainda mais se acreditarmos nas estatísticas oficiais – mas que não haja enganos, “the day of reckoning will come”.

  5. PP

    A escola austriaca tambem defende que contra argumentos nao ha factos, por isso nao e de estranhar que os factos nao os demovam. O desemprego esta nos 17%, mas o que preocupa o Joao Cortez e uma inflaccao que esta ai mesmo ao virar da esquina, ha varios anos, mas nunca chega.

  6. dervich

    Pois, se o post diz que a inflação é um imposto escondido, terá lógica dizer que os impostos são inflação escondida, por aí não discuto…

    O que não chega mesmo é a deflação devido aos aumentos verificados nos antigos serviços públicos hoje dia em regime de oligopólio – electricidades, águas, comunicações, portagens, combustíveis, etc, etc.
    Assim bem podem esmagar preços os tascos, as lojas de trapos e o chinês da esquina que mesmo assim a deflação não chega, não há perigo, o sistema é maravilhoso, é o melhor de dois mundos…

    Quanto ao aumento de investimentos não rentáveis, eu diria que um investimento que subsiste num clima destes resiste a tudo, mas claro, isto é como tudo, se o país falir pode vir a provar-se que afinal não era mesmo rentável.

    Quanto à diminuição da poupança e ao aumento do consumo…enfim, é como diz o outro, se calhar “estamos a viver abaixo das nossas possibilidades”.

  7. walter

    a inflacao nunca esteve alta nos ults 15 anos. mas tivemos varias bolhas. e continuaremos a ter. aliás , os juros baixos visam, entre outras coisas, exactamente adiar ,ate que um milagre aconteca , o estoiro de algumas bolhas q ainda persistem. meanwhile let s look at stocks

  8. mggomes

    Convém não confundir inflação com nível médio de preços.
    Pode haver inflação sem haver aumento generalizado de preços. (http://mises.org/daily/6340/Where-Is-the-Inflation)
    Basta pensar nos Roaring 20s, em que os preços se maniveram estáveis apesar dos ganhos de produtividade (o que, sem inflação, deveria conduzir a uma redução generalizada de preços).
    Todos sabemos como acabou.

  9. Pingback: Deve Ser Isto O Capitalismo… | O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.