Falhanço 2.0

O meu artigo de hoje para o Diário Económico, sobre o plano de crescimento económico apresentado pelo Álvaro Santos Pereira.

O ministro Álvaro Santos Pereira apresentou há dias a sua Estratégia para o Crescimento e Fomento Industrial 2013-2020. Um plano centralizado que parece tratar-se de uma cedência do Governo às exigências da esquerda e acalmar a oposição. Infelizmente, o memorando para o crescimento deste Governo, acaba por ser mais um esforço de planeamento central da economia que a rea lidade nos monstra, há anos, ter falhado.

Veja-se o que pretende Santos Pereira: educar e formar, antes de tudo. Quantos milhares de milhões de euros teremos ainda de gastar para que um Governo desista do sonho utópico que é formar toda uma população? O mesmo se diga do financiamento da economia: como é que um Estado falido pode financiar a economia privada que o sustenta? Melhor ainda: qual é mais valia de uma economia privada que precisa do Estado para sobreviver? A maioria do programa de Santos Pereira peca do defeito que é considerar que uma pessoa, uma empresa, para investir precisa do apoio do Estado. Daí as medidas para consolidar e revitalizar as empresas. Mas não precisa. Do que necessita é que o Estado cobre menos impostos. Sejam directos ou indirectos; taxas ou meras multas. Se o Governo quer que a economia cresça, o Estado tem de baixar a carga fiscal.

Para descer a carga fiscal, o Estado tem de reduzir a despesa. Sejamos francos: nenhuma economia endividada cresce; ninguém investe numa economia em que o que se produz serve para pagar dívidas. Ninguém é doido a esse ponto. Desta forma, é indispensável que o Governo se convença que não lhe cabe governar as empresas, nem as pessoas. Apenas governar o Estado. Fazer com que este garanta a existência de tribunais justos e céleres, pois os actuais assustam os empreendedores que agora se descobriu serem importantes; de condições para que exista verdadeira paz social; que acabe de vez com o défice das contas públicas. Nada de programas e redes de estímulo. Ou seja, e isto é muito importante: que deixe a vida privada para os privados.

Anúncios

8 pensamentos sobre “Falhanço 2.0

  1. Carlos Pacheco

    “nenhuma economia endividada cresce; ninguém investe numa economia em que o que se produz serve para pagar dívidas.” Se olharmos para a lista das dívidas públicas dos países todos do mundo, só não encontramos lá a Coreia do Norte e pouco mais. Todos os outros têm dívidas. O que tem menor peso da dívida em relação ao PIB é a… Líbia. Porque não escrever coisas com base na realidade?

  2. O problema da educação hoje em dia é que deixou de ser um investimento da sociedade e passou a ser tão e só um investimento pessoal. Que interesse terá uma sociedade em educar e formar, para o desemprego e emigração. É dinheiro público deitado fora… Nem sei se, do ponto de vista social, é melhor ter desempregados bem formados ou menos bem formados. Até a esse nível começa a ser discutível a situação.

  3. JS

    “…Nada de programas e redes de estímulo…”
    Realmente só um fucionário do estado, ignorante ou demagogo, se atreve a defender a negação da economia que é o “estado” “estimular” a economia com subsídios!. 🙂

    O problema de aplicar estas receitas, simples e eficazes, que bem menciona, e que muitos claramente conhecem, é a dependência dos PMs, P. Passos Coelho e todos os seus precedentes, de um sistema eleitoral aberrante.

    Não é só em Portugal, diga-se, que ocorre este casamento por interesse entre finança e “polítcos”.
    Eleitos pelos “seus” partidos, respondem a eles e aos interesses associados que os comandam.
    Quem está fora … até é apodado de anti-patriótico!. 🙂

    A correcção desta deriva -o oportunismo proveitoso de uns e a pobre miséria de outros- não está nas mãos de nenhum PM. Contenha-se Sr. P.P.C..
    Os partidos valem-se do facto de grande parte do eleitorado ou está indiferente a “tudo isto” (uma significativa abstenção…).
    Convém mencionar que as alternativas, que este sistema proporciona, não são nada cativantes…

  4. lucklucky

    Mas…mas..mas… sem programas os políticos não se sentem alguém, os pobres passam a sentir-se como meros merceeiros. Que piada tem a justiça funcionar bem? Isso não é notícia.
    O que é preciso é drama para justificar a sua própria existência.

    Pior ainda para os jornalistas, a maioria foi para o jornalismo para mudar o mundo não para noticiar coisa alguma, já se viu os jornalistas longe do poder? – o poder distribuido por indíviduos anónimos em vez das grandes conferências, grandes programas, grandes iniciativas. Como noticiar descobertas de anónimos em vez do grande fausto político?
    Uma. não! várias Estratégias de Lisboa é que são precisas. Falhar ou não não interessa, o que interessa é o acontecimento.
    Um jantar entre o presidente Obama e os Jornalistas claro! substituir isso por um jantar com gente anónima que contribui e influencia muito mais para a melhoria da qualidade de vida dos outros? nem pensar…

  5. António

    “ninguém investe numa economia em que o que se produz serve para pagar dívidas.”

    Isto não parece assim tão simples.

    Os EUA estão ultra endividados, a imprimir $ a torto e a direito, e continuam a atrair dinheiro e investimento, inclusive para Títulos do tesouro.

    O Japão é o país mais endividados do mundo há largos anos e continua a atrair investimento.

    Aliás, até agora, os empréstimos que a Europa do norte fizeram a portugal via Troika são um bom investimento, porque estamos a pagar juros acima da média e acima da inflação(oficial). Pelo que, estamos a pagar para eles refinanciarem as suas próprias dividas em níveis mais baratos.

  6. Rúben Lopes

    “Se olharmos para a lista das dívidas públicas dos países todos do mundo, só não encontramos lá a Coreia do Norte e pouco mais. Todos os outros têm dívidas. O que tem menor peso da dívida em relação ao PIB é a… Líbia. Porque não escrever coisas com base na realidade?”

  7. O mundo que o autor do artigo vive é um mundo onde todos trabalhamos a troco de comida para aumentar a rentabilidade das empresas, um mundo onde os doentes morrem de gripe, e um mundo onde não temos direito a nada a não ser fazer parte da ementa dos leões corporativos das empresas. Não. Muito obrigado! Viva o seu mundo sem falhanços 2.0 na anarcalândia, sítio que não existe, porque as pessoas assim nunca o quiseram! Na história da humanidade!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.