Um Novo Rumo Ao Segundo Resgate

discurso de encerramento do congresso do PS por parte de Tó Zé Inseguro é, conforme se esperava, repleto de retórica e das baboseiras do costume que arrancam periodicamente uma forte salva de palmas, mesmo quando afirma que com o PS “o rigor, os sacrifícios e a contenção orçamental não desaparecerão”.

As “propostas concretas” que constituiem o novo rumo a “um Portugal mais moderno, mais justo e mais solidário” (o que é que quer seja que isso signifique) são então as seguintes segundo as minhas notas – os meus comentários a itálico:

  1. Acabar com a política de austeridade – boa, Tó Zé!
  2. Parar com os cortes de 4.000 milhões – boa, Tó Zé! E substituis os cortes por?…
  3. Mais tempo para consolidação orçamental – é chato ter que fazer reformas sérias, é mais fácil adia-las indefinidamente.
  4. Renegociação das condições de ajustamento para cumprir os compromissos (mais tempo, menos juros e diferimento do pagamento de juros) – boa sorte, Tó Zé!
  5. Devolução dos lucros do BCE com os empréstimos a Portugal – boa sorte, Tó Zé; e que tal o BCE devolver o lucro mais juros?
  6.  Transformar dívidas (estado + bancos) de empresas viáveis em capital – se as empresas têm assim dívidas e são viáveis, creio que devem aparecer investidores interessados (incluindo os bancos) sem ser preciso o estado andar a injectar dinheiro dos contribuintes em empresas com dívidas.
  7. Reduzir exigência de capital Core Tier 1 de 10% para 9% (dinheiro parado na economia) – boa sorte, Tó Zé; um dia ainda vais perceber a diferença entre moeda, poupança e capital.
  8. Aumentar salário mínimo + pensões mais baixas – e onde vão o estado e as empresas buscar o dinheiro?
  9. Programa de actividades (ocupação) para desempregados – sugiro cavar e tapar buracos; emprego garantido para todos.
  10. Aumento do subsídio de desemprego (mais 6 meses) – e porque não mais 12 ou 24 meses, se é para gastar dinheiro que não temos?
  11. Baixar o IVA da restauração – eu sou sempre a favor da baixa de impostos mas um bocado contra o favorecimento de sectores ou empresas específicas. A baixar, que se baixe para todos.
  12. Programa de reabilitação urbana – boa Tó Zé: gastar dinheiro dos contribuintes que não temos numa àrea de necessidade e utilidade muito duvidosa.
  13. Programa de emprego jovem – e fundos?
  14. Crédito fiscal para suprimentos dos sócios – sou sempre a favor de menos impostos, mas acho que os governos não devem promover comportamentos e preferia uma baixa generalizada do IRC.
  15. Financiar a segurança social também através de uma taxa sobre os lucros das empresas – terei ouvido bem?!?
  16. Criação de Banco de Fomento – mais um banco público? E capital? Deve o governo escolher que empresas devem receber fundos em detrimento de outras empresas?
  17. Tratamento fiscal diferenciado para lucros reinvestidos desde que criem emprego – mais uma vez, deve o governo promover comportamentos? Porque é que um investimento que não crie emprego deve ser tratado de forma diferenciada?
  18. Separação na saúde do sector público e sector privado e uso de telemedicina.
  19. Emissão de moeda por parte do BCE – ó Tó Zé, não sei se sabes mas o BCE farta-se de emitir moeda que além de corresponder a uma transferência de riqueza, resulta em inflação. Como diz o Jim Rogers “se a emissão de moeda gerasse prosperidade, o Zimbabwe seria o país mais próspero do mundo.”
  20. Mutualização da dívida (para a dívida acima de 60% do PIB) –  fundo de redenção/euro-bonds – uma maneira de fazer os países mais disciplinados pagar pelos países menos indisciplinados e chamar-lhe “Solidariedade Europeia”.

NovoRumo

8 pensamentos sobre “Um Novo Rumo Ao Segundo Resgate

  1. vitorcunha

    Sobre o ponto 15, o que ele disse foi: “Novas formas de financiamento [contrato social]…assentar nas mais valias criadas pelas empresas“. Sim, o João Cortez ouviu bem (tenho pena, preferia que fosse erro seu).

    Também acrescentou, depois disto tudo, que “não vai ser caminho fácil“, “temos pés bem assentes na terra“, “nova concepção do que deve ser a democracia“, “quem esperava um congresso de promessas vagas, enganou-se. Só dizemos a verdade e coisas que podemos fazer“.

  2. murphy

    A “cereja no topo do bolo” é a proposta de redução de rácios solvabilidade dos bancos…É lindo ver os socialistas criticarem a “economia de casino” às 2ªs, 4ªs e 6ªs, e serem os seus maiores fomentadores às 3ªs e 5ªs (empréstimos cruzados com contratos “swap”, cláusulas especulativas nas PPP, etc..
    Fosse um político de direita a dizê-lo e seria um “lacaio da banca e da goldman sachs”.

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/04/portugal-e-isto.html

  3. Pedro Santos

    já dizia o outro… isto temos mesmo de andar de cabeça erguida porque estamos enterrados na merda até ao pescoço…

  4. JP Ribeiro

    E querem estes gajos governar! e pedem maioria absoluta! são absolutamente inconscientes! será esta a tragédia da democracia?

  5. JP

    Quando eles pelo “temos uma visão para” o desastre é certo.
    Já foi assim com Guterres, que tinha “visões” para Portugal, para a Europa e para o mundo.
    A agenda 2000 foi disso exemplo.

  6. Terceiro resgate, sff!!!… O segundo ainda vai ser obra do governo actual… O tal que prometeu um mar de rosas… Lembram-se? 😉

  7. Segundo o DN as medidas do (in)Seguro custam 20 mil milhões…

    Mas agora a moda socialista já não é “é só fazer as contas” mas sim “é só mandar imprimir”.

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