Tão bonzinhos: aceitaram-nos, com magnanimidade e benevolência, no regime

Este parágrafo de Sérgio Lavos é todo um retrato da esquerda – tão querida, tão cutchi-cutchi-cutchi que até aceita os monstros (é ler a descrição abaixo) da direita no regime:

E durante trinta e nove anos, a direita que derrubámos foi aceite no seio do regime. A direita que promove a desigualdade, o darwinismo social e que existe para manter e proteger os interesses instalados. A direita que luta contra o progresso, a justiça e a possibilidade de quem nasce pobre chegar a ter algum conforto material e felicidade. A direita que prefere ver serviços que devem ser públicos – a saúde, a educação – nas mãos do lucro privado. A direita das corporações, herdeira da direita salazarista que durante cinquenta anos protegeu um reduzido número de grandes empresas que viviam à sombra do Estado. A direita que prefere o respeito pelas instituições ao direito ao protesto, o consenso às eleições, a manutenção de uma paz podre a dar voz ao povo que não ser revê em quem nos governa’

Vamos por agora deixar de lado o facto de as pessoas como o Sérgio Lavos não conhecerem a direita mas apenas as teias de aranha que têm na cabeça e confundem com a direita e concentremo-nos na bondade de Sérgio Lavos and the likes em nos aceitarem, gente de direita, no regime. Porque não é um direito nosso, gente de direita, fazer parte desta democracia. Não, nós não temos direitos, somos uma casta de intocáveis políticos. A gente de esquerda, como é boa e magnânima, é que, e apesar de nós, gente de malandragem, não merecermos, nos faz o altíssimo obséquio de nos aceitar no regime que, em boa verdade, é deles.

A cada 25 de Abril se confirma: quem mais fala do 25 de Abril é quem menos percebe de democracia.

23 pensamentos sobre “Tão bonzinhos: aceitaram-nos, com magnanimidade e benevolência, no regime

  1. lucklucky

    Precisamos de uma estrela na lapela para nos designarem como Kulaks.

    E eu não me sinto nada aceite.
    Sofri a educação totalitária do regime, não aceitando a diferença os soci@listas de todas as variantes só conseguem ser soci@listas com o dinheiro dos não soci@listas, pois são incapazes de o ser entre eles.
    Ainda estou à espera do dia em que o Sérgio Lavos irá criar a sua Comuna.
    Mas como bom esquerdista só fará o Comunismo quando conseguir impor a sua vontade a quem não o é.
    Tornar todos iguais.
    Esquerda é Tribalismo com verniz intelectual.

  2. DSS

    “A direita das corporações, herdeira da direita salazarista que durante cinquenta anos protegeu um reduzido número de grandes empresas que viviam à sombra do Estado.’” que bonito, parece que está a falar do amiguinho regime do Chavez.

  3. jsp

    Ignorância, enviesada estupidez – ou prosaica e laboriosa redacçãozinha prèviamente encomendada para entrega em data e “domícilio” determinados?…

  4. Pedro Santos

    Esse texto é todo ele um programa.
    Gosto particularmente da já habitueira apropriação (natural em quem não reconhece o legítimo direito natural à propriedade por parte de outros) do 25A, mas, e para mim é a cereja no topo, este detalhe de tolerância PRECeira: “a direita que derrubámos foi aceite no seio do regime”.
    Que simpáticos são e tolerantes são e eram durante o PREC…
    O General Jaime Neves lá onde descansa também deve agradecer aos Lavos a gentilezas e amabilidade.

  5. Carlos Pacheco

    Como o autor diz, existem várias direitas. Porque será que se sentiram afectados por esta descrição de uma certa direita? Porque, mais ketchup menos ketchup, são os seus herdeiros?

  6. tina

    Coitado, ele ainda julga que ainda convence alguém, nos tempos que correm, que a esquerda está ali para ajudar alguém mais que não seja os seus próprios interesses. Grandes hipócritas, que levaram o país à bancarrota, à custa de sugarem o erário público e a riqueza alheia, para seu própio benefício.

  7. Observador

    Penso que a generalidade dos “militares de Abril” subscreve estas palavras do Lavos, de forma mais explicita ou mais encapotada…daí que me pareça que, no fundo, estas palavras do Lavos acabam por refletir o “espirito de Abril”, tal como o sentem grande parte dos militares que o fizeram.

  8. Ricardo Monteiro

    Acho injusto por parte do Lavos. A direita até é tolerante: Berta, secretária de estado da defesa, sugeriu aos deputados regionais que votassem contra o orçamento de 2013, e Fernando Alexandre, Estado Adjunto do ministro da Administração Interna, disse “Tenho que admitir que este Governo não merece o povo que governa”. O Lavos foi injusto. Não vale tudo para a direita.

  9. Rúben Lopes

    Pessoas como Sérgio Lavos ou como qualquer “goofy” do Arrastão são típicos cruzados. Meninos de famílias ricas, que tiveram tudo e que tiveram a Universidade paga pelos pais. E para mostrarem que são gente altamente altruísta e que se preocupam com outros, tornam-se esquerdistas, sem questionarem se aquilo que defendem resulta ou não. O que interessa é fomentarem o seu próprio ego.

    Não é surpreendente que o esquerdismo de hoje surgiu durante a Revolução Industrial? Quando a sociedade ocidental tornou-se numa sociedade de vastos recursos disponíveis, surgiram dois tipos de pessoas – as pessoas do tipo R (que vivem totalmente dependente de recursos, que não produzem nada de valor e apenas consomem, em detrimento de outros) e as pessoas do tipo K (que não consume tanto, poupa de melhor forma e produz algo de valor).

    A maioria dos esquerdistas tornaram-se as pessoas do tipo R, simplesmente consumindo (e querendo ganhar dinheiro e recursos da forma mais fácil, mesmo que seja ganhar esse dinheiro através dos impostos dos outros, através de grandes salários no seu trabalho na função pública ou vivendo totalmente com subsídios). Essa é uma das principais diferenças entre esquerdistas e os não-esquerdistas.

    Os seres humanos podem viver assim, mas não são dignos ou virtuosos sendo do tipo R. O ser humano é na sua alma, do tipo K.

    E o perigo de ser do tipo R é que pode causar dano cerebral, levando ao aumento da amígdala cerebelosa, que é o local do cérebro onde está processado o medo, as emoções, o comportamento sexual. E por isso, o esquerdista, com a sua amígdala danificada, começa a mostrar sintomas de narcisismo.

    Uma pessoa saudável quer viver na realidade. Mas o esquerdista não quer ser saudável e não quer viver na realidade.

    E este narcisismo apesar de estar presente nos esquerdistas de baixo nível (simples votantes), ele está muito mais visível nos esquerdistas de alto nível (políticos, intelectuais, gente famosa, jornalistas etc.).

    E como são, geralmente, fracos fisicamente e tem alguns níveis da cobardia, eles tornam-se excelentes manipuladores. Eles tornam-se excelentes na arte de manipular a dialéctica. É nisto em que eles são bons. É nisto em que eles foram treinados, durante a vida deles, para criarem esta falsa imagem de como eles são como pessoas.

    E como eles são tão bons a manipularem a linguagem (e a realidade), eles começam a celebrarem os seus falhanços (incluíndo as políticas que promoveram).

    É esta a realidade do esquerdista. São gente que defendem ideais, que na verdade, não sabem se acreditam nelas ou não. São gente que defendem tais ideias porque justificam a sua existência como um esquerdista, porque no fundo do seu coração, ele sabe que não merece existir como um esquerdista.

    São estes os indivíduos de tipo R. Podem ser os esquerdistas do alto nível (i.e., as vozes dos media e os políticos, que mentem e distorcem os factos); ou também podem ser alguns esquerdistas de baixo nível – o simples subsidiário dos subúrbios. É por causa disto que vemos sempre esquerdismo em gente que não trabalham para viverem.

    A mentalidade do tipo R fomenta esta irracionalidade; fomenta esta ideia em que “não interessa o que digas ou faças, os bons tempos podem durar para sempre. Para que assim possamos destruir a economia, com alta fiscalização e restrições económicas, lixando assim o simples trabalhador ou alguém que tenta produzir algo de valor, tentando criar o seu negócio, e que mesmo assim, tudo ficará bem.” Isto porque o esquerdista não vive no mundo real. O esquerdista vive num mundo de fantasia (i.e., José Sócrates).

    E a sua única verdadeira preocupação é manter o seu ego. Manter o seu continuo estatuto na sociedade. Ele é um narcisista.

    E não vale a pena argumentar com um. O esquerdista não é um argumentador genuíno. Ele no fundo não acredita no que ele diz defender. Eles faz de conta que acredita no que diz, porque é algo que ele quer marcar na sua figura.

    Terminando, acabo dizendo: cada vez que argumentarem com um esquerdista, comecem por minarem a sua posição na sociedade. A sua amígdala danificada começara a entrar em mau estado, assim que o esquerdista vir que o seu estatuto está a ser minado. Se ele começa a ficar emocional, permanece calmo. Permanece com um sorriso na cara. Como se tivesses a lidar com uma criança agitada. Isto porque são simples narcisistas. São gente, que em certos aspectos, nunca cresceram.

    Por isso, meu caro Sérgio Lavos: teria vergonha se fosse uma pessoa como você.

  10. jojoratazana

    O Dias Loureiro, esse perigoso esquerdista, até foi conselheiro de estado.
    Tenham vergonha, guardem lá os vossos cromos.
    Só aponto este, porque se fosse apontar todos tornava-se pequeno, o espaço para comentar.

  11. jhb

    “É por causa disto que vemos sempre esquerdismo em gente que não trabalham para viverem.”

    Sim a aristocracia que vivia de rendas era toda ela comunista até ao tutano…

  12. Francisco Colaço

    Koniek (ou será KonieTS [конец], fim em russo?):

    Meu caro, os comunistas não nos impedem de emigrar porque não têm o poder. Nos países onde têm o poder, impedem efetivamente as pessoas de emigrar. E olhe que construiram um muro à volta de uma cidade-enclave livre apenas para poderem impedir os seus concidadãos de emigrarem para esse mundo livre.

    Quando os muros impedem as pessoas de entrar em algum lugar, esse lugar chama-se fortaleza. Se ao contrário impedem as pessoas de sair desse lugar, quem lá está está numa prisão.

    Há uma anedota russa (sim, soviética) fantástica:

    — Quantos judeus há na União Soviética?

    — Entre quatro e seis milhões.

    — E caso fossem hoje abertas as fronteiras, quantos quereiam partir para ISrael?

    — Entre dez e quinze milhões.

  13. Joaquim Amado Lopes

    Koniek (2),
    “Lucky, e quando é que os ladrões comunistas o proibiram de emigrar?”
    Ninguém impede o Sérgio Lavos de emigrar. Ou confirma o que a Maria João Marques escreveu no sentido de que “a direita” é que tem que emigrar caso não se queira converter à “esquerda dona do regime e do país”?

  14. Pingback: Há muita gente a necessitar de lições de democracia | O Insurgente

  15. A. R

    Este Sérgio é um quadrado: aquela do darwinismo aplica-se que nem uma luva aos seus. Relata precisamente o que a esquerda faz e ignora que a esquerda pretende precisamente uma fusão do poder económico e da ideologia para conseguir uma máquina opressora sem contraditório sobre o ser humano.

  16. A. R

    Nos meandros uni-neuronais de sérgios e afins faz sentido que um mundo dominado pelo Estado: único patrão e grande empresa, único poder sobre as decisões económicas, com um aparelho policial nomeado ideologicamente, com juízes escolhidos ideologicamente, com sindicatos controlados ideologicamente o trabalhador consiga orientar a sua vida no sentido dos seus interesses, veja a sua propriedade e a sua vida protegida, veja os seus litígios resolvidos pela justiça e veja os seus diferendos com o patrão resolvidos a contento ou dar um chuto no patrão e arranjar outro emprego.

    É patético … primeiro porque não faz qualquer sentido segundo porque tal trabalho já foi feito e os trabalhadores livres não procuraram esses paraísos: antes rumaram a outros!

  17. Pingback: Mais coisas abrilistas | O Insurgente

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