Um País Mergulhado Num Oceano De Dívida

Um homem endividado é para todos os efeitos um escravo” escreveu Ralph Waldo Emerson. E uma nação?

Ontem foi reportado que a dívida pública portuguesa atingiu em Fevereiro deste ano o valor de 209 mil milhões de euros, o que equivale a cerca de 126% do PIB. 209 mil milhões de euros corresponde a cerca de 20.900 euros por cidadão.  A própria troika previu em Março deste ano que o rácio da dívida pública em relação ao PIB atingisse um pico de 124%.

Numa situação normal, haveria um grande sentido de urgência para equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida quer em termos absolutos quer em termos relativos. Em vez disso, anda-se a debater e a contestar uma “austeridade” que representa um défice orçamental público de 5,5% este ano.

33 pensamentos sobre “Um País Mergulhado Num Oceano De Dívida

  1. Jónatas

    O que se está a discutir é que mesmo com austeridade durante três anos, estamos neste ponto. Que, se calhar, a austeridade provoca custos sociais e económicos que não compensam a redução de custos que estamos a ter.

  2. Miguel Noronha

    Então só temos de encontrar quem esteja disposto a sustentar-nos indefinidamente. Mas de resto até é uma boa teoria.

  3. murphy

    “Que se lixe a troika e os mercados”, dizem eles…
    Infelizmente foram as “pessoas” que deram esta importância e preponderância, aos “mercados”. Não nos tivéssemos endividado como fizemos (ninguém nos obrigou a fazê-lo, foram os políticos democraticamente eleitos pelo povo, pelas “pessoas”…).

    “Como em muitas outras coisas na vida – uma doença, um fogo, por ex. – também as dívidas não se combatem, evitam-se!”
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/04/falacia-da-realidade-paralela-socialista.html

  4. mggomes

    A baited banker thus desponds,
    From his own hand foresees his fall,
    They have his soul, who have his bonds;
    ’Tis like the writing on the wall.

    Jonathan Swift

    Pelo que, ainda que conseguissemos arranjar quem nos sustentasse, isso teria sempre de ser à custa da nossa verdadeira soberania.

  5. Jónatas

    É tão boa teoria como a vossa, a de ignorar o investimento no País para pagarmos todos os juros que devemos durante mais não sei quantos anos. Como é que pagamos se de ano para ano fazemos menos e menos para pagar juros em crescendo?

  6. paam

    Equilibrar as contas num país cujos governos passaram os últimos 40 anos a gastar mais do que podiam seria um verdadeiro milagre. Portugal não tem uma estrutura económica que lhe permita suportar este nível de endividamento. Uma coisa que a história nos ensina é que todos os países passam por crises económicas mas, no entanto, quanto mais industrializado é um pais mais depressa consegue a ultrapassar. Portugal á hoje um pais a sofrer as consequências do abandono do sector primário e secundário.

  7. Miguel Noronha

    Simples. Corta-se na despesa a sério. Como dizia o Jorge num dos últimos posts são precisos cerca de 7000 M euros/ano.Não sei do que (ainda) estão à espera.

    Quanto ao investimento, como também já foi referido nalguns posts (que você decide ignorar) o estado tem de começar a consumir menos (ver 1º parágrafo) para libertar recursos para o sector privado.

  8. Revoltado

    “Como é que pagamos se de ano para ano fazemos menos e menos para pagar juros em crescendo?”.
    Como? Simples: fazendo mais com menos. Nao temos alternativas: o estado nao pode continuar a investir 100 na economia (que pede emprestados) para depois receber 20/30(?) em impostos. O nosso mercado esta completamente aberto, por isso quando o estado estimula a economia injectando dinheiro nesta, estimula de facto a economia mas nao a nossa. Estimula a economia chinesa ou alema onde buscar os nossos plasmas ou os bolides a que nos habituamos. A economia portuguesa parece um saco roto: nunca vai reter nada por mais que o estado atire la para dentro. Temos todos, colectivamente, que entender, assimiliar mesmo, que o Portugal das ultimas decadas morreu. acabou. nao volta nunca mais. nao adianta andar a pedir devolucoes de subsidios ou a perguntar ate’ quando e’ que a austeridade vai durar. A nao ser que descobramos petroleo no alentejo, a austeridade vai passar a ser o nosso modo de vida. E Portugal vai ter que se adaptar e emergir como mais auto-suficiente e mais produtivo. Vai ser assim que controlamos a divida e voltamos a crescer.

  9. paam

    Jónatas, foi por causa do “investimento” que chegamos a este ponto. O nosso principal problema nem é o endividamento mas sim os investimentos, desnecessários e ruinosos, que os nossos politicos fizeram. Hoje além de termos de pagar a dívida, temos de pagar os juros e a manutenção de autenticos elefantes brancos que em nada melhoram a nossa qualidade de vida. Muito pelo contrário.

  10. Syme

    #5: quem “ignora o investimento no país” são, antes de mais, os ignorantes que desconhecem uma noção elementar da actividade económica –que só se pode investir aquilo que é poupado. Ou é poupado internamente, ou é poupado por outros, subsequentemente emprestado, caso em que se constitui como dívida externa.

    A seguir, na lista dos que “ignoram o investimento no país” temos os que gastam mais do que recebem e por isso apresentam uma poupança negativa: o Estado acima de todos. Caso ainda não tenha reparado, a chamada “austeridade” só pretende impedir os políticos e respectivas clientelas de continuarem a “ignorar o investimento no país”, apresentando sucessivos orçamentos de Estado constitucionalíssimos, apesar de admitirem escancaradamente uma insuficiência de receitas para cobrir completamente as despesas previstas, continuando portanto a “ignorar o investimento no país”.

    Depois há ainda a considerar todos aqueles que no sector financeiro colaboraram activamente na destruição da poupança interna e encontrará a mesma “mistura da casa”: ignorantes, vigaristas e oportunistas –a este propósito aconselho-o a ler a entrada extremamente educativa que o Carlos Guimarães Pinto colocou há uns dias no blogue dele (chama-se “A Montanha de Sísifo” e o texto em questão creio que se chama “O Zé não poupa”).

    Em suma: pare de nos importunar com disparates desse calibre e veja se pelo menos consegue compreender certas noções económicas elementares que, de resto, são ideias mas não são “teorias”.

  11. politologo

    ” Um Povo que não se governa nem se deixa governar ” . Oculos habent et non videbunt .
    Um Povo desempregado e falido Um Povo em vias de extinção Divida de € 20.000 per capita ! De quem está mais falido do que o Estado ! … Castigat ridendo mores … Num País normal e com crescimento económico , haveria sempre sacrifícios para a próxima geração , se ela ainda existir !….
    Num País anormal e sem crescimento económico , é óbvio que a divida é impagável … Entretanto os agiotas lá vão chupando o tutano …Lei de Wagner : Crescimento irreversível da despesa publica .
    Pressão fiscal insuportável . Deficites permanentes. Crescimento irreversível da Divida Publica o que já vem acontecendo desde o tempo do Nobel Cavaco(que nos deixou escavacados…) Silva (com espinhos , aliás venenosos…) . .E para a nossa melhor definição , ele é ainda o nosso Presidente !… .que para o seu primeiro mandato foi eleito com menos votos do que aqueles que votaram para ele não ser presidente !… Teorema de Arrow : A Democracia é irracional .
    N.B.
    Na História Financeira Portuguesa , apenas no reinado de Salazar este problema foi resolvido !… ..

  12. Rodrigo

    Vão até ao fim das conclusões. Os politicos são incapazes de gerir paises, pois o seu objetivo central é ser reconduzido no poder e para isso necessitam de dinheiro para o log rolling e para as obras de “alavancagem economica alá keynes”, isto não é gestão é redistribuição !. O Estado devia ser uma infraestrutura de suporte `minimo à sociedade, não é; é acima de tudo uma entidade que suporta a “legitimidade” continuada do poder politico, deste poder politico. Os politicos são por definição socialistas – TODOS – na sua forma de utilizarem a infraestrutura de poder estatal para seu beneficio e da classe que lhe está próxima. Eles nunca atacarão firmemente aquilo que os alimenta, pensem por vocês, fariam mal intencionalmente a quem vos dá votos para serem reeleitos? Que diabo de masoquismo é este. Vão até ao fim nas vossas conclusões, vejam o arquétipo do poitico que nos governou e condicionou Portugal nos ultimos trinta anos; Mario Soares! vejam como pensa e como fala…está debilitado Nãaaa, está em grande forma , igual a si mesmo agora sem responsabilidades politicas….; Para que serve hoje em dia o sistema que temos ? Para que servem os politicos ? Para que serve está infraestrtura pesadissima chamada Estado ? Acham mesmo que serão estes politicos a repensar as coisas – da esquerda à direita ? Nãaaaa ! Todas as revoluções começam à frente de um espelho de casa de banho ! 🙂

  13. economista

    “Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência.” – Henry Ford
    Um povo(e os seus governantes…) que padece de iliteracia numérica , económico-financeira e social) . Por vexes , até de obesidade mental Um Povo que tem a sua (pessima) TV como a sua Bíblia Sagrada , tem algum Futuro ? Apenas um nebuloso Mar onde os políticos facilmente navegam … O Povo adora-os , oferecendo-lhes periodica e religiosamente o seu voto .
    Como dizia Ernani Lopes .
    FACILITISMO
    VULGARIDADE
    MOLEZA
    GOLPADA
    VIDEIRISMO
    IGNORÂNCIA
    MANDRIICE
    ALDRABICE

    Um Governo aldrabrão , um Povo mandrião , um tuga ignorante , a golpada orçamental , a moleza do Gaspar , o facilitismo das decisões e o videirismo desta gente !… Alguma vez p.e. Cavaco Silva
    ou Sócrates deixaram de olhar para os seus umbigos ?!…

  14. António

    As dividas das famílias é ainda maior do que o do Estado, e o das empresas privadas é ainda muito maior. Está TUDO endividado. Mesmo com o Estado a assumir dividas de privados (BPN, subsídios de desemprego, etc), está tudo para lá do incomportável!

    Mesmo que os credores públicos e privados do Estado fizessem um “haircut” da divida publica de uns..40 ou 50% (e parece que isso será inevitável), isso teria pouco impacto na divida total. Até porque isso significaria que metade da banca portuguesa falia!!!

    Sinceramente não sei bem qual é a solução.

  15. Miguel Noronha

    “a este propósito aconselho-o a ler a entrada extremamente educativa que o Carlos Guimarães Pinto colocou há uns dias no blogue dele”
    Excelente recomendação. Ainda não tinha daddo por ele.

  16. Ricardo Arroja

    “#15.As dividas das famílias é ainda maior do que o do Estado”

    É falso. A dívida do Estado (na óptica de Maastricht, que subestima a dívida pública) é de 208,8 bis. A dívida das famílias é de 164 bis.

  17. António

    Sim Ricardo, tem razão.

    Desde 2008, a divida das familias encolheu ligeiramente, e a do Estado aumentou bastante, pelo que, agora, a divida das familias já é menor que a do Estado.

    De qualquer forma, a divida das familias tem um problema grave: é maioritariamente (70%) de imobiliário. Casas, casinhas, casotas, muitas delas onde vive 1 pessoa, ou até nenhuma (férias). É um peso morto.

  18. Jónatas

    “que só se pode investir aquilo que é poupado.”

    Até o Paulo Portas já percebeu que não é por aí mas você insiste nessa tecla. Sabe, um País não é uma empresa mas você nunca vai perceber a diferença, mesmo que ache que sim. Em suma, você não faz a menor ideia de que num País, qualquer País, numa situação destas, aquilo que você diz é impossível de se conseguir. E, no entanto, a vida continua, mesmo com este deficit, mesmo com esta dívida.

    Lá mais para a frente? Porque não, estou pronto para essa solução. Mas nesta? Por amor de Deus, aprenda você um bocadinho mais como funcionam as pessoas e deixe lá essas teorias e citações de blogs. Por muito do que é aqui escrito e tomado como verdade absoluta, felizmente que não são os blogs a mandar no Mundo. Por isso, pare também de nos importunar com essa visãozinha sem o menor reflexo na realidade de tantos e tantos Países do mundo.

    “Simples. Corta-se na despesa a sério. Como dizia o Jorge num dos últimos posts são precisos cerca de 7000 M euros/ano.Não sei do que (ainda) estão à espera.”

    Você insiste que isto é matemática, eu e, felizmente, a maioria das pessoas com responsabilidade em todo o Mundo, acham que não é assim tão simples. Tudo tem consequências, Miguel. Vocês aqui não medem nenhuma como deve ser. Nisso, são tão irresponsáveis as vossas propostas como as do Bloco de Esquerda. São irresponsáveis porque são, como as do Bloco, inexequíveis.

  19. Miguel Noronha

    Ok Você trata de arranjar o financimento. È capaz de ser mais exequível que cortar despesa pública.
    Entretanto vou ler melhor o comentário do Syme que me parece bastante relevante. Bom fim-de-semana.

  20. Syme

    Jónatas: você não está a respeitar as regras do jogo. Vou tentar explicar-lhe como é que isto funciona usando o seu comentário anterior (#5) como exemplo.

    Você sai-se com uma daquelas vacuidades à la Sampaio (“há vida para lá de…”; “as pessoas primeiro”; ” não se pode ignorar o investimento no país” com P grande e tudo). A coisa ressuma de sonsice socialista, procurando uma superioridade moral para legitimar uma posição indefensável, destrutiva e estribada numa descomunal ignorância.

    Até aqui, temos o costume. Por entre alguns reparos de outros comentadores, decido expor em tom professoral e ríspido a enorme asneira que você escreveu. Lá está a importância do contexto: num comício de esquerda, você tinha arrancado uma revoada de aplausos e estava a caminho da artur-baptistização-da-silva, a maior distinção intelectual concedida por essas paragens. Aqui, os polegarzinhos para baixo agitaram-se animada e merecidamente no seu comentário e você passou uma vergonha. Acontece e não mata: veja o caso do infeliz Lavoura, que sai daqui quase todos os dias coberto de alcatrão e penas (retóricas) e no dia seguinte cá se apresenta, firme e hirto, para mais uma sessão de asneiras e enxovalho.

    Agora, se você escreve uma coisa como o seu comentário #19, descredibiliza-se a si próprio de tal maneira, pela ignorância e incapacidade de compreender o trivial e elementar, que eu fico sem outro propósito útil nesta caixa de comentários. Vai daí, estendo-lhe os votos de bom fim de semana que o Miguel já lhe endereçou e vou dedicar-me a coisas mais interessantes.

  21. Jónatas

    Sim, senhora, ao menos está bem escrito. Mas há muito tempo que não via três parágrafos tão cheios de nada. Vá, vá dedicar-se a coisas mais interessantes que, sinceramente, não é este o seu jogo.

  22. economista

    A BOMBA
    Quem é mais INCOMPETENTE ?
    O Tribunal Constitucional ou
    O Governo de PPC ???

    No último escalão de IRS (>250.000) até 253.773 paga-se menos IRS do que com 250.000 ! …
    O último escalão de IRS (> 250.000) até 330.000 é inconstitucionalmente e de forma regressiva mais favorável em relação ao penúltimo escalão de IRS !…
    Um contribuinte com um rendimento colectável de 250.000 paga mais IRS (paga 117.970) do que aquele que tem um rendimento colectável de 250.001 que paga 115.970 !…
    E com 253.773 ainda paga 117.970 , tanto quanto paga aquele que tem 250.000 !…
    Existe uma evidente violação do artigo 104º da C.R.P. que o Tribunal
    incompetentemente ignorou(?) e o Governo desonestamente legislou !…
    vd. GRÁFICO

    Exemplos de Inconstitucionalidades
    Rendimento IRS
    250.001 ……………………………………………. 115.970,53
    246.039,6 …………………………………………. 115.969,99
    ————————————————————————————–
    253.773,58 ……………………………………….. 117.969,99
    250.000 ……………………………………………. 117.970
    ————————————————————————————–
    250.001 ……………………………………………. 115.970,53
    250.000 ……………………………………………. 117.970
    ————————————————————————————–
    330.000 ……………………………………………. 158.370
    ————————————————————————————–
    E por muito menos mataram o monárquico D. Carlos
    e também o republicano Sidónio. Já não há monárquicos
    nem republicanos ?!…
    Um jornalista foi preso pela Pide por ter escrito que Salazar havia castrado os Portugueses !… É verdade ?
    Mas não há dúvidas que é um País de brandos costumes .
    Só riscam os automóveis , ainda não começaram a puxar-lhes fogo , não obstante a alta criminalidade ser cada vez mais assustadora mas aqui os obreiros são do Sul do Leste, do Sul
    mais a Sul ou do Sul do Oeste …
    Vox Populi . Mas não há duas sem três …
    E vai rebentar mais uma bomba (a última foi em Boston…)
    Em Portugal , quem mais ganha , menos paga …
    Os milionários só já aparecem nas revistas “cor de rosa” !…
    Um trabalhador no activo paga menos imposto do que um reformado !…
    O que é que não está já “invertido” neste mal cheiroso País ?…
    Um Sitio muito mal frequentado(Eça de Queiroz)
    Abrenuncio .
    O nosso IRS constitucionalmente é progressivo . Mas aquele do PPC já não o é !… Prova matemática . Os coeficientes angulares marginais das curvas do IRS são decrescentes quando deveriam ser crescentes !… (arredondando os decimais)
    Rendimentos de 7.000 a 20.000 com coeficiente 8
    20.000 a 40.000 com coeficiente 4
    40.000 a 80.000 com coeficiente 4
    80.000 a 250.000 com coeficiente 3
    Superior a 250.000 com coeficiente 1
    Note-se que o 2º escalão(7.000-20.000) é escandalosamente sacrificado !… E o último inconstitucionalmente beneficiado !…
    Ao último escalão só falta ter que lhe dar dinheiro !…
    Não acreditam ? Pois , por exemplo , quem ganha 250.000 paga mais imposto do que quem ganha 253.000 !…
    Brilhante !… Fujam , que eles já chegaram ….
    O maior desastre constitucional das últimas décadas :
    http://www.facebook.com/santos.giraldo.1

  23. Jónatas

    Lucklucky, como deve imaginar, mesmo sendo de esquerda, não sou um palerma que acha que dever dinheiro é coisa boa. Essa “esquerdalha”, como vocês a chamam, sabe que dever dinheiro dá nisto e dá nesta perda total de soberania. O que também sabemos é que, como está, Portugal nunca na vida vai dar lucro. Não é só uma questão de menos Estado como não é só uma questão de diminuir o peso do Estado Social.

    Eu sou todo a favor de muito do que vocês dizem. Não parece mas sou. Quem é que pode achar mal um superavit? Quem é que pode achar mal conseguir “investir com o que conseguirmos poupar”? Mas é exequível, numa altura destas, aumentar as poupanças para níveis que permitam um aumento do investimento através do que é poupado? Quem é que está a crescer ao ponto de conseguir aumentar as poupanças? Quem é que está a aumentar as vendas a tal ponto que consiga colocar de lado para mais tarde reinvestir? Conheço muita gente e não conheço muitas que o estejam a conseguir.

    E ambos sabemos que as privatizações, como estão a ser feitas, vão redundar em monopólios privados que vão fazer subir ainda mais os preços e vão ser completamente ineficientes. E vão, claro, continuar a ser protegidas pelo Estado. Mas alguém acredita que o Governo vai fazer alguma coisa em relação às rendas da electricidade logo após ter vendido a sua parte à China? E por aquele valor? E alguém acredita que os Chineses deixavam?

    Também ambos sabemos que o Estado Social muito dificilmente diminui para os valores que vocês querem ou exigem sem grandes convulsões sociais ou derrotas eleitorais. Mas há mais, não há tradição de diminuição do Estado Social seja em que País europeu for, ele é uma marca do nosso tempo e uma marca de definição daquilo que faz a Europa ser diferente em relação ao resto do Mundo. Mais do que uma opção financeira, é uma opção cultural que está traduzida em todos os orçamentos europeus, de uma forma ou de outra. Que não tenhamos dinheiro para o pagar, é um grande problema mas garanto-lhe que mais facilmente se mexe noutras coisas do que nisto, seja quem for que esteja no Governo. Mesmo a vossa querida Margareth Thatcher, que se fartou de medidas impopulares em relação ao Estado Social, acabou por não alterar muito ou quase nada o peso do Estado Social no PIB inglês. E com o PIB a crescer nestes anos de Governação Thatcher, em termos absolutos, até acabou por aumentar o dinheiro alocado ao Estado Social.

    Acho apenas que são um pouco ingénuos na maneira como olham para as coisas, ignorando pura e simplesmente aquilo que é a realidade e os jogos que existem em concreto na relação do nosso Estado com os eleitores e com os outros Países. “Vamos cortar” só e só não serve de nada e é, como lhe disse, tão irresponsável como qualquer proposta do Bloco. Espero mais de vocês.

  24. Miguel Noronha

    Eu de si so espero que encontre alguém que financie as suas fantasias sociais. Desde que não seja eu…

  25. Jónatas

    Mais depressa arranjo eu dinheiro para tudo o que disse do que você votos para impor esta vossa agenda louca.

  26. Miguel Noronha

    Então força nisso que até agora só lhe vi retórica imcosequente. E permita esclarecer algo. Você e restantes socialistas é que pretendem impor um sistema coercivo. Eu apenas exijo o direito de me excluir dele e de não ter de o financiar. Vocês são inteiramente livres de brincar ao “estado social”.

  27. Jónatas

    Retórica inconsequente? Miguel, vamos ser sérios, se há alguém com retórica inconsequente são os liberais. Nós estamos fartos de ir a votos, umas ganhamos, outras perdemos mas vamos a votos. Saiam vocês da casca, criem um Partido Liberal, mostrem as vossas ideias fora deste círculo de amigos onde todos carregam like a todos e tornem consequente tudo o que aqui é dito

    E até lhe digo mais, sempre que alguma voz dissente aparece por aqui, vocês, liberais, deviam ficar contentes. Ou a concorrência já não é boa e não torna o mercado mais eficiente? Pois bem, eu sou a concorrência e o que é que vocês fazem? Gozam, metem dislikes ou unlikes ou lá como se chamam. Mas, mais do que tudo, ignoram tudo o que digo. Nem sequer param para pensar no que é dito ou em como isto pode melhorar o vosso modelo. Por isso, Miguel, não me venha falar em retórica inconsequente que não há nada mais inconsequente do que aquilo que vocês fazem.

  28. Miguel Noronha

    Coitadinho… Sente-se incompreendido? Fica triste por não gostarmos das suas ideias?
    Arranje lá umas propostas concretas em vez dessa, repito, retórica inconsequente.

  29. Miguel Noronha

    E se quiser brincar aos socialismos não o faça com o dinheiro dos outros. Comece com o seu

  30. Jónatas

    Miguel, se me sentisse incompreendido ou não gostasse da opinião contrária, acha mesmo que com as minhas convicções estava num blog de liberais a comentar? Acha que estou à espera de alguma coisa a não ser isto? Estou bem resolvido nessa parte.

    Agora, com a sua desapropriada e deselegante resposta, não sei se você pode dizer o mesmo. Vá ler outra vez o Syme, aquilo sim, é uma sátira bem feita. Isto que você fez é apenas e só falta de classe. E você até a tem.

  31. Miguel Noronha

    Sátira? Espero que tenha tomado aquilo no sentido literal
    Para além de escrever muitissimo melhor, o Syme possui uma “bagagem” cultural e cientifica invejável. Nem sequer o tento imitar.

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