No Fio da Navalha

O meu artigo no jornal i de hoje.

O legado de Thatcher

Quando Margaret Thatcher chegou ao poder encontrou um país dominado pelo Estado, que subjugava os súbditos britânicos. Nascida nos anos 20, Thatcher ainda soube o que era o Reino Unido ter um império. A sua falta e a decadência que do seu fim adveio, e que ela não acreditava ser obrigatória, fizeram-na ver que o futuro do país se encontrava onde sempre esteve: na capacidade dos ingleses ou, se preferirmos, dos britânicos.

Foi esta percepção que a fez ser intransigente na defesa dos indivíduos contra o Estado. Thatcher foi a quinta coluna colocada no topo do Estado para fazer implodir os seus excessos e fazer valer os direitos individuais. Por isso quando David Cameron diz que Thatcher salvou o Reino Unido não diz a verdade. Ela salvou os britânicos e estes, em liberdade, salvaram o país.
A aposta de Thatcher nos direitos individuais, que devem ser protegidos por uma questão moral, é hoje mais actual que nunca, por ser o único meio de salvar os países europeus. Coloca-se também em Portugal, onde quem nos endividou nos diz ser do interesse nacional trabalharmos para pagar as dívidas do Estado.

Um país não é nada sem gente. Pessoas dispostas a trabalhar para si e para a sua família. Donde, desta crise, de qualquer crise, só se sai se o governo nos libertar do peso que é darmos mais do que devemos a quem não conhecemos; darmos demasiadas explicações a quem nada fez por nós; da culpa que nos incutem por não querermos ser trucidados pela lógica da predação colectiva.

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6 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. Ricardo Cerqueira

    A história tem acasos extraordinários: glorificada (e reeleita) pelo triunfo nas Falklands, ficou esquecido no tempo que, por sua exclusiva vontade e responsabilidade, as ilhas britânicas hoje chamavam-se Malvinas.

    Por dois motivos:

    1- Durante anos, M.T. ignorou os alertas dos serviços secretos que poderia estar a preparar-se um ataque às ilhas. Se foi por simples incompetência, ou por conveniência política, nunca o saberemos.

    2- A ânsia de diminuir a despesa pública, levara-a a mandar desactivar os dois únicos porta-aviões britânicos: o Hermes, que seria vendido para a sucata e o Invincible, para a Marinha Indiana. O acaso da história (e a agenda política) de Gualtieri levou-o a avançar cedo demais no tabuleiro de operações, antes de a Royal Navy ter tempo de cumprir as ordens de desactivação dos dois navios. Assim, foi possível preparar uma força credível e recuperar as ilhas, com os dividendos políticos que a operação rendeu à então extraordinariamente impopular P.M. (foi reeleita de seguida).

    Seis meses mais tarde, de acordo com o plano que a P.M.tinha elaborado, tinha-se libertado o Estado de mais encargos (os porta-aviões e os respectivos Sea Harrier)… mas os britânicos não teriam tido os meios para projectar a sua força a mais de 10.000 km de distância.

    De genial e corajosa M.T. passaria a simples incompetente (que neste caso foi, claramente, embora protegida pela sorte dos acontecimentos).

  2. Curioso

    Curioso… o Estado é mau, mas o Império é bom. A tirania fiscal da Poll Tax também nunca existiu… tá certo!

  3. LDR

    Bastava este exercício: Os netos de 20 anos de hoje têm todos um vencimento anual inferior aos seus avós.

  4. Rui Cepêda

    Margareth Thatcher, Ronald Reagan e o Papa João Paulo II venceram a guerra fria. Thatcher dizia: “os socialistas só duram enquanto durar o dinheiro dos outros”. Precisamos muito de gente desta qualidade. Não temos Estadistas.

  5. Buiça

    Nada contra o partir da espinha de sindicalistas retrógrados, agora por favor não glorificar esta Ferreira Leite merceeira. Toda a indústria do Reino Unido que destruíu foi substituída por nada, reeleita 2 vezes à custa de atentados e guerras ridículas, foi ainda uma desgraça na tentativa de pacificação da Irlanda do Norte.
    A única razão para economicamente (e como país) não ter acabado tudo muito mal foi o pequeno detalhe de terem descoberto PETRÓLEO com fartura no mar do Norte ainda na década de 70 (assim também eu nao tinha problemas em fechar minas de carvão…) enquanto os escalões de impostos ainda acabavam acima dos 60% já bem dentro da década de 80. Acho inacreditável que se passe por cima destes “detalhes” tal como do “detalhe” (capaz de arrepiar o mais meigo liberal) de ter simplesmente oferecido a milhões de ingleses e escoceses as casas camarárias em que os anteriores governos os tinham colocado a morar com rendas controladas, tais as condições propostas para a sua aquisição.
    Hoje há churrasco de Maggie e esperemos que não demore muito mais a não se voltar a falar dela.
    Cumps,
    Buiça

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