Onde Estão Os Governantes Com Reconhecido Mérito E Competência?

Este post vem a propósito da nomeação de Marques Guedes para ministro da presidência e assuntos parlamentares de Poiares Maduro para ministro-adjunto e do desenvolvimento regional, mas podia-se aplicar uma infinidade de políticos. Não é que eu reconheça ou aceite o poder que os governantes têm sobre os seus cidadãos (no limite podem nos matar, escravizar ou roubar – a parte do roubo aliás acontece a todas as horas), mas confesso que me aborrece o facto que a larga maioria dos governantes – onde se incluem ministros, secretários de estado, deputados e administradores públicos venham do meio partidário, académico ou do sector público.

Nós não precisamos de professores, advogados, sociólogos, poetas, filósofos que nunca trabalharam no mundo real, que não sabem ler um balanço ou uma conta de exploração e que nos venham contar historinhas da carochinha ou que nos venham pregar as bem-aventuranças – como se isso alimentasse alguém ou pagasse contas. O que nós precisamos é de gestores com experiência e provas dadas, com preocupações de eficiência e de equilíbrio entre receitas e despesas.

De todos os meios para “pescar” governantes, o pior é sem dúvida o meio partidário. Nos partidos não contará tanto o mérito para subir na escada do aparelho partidário, mas sim a capacidade de agitar bandeirinhas de forma sempre leal e entusiasta, de engraxar sapatos e de beijar uns rabinhos aqui e ali, jogando verdadeiramente o “Game of Thrones”.

Os governantes ao contrário do que muitas vezes possam ter a pretensão, não são donos da verdade, não têm sabedoria ou poderes divinos, nem são melhores do que os seus cidadãos. São meros mortais, com todas as limitações e falhas que todos os seres humanos têm. Desengane-se quem espera por um “salvador da pátria” para resolver os problemas do país.

O mínimo que se deve exigir aos nossos governantes é integridade, competência e que sofram na pele as consequências das suas decisões – a desresponsabilização da gestão dos dinheiros e das vidas dos outros é algo incompreensível para mim.

Pessoalmente não creio que o sistema político venha a ser alterado significativamente pelo simples facto de quem tem o poder para o alterar – os partidos – são os que mais beneficiam do status quo. No entanto, veria com muito melhores olhos que os nossos governantes viessem da sociedade civil sem ligações partidárias, com mérito e competências comprovadas. Que apenas cumprissem um mandato e que depois regressassem ao seu emprego anterior.

Porque é que Portugal foi amaldiçoado com uma classe política tão medíocre é um mistério para mim. Parece que quem é competente faz carreira no sector privado e nada quer com a administração pública; e quem é incompetente faz carreira nos partidos e na administração pública para depois se reformar no sector privado – outra promiscuidade obscena… Mistérios, enfim.

PS: É sempre perigoso generalizar e admito que haja excepções. Mas as excepções, essas infelizmente são raríssimas.

29 pensamentos sobre “Onde Estão Os Governantes Com Reconhecido Mérito E Competência?

  1. Jorge

    curiosamente, não é só um problema português… ainda há pouco se discutia em Inglaterra que a “nova” classe politica é constituída maioritariamente por pessoas cujo 1º emprego foi “assessor” de ministros e cujo CV é um arrastar pelos corredores do poder (governo, parlamento,etc) sem qualquer experiência na vida real.. Curiosamente, nos EUA, Obama é o presidente com menos tempo de trabalho na “vida real” na história dos EUA…

  2. O post levanta questões muito interessantes, mas padece de duas falácias muito generalizadas entre nós:

    a) “nunca trabalharam no mundo real” – Isto é uma concepção usada pelos comunistas para justificar a chamada ditadura do proletariado. Porque é que estou no mundo real quando compro um par de sapatos e não quando compro o parecer de um advogado?

    b) “De todos os meios para “pescar” governantes, o pior é sem dúvida o meio partidário” – Não é necessariamente verdade. Na Inglaterra ninguém pode ser ministro se não for deputado. Por isso os eleitores, quando elegem os seus deputados, têm de ser mais conscienciosos porque sabem que poderão estar a eleger um futuro governante e não apenas um boy do líder do partido.

    Quanto à questão de saber “Porque é que Portugal foi amaldiçoado com uma classe política tão medíocre é um mistério para mim”, a minha resposta está neste post: http://marques-mendes.blogspot.pt/2011/12/qualidade-dos-politicos-de-hoje-e-do.html

  3. Eu continuo na minha. O facto de termos uma classe politica mal preparada (isto vai dos acessores aos ministros) – salvo rarissimas excepcoes – e pelo facto destes serem mal pagos. Estamos a dar muito poder a tipos que ganham o que…2.500…3.000 por mes? Para a realidade do pais (e qualidade dos mesmos) e bastante, noe entanto a maioria dos bons profissionais esta no privado e nao esta para se sujeitar a isto porque simplesmente nao tem pachorra para aparelhos partidarios e beijar rabinhos aqui e ali. E independente e tem valores. Como exemplo um trabalho em Inglaterra, nem sequer tenho um cargo de direccao na minha organizacao e ganho mais que um deputado. E quando estava em Portugal, ja ganhava mais que um deputado. Tem o exemplo do Paulo Macedo. Criticaram que o homem foi “requisitado” ao BCP por 25 mil. Caiu o cargo e a trindade por causa do salario. No final foi o que se viu.

  4. isto e o que da trabalhar em Inglaterra. Corrige as palavras para Ingles e nem assim acerta. Para alem da pontuacao. Nao e cargo, mas sim carmo. E como exemplo..eu e nao um…

  5. JS

    João Cortez. Claro. Límpido. Toca com o dedo na ferida. Porque é que o País está arruinado?.
    Durante estes 30 e tal anos em Portugal os interesses de grupelhos ditos “partidos”, PS e PSD, foram oficial e legalmente defendidos pelo/no poder legislativo, executivo e judicial.
    Não há relação entre esse exercício de poder, directa representatividade, e a sociedade.
    Inpunidade eleitoral. O resultado está, e vai continuar a estar, infelizmente, à vista.
    Permita-me. “PS: É sempre perigoso generalizar e admito que haja excepções. Mas as excepções, essas infelizmente são raríssimas.”

  6. Vivendi

    Artigo muito bom do Instituto Mises Brasil:

    A tragédia social gerada pela democracia

    A democracia pode até ter começado com o grande ideal para conceder poder às pessoas; porém, depois de 150 anos de prática, os resultados estão aí e eles não são positivos.

    Está mais do que claro que a democracia está mais para um arranjo tirânico do que para uma força libertadora. As democracias ocidentais estão seguindo o mesmo caminho já percorrido pelos países socialistas e, como era inevitável, se tornaram estagnadas, corruptas, opressoras e burocratizadas. Isto não aconteceu porque o ideal democrático foi subvertido, mas sim, e ao contrário, porque esta é exatamente a natureza inerente ao ideal democrático. Trata-se de uma natureza coletivista.

    Se você quer saber como a democracia realmente funciona, considere este exemplo. George Papandreou, o político grego socialista, ganhou as eleições em seu país em 2009, com um slogan simples: “Há dinheiro!” Seus oponentes conservadores haviam reduzido os salários dos funcionários públicos e outras despesas públicas. Papandreou disse que isso não era necessário. “Lefta yparchoun” era seu grito de guerra — há dinheiro. Ele ganhou as eleições sem problemas. Na realidade, não havia dinheiro nenhum, é claro — ou melhor, o dinheiro teve de ser fornecido pelos pagadores de impostos de outros países da União Europeia. Mas, na democracia, a maioria está sempre certa e, quando tal maioria descobre que pode, por meio do voto, confiscar a riqueza alheia para si própria, ela inevitavelmente fará isso. Esperar que não o faça seria ingenuidade.

    O que o exemplo grego mostra também é que as pessoas em uma democracia naturalmente se voltam para o estado para que este cuide delas. Governo democrático significa ser governado pelo estado. Como resultado, as pessoas irão sempre fazer exigências ao estado. Elas irão se tornar cada vez mais dependentes do governo, para resolver seus problemas e orientar suas vidas. Qualquer problema que elas encontrem, elas esperarão que o governo os corrija. Obesidade, abuso de drogas, desemprego, falta de professores ou enfermeiros, uma queda no número de visitas a museus, o que seja — o estado está lá para fazer algo que resolva isso.

    Aconteça o que acontecer — um incêndio em um teatro, um acidente de avião, uma briga de bar —, elas esperam que o governo vá atrás dos culpados e garanta que nada semelhante aconteça novamente. Se as pessoas estão desempregadas, elas esperam que o governo ‘crie empregos’. Se os preços da gasolina sobem, elas querem que o governo faça algo sobre isso. No Youtube, há um vídeo de uma entrevista com uma mulher que acabou de ouvir um discurso do presidente Obama. Quase chorando de alegria e emoção, ela exclama: “Eu não mais terei de me preocupar com o pagamento da gasolina para o meu carro ou da minha hipoteca”. Esse é o tipo de mentalidade que a democracia cria.

    E os políticos estão sempre dispostos a fornecer o que as pessoas exigem deles. Eles são como o homem daquele provérbio: para quem tem apenas um martelo, tudo se parece com um prego. Para cada problema da sociedade, eles se veem como os únicos capazes de solucionar esses problemas. Afinal, é para isso que foram eleitos. Eles prometem que irão ‘criar empregos’, reduzir as taxas de juros, aumentar o poder de compra das pessoas, fazer com que a aquisição de casas seja acessível até para os mais pobres, melhorar a educação, construir parques infantis e campos desportivos para os nossos filhos, se certificar de que todos os produtos e locais de trabalho são seguros, fornecer serviços de saúde de qualidade e acessíveis para todos, acabar com os engarrafamentos, varrer a criminalidade das ruas, livrar os bairros de vandalismo, defender os interesses ‘nacionais’ perante o resto do mundo, promover a emancipação e lutar contra a discriminação em todos os lugares, verificar se os alimentos são seguros e se a água é limpa, ‘salvar o clima’, tornar o país o mais limpo, o mais verde e o mais inovador do mundo e banir a fome da face da terra.

    Eles irão realizar todos os nossos sonhos e exigências, cuidar de nós desde o berço até o túmulo, e se certificar de que estamos felizes e contentes desde o início da manhã até o final da noite — e, claro, farão tudo isso sem elevar os gastos e ainda reduzindo impostos.
    Tais são os sonhos que constituem a democracia.

    Os pecados da democracia

    Obviamente, a verdade é que isto simplesmente não tem como funcionar. O governo não pode alcançar tudo isso. No final, os políticos sempre irão fazer as únicas coisas que eles realmente sabem fazer:

    1. Desperdiçar enormes quantias de dinheiro em problemas que são ou insolúveis ou transitórios;
    2. Criar novas leis e regulações;
    3. Criar comissões para supervisionar a implantação das suas leis.
    Não há realmente nada mais que eles possam fazer, como políticos. Eles não podem sequer pagar as contas de suas atividades, cuja fatura é enviada para os pagadores de impostos.

    (Continua)

    http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/04/a-tragedia-social-gerada-pela-democracia.html

  7. AACM

    Estou 100% de acordo com o autor do artigo….mas ? meu caro, os bons estão a tratar do que lhes interessa particularmente e os maus sao lá postos propositadamente para fazer o trabalho sujo. Nada tem sido por acaso.

  8. Jónatas

    O que está a falhar não são os políticos. Gente fraca pronta a assaltar o poder houve sempre e sempre haverá. O que está a falhar são os checks habituais que eram impostos a vários níveis na sociedade. Hoje, aceitamos quase de forma natural que se o Presidente da Câmara fez bem ao município, então não faz mal roubar um bocadinho. Hoje, aceitamos que ninguém se demita do Governo porque há sempre um spindoctor capaz de mudar a “narrativa”. Hoje, não temos uma comunicação social capaz de fugir da luta pelas audiências e da publicidade que traz para nos dar a realidade, em vez de nos dar o mínimo denominador comum. Hoje, não temos um povo que se preocupe seja com o que for ou se mobilize seja pelo que for a não ser pelo seu umbigo. Hoje, temos grandes empresas capazes de pagar a políticos o que eles quiserem para mudar as leis a seu favor. E nada lhes acontece. Hoje, temos juízes que não estão preparados pela vida e que não fazem a menor ideia da vida daqueles que julgam. A culpa não é da democracia, é daqueles que a fazem ser este manto podre de gente sem ética e moral.

  9. Manuel Costa Guimarães

    Jónatas, não é hoje. É desde sempre. O que as pessoas gostam é que não lhes pisem os calos, porque de resto, é um laissez faire do c…

  10. José Couto Nogueira

    Concordo com a generalidade do que diz. Gostaria de colocar a questão um pouco mais acima: como resolver o problema da profissionalização da política? Pois essa é a chave do problema. A sociedade contemporânea é muito complexa e precisa de ser gerida por pessoas a tempo inteiro. Não é possível, nem os governados gostariam se ser geridos por pessoas com profissões “civis” que cuidassam da coisa pública em part-time ou como hobby. Portanto é preciso haver políticos profissionais – e aí lá vem o rol de incompetências e aleivosias que se atribui aos “saídos das jotinhas” – com razão, na maioria dos casos. A outra hipótese é uma pessoa com vida “civil” produtiva decidir dar uns anos – quatro, oito – à causa pública, quase pro bono, e depois voltar aos seus afazeres; mas neste caso há o problema de interromper a carreira e depois não dever continuar na área da sua especialidade nata e/ou adquirida na política. E mesmo quando um político consegue fazer a separação das águas, pelo menos publicamente, há sempre quem ache, e com razão, que ele está a usar a influência de uma área na outra. Estou a lembrar-me do Jorge Coelho, que durante anos dirigiu o aparelho do PS, chegou a ministro, parou durante dez anos – dez anos – e voltou como administrador da Mota Engil. Toda a gente considera que é mais uma história da promiscuidade entre a política e o mundo empresarial… Que poderia uma pessoa como ele fazer? Mudar de ramo? (Não gosto particularmente do Coelho, foi o exemplo que me veio à mão.) Do outro lado temos o Mário Nogueira, o boss da fenprof; há quantos anos aquele homem não dá uma aula?
    Potatnto são tão criticáveis aqueles que fazem da política uma carreira como os que têm uma carreira e fazem um período de política? Não sei a resposta, mas acho que na pergunta é que está o problema.

  11. António Carlo Weinstmann

    tem toda a razão….um balanço e uma conta de exploração…essas misteriosas e insondáveis matrizes de tão dificil compreensão. Somente um entendido nas electromagnéticas equações de Maxwell, na simplificação da de Shrodingher aplicada ao caso do hidrogénio, eventualmente das transformações de Lorentz aplicadas à relatividade restrita, ou quiçá do 2º princípio da termodinãmica, ou ainda e porque não, da equação de Arrhenius, seria capaz de esmiuçar um minimo de entendimento de tão sofisticadas ferramentas!

    Balancetes na “Nature” e electrodinãmica quântica no guichet (e talvez no tablet do Camilo L.) …essa é nossa luta companheiro.

    Bem haja.

    ACW

  12. Excelente artigo, Joao Cortez.

    E’ engracado como duas pessoas diferentes podem fazer a mesma observacao e concluir duas coisas completamente diferentes. Aconteceu isso comigo, agora, quando li o comentario anterior do Jose Couto Nogueira. As tantas ele diz assim:

    “A sociedade contemporânea é muito complexa e precisa de ser gerida por pessoas a tempo inteiro.”

    Concordo com a complexidade da sociedade contemporanea e e’ exactamente por ser tao complexa que NAO PODE SER GERIDA POR PESSOAS. E’ uma tarefa impossivel e, por isso, quando o tentam fazer, so pode dar ASNEIRA.

    O mesmo se aplica a gestao da economia complexa duma sociedade complexa. Enquanto os estatistas colectivistas vem nessa complexidade uma razao para ter de ser “gerida”, eu vejo nisso uma razao MAIS QUE OBVIA para nao ser gerida, ja que reconheco que a tentativa da gestao vai ser desastrosa e ter consequencias imprevisiveis.

    E’ ai que entra o mercado livre. No mercado livre, cada um gere a sua vida e a sua economia e as suas relacoes sociais com os demais. A soma das economias e relacoes individuais fazem o todo complexo. E’ como um cardume de peixes ou um bando de passaros, que criam um movimento complexo. Esse movimento nao foi combinado, nao foi ensaiado nem ha um “ministro para os assuntos dos movimentos”. Esse movimento complexo e’ resultado duma ordem natural.

  13. Rafael Ortega

    “O que nós precisamos é de gestores com experiência e provas dadas”

    Mas será que os gestores com experiência e provas dadas querem aturar birrinhas por uma infima parte do salário que auferem noutro lado qualquer?
    Esse é o problema…

  14. Concordo com o Fernando Ferreira. Os governantes devem ter o menos poder possível – ninguém nos governa melhor do que nós próprios. Tendo que haver governantes, acho bem que sejam muito bem pagos, mas apenas que cumpram um mandato. Acho que a escola dos governantes baseada numa carreira essencialmente partidária e política cria um sistema perverso e incompetente.

  15. JG

    é isso mesmo: “Há uns anos foi feito o chamado Simplex. Eu acho que, globalmente, teve resultados positivos.” Paulo Portas
    Volta Sócrates estás perdoado…

  16. Vivendi

    ¨Os governantes devem ter o menos poder possível.¨

    O estado novo teve um peso DO ESTADO na economia de 15% a 20% e os indicadores económicos daquele tempo foram espetaculares. Inflação baixa, impostos baixos, baixo desemprego, moeda forte e não havia grandes défices.

    Um país que teve mais de 40 anos de boas práticas económicas só tinha mais que seguir o bom exemplo. Mas quis abraçar o socialismo e é a desgraça que se conhece.

    É tempo de escrever uma nova constituição e que um dos principais artigos seja que o estado não possa ultrapassar os 20% de peso na economia, sem sombra de dúvidas a melhor garantia que o povo pode ter contra um qualquer político.

  17. Jónatas

    Volta e meia, aparece alguém neste blog a defender uma ditadura de direita com paleio e factos pintarolas, como se um ditador fosse o novo D. Sebastião.

    Vivendi, tenha vergonha em pensar como pensa. Mas tenha ainda mais vergonha por defender algo como uma ditadura assim, como se não houvesse problema. Como é que alguém que até parece ter dois dedos de testa, olha para o mundo e acha que um ditador é a solução, ultrapassa-me.

  18. Jónatas,

    Só estou a demonstrar a realidade económica. E com ditadura ou sem ditadura a sociedade ocidental vai ter que entrar pela madeira a dentro.

    E reforço novamente o que escrevi, a melhor arma contra um qualquer político é a existência na constituição um artigo em que o estado não possa ultrapassar os 20% de peso na economia.

  19. Jónatas

    Sim sim, era mesmo você que ia conseguir impor a um ditador limites. Nem pense mais nisso que não vai sair daí nada de bom.

  20. Jónatas

    Estamos em democracia e com limites na Constituição e basta olhar para este blog para perceber que, por eles, iam contra quer a democracia quer contra a Constituição “em nome da nação”. E nem sequer se apercebem da gravidade daquilo que preconizam, post sim, post sim. Ou das implicações que isso pode ter quando alguém impor uma solução contra a Constituição em desfavor da sua opinião.

  21. ricardo saramago

    Sabemos que o socialismo só dura enquanto houver dinheiro dos outros para gastar.
    Será que a democracia tem o mesmo problema?

  22. Ricardo Saramago,
    Estas correcto! Todas as formas de colectivismo obrigatorio sao socialistas; a democracia e’ apenas mais uma forma de colectivismo e uma das mais perigosas.
    Cria ilusoes tais como “somos nos que mandamos” e “o estado somos nos”. Quem manda realmente (politicos e grupos de interesse que gravitam a sua volta), passa despercebido, colhe lucros e distribui prejuizos. A democracia e’ como a “guerra de guerrilha”, nao se consegue identificar os inimigos tao facilmente.
    Mas pronto, os politicos estao descansados enquanto a populaca continuar a pensar que “e’ o povo que manda” e tretas desse genero.

  23. lucklucky

    “Mas, na democracia, a maioria está sempre certa”

    Na Democracia não é preciso maioria sequer.
    Sócrates duplicou a dívida e levou o país à bancarrota com quantos votos? 2-2,5 milhões de votos? Isso são 20-25% dos Portugueses.

    A Democracia é necessária mas tal como está configurada não tem futuro. Tem demasiado poder sobre as outras minorias. Por isso está condenada.

    Como já disse várias vezes a Democracia esteve do lado da Liberdade quando foi preciso acabar com os privilégios do Ancient Regime, Para acabar com o Ancient Regime é preciso destruir as instituições do Ancient Regime logo automaticamente implicou mais Liberdade.
    Foi apenas em parte uma coincidência operativa. Não há dúvidas que muitos Democratas que queriam a Liberdade mas a lógica da Democracia, principalmente a sua excessiva legitimidade aliada ao avanço tecnológico permite-lhe hoje ter um poder que nem o Ancient Regime sonhava.

    Hoje o poder do Ancient Regime já é menor que o da Democracia.

    Mas este Poder e por causa dele não lhe trará melhores resultados – menos redundância, menos iniciativa são tudo consequências do poder excessivo da Democracia – O falhanço da Democracia vai ficar tão claro que em vez de reformá-la vamos passar a ter o elogio da Ditadura Esclarecida.
    Algo que por exemplo já acontece em várias áreas mais tecnocráticas da esquerda do qual o New York Times é excelente exemplo.

  24. Ricardo Monteiro

    Tantos anarquistas… Há alguma manif aqui? ( só não percebo como é que há pessoas que ainda hoje não entendem como é que apareceu o comunismo…)

  25. Lucas Galuxo

    Numa altura em que sai Miguel Relvas e entra Marques Guedes e Poiares Maduro, este post está desactualizado. Descontando o primeiro ministro, quais são agora os governantes carreiristas que não sabem viver sem a política partidária? E quantos não aceitaram escangalhar uma carreira profissional para se sujeitar ao opróbrio popular? Este texto de demagogia brejeira é perfeitamente dispensável, João Cortês.

  26. lucklucky

    “ainda hoje não entendem como é que apareceu o comunismo…”

    Como foi?

    Já agora como acabou? há algumas semelhanças com o estado actual da democracia ocidental..

  27. Perplexo

    Meu caro Fernando J M Ferreira, não podia discordar mais da sua conclusão à questão da “complexidade da sociedade”. Sob dois aspectos. Quando falo em complexidade estou a pensar, por exemplo, nas necessidades de energia; para construir as gigantescas barragens ou centrais é necessário um planeamento e um capital que só uma estrutura muito grande podem obtê-los. Pequenas cidades-estado nunca poderiam ter essa energia, a não ser que se juntassem; e, juntando-se, estão a criar um novo degrau de poder… Um apecto é a escala; outro será os interesses conflitantes de grupos muito diferentes – aqui pode pensar em termos de raça, ou cultura, ou rendimento, ou o que não o chocar considerar que existe de diferente entre os homens – que precisam uns dos outros exactamente para criar esses bens em larga escala (pode ser pesquisa médica, pode ser tanta coisa). Não me parece que deixar toda a gente à solta conseguisse essas realizações. Há que criar barreiras, infelizmente – infelizmente porque são tudo limitações à liberdade individual. Veja o caso da bancarrota de 2007-2008, que começou com a falta de regulação nos mercados financeiros – outro exemplo.
    Agora, por outro lado, as soluções de poder total e organização completa sobre a sociedade também não funcionam, porque ao eliminar ou limitar a livre iniciativa e o lucro também eliminam a vontade de progredir. Já temos experiências ultra-liberais e socialistas que cheguem para ver que nem para um lado nem para o outro. Era a este enigma que eu me referia.
    José Couto Nogueira

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