Sobre os tais cortes na Educação

Concordando com o Relatório do FMI no que toca à Educação, devo acrescentar que não admito que o Governo mexa nas propinas sem antes tratar dos professores, seja na quantidade, seja na remuneração A raison d’être do sistema de ensino é, em primeiro lugar, a formação, não o emprego dos formados.

O custo médio de um aluno nos ensinos básico e secundário, que ronda os 4415 euros, deve servir de base para uma reforma estrutural, que reduza custos, aumente a concorrência e, sobretudo, a autonomia e a competência das escolas. O mesmo vale para o ensino superior onde, a serem aumentadas as propinas, não poderão deixar de ser criados/reforçados mecanismos – envolvendo ou não a banca privada – que possibilitem a todos o acesso. Se é verdade que uma visão estritamente social condenou a geração presente, uma visão estritamente tecnocrata nesta área poderá vir a condenar a geração futura.

34 pensamentos sobre “Sobre os tais cortes na Educação

  1. O dilema da democracia

    A democracia está em risco, não duvidemos.
    “Temos que mentir, caso contrário perdemos as eleições e acabam lá, os outros que também mentem, piorando a situação”.
    Assim pensam, assim fazem. Mas não um ou outro. Fazem todos.
    Pensando assim, legitimam – nas suas consciências – as suas mentiras. Sócrates é um excelente exemplo deste procedimento conseguindo fazer afirmações (falsas e ilusórias) com uma aparência de sinceridade fantástica.
    .
    O problema não era tão relevante há alguns anos atrás. Antes das grandes mudanças motivadas pela globalização. O crescimento era uma realidade (e uma possibilidade real) e o trabalho ainda existia, dentro das fronteiras dos países desenvolvidos. A energia e a matéria prima existiam em quantidades e preços razoáveis pois os países desenvolvidos mandavam no Mundo a seu belo prazer.
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    Hoje, nada disto existe.
    .
    E não enfrentamos os problemas, porque não os queremos reconhecer. Fingimos que não existem, o que não nos permite estuda-los, enfrenta-los e supera-los. Nada disso. Pelo contrário. Negar é que está a dar.
    .
    O primeiro ponto seria entender que não haverá mais crescimento (a não ser que antes se caia muito e de forma desamparada). Que não estamos numa crise (num ponto baixo, recuperável) mas sim num ajuste em baixa (ainda a cair, para um ponto sustentável, mais abaixo).
    .
    E que, não havendo crescimento, não haverá mais trabalho pelo que urge actuar a esse nível (é uma das primeiras medidas). Distribuindo melhor o trabalho existente, aumentando o número dos que acedem ao trabalho, pagam impostos e contribuições sociais, e reduzindo os subsidiados e indignados na rua. E, mais importante que isso, cortando a sangria do futuro que está em andamento com a saída de todo o nosso potencial (juventude) para o exterior (emigração).
    .
    Mas haverá muito mais a fazer. Mudando as agulhas da solução do exterior (troika e financiamentos externos) para o interior (medidas adaptadas às nossas necessidades e financiamentos internos.

    http://notaslivres.blogspot.com/2013/04/adeus-relvas-precisamos-de-alternativas.html

  2. Luís Lavoura

    criados/reforçados mecanismos – envolvendo ou não a banca privada – que possibilitem a todos o acesso

    Se se refere a empréstimos, tire o cavalinho da chuva. Isso só será adiar e piorar o problema. Nem a banca vai nessa conversa, nem o povo português, sobreendividado como já está, poderá ir.

  3. paam

    “Se se refere a empréstimos, tire o cavalinho da chuva. Isso só será adiar e piorar o problema. Nem a banca vai nessa conversa, nem o povo português, sobreendividado como já está, poderá ir.”

    Ha gente que anda mesmo a dormir…

    “Se quer estudar em Portugal, o BPI é o banco que lhe concede um crédito mais alto – até 75 mil euros. E só outros dois lhe emprestam mais 50 mil euros ou mais: a Caixa de Crédito Agrícola financia no máximo 60 mil euros e o Banif 50 mil. Em todos os outros bancos, os valores são menores: na Caixa Geral de Depósitos, onde a maior parte dos estudantes tem crédito (47,1% do total), pode pedir até 30 mil euros, tal como no Millennium bcp, no Santander Totta e no BES. Não se esqueça de que, em alguns casos, estes valores dependem do curso: no BCP, pode pedir até 15 mil euros para uma licenciatura de três anos e no máximo 30 mil para cursos de seis, como medicina. Estes são os créditos universitários dos bancos. Funcionam como qualquer outro crédito, só tem que ser estudante para o pedir. Além destes, há oito instituições cornos chamados créditos com garantia mútua, em que o próprio Estado é fiador do empréstimo – BPI, BCP, BES, Santander, CGD, Montepio, Banif e Crédito Agrícola. O valor máximo é igual em todos: até 5 mil euros por ano, no máximo 25 mil.”
    http://aulp.org/noticias/revista-de-imprensa/ensino-superior/2987-como-pagar-uma-licenciatura-durante-a-crise

    Mas nao, Luis Lavoura, os jovens que nao tiverem dinbheiro nao devem investir na sua formacao. Neste momento o que Portugal mais precisa eh de trabalhadores indiferenciados e os jovens portugueses todos sonham com salarios baixos. Se ha saida para os jovens eh atraves de uma formacao de qualidade.

  4. Francisco Colaço

    Atente-se que nos 4415 euros se englobam os professores que não dão aulas, os destacados para funções sindicráticas (sim, é intencional eu escrever assim), os múltiplos investimentos (:D) em desconstrução civil e emperreitagem acima de preço de mercado para agradar amigos, a manutenção de escolas com quinze alunos e outras aberrações de igual fação.

    No mínimo deveríamos pressionar para que o custo médio por aluno fosse cerca de 80% desta soma, perto de EUR 3600,00 anuais. Um pouco abaixo do que se afirma ser o custo médio por aluno no ensino privado.

  5. Pingback: Por um sistema de financiamento menos perverso | O Insurgente

  6. lucklucky

    A educação é um bolha especulativa. Cá. nos EUA, em todo o lado praticamente. A economia não precisa de tanta gente “educacionada”.
    Ainda é preciso limpar retretes…

  7. Luís Lavoura

    paam,
    (1) Quais as taxas de juro desses empréstimos?
    (2) São concedidos todos os empréstimos pedidos? Ou apenas uma pequena minoria?
    (3) Que acontece se, findo o curso universitário, o ex-estudante não consegue arranjar emprego e pagar o empréstimo?
    (4) Quem são os fiadores? Que garantias tem o banco de que o empréstimo será pago?
    (5) Qual é a diferença entre o Estado ser o fiador do empréstimo e ser o próprio Estado a financiar o curso? Não será isso apenas uma forma de criar dívida de longo prazo ao Estado?

  8. Miguel Noronha

    “nós não estamos ao serviço da economia. É ao contrário, sabe?”
    Fico com basntantes dúvidas quando leio estas tipo de afirmações. O que é que entende por “economia” e por “pô-la ao nosso serviço”?

  9. Jónatas

    Miguel, nem vale a pena ir por aí que você sabe perfeitamente ao que me refiro. Mantenho tudo o que disse, como disse e sei que a maioria das pessoas, qualquer pessoa, entende o que digo. Mas esteja à vontade para preencher os espaços que acha que estão em branco como quiser.

  10. Miguel Noronha

    Não, não sei.
    Dependendo da sua definição posso concordar ou discordar de si.
    Quando o lucklucky diz que “A economia não precisa de tanta gente “educacionada” (algo que é comprovado pelas elevadas taxas de desemprego ao nível de licenciados) você responde que “nós não estamos ao serviço da economia. É ao contrário, sabe?”

    Quer com isto dizer que, cada um deve tirar o curso que quer independentemente da empregabilidade do mesmo (algo que concordo) ou que os contribuintes são obrigados a financiar desejos alheios de qualificação e/ou arranjar-lhes colocação (algo que discordo)?

  11. Poupar na educação? é fácil, acabar com os contratos de associação perfeitamente desnecessários. Convém é ler os relatórios antes, tanto este como o da comissão presidida por Pedro Roseta. E não notícias idiotas e tendenciosas como a citada, e a sua fantasia dos 4415 euros, que o relatório assume ser um número ultrapassado. Basta de resto ler outros jornais:
    http://www.publico.pt/educacao/noticia/custo-medio-por-aluno-divulgado-pelo-tribunal-de-contas-ja-perdeu-validade-1568846
    http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Educacao/Interior.aspx?content_id=2848492&page=-1
    A menos que se prezem as rendas estatais e o mundo das PPP’s na educação…

  12. paam

    Luis Lavoura,

    Clique no link que encontrara as respostas.

    “Qual é a diferença entre o Estado ser o fiador do empréstimo e ser o próprio Estado a financiar o curso?”

    Esta pergunta era a brincar, nao era?

  13. lucklucky

    “Lucklucky, nós não estamos ao serviço da economia. É ao contrário, sabe?”

    Então os impostos acabaram?
    Engana-se.
    Você está ao serviço da Economia se precisar dinheiro, trabalho dos outros para viver.
    A Economia* são o que os outros querem , se você não faz nada de útil para os outros que valha a pena então porque é que os outros devem trabalhar para si?
    Os outros já estão ao serviço da economia do Jónatas mas o Jónatas não está ao serviço da economia dos outros?

    *A piada escondida é que os seus valores são puramente anti-sociais e aristocratas. Mas não é surpreendente devido às contradições na esquerda.
    Substitua malvada palavra Economia pela boa palavra Sociedade e vai ver que fica menos chocado.

  14. Jónatas

    Lucklucky : um liberal que defende a quotização de cursos consoante as necessidades da economia é algo absurdo para mim. Que diferença há entre aquilo que preconiza e o comunismo?

    Miguel Noronha : você tem plena noção do momento em que estamos, com um Estado Social a ser alvo de ataques. Ideológicos, no seu caso, achando que não havendo dinheiro que os direitos não podem ser assegurados, por muita boa vontade que tenhamos. E, sou-lhe sincero, aceito isto com a maior das naturalidades. E estou pronto a encontrar maneiras de manter um Serviço de Saúde ou de Educação que seja mais sustentável e que não pese tanto nos nossos impostos.

    Mas ambos sabemos que no caso de todos aqueles que vêem na Saúde e na Educação mais um mercado a ser tomado de assalto a bem do lucro, convém-lhes muito esta vossa e nossa conversa. Com tudo o que isso implica na diminuição de cobertura e de acesso quer à saúde quer à educação de qualidade que hoje temos quase dada. Não sou a favor do sistema plutocrático que assegura que quem estuda na Ivy League esteja um passo à frente de todos os outros. Se é bom para quem lá estuda, ajuda a perpetuar um sistema que é tudo menos concorrencial, por muito que digam que sim. Como também quero evitar todas as perversões do sistema de saúde quase exclusivamente privado que tantos problemas dá à classe média e à classe baixa norte-americanas. Não é preciso ir muito mais longe do que todo o artigo de 16 páginas que está na Time norte-americana do mês passado para perceber que as perversões do sistema são tudo menos pequenos problemas inócuos, como nos querem passar.

    http://healthland.time.com/why-medical-bills-are-killing-us/

    Olhar para todo este pandemónio e achar “paciência” é o que vejo sempre aqui ser dito. Que a concorrência é boa para as pessoas, que os mercados tratam das coisas por si só e outras balelas que são lindas nos livros de gestão mas nunca são cumpridas na prática. Uma economia que serve as pessoas é tudo menos uma economia que serve poucos em detrimento de todos os outros.

  15. Luís Lavoura

    paam,

    cliquei no linque.
    A situação é de facto mais favorável do que o que eu pensava ser.
    Em todo o caso, verifico que há um número diminuto de bolsas em relação ao número total de estudantes, que (presumo) boa parte dessas bolsas nem sequer as atuais propinas cobre na totalidade, que apenas uma pequena parte das bolsas tem juro bonificado por ter o Estado como fiador, e que para (presumo) a quase totalidade das restantes bolsas é necessário “pôr no prego” um PPR ou um fundo de investimento – o que quer na prática dizer que só recebe a bolsa quem já de si fôr rico.
    Quanto a ter o Estado como fiador, é claro que eu não estava a brincar – é equivalente a ter o Estado a pagar o curso uns anos mais tarde. Basta um tipo licenciar-se e depois “dar à sola” para o estrangeiro.
    De resto, nós já vimos essa história dos juros bonificados pelo Estado no crédito à habitação, e sabemos bem ao que conduziu. Não precisamos de voltar a vê-la, ou precisamos?

  16. Miguel Noronha

    Eu não sou apenas contra o estado social por este ser um sorvedouro de recursos que não temos. Estou contra, em primeiro lugar, porque não desejo ser forçado a pagar contas alheias. Mas se alguém quiser montar um sistema desses de adesão voluntária está perfeitamente à vontade.

  17. Luís Lavoura

    não desejo ser forçado a pagar contas alheias

    Em qualquer apólice de seguros é-o.
    E repare que há seguros que é forçado a ter: do carro e da casa (se fôr num prédio).

  18. Miguel Noronha

    Não sou forçado excepto se o seguro for obrigatório.
    Para além do mais é um sector concorrêncial. Se achar o prémio demasiado elevado ou não estiver satisfeito com as coberturas ou as franquias posso sempre mudar. Isto mesmo no caso dos seguros obrigatórios. Bom exemplo esse dos seguros.

  19. Luís Lavoura

    Sim, mas, como eu disse, há seguros que são obrigatórios (o do carro e, no caso de se morar num prédio, o da casa). E, em muitos casos e países, o seguro de saúde também é obrigatório.
    É verdade que o setor de seguros é concorrencial, mas mesmo assim será sempre obrigado a pagar as contas de outros. O preço baixa por efeito da concorrência, mas jamais se torna zero!
    De muitas formas, o moderno Estado pode ser encarado como uma gigantesca companhia de seguros. Por exemplo, você paga a educação dos outros mas também está segurado contra a hipótese de ter um filho e ter que pagar a educação dele.

  20. Já não há qualquer motivação da sociedade em suportar os custos com a educação.
    A partir do momento que a juventude não tem trabalho no país e emigra.
    A ideia de que a educação é um investimento mantêm-se, mas apenas para o indivíduo e não para a sociedade.
    Mais educação já não corresponde a melhorias no país. Pois fica tudo desempregado…
    Daí que a sugestão dada no post é, no mínimo razoável.
    Sem prejuízo de ser necessário inverter rapidamente esta situação.
    Começando por:
    http://notaslivres.blogspot.pt/2012/10/medida-3-divisao-distribuicao-do.html

  21. Miguel Noronha

    “E, em muitos casos e países, o seguro de saúde também é obrigatório.”
    E?

    “O preço baixa por efeito da concorrência, mas jamais se torna zero!”
    Vocês diz coisas estranhíssimas. Onde é que o preço igual a zero é condição de um mercado concorrêncial?

    “De muitas formas, o moderno Estado pode ser encarado como uma gigantesca companhia de seguros. ”
    A Mafia também.

    “Por exemplo, você paga a educação dos outros mas também está segurado contra a hipótese de ter um filho e ter que pagar a educação dele.”
    E se eu quiser prescindir desse direito e não participar nessa pool? Não posso. Pois.

  22. lucklucky

    Lucklucky : um liberal que defende a quotização de cursos consoante as necessidades da economia é algo absurdo para mim. Que diferença há entre aquilo que preconiza e o comunismo?

    Mas quem é que disse que defendo a quotização do que quer que seja?
    Quem quiser que crie as universidades, dê e tire os cursos que quiser, desde que não sejam os outros obrigados a pagar.

    O trabalho não é determinado pela educação é determinado pelas vontade dos outros quererem determinado produto. Se a educação “extra” tiver qualidade para nascerem produtos ou serviços que permita expandir as vontades dos outros muito bem.

    O principal problema da educação é a cultura da educação. E os lobbys à sua volta. Hoje para se fazer uma porcaria de uma alteração de 10m num muro é preciso arquitecto, processo na câmara que custa quase um ordenado minímo. Não há sociedade que aguente isto.

  23. Luís

    Caro Lucky,

    na minha região natal as casas tradicionais que ainda lá estão da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX têm mais qualidade estética que construcções posteriores. As volumetrias são excelentes bem como o isolamento, embora falhem no isolamento térmico em dias mais frios de Inverno: nada que não se atenue investindo em vidros duplos ou boa calafetagem.

    Sabe quem construiu essas casas? Mestres Pedreiros com a quarta classe ou o sexto ano antigo.

    E agora, que temos? Casas de engenheiro ou arquitecto onde chove ao fim de 4 ou 5 anos, sem isolamento térmico e divisões pequenas. Pior, mamarrachos, ausência de qualquer valor estético.

  24. Luís

    Boa parte dos portugueses estuda para ter emprego. Na função pública ou numa grande empresa. Não para criar o seu emprego, o seu projecto de investimento. A bolha já explodiu por cá nos anos 90, nos cursos da área das Humanidades, agora está a explodir na área da Saúde. Mas curiosamente curso como Direito ou Enfermagem continuam a ter as vagas todas preenchidas.

  25. Luís

    Leio por aqui muitas fantasias. Falta de sofá e psicanalista. O Estado Social é caríssimo. Nós somos pobres. Esta é a realidade, Jónatas. Não vale a pena negá-la.

  26. Luís

    E já que se fala em bolha na educação…

    Serão necessários licenciados a atender aos balcões das farmácias? Não bastará a presença de um licenciado para esclarecer dúvidas? Nos últimos anos abriram 2 novos cursos de Ciências Farmacêuticas e vários de Farmácia no noss ensino superior…

    Conheço duas farmácias que no último mês despediram todos os licenciados!

  27. Comentário 30.
    Mas porque não?
    http://existenciasustentada.blogspot.pt/2010/09/19-trabalho.html
    Não é preferível 4 trabalharem 6 horas, a contribuírem fiscalmente e para a SS em vez de termos apenas 3 a trabalhar 8 horas e um a receber subsídio?
    Ou que esse 4º seja um jovem muito bem formado que vai para o estrangeiro? Deitando tudo a perder (o investimento na sua educação… quem vai ter filhos neste país? Quem vai sustentar a SS no futuro?)

  28. Goncalo,

    essa teoria falha em 2 pontos chave:

    Primeiro: trabalho e riqueza nao sao a mesma coisa. Os politicos sao capazes de “criar trabalho” para desempregados (pode po-los a cavar buracos e voltar a tapa-los) mas esses “trabalhos” nao criam riqueza. Consomem-na, na realidade, ja que o dinheiro que os politicos usam para pagar a esses individuos foi tirado a alguem ou foi emprestado a juros. Assim sendo, “distribuir” trabalho entre desempregados nao cria riqueza, apenas distribui e consome a existente.

    Segundo: Trabalho, no sentido de criacao de riqueza, nao e’ um bem escasso e, por isso nao precisa ser racionado (muito menos por politicos). Toda a gente e’ capaz de criar alguma riqueza, desde que deixado livre para o fazer. Imaginemos esse tal desempregado do seu exemplo, o tal que tem de ser “empregado” tirando horas de trabalho aos outros. Ele pode ter alguma habilidade, um gosto por uma qualquer actividade que lhe poderia trazer algum rendimento. Imaginemos que ele tinha habilidade para fazer umas belas sandes. Deixado livre, ele pdoeria criar uma venda de sandes ambulante. Poderia ir para a porta dos bancos ou outras empresas e vender as suas sandes. Mas nao e’ isso que acontece e porque? Porque o estado mama nao permite que ele crie o seu proprio trabalho. Ha uma serie de licencas, regulacoes, ASAE’s, e companhia limitada que o vao proibir de se auto-sustentar. As ideias, a creatividade dos seres humanos e’ infinita, logo a possibilidade de criacao de riqueza e’ infinita.
    Note, tambem, que milhoes de empregos que existem hoje em dia, nao existiam ha 20 anos atras. Basta pensar, por exemplo, nas tecnologias de informacao. Que novos empregos existirao daqui a 20 anos e que nao existem agora?

    Vejo tambem que a preocupacao do Goncalo nao parece ser esse jovem desempregado. A sua preocupacao parece ser o “investimento” que voce ou o colectivo “fizeram” nesse jovem, como se ele fosse apenas uma “unidade de producao de impostos” e nao um individuo com ideias, vontades e desejos proprios. A sua preocupacao e’, em ultima instancia, QUEM vai pagar a sua reforma. Nao sei a sua idade, Goncalo, mas lamento informa-lo que, se o meu amigo esta na casa dos 30 ou dos 40, ja nao tera ninguem que lhe pague a reforma. Voce continua agora a pagar a quem recebe agora, mas ninguem pagara a sua. E’ a consequencia de todo o Ponzi Scheme.

  29. jhb

    “Imaginemos que ele tinha habilidade para fazer umas belas sandes. Deixado livre, ele pdoeria criar uma venda de sandes ambulante. Poderia ir para a porta dos bancos ou outras empresas e vender as suas sandes. Mas nao e’ isso que acontece e porque?”

    Porque ninguém consegue ganhar a vida a vender sandes numa banca…

  30. fernandojmferreira

    Isso e’ o que tu pensas, meu amigo socialista jhb.

    Conheco varios casos de pessoas, no pais onde vivo, que comecaram com uma pequena carrinha a vender comida e hoje tem varios restaurantes. E’ tudo uma questao de qualidade e de conseguir produzir coisas que os consumidores gostam e desejam comprar.

    E mesmo assumindo que tinhas razao, que “ninguem consegue sobreviver a vender sandes, achas que essas pessoas conseguiriam sobreviver vivendo de “trabalho repartido” com os outros? Sim, porque so seria possivel “repartir trabalho” em situacao de trabalho nao especializado: Em vez de ter 2 pessoas a lavar sanitas durante 8 horas, passo a ter 3 pessoas. Nao me parece que seja a lavar sanitas que estas pessoas conseguirao sobreviver. Nao e’ a viverem de subsidios dados pelo estado mama, ou de empregos inventados pelo estado mama, que estas pessoas vao sobreviver.

    Sobreviver ou nao, a vantagem do meu exemplo das sandes, era a total independencia do “sistema” que este individuo teria. Pelo menos eu teria. Preferia viver com 200 euros ou 300 GANHOS POR MIM, do que estar a espera do cheque do estado mama ou estar a espera que o estado mama “inventasse” um trabalho para mim. Mas pronto, sao maneiras de ver a coisa.

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