Pedro Romano (Desvio Colossal)
Recentemente ressurgiu a ideia de que foi o chumbo do PEC IV que abriu as portas ao pedido de ajuda externa e às medidas de austeridade que este implicou.(…)
Mas qual é, afinal, o problema da ajuda externa? O Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) vem associado a três coisas. Primeiro, a um conjunto de objectivos (metas de consolidação orçamental), que têm de ser atingidos através de medidas de austeridade. Segundo, um processo de acompanhamento do cumprimento destes objectivos. E, finalmente, um envelope financeiro que cobre, através de empréstimos baratos, as necessidades de financiamento do Estado português.
Nem os empréstimos generosos nem a monitorização atenta são particularmente incómodos. A componente mais dolorosa do programa de ajuda externa – que é também a sua face mais visível – é o pacote de austeridade associado, e que deriva das metas orçamentais acordadas.
Mas estas metas não nasceram com o PAEF – pelo contrário, já estavam inscritas no PEC IV (ironicamente, as metas do PEC IV até eram mais exigentes do que aquelas que acabaram por constar do Memorando de Entendimento original). A Troika assegurou apenas que havia proporcionalidade entre os meios e os fins. Neste sentido, o reforço das medidas de austeridade, decretado em meados de 2011 e nos Orçamentos de 2012 e 2013 mostra apenas que a trajectória orçamental prevista no PEC IV não podia ser alcançado dos instrumentos que faziam parte do documento.
Em suma, as medidas de austeridade são uma consequência necessária de metas (défice e dívida) que não só não surgiram com o PAEF como já tinham sido determinadas, de forma ainda mais violenta, com o PEC IV. São estas restrições activas, e não a o programa de ajuda externa em si, que obrigam Portugal a tomar medidas de austeridade. Este programa apenas associa a estas restrições activas o financiamento barato, aconselhamento técnico e monitorização atenta. É difícil perceber o que perde Portugal com isto.
Financiamento barato? Aconselhamento técnico? Monitorização atenta? Barato? Vou ali já venho. Aconselhamento ou imposição? Monitorização atenta? Não percebo qual a atenção se nenhum dos rácios está a ser cumprido, bem antes pelo contrário. Como é que se pode classificar este tipo de escrita? Demagogia? Não sei. Cegueira? Não sei. Isenção? Nem por isso. Mas é o que temos.
O problema foi terem deitado o governo abaixo, e terem-se eleito com base na ideia de que: o PEC IV não era necessário, era demais, não era preciso aumentar impostos, não era preciso mais austeridade e sacrifícios…
E mal se rodou o governo “vira o disco e toca o mesmo”, em versão amplificada!
E por isso, o Passos, com quem até simpatizo, e que, acredito, está a tentar fazer o melhor que sabe, começou logo mal, a mentir. Começou logo por ser igual a quem criticou. Mesmo não chegando (ainda) a um extremismo alucinado como o Sócrates.
Eles simplesmente não conseguem dizer a verdade: estamos falidos, os sacrifico ainda não terminam, e só servem para nos manter à tona da água. Mesmo que tudo dê certo é para ficarmos mais pobres, durante, pelo menos (no mínimo) 10 anos!
“Financiamento barato? ”
Podemos sempre ir ao mercado. Pode ser que eles nos peçam menos. Se é que nos compram alguma coisa sem o respaldo do dinheiro do programa de ajustamento. Mas somos (e fomos e seremos) semore livres de o rejeitar. Ao programa e ao dinheiro.
O observador arranja dinheiro mais barato? bora lá pra frente amigo empreste mais barato. É que gente séria nos mercados não nos empresta, só especuladores, que no tempo do dito PEC já queriam mais de 15%…..aonde vc encontra mais barato do que os actuais 3 ponto qualquer coisa com maturidades a 15 anos?~
Se se refere ao diferencial entre aquilo que os alemães contribuem para o fundo e o que pagamos, porque não se refere ao diferencial entre aquilo que a Espanha contribuiu ?(apenas exemplo).
“terem-se eleito com base na ideia de que: o PEC IV não era necessário, era demais, não era preciso aumentar impostos, não era preciso mais austeridade e sacrifícios…”
Isso não corresponde à verdade. A mentira foi que a consolidação seria feita pelo lado da despesa, o que não se verificou (com atenuantes claras sobre o impacto imediato e assolador que teria um corte generalizado de apoios socias). Recordo-me perfeitamente da ideia que o PEC IV não era suficiente (o que era verdade), seria necessário ir além do que o PEC IV previa e isso passava, obviamente, pelo redimensionamento do Estado.
Mentiram? Sim…mas foi para tentar acomodar as, sempre brilhantes, ideias de esquerda. Esse foi o grande pecado de Passos Coelho. Ahhh…e o explicar a situação como se o povo a conseguisse entender. Não vale a pena! Basta lançar dois ou tres soundbytes e o povo anda mais feliz (lembremo-nos das conferência de imprensa do Sócrates e do Teixeira dos Santos após a assinatura do memorando….nós não temos de fazer isto, não nos obrigaram a fazer aquilo, lutamos para manter isto, blábláblá…)
Não Pedro, isso foi no dia a seguir a ganharem as eleições. Na campanha, quando chumbaram o PEC IV o discurso era que era inadmissível mais impostos, e que havia um limite para os sacrifícios. Nisso o Cavaco ajudou. No dia a seguir a ganharem vieram com um discurso novo que nunca disseram antes: queremos ir além da troika. E, claro, só foram na parte do aumento de impostos.
Entretanto, na primeira página da TVI24, está um link para uma notícia com o título: “Nobel Paul Krugman arrasa austeridade em Portugal”. Eis a “imparcialidade jornalística”………..
http://www.tvi24.iol.pt/503/economia—mercados/bce-juros-da-divida-austeridade-krugman/1437765-6376.html
Caro António, não quero entrar em discussões de diz que disse e depois não disse, até porque, no essencial, concordo consigo. Mas, o discurso pré-resgate era este: http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1140849.
Pois é tudo gente séria. Quanto é que estamos a pagar nas Parcerias Público Privadas? Quanto? 20%? Parece que sim e são sérios e amigos. Ora essa. Assim é que está bem. Os amigos são para as ocasiões. Quanto é que estamos a perder com a economia paralela, da grossa, claro? 40 Mil Milhões? Não será demais? Talvez não. Eles ainda acham pouco. E aqueles amigos do BPN que levaram 9.000 Milhões? Onde é que estão? Presos? Nem pensar. EStão a gozar dos rendimentos e a gozar connosco. Então como é que havia de ser. São amigos, não faz mal. É tudo gente séria.
Nesta fase do “campeonato” o problema talvez nem esteja no PEC IV, ou no PAEF. Talvez se situe principalmente na incompetência do PM a quem foi confiada a tarefa. Se é cada vez mais consensual a necessidade duma remodelação governamental, ela esbarra logo à partida com a “impossibilidade” formal de incluir a mudança de PM. E essa sim, faria toda a diferença. E mesmo na esfera do PSD-CDS há opções…
Por uma vez, livremos-nos de preconceitos ideológicos e atendamos apenas aos actores: alguém acredita na lucidez e bom senso dum tipo que se alavancou no Relvas? — “Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és”…
Miguel Noronha, pode publicar este diagrama?
http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/04/licao-rapida-de-economia.html
Simples e eficaz e acrescente a opinião que bem entender.
Obrigado.
Empréstimos baratos??? ahahahahahahahah, grande palhaço este Pedro Romano.
“Portugal paga 34,4 mil milhões em juros à troika”
http://economico.sapo.pt/noticias/portugal-paga-344-mil-milhoes-em-juros-a-troika_132310.html
Qual é o Ministério que gasta mais? O mistério da divida pública. Mais explicações para quê? Com que então dinheiro barato? Ora essa!
Temos sempre bom remédio. Se deixarmos de ter recorrentemente as depesas superiores às receitas nem precisamos de pedir dinheiro emprestado ou pagar juros.
Exactamente. E rtudo tem que ter um principio. Os exemplos devem vir de cima. Será que os orgãos do poder não poderiam reduzir substancialmente os seus orçamentos? Para que é que são precisas tantas mordomias, tantos ecaixes de rapaziada sem experiencia a ganharem balurdios nesses ganinetes todos? Porque é que não reduzem 20 ou 30%, dos órgãos do poder, nem que seja para para tapar os olhos do pessoal? Para que é que são precisos tantos carros de luxos e tantos motoristas, alguns a ganharem rios de dinheiros mesmo estando parados? Quanto é que sepoupou com o corte do arcondicionado no Ministério da Cristas? Quanto é que se poupou com as viagens em turistica? Foi tudo bluf! E quanto é que se poupou com o encerramento dos governos civis? Mais bluf!. Mas não acabam com as regalias de certos estatutos como sejam os subvencionados vitaliciamente e até com as condições de reforma dos juizes do tribunal constitucional Porquê?Trabalhem. Sejam diligentes e sérios. E acima de tudo entandam.se e não sejam subservientes. Se querem que o pessoal acredite, falem verdade, mas verdade mesmo. Serão capazes? Duvido.
E se fossemos por aqui?
1)Moratória (quase) unilateral sobre a dívida. Sem qualquer medida do tipo haircut e justamente, para a evitar. Todas as tranches de dívida que se vençam nos próximos 5 anos e respectivos juros serão pagas através de Títulos Especiais de Dívida Série 1, a longo prazo e a um juro razoável, não usurário. Digamos, a 3%. Estes títulos venceriam em 20 anos e pagariam (a cumprir escrupulosamente) um juro anual. Seriam transaccionáveis (nos mercados) e deveriam ser promovidos regularmente e logo que possível, programas de recompra dos mesmos pelo Estado Português. Com esta medida reduzem-se os juros (para quase metade) e alarga-se substancialmente os respectivos prazos de pagamento. A folga criada para o orçamento anual é substancial, mas deve servir apenas para sustentar o programa de ajustamento do Estado em direcção ao défice nulo (que é absolutamente necessário). Neste processo, poderia ser associado um programa de recompra imediata, aí com um haircut, se o credor estiver de acordo.
2)Captação de poupanças internas. Sem qualquer medida do tipo cipriota e, justamente, para a evitar. Aqui, a sugestão passa por uma apropriação pelo Estado, a título obrigatório e forçado, de uma parte das poupanças residentes nos bancos portugueses. Esses valores seriam substituídos por Títulos Especiais de Dívida Série 2, a cinco anos e com um juro de 3%. Serviriam para o financiamento do Estado nestes cinco anos de ajuste obrigatório. E os recursos obtidos poderiam ser utilizados para o programa de recompra imediata referida no ponto 1. Aí, trocaríamos, com ganhos (o haircut aplicado), uma dívida externa por uma dívida interna.
3)Redistribuição do trabalho existente, empregando três quartos dos desempregados actuais e travando a fuga da juventude para o exterior. A medida é simples: abertura a todos os empregadores (incluindo o Estado) para, unilateralmente, poderem reduzir o tempo de trabalho até 20% com o correspondente corte remuneratório. A possibilidade deste corte seria menor, até zero, nas remunerações próximas ou iguais ao salário mínimo. Este processo será facultativo (pela entidade empregadora) e reversível. E pode ser aplicado a uns funcionários e não a outros, por decisão livre do empregador. Haverá benefícios (cortes na TSU a pagar, pelo funcionário e pela empresa) para quem entrar neste processo. Assim, ajustam-se as empresas que têm pessoal a mais, e criam-se novos empregos nas empresas e entidades que têm o pessoal necessário.
4)Redução dos custos com a TSU e IRC (baixa significativa de taxas), por troca de nova receita via aumento da taxa do IVA. Desta forma, sai beneficiada e muito mais competitiva a produção nacional (nos mercado externos e no mercado interno). Os produtos nacionais “libertam-se” de custos sociais embebidos no seu preço passando a ser mais apetecíveis. E as importações passam também a contribuir para as nossas necessidades sociais. Num futuro ideal, o Estado e a Segurança Social só se financiarão através de IVA, “morrendo” os custos sociais tipo TSU e impostos sobre o rendimento e lucro (IRS e IRC).
5)Aumento de liquidez na economia por via da introdução de novos títulos de dívida de uso limitado e controlado mas facilmente transaccionáveis (Títulos Especiais de Dívida, Série 3) a colocar na economia por via da reposição dos níveis dos impostos aplicáveis antes da troika, dos 13º e 14º meses e subsídios sociais. Sobre esta matéria, ler pormenorizadamente, aqui:
http://notaslivres.blogspot.pt/2012/09/medida-2-criacao-de-condicoes-para.html
6)Eliminação do IVA no Turismo (tratando-a como qualquer indústria de exportação) e recuperação da taxa média do IVA para a restauração.
7)Incentivo total na produção interna, nomeadamente nos sectores primários e indústria. Para consumo interno, mais do que para (mas sem prejuízo da) exportação. Está comprovado que os serviços não sustentados em produção local e indústria são demasiado voláteis.
8)Apuramento total sobre as imparidades bancárias que acabaram pagas pelos contribuintes Todas, nos últimos 20 anos. Começando pelo BPN mas não esquecendo o BCP e o BANIF.
Concordo na generalidade com a posição de Gonçalo. Porém, antes de tudo o Governo, este ou outro qualquer, tem que se habituar a falar verdade para ganhar a confiança do eleitorado. Só assim é que as coisas poderão funcionar correctamente e desde que os objectivos, como bem aqui elencou, sejam prosseguidos para serem atingidos.
E essa prova de confiança tem que começar com os Certificados de Aforro que tão mal tratados foram pelos últimos governos e daí o facto dos mesmo hoje representarem valores residuais comparando com as possibilidades de aforro que ainda existem.
Quanto às reduçõesa introduzir na TSU já sou um pouco mais céptico. A Segurança Social precisa de receitas certas para cobrir os encargos certos, receitas essas que nos ultimos anos têm vindo a cair devido ao aumento rápido do desemprego. Esse pormenor tem que ser bem acautelado para que a Segurança Social amanhã não venha a estar mesmo completamente descapitalizada como para lá caminha hoje. Veja por exemplo o problema das reformas dos bancários. Eles aceitaram transferir 6 MIL MILHôES dos Fundos de Pensões. O Estado apropriou-se desse dinheiro e gastou-o e agora a Segurança Social tem que arranjar 400 Milhões todos os anos porque não acredito que o Estado para lá esteja a transferir esse valor como se comprometeu. açiás a divida do Estado à Segurança Social é enorme e essa nunca será paga. Começou ainda no tempo do Marcelo Caetano quando atribuiu pensões a extgractos da população que nunca tinha contribuido, como foi o caso dos agricultores, das domésticas e mais não sei o quê. Mas o certo é que nunca transferir para a Previdência, como se chamava na altura, as reservas matemáticas. Depois, já na democracia outros governos copiaram a estratégia e tem sido sempre a aviar, ficando a tal SSP cada vez com mais dificuldades.
Quanto ao IVA do Turismo concordo em absoluto, como tamb+em concordaria que o IVA de toda a restauração fosse reduzido para uma taxa mais baixa e estgou crente que o estado passaria a receber mais.
Quanto às imparidades bancárias, especialmente do BPN, e bem assim ao património do Grupo que foi concentrado nessa tal Galilei, isso deveria ser bem apurado e alguém responsabilizado civil e criminalmente, até porque não se pode continuar a procurar que se faça algo por um país onde a justiça funcione como funciona a nossa.
Acabo como comecei. Concordo genericamente com as suas propostas, salvaguardando os casos acima descritos e digo até que me parece que as suas ideias têm pernas para andar. Mas é preciso que seja incuntida a confiança para que possa haver esperança. E isso é indispensável para o êxito de qualquer missão. por mais complicada que a mesma possa ser, e esta não é fácil.
“É difícil perceber o que perde Portugal com isto.”
Diga isso ao milhão de portugueses no desemprego e espere pela resposta. Não se preocupe, é rápida.
Ja ninguem aguenta tantas analises, diagnosticos, passa culpas, estatisticas, ideologias……o povo quer SOLUCOES e ACCAO.
Toda a gente sabe que : DESPESA > RECEITA = DIVIDA = CREDITO = POSSIBILIDADE DE FALENCIA.
Aquilo que o povo quer saber : como colocar DESPESA < ou = RECEITA …….. como se faz ? quando se faz ?…..o resto sao filosofias.
“Diga isso ao milhão de portugueses no desemprego e espere pela resposta.”
Estranho porque é que você não diz isso da educação publica? Não iria trazer o sol à terra?
Para si é responsabilidade dos mercados – ou seja os outros- sustentar a republica soci@lista portuguesa.
Já da educação publica você não responsabiliza nada.
Já do estado social você não responsabiliza nada.
Já da republica soci@lista portuguesa e dos incentivos que promove também não responsabiliza nada.
Os mercados devem-nos dar dinheiro e pronto.
Não tenho culpa que não leia tudo o que escrevo, lucklucky.
Comunista (12),
“Empréstimos baratos??? ahahahahahahahah, grande palhaço este Pedro Romano.
“Portugal paga 34,4 mil milhões em juros à troika””
Se pedisse o mesmo dinheiro ao mercado, Portugal pagaria mais ou menos do que 34,4 mil milhões?
Joaquim,
não sei. Sei que receber 78 e pagar 112 não é barato. E a isso podemos ainda juntar o aumento da dívida face ao Pib que o resgate está a gerar, ou seja, está a acentuar as razões que foram ditas causa da necessidade do resgate.
Comunista (23),
“não sei. Sei que receber 78 e pagar 112 não é barato.”
Se a alternativa é pagar 160, então pagar 112 é barato. O ideal seria não ter sequer que PEDIR esses 78 mas, nesta altura e sem um processo de adaptação, no curto prazo essa opção seria ainda pior do que pagar 160.
“E a isso podemos ainda juntar o aumento da dívida face ao Pib que o resgate está a gerar, ou seja, está a acentuar as razões que foram ditas causa da necessidade do resgate.”
Em primeiro lugar, o resgate permite-nos receber o dinheiro de que necessitamos neste momento a juros mais baixos do que os que o mercado pediria. E que continuariam a subir exponencialmente, tal como estava a acontecer em 2011. Isso significa que o resgate está a contibuir para atenuar o ritmo de aumento da nossa dívida.
Em segundo lugar, as razões da necessidade do resgate foram dívida pública excessiva e défice crónico que estavam a fazer disparar a taxa de juro. As condições do resgate (que impediu a bancarrota em 2011) são precisamente trazer a despesa pública para níveis comportáveis, o que a prazo permitirá chegar ao superavit público e a começar a baixar a dívida pública.
Baixar a despesa pública num país que vivia de pedir dinheiro emprestado significa necessariamente que o consumo interno vai baixar e a estrutura produtiva terá que evoluir para uma maior parcela de transaccionáveis e para a exportação (o que já está a acontecer). No curto-médio prazo isso implica aumento do desemprego e redução do rendimento.
O PIB a baixar no curto-médio prazo é uma fase inevitável dessa evolução e, com o PIB a baixar e a dívida ainda a aumentar, a dívida em percentagem do PIB aumenta muitíssimo (é aqui que entra a Matemática; sem esta não se percebe o que os valores significam).
Se acha isto mau é porque não tem a mínima noção do que a bancarrota do Estado significa.
E se o que pretende é evidenciar que não percebe mesmo nada de Economia ou sequer de Matemática então escolheu o alias perfeito.
“Se acha isto mau é porque não tem a mínima noção do que a bancarrota do Estado significa.
E se o que pretende é evidenciar que não percebe mesmo nada de Economia ou sequer de Matemática então escolheu o alias perfeito.”
Ok Joaquim. Vamos ver quanto dura esse seu curto-médio prazo. Não esqueça que para o génio em economia e finanças Vitor Gaspar já era para estarmos a crescer, ou já não se lembra? O Vitor Gaspar tem errado em todas as pervisões e estamos a falar de previsões de curto prazo, de ano para ano, até de semestre para semestre. Talvez você possa dar lições ao Vitor Gaspar uma vez que, dada a sua confiança no seu conhecimento de economia, não acredito que você não fizesse melhor que ele.
Joaquim @ 24,
Vamos ver quando terminar o programa como vão estar os juros a 10 anos para Portugal. Falaremos com certeza disto na altura. O preço do resgate também se verá pelos juros que Portugal terá de pagar depois do resgate.
Comunista (25),
O Comunista é como o familiar de um doente com cirrose que faz tudo para impedir os médicos de o tratarem, lhe vai levando garrafas de cerveja e uisque e se queixa de que o que os médicos estão a fazer não está a dar resultado e que o que é preciso é que o doente beba mais porque sente muito a falta do álcool.
“O Vitor Gaspar tem errado em todas as pervisões e estamos a falar de previsões de curto prazo, de ano para ano, até de semestre para semestre.”
Diga-me o nome de um Ministro das Finanças que tenha acertado sequer numa parte das suas previsões.
E diga-me o nome de um dirigente político de um partido da oposição (seja qual fôr o partido no Governo) que tenha elogiado o realismo das previsões do Ministro das Finanças em vez de o condenar por ser pessimista e por não dar “esperança” aos portugueses.
“Talvez você possa dar lições ao Vitor Gaspar uma vez que, dada a sua confiança no seu conhecimento de economia, não acredito que você não fizesse melhor que ele.”
Melhor que Vitor Gaspar de certeza que não faria. Mas, ao contrário do Comunista, tenho uns conhecimentos rudimentares de Economia e não vivo no mundo de fantasia dos que julgam que se pode viver eternamente a pedir cada vez mais dinheiro emprestado e que quem vive à custa de outros é que dita as regras.
“Vamos ver quando terminar o programa como vão estar os juros a 10 anos para Portugal. Falaremos com certeza disto na altura. O preço do resgate também se verá pelos juros que Portugal terá de pagar depois do resgate.”
A sua falta de senso revela-se também aqui. Queixa-se de a dívida continuar a crescer mas aponta responsabilidades a quem tenta reduzir a despesa e não a quem impede que a despesa seja reduzida.
“Queixa-se de a dívida continuar a crescer mas aponta responsabilidades a quem tenta reduzir a despesa e não a quem impede que a despesa seja reduzida.”
– A dívida face ao Pib aumentou durante a vigência do actual governo. Além disso pioraram muito acima das previsões do governo as perspectivas de recuperação económica se o desemprego for alguma coisa que interesse aos seus políticos.
Comunista (28),
“A dívida face ao Pib aumentou durante a vigência do actual governo.”
Enquanto houver deficit público, a dívida em valor absoluto continua a subir. Matemática elementar.
Enquanto, em percentagem dos valores absolutos, a dívida subir mais do que o PIB, a dívida em percentagem do PIB continua a subir. Novamente, matemática elementar.
Se a dívida sobe em valor absoluto e o PIB baixa, a dívida em percentagem do PIB sobe exponencialmente. Mais uma vez, matemática elementar.
Veja lá que a dívida pode aumentar em percentagem do PIB mesmo se estiver a diminuir em valor absoluto e vice-versa. Mas isso é capaz de ser demais para quem não domina a ciência das operações de somar, subtrair, multiplicar e dividir.
E, já agora, a dívida pública OFICIAL aumenta muito mais se, por via do acordo de RESGATE (eu sei que não gosta de ter em consideração a alternativa mas a realidade é o que é), a dívida e a despesa escondidas passarem a entrar nas contas.
A importância que dá a “A dívida face ao Pib aumentou durante a vigência do actual governo.” deriva de não entender o que isso significa.
Por acaso julga que aconteceria o contrário se se mandásse a troika embora e se acabásse com a “austeridade”? Que o eventual aumento do PIB e redução da taxa de desemprego à custa de investimento público (com que dinheiro?) é solução em vez de piorar ainda mais o problema?
Não percebe que a dívida, em valor absoluto ou em percentagem do PIB (e não “Pib”), só pode começar a descer se o Estado cortar a despesa em pelo menos uns 10-15 mil milhões de euros anuais e que isso só pode ser feito reduzindo em muito os serviços do Estado e subsídios e passando para as famílias mais uma boa parte da despesa com a Saúde e com a Educação? E que isso obrigará o país a uma transformação radical que passa, por um prazo tão mais longo quanto mais se atrasar essas medidas, por mais desemprego e menos rendimento?
“Veja lá que a dívida pode aumentar em percentagem do PIB mesmo se estiver a diminuir em valor absoluto e vice-versa. Mas isso é capaz de ser demais para quem não domina a ciência das operações de somar, subtrair, multiplicar e dividir.”
– você é só presunção. Se eu falo de dívida em relação ao Pib é porque sei que o lado do Pib é importante para o lado da dívida – portanto, repito o que disse, durante a vigência do actual governo não só a dívida em relação ao Pib aumentou como a perspectiva económica piorou.
Com a economia destruída, como na prática está, a seguir ao programa da troika a falta de financiamento vai continuar e simplesmente voltamos a 2011 embora ainda pior. Você não tem nada, repito, NADA, que possa apresentar deste governo que dê algum sinal de que estamos nalguma espécie de recuperação. Nada.
Comunista (30),
Como já se esperava, não respondeu à pergunta sobre que Ministros das Finanças acertaram nas suas previsões. Mas continua a insistir em clichés que não entende.
“Se eu falo de dívida em relação ao Pib é porque sei que o lado do Pib é importante para o lado da dívida – portanto, repito o que disse, durante a vigência do actual governo não só a dívida em relação ao Pib aumentou como a perspectiva económica piorou.”
Mas alguém diz que a dívida em percentagem do PIB (novamente, não é “Pib”) baixou durante a “vigência” do actual Governo? E, só por curiosidade, pode indicar um Governo em cuja “vigência” isso tenha acontecido?
Enquanto o Estado tiver um deficit superior ao superavit do PIB, é óbvio que a dívida em percentagem do PIB aumenta. Assim, para que a dívida em percentagem do PIB diminua, é necessário que a despesa desça muito e/ou o PIB aumente muito.
O problema é que a descida da despesa do Estado tem consequências directas no PIB e no desemprego e o aumento do PIB através de investimento público (por natureza não reprodutivo) só é possível com mais endividamento.
Numa situação de bancarrota eminente, como estivemos em 2011 e ainda estamos, o Estado necessita de dinheiro para não entrar em default e vai-o buscar onde pode: às empresas e às famílias. Isso reduz a capacidade das empresas para invistirem e das famílias para pouparem ou consumirem. O resultado é o que vemos.
Os “Comunistas” não percebem que a redução do PIB e o aumento do desemprego são inevitáveis na fase de transição de uma economia apoiada no consumo interno por via do endividamento para uma economia virada para a exportação. Por outras palavras, de uma economia a viver à conta de outros para uma economia a viver à sua própria conta.
“Com a economia destruída, como na prática está, a seguir ao programa da troika a falta de financiamento vai continuar e simplesmente voltamos a 2011 embora ainda pior.”
Bem, podemos mandar a troika embora e recusar pagar as nossas dívidas. É tão ignorante que julga que isso resolveria algum problema?
“Você não tem nada, repito, NADA, que possa apresentar deste governo que dê algum sinal de que estamos nalguma espécie de recuperação. Nada.”
Bem, tenho o saldo da Balança Comercial. E tenho a redução de alguma despesa estrutural.
Por outro lado e no sentido negativo, tenho as corporações (incluíndo sindicatos) a exigirem cada vez mais despesa pública, o Tribunal Constitucional a ignorar a Constituição da República Portuguesa e a própria realidade e a impedir a redução da despesa pública onde poderia fazer alguma diferença e tenho algumas centenas de milhar de imbecis a clamarem que a crise provocada pela dívida excessiva se resolve com o Estado a exigir mais dinheiro aos nossos credores para pôr “as pessoas em primeiro lugar”, sem noção de que isso apenas tornará a vida das pessoas ainda pior.
Você é só conversa. Não estou a dizer acertar previsões ao milímetro. O Gaspar falha em grande. Para você perceber de economia é corrigir o meu Pib por PIB – que se foda isso (é o produto interno bruto, é o que interessa) e o facto é que o peso da dívida em relação ao Pib (poderá corrigir por PIB se quiser) tem amentado e com isso se reafirmam os próprios pressupostos que levaram ao pacto de agressão em 2011.
Você diz que a destruição da economia é normal e que no futuro virão os frutos – mas isto só quer dizer uma coisa ao certo, que a economia está em decomposição, o resto são previsões suas para o longo prazo cujas garantias são nenhumas.
“Bem, tenho o saldo da Balança Comercial.”
– isto não é sinal nenhum por si só de recuperação. Se os níveis de consumo se tivessem mantido a passagem a um saldo positivo seria um bom sinal; assim pode simplesmente querer dizer: pobreza, aumento e expansão da pobreza.
“E tenho a redução de alguma despesa estrutural”
– quanto a isto veremos, por exemplo, em que níveis se estabiliza o desemprego em Portugal para vermos o que acontece a essa tal redução de despesa estrutural.
Comunista (33),
“Se os níveis de consumo se tivessem mantido a passagem a um saldo positivo seria um bom sinal; assim pode simplesmente querer dizer: pobreza, aumento e expansão da pobreza.”
E viver a crédito é o quê? Riqueza? E quando se acaba o crédito (que é precisamente onde estamos), o que é que julga que acontece? Mais riqueza?
Continua a insistir na tecla “o peso da dívida em relação ao Pib tem aumentado” mas só reclama por menos receita e mais despesa. Como se isso fizésse diminuir a dívida em percentagem do PIB.
Pelo que me diz respeito, não vejo qualquer vantagem em continuar a discutir consigo.