o que fazer?

“(…) agora importa a raiz do mal: o que fazer com a moeda única? Hoje é possível implodir altas torres, reduzindo escombros a pó. É isso que se tem de fazer com o euro. Os criadores do engenho devem saber como nos desfazermos deste imbróglio, que resultou de mais um concertado consenso social-democrata-cristão-conservador que está em vias de converter a Europa no continente dos impostos, do desemprego, da bancarrota e do ressentimento.”, por José Manuel Moreira, hoje no Diário Económico.

Anúncios

35 pensamentos sobre “o que fazer?

  1. CN

    Implodir o Euro equivale a fazer explodir depois o Escudo. Resolvem-se problemas, criam-se problemas.

    A raiz do mal é

    – défice
    – dívida
    – impostos
    – rigidez salários e mercado trabalho (e outros) que prejudica capacidade de recuperar rentabilidade das empresas e acumular capital

    Sair do € resolve qual deles que dentro do € não seja possível?

  2. Rb

    A origem do problema é simples CN: Produtividade vs Competitividade face ao exterior.
    .
    A cotação da moeda repõe a produtividade e recoloca a competitividade para os níveis adequados. Em suma, põe-nos a importar o que podemos importar em função da riqueza que produzimos. E a produzir internamente aquilo que não temos dinheiro para importar. Cereja em cima do bolo, uma chusma de turistas seriam atraídos para o país. Feitas as contas, resolviamos de supeton aquilo que não podemos resolver – os preços – afinando impostos, corrigindo salários, etc.
    .
    Ricciardi (Rb)

  3. oscar maximo

    Como a gente neste momento não se consegue aguentar no euro, há que acabar com ele para os outros países, agora.
    Cambada de invejosos.

  4. CN, resolve precisamente o problema da rigidez dos salários e o problema da taxa de câmbio real (= falta de competitividade). Como é bom de se ver, cortes nominais custam muito e ninguém os faz. É mais fácil fazer uma desvalorização monetária. Se concordo? Claro que não. Um país são e racional já teria feito o que sugeriu no primeiro comentário há muito: finanças públicas em dia, liberalização dos mercados de trabalho e de B&S, etc. Mas estamos em Portugal e a constatação é óbvia: tal nunca acontecerá. Assim que o Escudo ajuda a implementar as “políticas económicas”, usando o chavão da esquerda para justificar medidas económicas ineficientes/irracionais.

  5. lucklucky

    Os nosso problemas não têm nada que ver com o Euro.

    “A origem do problema é simples CN: Produtividade vs Competitividade face ao exterior.”

    Não é. O problema é que se gasta demais para o que produz desde há 40 anos.
    O problema é não ser tolerado a diferença em Portugal e mercado livre a não ser o das mercearias e cafés. Ou seja o povo pode viver em mercado livre a elite não.

    “E a produzir internamente aquilo que não temos dinheiro para importar.”

    Primeiro há questão moral. Pelos vistos para si a Constituição deixa assaltar os depósitos das pessoas – nacionalizar a poupança…
    Depois é fantasia. Não produziremos o que não sabemos produzir, e a entropia já há muito faz parte do regime. Simplesmente desaparecem esses produtos com as consequências.
    A desvalorização é o caminho para mais uma vez fazer batota com a realidade é nem mais nem menos que fazer buracos e tapá-los na menos má das hipóteses.

  6. Rb

    Lucky, assaltar os depósitos é aquilo que vai ser feito se não sairmos do Euro. Veja o Chipre e espere sentadinho a decisão do TC e verá que não existem muitas alternativas. A realidade é uma chatice, eu sei.
    .
    Se, além disso, tiver a consciencia de que a partir de 2016 temos de começar a reembolsar Capital da Divida Publica até se situar nos 65%. Se somar a isso a entrada de mais 1,5 mil milhoes das ppp’s para o próximo ano, compreenderá que não há forma de emagrecer tanto em tão pouco espaço de tempo. Isto num quadro em que o numero de FP’s (soubesse ontem) já está claramente abaixo da média da UE.
    .
    Sair do Euro implicaria substituir os Euros depositados para Escudos. Um papel por outro. Não é coisa boa, é certo, mas não vejo que seja um assalto como aquele que se prepara o governo fazer nos proximos tempos e que replicará certamente o Chipre.
    .
    Rb

  7. Rb

    Mais a mais, o caro Lucky falou em moralidade. Ora, é moralmente mais aceitavel fazer descer os salários e os preços relativos por inerencia (pelo menos aquele que dependem do nosso poder de compra) a TODA a gente, sem excepção de classes, profissoes, castas etc do que estar a cortar salários às pingas e aonde os regimes de excepção se vão acumulando, acabando o governo por nunca conseguir fazer o que quer que seja.
    .
    Uma saida do Euro convive bem com a Constituição Portuguesa. Manter-mo-nos no Euro é uma impossibilidade que configura uma quasi certeza cientifica. Não é possivel estar no Euro e conviver com a Constituição que temos. E não vale a pena gritar alto contra a constituição. Ela não é um organismo vivo. Ela não ouve, é cega e muda. Vc quer mudar o mundo. Eu quero mudar Portugal .
    .
    Rb

  8. Surprese

    Se temos a balança corrente equilibrada, não entendo muito bem qual a grande vantagem de sair do Euro.

    De facto, para um político, a melhor solução é sair do Euro: dá para empobrecer a população enganando-a, e continuar a gastar dinheiro à tripa forra sem que exista um Banco Central ‘independente’ que o impeça disso.

    Para o comum dos cidadãos, que vive do trabalho (Esquerda) e da poupança (Direita), uma desvalorização monetária apenas implica perda de rendimento e de património.

  9. Surprese, temos este ano a balança corrente equilibrada. Porque a contração da procura obviamente que fez diminuir as importações, e muito. No entanto, os últimos 30 anos são taxativos: balança corrente negativa, a rondar os -6/-8%. E a olhar para os encargos com o serviço de dívida, só mesmo este ano será negativa. Mais, a nossa taxa de câmbio real continua elevada, o que nos retira competitividade. Como a nossa estrutural empresarial não vai mudar de um dia para o outro (não vamos começar a produzir produtos exclusivos, diferenciados e caros), temos mesmo de ser mais competitivos – e isso já sabemos o que implica. Por fim, essa dicotomia esquerda vs direita é um verdadeiro disparate.

  10. vivendipt

    Sempre pensei que fosse um problema de crédito (expansão monetária) mas há quem tente culpar uma moeda que não é inflacionária e a mais forte do mundo.

    Se a moeda a forte as mentes do contra só podem ser fracas.

  11. Rb

    A moeda é forte para quem?

    Vc já ouviu algum Mestre liberal, seja ele qual for, a defender uma moeda Forte?
    .
    O que defendem é uma moeda estável.
    .
    Quão Forte é para si o Euro, caro Vivendi?
    .
    Poderia ser mais forte o euro, say, mais do dobro da ‘fortaleza’ e mesmo assim ser adequada?
    .
    Rb

  12. Rb

    Ahh, bom, oh Vivendi, penso que estamos a falar de coisas diferentes então. Eu não defendo desvalorizações competitivas. Eu defendo, isso sim, que a moeda deve pulsar de acordo com a balança externa do país, isto é, em função das trocas com exterior. Livremente, no mercado. Não aceito que a minha moeda esteja alta quando a minha balança de pagamento é deficitária. Não faz sentido.
    .
    Rb

  13. mggomes

    A única vantagem do fim do Euro seria um fugaz momento de inigualável ‘schadenfreude’: olhar para o parlamento europeu e vislumbrar, por entre as filas de cadeiras vazias, a morte do sonho federalista estampado na face do politburo europeu.
    Tudo isto complementado com o sorriso – in loco – do Nigel Farage.

    Após o roubo que se seguiria – como bem lhe chamou o lucklucky – , os nossos problemas continuariam iguais. Esses, são basicamente os que o CN elencou.

    Irresponsáveis com acesso a rotativas não resolvem os problemas: apenas os encobrem com aquilo que o Peter Schiff apelidaria de “funny money”…

    A única vantagem do Euro é a de funcionar como uma espécie de substituto de padrão ouro.
    Não permite encobrir os problemas com maços de notas.
    Pelo contrário, se as reformas não forem feitas, ficam em evidência as fraquezas do sistema económico e exposta a irresponsabilidade dos políticos que permitiram que aí se chegasse.

    Se com o euro não conseguirmos fazer as reformas necessárias, com o escudo é que as não faremos com toda a certeza.

  14. vivendipt

    Rb, Se o euro valesse 3x mais que o dólar ou ainda melhor se estivesse num padrão-ouro onde estaria a crise em Portugal?

    Desvalorizações competitivas. Traga-me primeiro os políticos e depois veremos quais as políticas económicas. Desde Salazar que só temos malabaristas.

    E Salazar tinha os cofres cheios que se o mundo voltasse ao padrão-ouro era só piscar os dedos mas o mundo decidiu partir para a loucura monetária.

    Portugal desde 1996 endividou-se 7x para crescer 2x,

    Em 16 anos, o PIB cresceu quase o dobro, de 96 para 166.
    Mas a dívida cresceu de cento e tal para 735, aproximadamente sete vezes mais.

    http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/01/ensaio-sobre-divida-portuguesa.html

  15. José Manuel Moreira

    Muito obrigado pelo comentários a esta crónica, com destaque por bondade do meu amigo RA, mas fico ainda mais contente se o texto for seja lido até ao fim, é que a coisa vai muito para além do euro…

  16. vivendi, porque acha que houve tanta expansão de crédito em Portugal desde que aderimos ao Euro? Acha que com Escudo teríamos tanta capacidade de financiamento externo? Acha que nos comprariam dívida pública a 3%, com o risco de desvalorização cambial? Teríamos maneira de termos défices orçamentais sucessivos? Teríamos forma de ter uma balança comercial tão desequilibrada?

    Nota que concordo convosco (CN e restantes) — o Euro obriga-nos a implementar reformas estruturais de longo-prazo para sermos competitivos. Mas olhando para a realpolitik, olhando para Portugal, dá para perceber que não fazemos coisa alguma. Pelo que é preferível ter moeda própria.

  17. Jorge

    Interessante que os proponentes da tese de saída do Euro não nos digam como lidar com o processo. Com uma divida externa do tamanho da nossa, no dia seguinte o Estado e os bancos estariam inevitavelmente falidos… Ou na opção de não redenominar os actuais empréstimos em euros, as familias estariam falidas. Como lidar com a situação caotica e o seu impacto económico? O ponto de partida do “restauro da competitividade” seria bem mais grave do que o ponto em que estamos hoje.

    Por outro lado, a fase seguinte seria um novo ciclo de inflação galopante e desvalorizações com nos anos 70-80. Outra forma de assaltar os depósitos!!!
    Não percebo como os ultimos 10 anos (ou se quiserem 35 anos) de defices crónicos não deram para perceber que o desenvolvimento económico não se alcança através gastos do Estado em politicas crescimentistas…
    O ciclo de desvalorização e inflação apenas “subsidia” a ineficiencia com os custos colaterais de rupturas sociais. Não representa verdadeiros ganhos de competitividade.
    Os ganhos de competitividade não são um problema macroeconómico… São antes um problema microeconomico!
    Pensar o desenvolvimento económico com subsidios directos do Estado ou indirectos da inflação, significa continuar uma péssima alocação de recursos, e perpetuar as verdadeiras barreiras ao desenvolvimento: uma população com os menores niveis de escolaridade da UE, um Estado arcaico e medieval que se mete em tudo e não resolve nada (justiça) e uma instabilidade regulamentar e fiscal que torna a vida complexa a qualquer investidor internacional, etc,etc,etc…
    Ainda há pouco tempo dizia um gestor alemão de uma filial em Portugal que os niveis de produtividade industrial eram comparáveis aos alemães. A empresa ficava em desvantagem por ter que ter 3X mais empregados administrativos para lidar com a burocracia.

    Todos os processos de desalavancagem são lentos se se quiserem evitar rupturas. Parece-me mais grave que não haja consenso nacional que a “austeridade” veio para ficar… A divida das familias e das empresas em % do PIB tem vindo a decrescer… Falta a do Estado… Não sei como teremos politicas consistentes nos próximos 20 anos … A principal vantagem de ficar no euro é a esperança que a razoabilidade e o realismo nos sejam impostos pela UE, sem mais complacencias com “chico-espertices” de desorçamentação para esconder que nunca cumprimos os compromissos que assumimos ao entrar para a UM. O debate da moção de censura mostrou como atingimos o grau zero de maturidade e até sanidade mental…

  18. Rb

    «Desvalorizações competitivas. Traga-me primeiro os políticos e depois veremos quais as políticas económicas.» Vivendi
    .
    Pois bem, caro vivendi, Os politicos de que fala são bem capazes de desvalorizar para esconder problemas, mas são precisamente os mesmos que nos endividaram e nos endividam continuamente.
    .
    E foi precisamente isso que a zona Euro nos trouxe. A facilidade, desligada da realidade, em contrair emprestimos sem qualquer limite económico. Com o Escudo NUNCA teria o estado e as Familias e Empresas contraido tanto endividamento. Nem pensar, andariamos de acordo com as nossas possibilidades reais.
    .
    Vc fala em Salazar. Pois bem, optimo, atente bem nas palavras dele acerca do assunto e, essencialmente, a politica que ele levou a cabo quando entrou em governação. Como era uma pessoa realista, fez o que tinha de ser feito e a moeda foi uma arma útil.
    .
    Mais a mais, o que vc disse é que com o padrão ouro não haveriam crises. A história desmente isso de forma inequivoca. A tal ponto que sair do PEG com o ouro foi a única solução para sair da crise.
    .
    Rb

  19. vivendipt

    vivendi, porque acha que houve tanta expansão de crédito em Portugal desde que aderimos ao Euro?

    Porque numa primeira fase é tudo muito lindo até que as bolhas se formem tudo parece ótimo numa economia.

    Acha que com Escudo teríamos tanta capacidade de financiamento externo?

    Tudo iria depender da capacidade de atração do investimento mas com esta casta de políticos é claro que não haveria a mesma capacidade de financiamento.

    Mas o erro aqui não foi só de Portugal foi todo o modelo económico da civilização ocidental que foi posto em causa.

  20. lucklucky

    “Mais a mais, o caro Lucky falou em moralidade. Ora, é moralmente mais aceitavel fazer descer os salários e os preços relativos por inerencia (pelo menos aquele que dependem do nosso poder de compra) a TODA a gente, sem excepção de classes, profissoes, castas etc do que estar a cortar salários às pingas e aonde os regimes de excepção se vão acumulando, acabando o governo por nunca conseguir fazer o que quer que seja.”

    Sim é.
    É o mercado possível que sobra da constituição soci@lista portuguesa. , Essa é maneira moral de descer os preços, já você parece preferir as impressoras do Governo a funcionarem e o dinheiro a ir para para quem os poíticos querem enquanto quem não tem ligaçãos políticas vê o seu dinheiro reduzido de valor e qualquer saída cortada.

    Você quer dar ainda mais poder ao Regime, Estado, Governo, Políticos. O Regime, Estado Governo,Políticos que devido ao seu já excessivo poder nos trouxeram aqui.

  21. Luís

    Também estou em crer que seria preferível termos moeda. Mas… temo, e muito, duas coisas: os monopolistas e oligarcas e a Esquerda. Em boa verdade muita da liberdade económica que há em Portugal deve-se à entrada na CEE. Sair do euro poderá ser um presente envenenado. Os problemas estruturais continuarão, a elevada carga fiscal, a falta de mobilidade social. a burocracia ou o poder de oligarquias, monopólios e corporações profissionais.

  22. Luís

    A solução para Portugal é só uma: o Estado deve regressar à despesa que tinha em 2000, e à carga fiscal de então. E apoio a venda de algum ouro para levar a cabo algumas reformas, e para despedir funcionários públicos. Sem menos burocracias e com esta carga fiscal não será possível criar emprego que estanque a emigração e que absorva os funcionários públicos despedidos.

    Para isso proponho:

    – redução drástica do número de concelhos
    – fim das empresas municipais
    – encerramento de escolas, universidades e politécnicos
    – início da privatização do SNS
    – aumento da idade da reforma
    – redução das prestações sociais
    – venda da TAP, RTP ou CP

    Para combater o desemprego (e para começar):

    – redução da taxa de IVA máxima para um valor inferior a 20%
    – redução do IVA na restauração para uma taxa inferior à praticada nos nossos concorrentes europeus no sector turístico, o mesmo a aplicar ao golfe, hotelaria e outros desportos
    – IRC inferior ao praticado na Irlanda
    – fim do salário mínimo
    – redução da TSU
    – nova lei dos solos
    – fim das Ordens profissionais: a regulação passa para o Estado

  23. Luís

    O problema, na minha humilde opinião, não está no baixo valor dos salários. Os preços é que estáo demasiado inflaccionados para a nossa realidade económica. Não me digam que a culpa é do euro porque noutros países com esta moeda os preços praticados em laguns produtos e serviços são bem mais baixos. Dou o exemplo do valor das rendas… mas há mais. Curiosamente em alguns sectores houve uma quebra assinalável dos preços, durante os últimos 3 a 4 anos. Mas há outros sectores que permanecem intocáveis. São os sectores protegidos ou super regulamentados.

  24. Luís

    No caso das rendas a culpa é do Estado. Durante anos a fio ninguém teve coragem de liberalizar o mercado. Os resultados estão à vista e agora pouco há a fazer. Há ruas e ruas com casas por recuperar há décadas. O mal já está feito.

  25. Francisco Colaço

    Ricciardi,

    Não pode sair do Euro sem acabar com o equilíbrio financeiro: parte substancial do que se importa, e não se pode deixar de importar, é para mater a economia viva e a funcionar: alimentos, energia, combustíveis, medicamentos, máquinas. Mesmo se começasse a produzir hoje os alimentos de que necessita (e pode fazê-lo em menos de dois anos), terá ainda de encontrar e explorar petróleo e carvão e sei lá mais o quê para ter electrões e gasosa para manter a economia a circular.

    Esses produtos valem 25% das importações.

    Mais vale um bom euro que um mau escudo. E um bom escudo não existe.

  26. lucklucky

    Portugal não deve ter moeda. Para começar gasta-se uma data de dinheiro a ter moeda e a gerir a moeda, depois os politicos ficam com um poder extraordinário.

  27. Rb

    Mas oh Lucky, temos de ser honestos, se Portugal readoptasse o Escudo este processo seria gerido pelo sistema TARGET 2 do BCE. O tal sistema que gere as outras divisas europeias fora da zona euro. É esse sistema que confere liquidez às moedas. Nesse sistema é apenas permitido uma desvalorização inicial na ordem dos 15% para repôr as contas em ordem. Mas desvalorizações subsequentes não ficam na dependencia dos governos e só são efectuadas de forma excepcional por parte do BCE (target 2) atendendo às trocas com o exterior de cada país.
    .
    Portanto, o regresso ao Escudo não seria um cheque em branco para os politicos de esquerda (ou de direita) nem daria direitos de impressão. Mas conferia a possibilidade de podermos ajustar mais rapidamente a nossa economia, principalmente as trocas com o exterior, sem danificar a estrutura social em termos de emprego.
    .
    Além disso precisavamos de autonomia fiscal para podermos atrair investimento estrangeiro rapidamente. Eu oiço o min economia a dizer que eventualmente poderá, quem sabe, daqui a 5 anos, podermos ter um abaixamento no IRC e que está a negociar com a UE. Mas a UE já mostrou claramente ao que vem no chipre. Fora com as excepções.
    .
    Além disso temos a impossibilidade de ajustar salários. A constituição não permite.
    .
    Eu não vejo que tenhamos outra hipotese que nao seja agarrarmos as redeas do nosso proprio destino. porque vamos estar eternamente à espera de qualquer coisa. Agora estamos à espera das eleiçoes alemãs. Amanha vai ser outra coisa qualquer.
    .
    Rb

  28. Rb

    Porque vc não dúvide, o ‘bom’ ajustamento no saldo comercial deve-se, em grande parte, à capacidade que este governo teve em desempregar pessoas e subir impostos às restantes. É uma consolidação sem consistência, que se desfaz na mesma medida em que se comece a criar mais empregos ou aumentar a massa global salarial.
    .
    As exportações tem sido a única coisa boa no meio do desastre. Eu até esperava que elas abrandassem mais cedo do que o que aconteceu. Mesmo assim, era perfeitamente previsivel que elas tinham de inflectir, dado que as economias dos paises nossos clientes estavam tambem elas a contrair o consumo.
    .
    As exportações tem vindo sucessivamente a perder gas. E não é por falta de vontade dos nossos empresários. Não. Esses até se esforçam mais do que deviam. Olhe, no ano passado importei de Portugal valores consideraveis. As negociaçoes com as fabricas portuguesas foram esclarecedoras. Elas estavam a trabalhar com margens de 5% para sobreviver. Isto não é normal.
    .
    Rb

  29. Luís

    Caro Rb,

    as exportações não são suficientes porque o mercado interno em algumas áreas importa demasiado. Caso do sector alimentar. Resta saber porquê.

  30. Luís

    Há semanas entrei pela primeira vez num daqueles mega armazéns geridos por chineses que há no Norte. E para meu espanto muito do que lá estava era «made in EU». Mas a preços muito mais baixos que produtos idênticos vendidos no Continente ou noutras grandes superfícies de marca portuguesa. Resta também esclarecer por que motivo em algumas áreas temos produtos que não são mais divulgados. Caso do cosméticos. A pasta Couto é gourmet lá fora e pouco valorizada cá dentro. Quem gere a produção nunca quis expandir-se, e aqui há um factor a analisar: a mentalidadezinha portuguesa da moderação, do pequenino, o medo da ambição e de querer ser grande. Os produtos Castelbel fazem sucesso nos EUA mas em Portugal só se encontram na sua totalidade nas lojas da marca do Porto. Outro caso. Produtos alimentares.

  31. Luís

    Nós importamos ainda demasiado e consumimos pouco produto português. E não me venham com proteccionismos. Simplesmente os empresários portugueses não estão a ir de encontro ao que os diferentes tipos de consumidores procuram.

  32. Luís

    Estas polémicas da carne de cavalo e de cão poderiam ter servido para a indústria portuguesa se relançar dentro do mercado interno. Mas muitos empresários da área parecem uns asnos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.