Sócrates continua igual a ele mesmo, mitómano, talvez um caso psiquiátrico, irremediável

Sócrates continua um manipulador intrépido. Há quem lhe chame mitómano, um sujeito que não distingue a verdade da mentira, um impostor convicto, no sentido mais literal da expressão. Um caso psiquiátrico. Veio, diz, para repor a verdade, contra a narrativa dominante. Tem direito, diz, a isso. A RTP fornece-lhe o palco. É a primeira vez que um primeiro-ministro, depois de enterrar o país, recebe da televisão pública um espaço semanal para «repor a verdade». Também é verdade que não houve assim tantos primeiros-ministros a enterrarem o país. E continua a mentir convictamente. Sem pudor. Sem vergonha. Sem nada. Talvez seja mesmo o irremediável caso psiquiátrico que lhe diagnosticam. Que o desclabro orçamental com que enterrou o país era a norma na Europa, foi assim na Europa, decidimos em Conselho Europeu estimular as economias. É verdade. Decidiram alguma coisa. Ele, com o alto patrrocínio do Dr. Constâncio, que ainda não regressou, fez o resto. E o resto resume-se em flash como se segue. A Europa, a zona euro, a que ele se refere, em 2009 e 2010, foi assim:

reacões

Não é preciso grande olho para topar que houve europas razoavelmente diferentes. A que tem o trovão em cima, aquela que, em circunstâncias muito diversas, carregou a fundo no acelerador orçamental e se estampou, teve em 2009, em média, um défice de 11,4% do PIB (sem a Irlanda, caso especialíssmo de colapso bancário, de 10,8%). Portugal teve um défice 10,2%. Em linha, portanto, com a Europa que foi expulsa dos mercados. A que está de fora, a dos restante 12 países do euro, um défice médio de 5,4%%. Portugal quase dobrou a Europa que não caiu.

Em 2010, os países do trovão tiveram um défice médio de 13,3% (sem a Irlanda, de 8,9%). A restante Europa, de 4,7%. Portugal, 9,8%. Em linha, portanto, com a Europa que foi expulsa dos mercados. Portugal mais que dobrou a Europa que não caiu. Repetitivo, não?

Os episódios que trouxeram a Portugal o cúmulo do descrédito internacional davam um cartapácio. Fui-os acompanhando, enquanto cachimbava. Hoje só dá mesmo para uma vinheta.

15 pensamentos sobre “Sócrates continua igual a ele mesmo, mitómano, talvez um caso psiquiátrico, irremediável

  1. JP

    “Manipulative people prey on our sensibilities, emotional sensitivity, and especially, our conscientiousness. And sometimes they speak and act with such conviction, that we begin to believe them. We can even start feeling responsible in some way for what we perceive to be their pain.” Dr George Simon

  2. Jónatas

    Confesso a pequenez que tive de ficar satisfeito em ver os socráticos passar de um “agora é que isto vai ser” para um “e agora o que fazemos?”. Mas também confesso que a minha pequenez é maior que a de um antigo Primeiro-Ministro que diz para um jornalista “homem, deixe-me acabar”.

  3. Um pequeno comentário: “Também é verdade que não houve assim tantos primeiros-ministros a enterrarem o país.” Ora, segundo as minhas contas, os primeiros-ministros a enterrarem o país:
    – Todos antes do Sá Carneiro;
    – O Sá Carneiro;
    – Todos depois do Sá Carneiro.

    E a escolha do Sá Carneiro foi apenas um acaso. Não se prendam por causa disso.

  4. Pingback: Umwertung aller Werte | O Insurgente

  5. JS

    J. Costa. Sim, sem dúvida. “Um caso psiquiátrico.” Mas permita-me um pequeno comentário.
    “…Também é verdade que não houve assim tantos primeiros-ministros a enterrarem o país….”
    #4. L. Vales. Exactamente. E houve quem conseguisse a proeza de o fazer duas vezes a seguir, … com um ar tão, ou mais, convicto do que o desta alminha.

  6. silver

    Caro Jorge Costa,sem prejuizo de que a opção de José Sócrates ter sido a pior possivel, a verdade é que todos os paises durante a crise começada em 2008 aumentaram os défices até sensivelmente á queda da Grécia,altura em que a Comissão Europeia, passou a orientar os membros da zona Euro, no sentido de equilibrarem as suas contas.É claro que os outros paises teem défices menores que Portugal, porque no periodo pré-crise 2008 já tinham resultados orçamentais significativamente melhores do que os nossos.Uns tiveram um défice mais alto como Portugal,Reino Unido,Grécia e Espanha, outros mais baixo, mas a verdade é que em geral a politica foi a mesma.
    Estive a ver a base de Dados do Eurostat relativamente aos défices orçamentais, e por exemplo,a insuspeita Holanda, de 2008 para 2009 subiu o seu défice de 0,5 para 5,6.A Dinamarca, passou de um excedente de 3,2 para um défice de 2,7.
    Qual então foi o nosso erro?.É que esses paises dispunham de margem para aumentar os seus défices, sem atingir valores astronómicos, mas nós não tinhamos.

  7. Jorge Costa

    Astronómicos, silver, diz bem. Portugal já tinha um défice de 3,7% e aumentou para 10,2% – mais 6,5 pontos percentuais. Estava em condições de partida muito piores do que esses países e aumentou mais, ou bastante mais. Some a história com que tinha chegado a casa de partida, e inclua nela o crescimento. E foi o que se viu. Quanto à história, também fiz há dias uma vinheta: https://oinsurgente.org/2013/03/26/se-nao-e-e-o-que/

  8. Miguel Noronha

    “E a escolha do Sá Carneiro foi apenas um acaso. Não se prendam por causa disso”
    O conhecimento das história portuguesa dos anos 70 (especialemente da 2ª metade) ajudam a perceber muita coisa. Ainda dão História Económica Portuguesa, presumo?

  9. #10: Não, não damos. Mas o “foi apenas um acaso” era relativo à minha escolha para o exemplo, não ao facto de o Sá Carneiro ter sido PM.

  10. Nuno

    12.http://www.jornaldenegocios.pt/economia/politica/detalhe/factos_e_numeros_ditos_por_socrates_sao_verdadeiros_ou_falsos.html

    …e sais de frutos?!
    ..melhor…e um blogger nao tao cego por bater neste cego e mais curioso em saber dos mesmos numerous vindos desde Cavaco, passando pelo DBarroso e acabando na pandega de mafiosos que agora controla tudo inclusive os media?!

    Eu, tenho que admitir que inicialmente segui o caminho mais facil…bater em todos e demonstrar que todos os que passaram pela CADEIRA no nosso pais…fizeram muita coisa mal. Olhando com muita atencao…nao me parece que seja o Socrates quem mais contribui para o q se passa. Muito menos foi ele a cair em erros de 1o ano de economia como os atuais.

    Assim só posso dizer….vivas á liberdade de expressa. (Que o presente governo tenta calar)
    Vivas tambem a que haja gente como o presente blogger, que ainda que tente vender a sua ¨”hidden (and feeble) agenda” só conseguirá a atencao dos outros tais como ele. Aos como eu, resta-nos deixar de vir para aqui perder tempo.

  11. Pingback: Alguma coisa há-de sair do choque. O quê é que não sabemos (de volta à mitomania de Sócrates & Co.) | O Insurgente

  12. O Insurgente da III República

    O Sá Carneiro (e Cavaco como Ministro das Finanças e «do Plano») fez disparar o défice externo e abriu portas a uma nova vinda do FMI, apenas 3 anos após ter saído.

  13. Pingback: Austeridades e a ovelha ronhosa | O Insurgente

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