Uma Telenovela Chamada RTP

Aparententemente foi – finalmente – apresentado o plano de reestruturação da RTP que pode ser resumido no seguinte:

  • Redução com os custos de pessoal em 28% (passando de 76 milhões de euros para 55 milhões).
  • Fim das indemnizações compensatórias a partir do próximo ano. O financiamento será providenciado pela contribuição audio-visual (140 milhões ~75%) e receitas de publicidade (45 milhões ~25%). Nota: “Para chegar ao objetivo não é descartado um aumento da contribuição audiovisual que pode chegar aos dois por cento.”
  • No final do próximo ano os dois canais da televisão pública terão de atingir uma audiencia de 22% e as três antenas de rádio têm de chegar aos 9 por cento, valores que estão acima das atuais audiências.

Notas minhas:

  • Em relação ao financiamento, quando a RTP vier a precisar de dinheiro, acreditam que o estado (através dos infinitos bolsos dos contribuintes) não o vai arranjar?
  • O que acontece se a RTP1 + RTP2 não atingirem os 22% de audiência no final do próximo ano? Business as usual?

Acho que se pode enterrar definitivamente a “alienação ao sector privado de um dos canais públicos comerciais actuais” que constava do programa eleitoral do PSD.

Eu gostava de saber o que distingue assim tanto a RTP dos outros canais em sinal aberto (SIC e TVI)  e que grande serviço público é que a RTP presta para me obrigar a pagar uma taxa mensal.

10 pensamentos sobre “Uma Telenovela Chamada RTP

  1. M. Miranda

    É manifesto que não querendo o governo, porque tem medo dos operadores de esquerda e de direita, ver-se livre da tv pública e dos seus apêndices, vamos ser todos nós a suportá-la, seja a partir do orçamento seja da taxa audiovisual. E também pergunto: porquê e para quê? De resto todo o plano não passa disso mesmo, dum plano de intenções porque se não for cumprido cá estaremos para tapar o buraco mesmo que para ele não tentamos contribuído.
    Última questão: se nem para esta função serviu, porque se mantém o Relvas no governo?

  2. JLeite

    O “estado” não deve controlar directamente ou indirectamente qualquer meio de comunicação (talvez só o Diário da República), assim sendo venda-se, venda-se ao melhor preço que se arranjar. A completa separação entre “estado” e meios de comunicação é uma pedra de toque da liberdade.

  3. Luís Lavoura

    Acho que se pode enterrar definitivamente a “alienação ao sector privado de um dos canais públicos comerciais actuais” que constava do programa eleitoral do PSD.

    Não vejo por quê.

    Eu sou proprietário de uma casa em ruínas. Estou a restaurá-la (reconstruí-la). Desse facto não se deduz que eu não tencione um dia vendê-la.

    Eu gostava de saber o que distingue assim tanto a RTP dos outros canais em sinal aberto (SIC e TVI) e que grande serviço público é que a RTP presta para me obrigar a pagar uma taxa mensal.

    Não passa publicidade (no caso das rádios; no caso de um dos canais de televisão, passa mas pouca).
    Penso que é uma diferença muito grande, enorme.

  4. dervich

    “Eu gostava de saber o que distingue assim tanto a RTP dos outros canais em sinal aberto (SIC e TVI) e que grande serviço público é que a RTP presta para me obrigar a pagar uma taxa mensal.”

    Não passa telenovelas todos os dias úteis das 21.30h às 0.30h;
    Não passa freak shows no horário noturno de fim de semana;
    De forma geral, tem um maior respeito pelos horários e pela programação pré-definida, e não trata o seu público como retardados mentais.

    Penso também serem diferenças grandes, enormes.

  5. Um socialista

    Se a demagogia libertária não fosse o que é, a RTP teria condições técnicas e humanas para ser um serviço de referência no audiovisual nacional, como o são grande parte dos operadores públicos por esse mundo fora. O problema é que, graças às habituais hesitações do poder político e à intoxicação da opinião pública promovida por muitos “pensadores”, a empresa vive prisioneira de um problema quase impossível de resolver. Tem que ter a qualidade que lhe é exigida e, ao mesmo tempo, lutar pelas audiências para conseguir assegurar cerca de 50 milhões de euros de receitas publicitárias. Logo, é forçada a apostar em conteúdos de menor qualidade e manter algumas “estrelas”, para tentar chegar a audiências mais apetecíveis para o mercado publicitário. O resultado é uma esquizofrenia (nas televisões, mas também nos canais de rádio que, infelizmente, nunca são referidos!) que apenas prolonga a agonia e alimenta o coro dos espoliados.
    E porque não, reestruturar a empresa, redimensioná-la e assegurar o seu financiamento claro e transparente, retirando-a das guerras de audiências, apostando num serviço de qualidade, sem medos nem amarras ideológicas? Porque não, claro!
    É mais fácil embarcar no disco riscado dos ordenados milionários, na taxa do audiovisual (que por acaso é, de longe, das mais baixas da Europa) e outros choradinhos.
    Enfim, a indigência cultural e intelectual do costume.

  6. Expatriado

    Os PALOP e’ que deviam pagar para a RTP.

    Para alem da RTP Africa, temos a RTP Informaçao a dar noticiarios africanos e a RTP Mobile musica africana……

    Afinal o “serviço publico” e’ para quem?

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