Salário Mínimo Nacional

“(…) Aumentar o SMN quando o desemprego sobe de forma galopante no país, e já passa os 17%, é literalmente deitar gasolina para a fogueira. Porém, uma das características de uma cultura que não possui julgamento é admitir tudo à discussão – outra é discutir questões laterais, deixando de lado as principais. O SMN causa desemprego – é uma das poucas certezas que os economistas possuem. Muito embora seja provável que, se um economista sénior for à televisão afirmar isto, e ao lado estiver um estudante do primeiro ano de Letras a dizer o contrário, a audiência caia maioritariamente para o mais simpático – e este é bem capaz de ser o estudante de Letras. A cultura popular portuguesa decide pela emoção, não pela razão, e aí está a raiz da sua irreformável falta de julgamento. Discutir o aumento do SMN quando o desemprego no país atinge níveis históricos e continua a subir sem parar ainda se poderia compreender se o SMN em Portugal fosse baixo. Mas não é. É elevadíssimo. Quando referido à realidade económica do país, exprimindo-se em percentagem do salário mediano vigente na economia portuguesa, é o quinto mais elevado do mundo.”, por Pedro Arroja (destaque da sua crónica de amanhã no jornal Vida Económica).

6 pensamentos sobre “Salário Mínimo Nacional

  1. Mais um exemplo da aplicação de “princípios teóricos” a uma situação real sem qualquer filtro de análise ou bom senso. Os economistas parecem mais preocupados com o tamanho da gamela do pobre do que com as profundas iniquidades que o levam à pobreza…
    E depois é o absurdo ridículo de se debitar tinta por causa de € 15,- por mês. Apetece mandar estar gente tomar o “medicamento” do Francisco José Viegas…

  2. JMJ

    e se for um repositor do Continente a dizer que 485 Euros não lhe chegam para ir trabalhar, para comer, para pagar a casa, luz, água e gás?

    ale mais a opinião do economista ou a de quem tem que viver com esta miséria?

  3. Lucas

    Numa coisa parece que têm razão. O salário, ele próprio, é um entrave no combate ao desemprego. Eu próprio, se não tivesse que pagar nada, poderia empregar várias pessoas para me limparem a cozinha de vez em quando. Bem que precisava.

  4. Gosto de ler os posts de Ricardo Arroja com que muitas vezes concordo.
    Mas este põe-me sérias reservas.
    Qualquer economista concorda que é um erro subsidiar empresas ineficientes, disso, creio não haver dúvidas.
    Ora, um salário mínimo baixo é um subsídio a empresas ineficientes!
    E, no caso português, este subsídio ainda é agravado por o salário médio, expresso em percentagem do salário mínimo ser o quinto mais baixo do Mundo.
    O cerne do problema está em considerar-se o desemprego como um mal absoluto o que é errado, o mal absoluto é não ter dinheiro para viver decentemente. Se dermos a escolher entre um emprego a ganhar €500 mensais ou um desemprego a ganhar €1000 mensais, qualquer cidadão opta pela segunda hipótese.
    Um aumento do salário mínimo tem a vantagem de fazer aumentar também o salário médio e mandar para fora da economia as empresas ineficientes que pesam negativamente na nossa economia.
    Conclusão, um choque à economia traduzido num aumento do salário mínimo teria efeitos muito positivos. Estes efeitos seriam acompanhados provisoriamente por alguns problemas sociais. Mas é para os minimizar que temos governo. Ou deveria ser.

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