You’re all a bunch of socialists

a-bunch-of-socialistsTenho notado algum melindre por parte de algumas pessoas quando confrontadas com o facto de serem socialistas. Fico perplexo com a reacção, na medida em que apontar a origem das ideias que uma qualquer pessoa defende não é uma ofensa ou um exercício de name-calling. Especialmente porque quando, aqui n’O Insurgente, apontamos a alguém que o que defendem é socialismo, fazemo-lo com um mínimo de rigor argumentativo.

O socialismo é um sistema económico. Um sistema onde, por definição original, os meios de produção são propriedade social (colectiva, estatal, cooperativa, whatever) e a sua gestão e planeamento têm fins sociais e colectivos. A maior parte das pessoas, mesmo muitas inscritas no Partido Socialista, não se reverão neste definição, pois o significado do termo tem vindo a evoluir para a social-democracia. Esta, por sua vez, define-se como um caminho democrático e reformista que visa, como objectivo final, a implantação do socialismo por uma via pacífica, democrática, de transição progressiva do capitalismo. Um social-democrata é portanto um pouco como Santo Agostinho: Dai-me o socialismo, mas não agora. Por fim, temos a democracia-cristã, que mais não é que uma doutrina que defende, em termos económicos e de forma geral, as mesmas políticas que a social-democracia, mas que por pensamento mágico parece achar que o resultado final será diferente.

Não vale sequer a pena referir as doutrinas totalitárias como o fascismo (o socialismo com corporações em vez de sovietes ou cooperativas), o nacional-socialismo (este nem se esconde, ainda por cima) ou o comunismo (a via revolucionária para o socialismo).

Temos assim que ideias que em geral implicam a condução da economia pelo estado, a alocação de maior quantidade de recursos para a prossecução de intervenção económica estatal, a nacionalização e monopolização da emissão de instrumentos monetários, a atribuição de decisões económicas cruciais ao estado, etc, são, efectivamente, ideias socialistas, ou que visam atingir o socialismo de forma gradual, ou que o sendo julgam não se-lo (uma bizarria, bem sei).

42 pensamentos sobre “You’re all a bunch of socialists

  1. migspalexpl

    e quem defende uma economia mista como fim em si mesmo (e não como um caminho para um socialismo)? é o quê?

  2. migspalexpl

    ok, então qual é o limite de intervenção do Estado que separa um socialista de um liberal? alguém que defende um sistema de saúde público é necessariamente socialista?

  3. Rúben Lopes

    “e quem defende uma economia mista como fim em si mesmo (e não como um caminho para um socialismo)? é o quê?”

    Corporativista?

  4. Rodrigo

    “A defesa da segurança de uma nação e da civilização contra a agressão por parte de ambos os inimigos estrangeiros e bandidos domésticos é o primeiro dever de qualquer governo”. – Bureaucracy, obra desse grande Socialista chamado Ludwig von Mises – https://mises.org/document/875

  5. fernandojmferreira

    “Even aside from day-to-day security risks, the reality of terrorism and its resulting mayhem has demonstrated the inability of government to provide adequate security against attacks on person and property. The lesson of September 11 is indisputable: government had not only failed to act as a guardian of security and protection but had actually been the primary agent in creating insecurity and exposure to risk, and, moreover, did not achieve secure justice once the crime had been committed.

    “However, this was not the lesson that was drawn from the affair. Instead, the political elite successfully exploited public fears to vastly increase government spending, central credit inflation, bureaucratic management, citizen surveillance, regulation of transportation, and generally wage an all out attack on liberty and property.

    “Meanwhile, US foreign policy pursued in the aftermath became more aggressively interventionist, violent, and threatening (the US refused even to rule out the employment of nuclear weapons against enemy regimes) than it had been before, thereby increasing the number of recruits into the ranks of people who are willing to use extreme violence as a means of retribution.

    “In the same way that government intervention in times of peace can generate perverse consequences in markets that do not tend toward clearing, in times of war, military intervention can thus have the effect of harming the prospects for peace and security and bringing about a permanent state of violence and political control. Truly, the political affairs of our time cry out for a complete rethinking of the issues of defense and security and the respective roles of government, the market, and society in providing them.”

    “The Myth of National Defense”, edited by Hans-Hermann Hoppe

  6. Maria João Marques

    ‘E quem não se babar com os posts deste burgo é Socialista dos piores’. Obviamente.

  7. Rodrigo

    “…La argumentación de Nozick, empero, no es tan simple. Y es aquí donde Anarquía, Estado y utopía adquiere una mayor complicación. A lo largo de la que es la parte más interesante del libro, Nozick tratará de explicar cómo, sin violar los derechos de nadie, surgiría, de modo espontáneo (a través de un proceso “de mano invisible”, en la terminología de Nozick) el Estado mínimo, encargado de proteger a los individuos de la violencia y del fraude, no más, pero tampoco menos.

    En primer lugar, dice Nozick, surgirían agencias de protección, privadas, que cumplirían la función del Estado, pero que no lo harían en régimen de monopolio, de modo que no podrían ser consideradas como Estado[vi] . Así, por un proceso “de mano invisible”, esas empresas irían tendiendo al monopolio local, de modo que quedarían así convertidas en Estado en el más puro sentido de la palabra. El tema más delicado es el de los “free riders”, es decir, el de aquellas personas que, voluntariamente, no han querido asociarse a ninguna agencia de protección. Para ilustrar todo el proceso, Nozick se vale de la teoría económica, la probabilidad y la teoría de juegos, en una argumentación que no puede ser calificada más que de brillante, pero que resulta complejísima y, desde luego, imposible de reproducir aquí.(…) En cualquier caso, la conclusión final es que, sin haber violado los derechos de nadie, habría surgido un Estado ultramínimo, primero, y un Estado mínimo, después, a partir de esas agencias de protección y que, por tanto, los libertarios deben aceptar el Estado mínimo como una opción moralmente lícita. Por supuesto, ningún otro Estado más grande que el Estado mínimo podría surgir de ese proceso “de mano invisible” y sin violar los derechos de nadie, y, por ende, ningún Estado más extenso que el mínimo puede ser considerado legítimo.” – http://elpenultimoliberal.blogspot.pt/2011/09/la-justificacion-del-estado-minimo-de.html – VER TAMBÉM NOZICK, – ANARQUIA, ESTADO E UTOPIA – http://www.libertarianismo.org/livros/rnaeu.pdf

  8. VidalFerreira

    Qual é na prática, mas também em teoria a diferença entre neoliberalismo, libertarianismo e anarco-capitalismo? Qual deles é mais de direita e o menos de direita, se é que podemos ainda falar nesta dicotomia de esquerda vs. direita… Obrigado!

  9. fernandojmferreira

    Alguns problemas da teoria do estado minimo, na minha modesta opiniao:

    – Quando e’ que o estado e’ minimo e como se quantifica o minimo? E se o que alguns acham minimo e’ mais que minimo para outros?

    – Assumindo que se conseguia determinar quanto e’ o minimo, como se garante que esse minimo nao aumenta? Acho que todos concordariam que todos os governos que existem hoje no mundo nao sao minimos, sao bem gorduchos. No entanto, comecaram do nada e cresceram, com certeza passando pelo minimo e nao parando. Este e’ um problema grave: como manter um obeso morbido (e’ esta a natureza do estado) magrinho que nem um pau. A coisa nao vai la com constituicoes ou papeis assinados desse genero. A maioria dos governos tem constituicoes e as constituicao estao escritas de modo a permitirem que o estado fique gordo.

    Depois ha as contradiccoes dos argumentos da teoria do estado minimo. Segundo Nozick “Nossa principal conclusao sobre o estado e’ que um estado minimo, limitado as funcoes restritas de proteccao contra a forca, o roubo, a fraude, de fiscalizacao de cumprimento de contratos e assim por diante, justifica-se”.

    O unico modo que o estado tem de financiar as suas actividades e’ pela cobranca COERCIVA de impostos (roubo). Para cobrar estes impostos, o estado faz uso da FORCA ou da ameaca de uso da forca. Quem nao quiser pagar o que o estado exige, vai para a prisao.

    Nao vejo como e’ que uma instituicao que existe para proteger os cidadaos contra o uso da forca e do roubo, tem de recorrer ao uso da forca e do roubo para existir. Nao faz sentido.

  10. Miguel Noronha

    A dicotomia esquerda-direita tem pouca operacionalidade. Prefiro o triângulo socialismo-conservadorismo-liberalismo.
    A diferença imediata entre os anarco-capitalistas (ancaps) e os minarquistas é que os segundos defendem um estado mínimo. Os primeiros nem isso.

  11. Rodrigo

    (…)
    Chamamos de estado o aparelho social de compulsão e coerção, que induz as pessoas a obedecerem às regras de vida em sociedade; chamamos de Lei as regras, segundo as quais o estado age; e de governo, os órgãos encarregados da responsabilidade de administrar o aparelho coercitivo.

    Há, sem dúvida, uma facção que acredita que se poderia dispensar, com segurança, todo e qualquer tipo de coerção e basear a sociedade, totalmente, na observância voluntária do código moral. Os anarquistas consideram o estado, a lei e o governo instituições supérfluas, em uma ordem social que, de fato, serviria ao bem geral e não apenas aos interesses especiais de uns poucos privilegiados. Apenas porque a ordem social vigente se baseia na propriedade privada dos meios de produção, torna-se necessário lançar mão da coerção em sua defesa. Se a propriedade privada fosse abolida, então, todo mundo, sem exceção, observaria as regras impostas pela cooperação social, espontaneamente.

    Já afirmamos que esta doutrina é equivocada, quando se refere ao caráter de propriedade privada dos meios de produção. Mas, mesmo não se levando em conta isto, ela é absolutamente insustentável. O anarquista, com muita razão, não nega que toda a forma de cooperação humana em uma sociedade, baseada na divisão de trabalho, exige a observância de algumas regras de conduta, nem sempre agradáveis ao indivíduo, já que lhe impõe algum sacrifício (apenas temporário, é verdade), mas, por isso mesmo, pelo menos no momento, doloroso. O anarquista, porém, se engana ao supor que todo mundo, sem exceção, desejará observar tais regras voluntariamente. Há dispépticos que, embora saibam muito bem que ceder ao prazer de certos alimentos significa sofrer dores fortes, quase insuportáveis mais tarde, não obstante, são incapazes de evitar o prazer e o delicioso prato. Ora, as inter-relações da vida em sociedade não são fáceis de delinear, como os efeitos psicológicos da comida, nem mesmo as consequências ocorrem tão rapidamente e, acima de tudo, tão palpáveis para o causador do mal. É, pois, possível supor-se que, sem cairmos no terreno do absurdo, a despeito de tudo isso, todo indivíduo em uma sociedade anarquista terá maior descortino e força de vontade do que um dispéptico? Em uma sociedade anarquista, estará descartada, totalmente, a possibilidade de que alguém possa, negligentemente, atirar um fósforo aceso e iniciar um incêndio ou, em um momento de raiva, ciúme ou vingança, infligir danos a seu compatriota? O anarquista compreende mal a verdadeira natureza do homem. O anarquismo somente seria praticável, num mundo de anjos e santos.
    (…)
    O Liberalismo não é anarquismo, nem tem, absolutamente, nada a ver com anarquismo. O liberal compreende perfeitamente que, sem recurso da coerção, a existência da sociedade correria perigo e que, por trás das regras de conduta, cuja observância é necessária para assegurar a cooperação humana pacifica, deve pairar a ameaça da força, se todo o edifício da sociedade não deve ficar à mercê de qualquer de seus membros.
    Alguém tem de estar em condições de exigir da pessoa que não respeita a vida, a saúde, a liberdade pessoal ou a propriedade privada de outros, que obedeça às regras da vida em sociedade. É esta a função que a doutrina liberal atribui ao estado: a proteção à propriedade, a liberdade e a paz.

    LIBERALISMO SEGUNDO A TRADIÇÃO CLÁSSICA – Ludwig von Mises – http://www.libertarianismo.org/livros/llvm.pdf

  12. VidalFerreira

    Mas então, Miguel Noronha, quero ver se percebi… temos de um lado os ancaps que desejam 0% de impostos e uma sociedade completamente livre de intervenções estatais e num outro lado (isto claro dentro do liberalismo), os neoliberais e os libertários que defendem um pouco mais de estado ao que lhes chama de minarquistas? Já agora o entende por consevadores? Os liberais clássicos e os democratas-cristãos?

  13. CN

    Rodrigo, esse anarquismo não é o ancap. Quem defendeu o direito de secessão como Mises é compatível com o ancap.

  14. Miguel Noronha

    Considerando o triângulo que referi, podemos ter conservadores mais próximos dos liberais. Como os conservadores-liberais ou mais próximos dos socialistas, como o os democratas-cristãos. Os liberais clássicos serão, liberais ou liberais-conservadores-

    Não sei o que são “neoliberais”.

  15. VidalFerreira

    Exatamente penso sobre os conservadores e presumo que encaixe fascismo e nazismo dentro do socialismo. Os ditos “neoliberais” refiro-me mais propriamente a Thatcher e Reagan, bastante influenciados pelo monetarismo de Friedman e pela Escola de Chicago. De facto eles aceitam mais a existência do estado que os libertários. Então segundo esta lógica de aceitação da legitimidade do Estado podemos ter anarco-capitalista (completamente contra, nem aceitam o mínimo que seja) e depois os minarquistas (libertários principalmente, que aceitam uma mínima intervenção e também em parte os “neoliberais” estilo Thatcher e Reagen que aceitam uma ainda maior intervenção estatal, desligados da Escola Austríaca e mais virados para a e Chicago? Concorda?

  16. Miguel Noronha

    Não diria que estarão mais ou menos ligados a Chicago. Reagan talvez. Thatcher nem por isso. Existem tradições liberais mesmo entre os neoclássicos. Serão certamente mais intervencionistas que os austricos mas convém não balizar as correntes dentro de certas escolas económicas. Os austriacos tanto podem ser ancaps como minarquistas. Mas há ancaps que não são austriacos (estou a pensar por ex. no David Friedman).

  17. Rodrigo

    Carlos, não ponho isso em duvida. O meu post era só uma débil resposta, com um mínimo de rigor argumentativo, de que até Ludwig von Mises e´, pela óptica do Miguel Botelho Moniz um socialista. O que não deixa de ser curioso !

  18. Temos pois que para o Miguel Botelho Moniz, apenas existem dois lados: o “socialista” (social democracia, comunismo, fascismo, nacional socialismo, cristianismo, “whatever”…), e do outro (também radicalizando), algo como “anarcocapitalismo”… Sendo que os defensores desta teoria se sentem tranquilos com a a ausência de estado, lei, soberania, ou qualquer forma de organização social. Os cidadãos (que deixariam de o ser) passariam a ter o direito a não ter direito algum… Humm… Interessante…. Uma boa sociedade para deixar aos nossos filhos…
    Acho recomendável que aprenda a distinguir as cores do arco-íris. O mundo – dos humanos – não é a preto e branco.
    Por fim, quanto ao “melindre” que possam sentir (por exemplo) os democratas cristãos, ao serem chamados de socialistas, dou-lhe um exemplo: imagine que alguém chama outra pessoa de “filho da puta” só porque a mãe dele vive no mesmo bairro que a Joana que é irmã da Mónica e empregada da Teresa cuja prima é puta!…

  19. fernandojmferreira

    Realmente cada ser humano tem interpretacoes diferentes do mundo a sua volta. Pensando bem nesta passagem de Mises que o Rodrigo transcreveu e que cito, “O anarquista compreende mal a verdadeira natureza do homem. O anarquismo somente seria praticável, num mundo de anjos e santos.” eu penso que o que se passa e’ exactamente o contrario: Dada a natureza do homem, que age em beneficio proprio e responde a incentivos, eu diria que “O estatismo ou qualquer forma de estado minimo somente daria os resultados que, teoricamente, pretende atingir, num mundo de santos e anjos”.

    Sim, porque o unico governante ou governantes que seriam justos, honestos, despegados dos bens materiais e que pusessem os outros acima dos seus proprios interesses ou dos interesses dos seus amigos so poderiam ser santos ou anjos. Esses governantes nao existem e, no entanto, as pessoas continuam a ansiar por eles e continuam a votar nos proximos, so para ficarem desiludados uns meses depois.

    Outro aspecto importante que eu gostava de salientar e’ o facto de que, desde que exista estado, mesmo que minimo, estamos perante uma sociedade “all inclusive”. Nao e’ o caso numa sociedade livre. Se 1 milhao de portugueses resolvesse formar uma sociedade anarco-capitalista, nada obrigaria os outros 9 milhoes a viver do mesmo modo. Uns poderiam criar uma sociedade socialista, outros uma social-democrata, outros ambientalista, outros hippie, eu sei la. Cada um poderia viver livremente da maneira que mais lhe agrada. A sociedade socialista poderia ter escolas publicas e hospitais publicos para os seus aderentes, porque nao? Nao poderiam forcar a participacao a quem nao quer participar e teriam de financiar, eles mesmos, esses servicos.

    Quando eu defendo uma sociedade livre para mim e para quem pensa como eu, ninguem e’ forcado a viver sob a mesma filosofia. Nao e’ uma sociedade “one-size-fits-all”, ao contrario de todas as formas de colectivismo coercivo.

  20. Ainda bem que socialista tornou-se uma palavra suja. Os americanos socialistas gostam de se chamar “liberais” e detestam quando lhes chamam socialistas, ahahahaha.

  21. CN

    O termo neoliberal serve em geral para caracterizar uma linha de pensamento económico associado aos monetarismo-neoclássico de Chicago, um certo liberalismo eficientista e discurso exclusivamente economicista com instrumentos de análise maximizadora com utilização extensiva de modelos empíricos e matemáticos. Existe também um certo traço igualitarista que conduzem à recomendação extensiva de cheques-tudo e de rendimento garantido.

  22. rui a.

    «Rodrigo, esse anarquismo não é o ancap. Quem defendeu o direito de secessão como Mises é compatível com o ancap.»

    Não é assim, O MIses pôs em causa a existência da sociedade sem governo, independentemente de este ser substituído pelo direito absoluto à propriedade privada e pela soberania contratual, ou pelo comunitarismo. O Mises não era anarquista e isso é dito clarissimamente em muitas das suas obras. A passagem relativa ao direito de secessão de modo algum substitui esse sentimento.

  23. CN

    O rui a continua em negação, Mises não analisou a temática dos providenciadores de protecção da propriedade privada e arbitragem serem privados e actuando em concorrência, como de resto é a realidade da natureza internacional dos estados entre si.

    O que Mises fez foi refutar o anarquismo utópico (pacifista, etc,) por um lado e reforçar a necessidade de existir compulsão organizada contra quem viola esses direitos de propriedade.

    Nunca poderia ter sido tão claro na defesa do direito de secessão se de alguma forma não achasse que a relação entre o indivíduo e o providenciador de segurança e justiça tem de ser a mais voluntária possível – e o voluntarismo por excelência é ser constituído por um contrato de direito civil e não uma relação política.

    Mises teve muito com que se ocupar para ter tratado do tema que foi de resto iniciado por um eoomista liberal clássico no séc.19, mas cujos desenvolvimentos teóricos e de research de casos histórico começou mais ou menos com o início o movimento libertarian.

    Nem o tema merece propriamente tanta polémica e por vezes é mal enquadrada. Se imaginarmos cidades-privadas, gerida profissionalmente e no melhor interesse dos proprietários isso incluirá um quadro legal penal e civil a que os residentes e quem lá entra aderem. Isso é anarquismo? Isso contradiz Mises?

  24. Rodrigo

    Caro fernandojmferreira, pedia-lhe que relesse sff o que escrevi sobre Nozick, principalmente a parte final e aproveito para pedir a sua atenção para a seguinte frase de Mises, que também está no extracto que coloquei ” Apenas porque a ordem social vigente se baseia na propriedade privada dos meios de produção, torna-se necessário lançar mão da coerção em sua defesa. Se a propriedade privada fosse abolida, então, todo mundo, sem exceção, observaria as regras impostas pela cooperação social, espontaneamente.” obgd

  25. rui a.

    «O que Mises fez foi refutar o anarquismo utópico»
    Não, Carlos. O que o Mises fez foi a defesa da necessidade do governo, na linha, de resto, dos autores clássicos do liberalismo. Eu até posso nem concordadar filosoficamente com a necessidade do governo, que considero não uma necessidade, mas uma fatalidade. Mas o Mises não era assim que pensava. Lamento, mas não há volta a dar-lhe.

  26. Samuel

    Entre comunistas, socialistas, sociais-democratas e democratas-cristãos (usando a vossa nomenclatura) nestes anos de democracia temos tido um total de votos na ordem de 99%, não? Engraçado como sempre que há alguma manifestação/equivalente vocês vêm sempre argumentar que foram só meia dúzia de gatos pingados, que 95% do povo português se está a borrifar para esses manifestantes e quer é mais liberalismo na economia.

  27. Não percebi foi ainda que alternativa se propõe e em que a maior justiça possível exista assim como é que uma sociedade se organiza de forma a criar capacidade para que cada um atinja o seu máximo potencial…

  28. paam

    “Entre comunistas, socialistas, sociais-democratas e democratas-cristãos (usando a vossa nomenclatura) nestes anos de democracia temos tido um total de votos na ordem de 99%, não?”

    A abstenção e os votos também contam, não? E com papas e bolos se enganam os tolos. Hoje os tolos pagam a factura, não?

  29. Samuel

    paam, é isso, todos os que não votam são “liberais”. Mas são tantos, porque não fazem uma lista para concorrer à Assembleia? Ou também é uma forma de corporativismo?

  30. O prof Manuel Monteiro fez a sua tese de doutoramento e, citando a notícia:

    “(…) propõe uma reestruturação do tipo de recenseamento eleitoral que há em Portugal que é obrigatório, para um sistema de voto voluntário.

    Além disso, Monteiro defende na sua tese que o número de eleitos para a assembleia da República ou para os órgãos de poder regional ou local passe a ser variável e a depender da participação eleitoral, isto porque o s números dos recenseados seriam indicativos para estabelecer os mandatos, mas depois a eleição efectiva dependeria do número de votantes e da abstenção. Por exemplo, com uma taxa de abstenção de 20 % em legislativas só seriam eleitos 80 % dos deputados, que o recenseamento estabelecia à partida.”

    In: http://www.publico.pt/politica/noticia/manuel-monteiro-e-doutor-com-18-valores-e-distincao-e-louvor-1541723

  31. paam

    “paam, é isso, todos os que não votam são “liberais””

    Não sei de onde retira essa conclusão. É sua, não minha. Apenas constatei que existe uma grande parte da população que não vota em nenhum dos partidos que mencionou. Aliás, há cada vez mais pessoas desiludidas, e com razão, com os partidos actuais. Mas continuam com a ilusão de que vão ser aqueles que os trouxeram até aqui que os vão, de alguma forma, ajudar.

  32. pois

    “Não sei de onde retira essa conclusão.” eu sei é complicado às vezes nem sabemos os que dizemos. 🙂

  33. CN

    Rui A., lamento mas os liberais clássicos (excepto Molinari) nunca se debruçaram sobre a possibilidade de providenciar segurança e justiça privada, apenas a ausência dela (anarquismo utópico), de resto Molinari era extremamente conhecido e nunca foi refutado, no sentido que nunca foi sequer analisado. Só Nozick o tentou (sem sucesso para mim) criar uma ideia de monopólio natural.

    E então o argumento da cidade-privada? É impossível? E Se pensarmos em N cidades soberanas (como a história está cheia delas) isso corresponde a Governos ou não?

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