esta «liberdade» vai sair-nos muito cara

Hayek era um perigoso esquerdista e não era liberal. Friedman era geneticamente socialista, mas isso nós já sabíamos:

«É inegável que Hayek e Friedman colaboraram muito na luta contra a tirania estatal.  Porém, eles não são nem de longe os autores que melhor representam a liberdade; e é inegável também que eles apoiaram muitas posições contrárias à liberdade.  E é exatamente por causa de todas as concessões que estes autores fizeram aos estatistas, que a esquerda os alçou à posição de maiores e mais radicais representantes do livre mercado, ao passo que pensadores realmente radicais como Mises e Rothbard foram jogados para fora do debate.  Hayek e Friedman são os inimigos que a esquerda adora odiar.  De fato, eles não são inimigoseles fazem parte da esquerda, e são aceitos e respeitados pelo mainstream (que é esquerdista)

Fernando Chiocca, aqui.

26 pensamentos sobre “esta «liberdade» vai sair-nos muito cara

  1. CN

    Então, o senhor até foi conciliador na primeira frase. Existem posições criticáveis em ambos, porque não? Mas o post anterior que revela o sucesso do Mises Brasil dá uma boa ideia de onde nasce a inspiração mais motivadora para um movimento de mudança (sem desfazer nos restantes).

  2. Daquilo que conheço de Friedman, e corrijam-me com exemplos se estiver errado, é mentira que ele alguma vez tenha apoiado a intervenção do Estado em alguma área que não fosse a Defesa, a Segurança e a Justiça, qualquer um pode ver palestras suas sobre cada área em que hoje o Estado tem influência, influência esta fortemente repudiada por Friedman.

  3. mggomes

    Ponto prévio: não vejo Friedman e muito menos Hayek como perigosos esquerdistas! 🙂

    Quanto a Friedman, com a sua proposta de Imposto sobre Rendimentos Negativo (com a introdução, em paralelo, de uma Flat Tax), por exemplo, recomendava algo mais que uma intervenção do estado apenas nos campos – defesa e segurança – habitualmente aceites pelos liberais (anarco-capitalistas excluídos).
    Friedman afirmava com frequência não ser um anarquista, ainda que se definisse como “libertarian”.

    Ainda assim, mesmo tratando-se de uma medida de segurança social, a mesma visava limitar ou mesmo eliminar alguns dos problemas associados às políticas sociais tradicionais, nomeadamente a redução do incentivo para trabalhar, ao mesmo tempo que eliminava praticamente todas as outras medidas intervencionistas (passava a ser a única intervenção social do estado).

    Com “esquerdistas” como Friedman posso eu bem!

  4. PiErre

    Fernando Chiocca escreveu um excelente artigo sobre as posições de Hayek e de Friedman e tem inteira razão.
    De facto, a importância destes autores não está apenas nas obras que publicaram, mas sobretudo na interpretação e no aproveitamento ínvio que delas fazem os inimigos da liberdade. No mínimo foram pouco cuidadosos em algumas ideias que defenderam.

  5. Rodrigo

    É tudo uma questão de conceitos. Para qualquer anarco-capitalista, um minarquista é um socialista, Ayn Rand era esquerdista ( LOL) . Em teoria é verdade. So é pena Hayek ser muito mais interessante e ter contribuido muito mais para a visão liberal no Mundo que o radicalismo teorico de Rothbard e Hoppe, que so me faz lembrar o que tanto critico nos radicais de esquerda. Mas sim é verdade; Rothbard e Hoppe são super coerentes…que fiquem pela Academia !

  6. CN

    “So é pena Hayek ser muito mais interessante e ter contribuido muito mais para a visão liberal no Mundo que o radicalismo teorico de Rothbard e Hoppe, que so me faz lembrar o que tanto critico nos radicais de esquerda. Mas sim é verdade; Rothbard e Hoppe são super coerentes…que fiquem pela Academia !”

    É ao contrário. O que HayeK tem de melhor é a sua produção na teoria económica (pouco debatida e conhecida), na visão política não tem propriamente o dom de inspirar um movimento em crescimento como o libertarian que nasce em boa medida em NY pela mão de Rothbard ainda que com outras contribuições (de resto, Rothbard nunca pretendeu como Ayn Rand ser o “inventor da roda”, tudo na sua obra política é feita com base na história do pensamento anterior e com contribuições adicionais).

    Quanto às críticas concretas estão a fazer generalizações, as críticas têm que ver com pontos do pensamento de ambos.

    Para a crítica a Friedman ver aqui.

    Milton Friedman Unraveled, Murray N. Rothbard
    http://mises.org/journals/jls/16_4/16_4_3.pdf

  7. Acerca do Friedman, creio que ele trabalhou para a administração Roosevelt e foi quem inventou a ideia de reter os impostos na fonte – imagino que muita gente considere isto mais que suficiente para o catalogar como “socialista”

  8. rui a.

    Nacional-Çossialista, se fazes o favor, Miguel. Há que respeitar as tradições d’ O Insurgente!

  9. DavC

    Este é o problema. Qualquer liberalismo praticável em democracia é considerado iliberal e socialista. Depois admiram-se de os socialistas se apropriarem da democracia como sua.

  10. CN

    “Depois admiram-se de os socialistas se apropriarem da democracia como sua”

    os socialistas apropriam-se é de “até Milton Friedman defendia que…”

  11. Rodrigo

    CN ( Carlos Novais penso eu ), Em primeiro lugar os meus respeitosos cumprimentos. É meu entendimento que o “O caminho da Servidão” é um livro capaz de apresentar uma visão política com o dom de inspirar não um movimento, mas pessoas individuais no seu caminho pela descoberta de uma vida mais livre e feliz. É isso que tem acontecido ao longo dos ultimos 50 anos. Não consigo de facto dizer o mesmo de Rothbard, mas pode ser um problema meu na medida em que so li A Ética da Liberdade e alguns textos avulsos.

  12. Rúben Lopes

    Artigo certamente controverso. Na minha opinião, acho que não devemos andar aí as batatadas a ver quem é o mais libertário. Podemos concordar a discordar, mas não nos podemos levar por caminhos errados. O que interessa é que devemos estarmos unidos contra o marxismo, socialismo e o Estado (ou contra o Estado Gordo, se fores minarquista). Temos diferenças. Alguns minarquistas, uns são ancaps e outros são liberais conservadores; uns são religiosos, outros são ateus; uns são Austríacos, outros são Monetaristas; uns são republicanos, outros são monárquicos; e etc. No entanto, isso é extremamente irrelevantes perante as grandes semelhanças. Por isso é que apoio a formação do Movimento Libertário/Partido Libertário Português. Posso ser anarquista, mas sou pragmático e realista. Temos que usar o sistema contra ele. Temos a verdade do nosso lado e não podemos vacilar.

    Quanto ao artigo, o senhor usou o seu pleno DIREITO NATURAL. No entanto, está a fomentar divisões desnecessárias.

  13. rui a.

    «Quanto ao artigo, o senhor usou o seu pleno DIREITO NATURAL. No entanto, está a fomentar divisões desnecessárias.»

    Concordo, no essencial, com o que diz: que aquilo que nos pode unir em defesa do indivíduo, da liberdade e da redução do estado é mais importante do que divisões teóricas que possam existir. Todavia, se essas divisões forem excludentes, como ressalta do texto citado, em que um hayekiano é um esquerdista e um aliado do estado, torna-se necessário, a meu ver, denunciá-las. Porque não se pode dizer que se é liberal e, depois, excluir a torto e a direito quem honestamente (e fundamentadamente, o que é mais importante…) defende o liberalismo. E esta tem sido, infelizmente, a lógica do anarco-capitalismo dos últimos tempos: atacar o liberalismo clássico, em vez de se preocupar verdadeiramente com o estatismo. E isso, em minha opinião, vamos todos pagá-lo bem caro…

  14. Rúben Lopes

    “E esta tem sido, infelizmente, a lógica do anarco-capitalismo dos últimos tempos: atacar o liberalismo clássico, em vez de se preocupar verdadeiramente com o estatismo. E isso, em minha opinião, vamos todos pagá-lo bem caro…” – rui a.

    Certamente há pessoas que se exaltam, mas não acredito que haja constantes críticas por parte dos ancaps face aos liberais clássicos. Mas é irreconhecível que adaptando-se ao liberalismo clássico, muitos marxistas tornaram-se bernestinianos (defensores do socialismo reformista, também conhecido como social-democracia), adptando-se ao sistema e lixando o liberalismo clássico a pouco e pouco, transformado a democracia liberal em social-democracia. Este é um dos exemplos porque não sou a favor da democracia. Mas mesmo sim, retenho a posição da minha última mensagem.

  15. AA

    « E esta tem sido, infelizmente, a lógica do anarco-capitalismo dos últimos tempos: atacar o liberalismo clássico, em vez de se preocupar verdadeiramente com o estatismo. E isso, em minha opinião, vamos todos pagá-lo bem caro… »

    para os ancaps, o liberalismo clássico tem traços de estatismo – e tem, basta aceitar isso que não esvazia-se a conversa
    quanto aos liberais clássicos que preferem preocupar-se com os ancaps não obstante a suposta máxima que o que interesa verdadeiramente atacar é o estatismo… enfim.

  16. rui a.

    “Enfim”?
    Então há algum texto meu que não parta de ataques feitos ao liberalismo feito por ancaps? Ou agora podem dizer-se os disparates que nos vêm à cabeça sem resposta? O Hayek de esquerda? Tenha lá paciência…

  17. rui a.

    Ok. Então o raciocínio é: os liberais clássicos são estatistas, logo, devem ser a nossa primeira, segunda e terceira preocupação. Será mesmo só isto? Não haverá por aqui mais nada, eu diria, nada de evidentemente político neste despique?

  18. DavC

    Oh rui.a, por alguma razão ninguém liga a esta gente no debate público. Esta malta só serve para manter um onanismo intelectual auto-congratulante (passe a redundância)

  19. Pingback: esta «liberdade» vai sair-nos muito cara – 2 | O Insurgente

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