A sensatez fica para um destes dias (2)

A propósito da sensatez da  redução do SMN.

Para que fique também claro. O SMN constitui uma restrição à contratação uma vez que estipula um preço mínomo para o trabalho. Quem não puder/quiser pagar aquele preço não contrata. Tal como a imposição de preços máximos gera escassez a imposição de preços mínimos gera o não aproveitamento de recursos. Em suma, o salário mínimo gera desemprego. É claro que quanto mais baixo for o SMN menor o “estrago” provocado. E convém também ter em conta que dada a conjuntura económica com o PIB em contração o rácio W/PIB aumenta pelo que se jistifica ainda mais a redução ou (porque não) a eliminação do SMN.

Sobre os efeitos do SMN em Portugal ver este estudo (e os comentários de um dos co-autores). E mais este e este.

14 pensamentos sobre “A sensatez fica para um destes dias (2)

  1. O salario minimo tambem serve para limitar ou mesmo eliminar a concorrencia. Um exemplo gritante e’ o caso do Walmart, nos EUA e Canada.

    O Walmart paga aos seus colaboradores acima do salario minimo, mas existem concorrentes que pagam o salario minimo aos seus colaboradores. Entao, o Walmart faz lobby junto dos politicos mamas para que estes aumentem o salario minimo, por uma questao de “justica social”, dizem eles.

    Resultado? Um aumento do salario minimo, mesmo ligeiro mas ainda abaixo do que o Walmart paga, nao afecta absolutamente nada o Walmart mas pode ser suficiente para arrumar com os seus concorrentes, que poderao nao ser sustentaveis pagando esse salario mais elevado.

    E’ simples como a agua, mas ninguem parece ver.

  2. Pingback: Mais um sábio “crescimentista” | O Insurgente

  3. TC

    Pessoalmente considero que o eliminar do salário mínimo seria péssimo para um país como o nosso. Falando com conhecimento de causa, em meios mais pequenos cujos patrões têm uma mentalidade de empresários de vão de escada, era um fartote de exploração das pessoas. Haveriam muitos deles que pagariam 200€ de ordenado (e isto com alguma sorte) aos empregados e estes coitados continuariam a trabalhar mais de 50 por semana, alguns sem dia de descanso e as férias eram definidas quando o patrão se lembrasse.
    Poderemos argumentar que rapidamente não teriam pessoas a aceitar trabalhar para eles, mas durante pouco tempo porque “empresários” desses é 95% das empresas em muitos meios pequenos e as pessoas acabariam por ter de se sujeitar a trabalhar por um salário desses pois este era legal (imoral mas legal) e as pessoas não tinham outro tipo de rendimento…

  4. TC,
    No mundo sempre existiu, existe e existirao coisas que nos achamos “injustas”.. Ha-de haver sempre alguem que consideramos ter sido enganado, maltratado, “explorado”. Agora, o grande problema e’ que muitos pensam em acabar com as injusticas usando a forca dos politicos. E’ usando essa arma que os politicos convencem as pessoas que, sem a sua “accao directora”, esses mauzoes desses patroes, “porcos capitalistas”, explorariam “a classe trabalhadora” ate a exaustao. Isto e’ falso.

    O trabalho nao foge a lei da oferta e da procura. Se, hoje em dia, ha mais gente disposta a trabalhar do que empregos disponiveis, e’ perfeitamente normal que os salarios sejam mais baixos. Do mesmo modo, o custo de um posto de trabalho nao e’ apenas aquilo que o empregador paga ao empregado. Ha uma serie de custos impostos pelo estado mama que tem de ser pagos.

    A solucao do problema seria haverem mais empregos disponiveis do que pessoas dispostas a trabalhar. Isso sim, faz subir o preco do trabalho e os empregadores teriam de competir para manter os trabalhadores mais produtivos. A unica maneira de conseguir isso e’ atraves de uma forte reducao da carga fiscal e a eliminacao de regulacoes e monopolios que permitam uma mais facil criacao de emprego, incluindo a criacao do proprio emprego.

    Mas nao, o que se passa e’ o contrario. Muitos concordam que o estado mama controle tudo. Ainda ontem vi a noticia de uns pescadores de polvo no Algarve que foram forcados a pescar com cavala como isco em vez de caranguejo. Resultado? Estao a ter prejuizo. Um politico qualquer sentado no Terreiro do Paco resolveu que agora seria “bem” pescar com cavala em vez de caranguejo e tornou a coisa “lei”. E’ muito provavel que muitos pescadores fiquem desempregados. Porque e’ que os politicos tem de se meter no assunto?

    Um empregador e um empregado sao bem capazes de acordar sozinhos um salario que um esta disposto a pagar e outro esta disposto a receber. Nao sao precisos mandatos politicos para determinar esse salario.

  5. TC

    Caro Fernando, não estou a dizer o contrário e concordo inteiramente consigo. O estado mama demais e controla demasiado. Mas remover um limite mínimo para o vencimento que tem de pagar aos seus empregados, neste país e em muitas zonas é, a meu ver, uma péssima medida pois como lhe disse, muitos desses patrões não passam de empresários de vão de escada cujo único objectivo é receber o mais possível. A ideia que os trabalhadores fazem mais e melhor quando motivados não existe. Para eles, se o trabalhador não está a fazer o trabalho que acha suficiente obrigam a trabalhar mais horas e fazem pressão.
    A minha opinião continua a mesma, remover o SMN seria péssimo para grande parte dos trabalhadores deste país pois os empregadores iriam, na sua grande maioria (em determinadas zonas) reduzir mais de metade do ordenado dos trabalhadores, apenas porque assim ficavam com mais dinheiro no fim do mês e pagavam menos impostos.

  6. fernandojmferreira

    Caro TC,

    eu compreendo o que quer dizer e compreendo a sua preocupacao. Nao digo que a sua preocupacao nao e’ legitima e nao estou a tentar arranjar conflitos. O que estou a tentar dizer e’ que nao se consegue um mundo mais pacifico e justo com o uso da forca e imposicoes politicas de coisas que deveriam apenas dizer respeito as partes envolvidas correspondem ao uso da forca que os politicos tem de mandar e desmandar o que quiserem. E eles nem se movem por uma legitima preocupacao com as pessoas, eles movem-se apenas para conseguirem mais votos.

    Manter um salario minimo por decreto tem consequencias que nao sao vistas. Muitos concordam com o salario minimo porque os “beneficios” estao a vista, isto e’, acham que estao a proteger esses trabalhadores que, de outro modo, seriam “explorados”. O problema e’ que ha as consequencias do que nao e’ visto: ha pessoas que preferiam estar a ganhar 400 euros do que nao estarem a ganhar nada, porque estao desempregados. talvez pagando 400 euros, algumas empresas pudessem contratar mais pessoas, ja nao podendo faze-lo se tiverem de pagar 485 euros, ou la o que e’ o salario minimo. O salario minimo “preotege” os trabalhadores menos qualificados MAS QUE JA ESTAO EMPREGADOS e condena outros trabalhadores menos qualificados MAS QUE ESTAO DESEMPREGADOS de momento. Tambem e’ muito dificil para os adolescentes estudantes encontrarem trabalho nas ferias. Dificilmente uma cadeia de fast food paga salarios altos a pessoas cuja funcao e’ “flip hamburgers” e por a batatas a fritar.

    Eu acho que a melhor solucao e’ nao meter o bedelho. Deixem os interessados chegar a um acordo. Eles que acoredem o que um esta disposto a pagar e o que outro esta disposto a receber. Se chegarem a um acordo, surge o posto de trabalho; se nao chegarem a acordo, e’ porque o empregado acha que o empregador lhe oferece pouco ou o empregador acha que o empregado esta a pedir demais. Ambos querem ficar melhor do que estariam caso o posto de trabalho nao fosse criado. Todos fazemos isso na vida. Todos queremos vender mais caro do que compramos, ganharmos mais do que gastamos, ficar melhor do que ficar pior. Os empresarios fazem o mesmo mas sao diabolizados.

    Cumprimentos!

  7. vivendipt

    Nem contas de merceeiro sabem fazer
    Se uma família típica composta por cerca de 4 pessoas, em que 2 estão empregadas e 2 estão desempregadas e sendo o rendimento das 2 pessoas empregadas de 970 € teríamos uma média a dividir pelos 4 de 242,5 €.

    Com os 4 membros da mesma família todos empregados bastaria assim que o rendimento de cada membro fosse superior apenas a 242,5 € para que a família pudesse obter mais recursos ao fim do mês.

    Se cada membro ganhasse 300 € (não é uma meta impossível de alcançar), a receita da família subiria dos anteriores 970 € para os 1200 €, nada mais que um acréscimo de 230 € de recursos extra e os preços de mercado ainda iriam baixar pela pressão de baixa dos custos.

    Digam lá que não é muito melhor ter mais 230 €, do que ver por aí os socialistas a choramingarem por mais 15 € de aumento no salário mínimo para arredondar para o número redondinho de 500 €, que ainda dá como troco, pois é uma política inflacionária sem estar apoiada no aumento real de produtividade, uma subida dos preços do mercado e com grande probabilidade mais desemprego.

  8. TC

    Conflitos também não pretendo criar mas acho que este espaço é de discussão e por isso podemos abertamente expor o nosso ponto de vista. Eu também considero que o SMN é um impedimento para muitas empresas contratarem mais pessoas. Mas o problema da mentalidade de muitos patrões nacionais é que essa negociação fica “machadada” logo de inicio se for numa zona onde há maior desemprego e as pessoas não tiverem outro tipo de vencimento. Se uma pessoa estiver a tentar negociar um salário de 300€ para trabalhar numa superfície comercial de pequena dimensão mas o patrão souber que essa pessoa não tem qualquer tipo de vencimento propõe 150€ e a pessoa ou aceita ou então fica sem nada receber. Nestes casos, e infelizmente considero que Portugal tem muito disto, o empregador tem sempre vantagem…

  9. TC

    Quero apenas clarificar que não defendo o aumento do SMN. Nem perto disso. Tal como já vi publicado algures, acho que a melhor solução seria o SMN ser adaptado à região. E claro, uma autoridade que efectivamente actuasse em casos de abuso.

  10. fernandojmferreira

    Caro TC,

    mais uma vez compreendo o que quer dizer mas permita-me dar alguns contra-argumentos.

    A nocao de “valor” e’ uma coisa subjectiva. O que eu acho de valor, pode o meu amigo TC achar que nao vale nada e vice-versa. Cada ser humano valoriza tudo subjectivamente e quer obter a maior vantagem que puder obter na sua accao. Um empregador quer produzir o mais barato possivel e vender o seu produto o mais caro possivel; um trabalhador por conta de outrem quer trabalhar o menos tempo possivel e ganhar o maior vencimento possivel ou, caso o tempo seja fixo (tenha de sempre trabalhar 8 horas por dia, por exemplo), escolhe o emprego que lhe paga mais ou que lhe da mais do que ele mais valoriza. Por exemplo, eu posso preferir um trabalho que pague menos mas que esteja mais perto de casa do que um que pague mais mas esteja mais longe. As pessoas valorizam as coisas diferentemente e nao um que esteja “certo” e outro que esteja “errado”. E’ a minha valorizacao que esta em jogo aqui. Eu considero o que e’ melhor para mim e so eu sei o que e’ melhor para mim e nao um qualquer politico que sabe o que e’ melhor para mim.

    Isto para dizer que, nao existe mal num empregador oferecer um trabalho a pagar 150 euros a alguem que nao tem trabalho nenhum. Essa pessoa julgara por si mesma se prefere ficar com os 150 euros do que ficar sem nada. Para um qualquer politico, 150 euros pode ser um salario “miseravel”, mas para o trabalhador em causa, pode ser a diferenca entre ter o que comer ou um sitio para viver. Se nao for o caso, se o trabalhador achar que 150 euros nao lhe serve, entao nao aceita o trabalho. Se outros nao aceitarem e o empregador precisar de mao de obra, vai ter de aumentar a oferta. Se alguma outra pessoa aceitar, entao e’ porque essa pessoa valoriza mais os 150 euros do que zero euros.

    Repare, amigo TC, existe essa ideia generalizada e errada, na minha opiniao, que numa relacao economica entre duas pessoas a vantagem de um e’ o prejuizo de outro. Se alguem consegue enriquecer legitimamante, porque produz bens e servicos que agradam aos consumidores e estes, voluntariamente compram, e’ porque tem de haver alguem que, necessariamente, ficou mais pobre e, normalmente, pensa-se que sao os trabalhadores que trabalham para esse empregador. Isto nao acontece no capitalismo de mercado livre. Se duas pessoas concordam em comprar e vender algo, incluindo o trabalho. e’ porque AMBOS acham que ficam a ganhar se a transaccao acontecer. O empregador tem alguem a produzir para ele algo em que o empregador vai ter lucro e o trabalhador fica a ganhar porque qualquer que seja o salario que receba, vai ficar melhor do que estaria, caso estivesse desempregado.

    O problema resume-se a oferta e procura. Ha mais pessoas dispostas a trabalhar do que trabalhos disponiveis, logo, os salarios sao puxados para baixo e nao ha lei nenhuma que os politicos criem e inventem que puxe os salarios para cima. Caso houvessem mais empregos do que enpregados, os empregadores competeriam ferozmente pelos melhores empregados, oferecendo-lhes salarios altos e beneficios. E isto nao e’ teoria nenhuma. Ja aconteceu no pais onde vivo. Em 2006, a procura era tao grande que haviam pessoas a trocar de emprego 3 vezes por ano, dadas as ofertas disponiveis. Eram oferecidos salarios altos e as pesssoas aceitavam. Nao ouvi ninguem dizer que deveria haver para os trabalhadores por conta de outrem um “salario maximo nacional” ja que, neste caso. “os gananciosos dos trabalhadores” mudavam de trabalho porque lhes ofereciam mais dinheiro.

    Trata-se, portanto, de compreender porque existe x empregos disponiveis para x+y pessoas que querem trabalhar. O que ter de acontecer para haver mais emprego disponivel? A resposta e’ simples: Menos ou nenhuns impostos; menos ou nenhumas regulamentacoes; menos ou nenhumas leis idiotas que dificultam grandemente ou mesmo impossibilitam quem quer produzir, trabalhar ou criar o seu proprio emprego. menos ou nenhumas intereferencias de politicos em assuntos que so dizem respeito as partes interessadas.

    Os politicos e o poder do estado impedem que se crie mais emprego no mercado livre. Nao se pode esperar que seja o mesmo estado, o causador dos problemas, a ser a solucao.

  11. TC

    Caro Fernando, tão bem compreendo a situação descrita como eu próprio ficaria a pensar se me surgisse uma proposta melhor. Mas no meu caso eu sou um trabalhador qualificado, cuja oferta se mantém próxima da procura (programação informática). Mas a situação que lhe descrevi já a minha namorada passou por ela e eu sei que caso não houvesse um SMN ela receberia menos de 200€ apenas e só porque o patrão poderia pagar esse preço. E na zona em questão quase não existem ofertas de emprego. Eu sei que o SMN atrapalha muitas empresas que deixam de contratar mais pessoas porque simplesmente não conseguem suportar os custos e mantém pessoas desempregadas, mas nesta cultura que até conheço minimamente bem, passaria a haver uma total exploração por parte dos patrões. Não tenho a mínima dúvida de que se deixasse de haver o SMN na altura, o homem despedia todos os empregados para contratar novas pessoas por menos de metade do preço. Não que o negócio estivesse mal ou que tivesse dificuldade em pagar os vencimentos e respectivos impostos. Apenas porque no final do mês a conta pessoal dele estava mais recheada.
    Tal como disse, e eu também defendo, é que em vez de andarem primeiro a mexer no SMN baixassem os impostos sobre o trabalho (não só mas fiquemos pelo trabalho para esta discussão) mas que essa diminuição se reflectisse no ordenado dos trabalhadores. Desta maneira as pessoas ficariam com mais dinheiro no bolso e isso, não no imediato e possivelmente não na mesma proporção, acabaria por se reflectir nos impostos das compras que as pessoas acabariam por fazer.
    Menos impostos, menos regulamentação, menos “bedelho” do estado nos assuntos privados das pessoas e empresas seria uma das melhores coisas que este governo poderia fazer, não só para ajudar a economia do país como também para melhorar a satisfação dos portugueses. Mas, apesar das nossas diferentes visões, o eliminar por completo o SMN seria uma péssima ideia, que essa sim, poderia ditar o fim deste governo.

  12. Pingback: A asneira em 3D | O Insurgente

  13. Pingback: As vítimas das “boas intenções” (2) | O Insurgente

  14. Pingback: A vantagem de ter Mário Centeno no governo | O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.