Ainda sobre as contabilidades do 2 de Março

Intro. Para fechar de vez o assunto “2 de Março”, depois de fazer um sobre quantas pessoas de facto lá estavam, falta apenas fazer um sobre quantas pessoas disseram que lá estavam. E não é um assunto irrelevante, como diz este humorista de esquerda, pois este episódio ilustra bem até onde podem ir as manipulações de uma certa esquerda.

Cartaz. Para começar, no cartaz “oficial” que utiliza uma imagem de Istanbul, que até o Público reconheceu que estava a ser usada incorrectamente. Ainda por cima pela 2ª vez. E com difusão até lá fora (por exemplo).

Números. Mas depois vieram os números. O AAA e o Jorge Costa logo estranharam a contabilidade “oficial”, como aliás também já tinha sido feito em 2012. Paulo Gaião também achou grave. Mais do que diversos episódios como o da Jamila Madeira, estas disputas ridículas sobre números retiraram credibilidade à organização da manif. Quanto aos números, e se dúvidas ainda houvessem, o Ministério da Verdade (um nome usado por quem defende um Estado como o de 1984) publicou este vídeo para celebrar o dia: parece que nem no pico os organizadores conseguiram encher a praça de 30.000 m2. E depois há as sempre chatas imagens aéreas. 50.000 (cinquenta mil)? Não me parece.

Vejam só os m2 vazios à volta deste senhor:

E a escolha da música é mesmo para unir os Portugueses. Enfim.

Futuro. E o que fica deste dia? Daniel Oliveira espera um “terramoto”. É um optimista este rapaz. Dadas as opções do povo Português – e dada a alienação que a música provoca em muitos, eu incluído – não estou a ver a que tão cedo aconteça uma manifestação que seja mais do que um “estamos chateados pá” por parte da esquerda mais radical. E isso não é oposição. Oposição era ter um programa coerente e abrangente, focado em algumas ideias chave: menos PPP, menos % do PIB para a Defesa, menos Reformas Douradas, menos Privilégios para os do costume. Mas isso era pedir demais, não era?

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9 pensamentos sobre “Ainda sobre as contabilidades do 2 de Março

  1. JP

    “4 horas para acolher as centenas de milhares de manifestantes no terreiro do paço”

    Jornalismo Venezuelano.

  2. Ricardo C.

    Concordo com quase tudo o que o meu homónimo escreve, mas não consigo assumir que todas as pessoas que foram à manifestação eram de esquerda e ainda menos que tinham algum enquadramento partidário!

    O mundo nem sempre é a preto e branco. Aliás, na minha opinião, nem sequer é importante a contabilidade, pois conheço muitos liberais, dos verdadeiros, que embora não estivessem presentes, no essencial estavam de acordo com a manifestação.

    Eu sou de direita, liberal assumido, e não consigo ter qualquer simpatia por este governo que ajudei a eleger. Isto porque após o acto eleitoral contariou duas regras básicas:

    1- A primeira, intolerável para qualquer Homem com letra maiúscula, é que nos mentiram despudoradamente para serem eleitos!

    2- A outra, ligada à primeira, é que o projecto não-sufragado que estão a aplicar não dá mostras de ser melhor que aquele que levaram a votos.

    Aliás, não dá mostras de nada, ou de quase nada, aproveitando-se cada correcção das previsões erradas como justificação para vender monopólios a preços de amigo e para castigar apenas e só os que estão fora do manto de interesses ligados à partidocracia nacional. Tudo o resto parece navegar à deriva. Se nem têm a coragem ou capacidade para corrigir os erros mais crassos do Acordo Ortográfico ou sequer de moderar a actuação da “autoridade-de-costumes-e-bactérias” – que (vejam-se as estatísticas no próprio site) continua a levar empresas à falência, a causar desemprego, perda de impostos e perda de contribuições apenas por aplicar à letra e com punho de aço legislação mal transcrita ou mal adaptada à realidade nacional…

    Se nem conseguem mudar o que não teria custos e apenas benefícios para a comunidade e para a economia, o que poderemos esperar nas outras matérias?

    O descontentamento não é de esquerda nem de direita. É de um país indignado contra um projecto que nada promete de bom para todos aqueles, empresas ou cidadãos, que não estejam ligados aos partidos ou aos negócios com o Estado. Se a vida para os reformados e para os operários e camponeses pode ser difícil, torna-se quase impossível para quem é empreendedor, para um verdadeiro liberal que tem apenas como mais-valia a força do trabalho, a criatividade e a competência técnica. E um governo que consegue embuçar esta triologia, será tudo, tudo, menos liberal.

    E não compreender isso é brincar com o fogo. Mesmo que fossem apenas 10.000 manifestantes a exprimir o seu descontentamento por todo o país.

  3. Ricardo Monteiro

    Gostava de ver as imagens da organização a dizer que estiveram 800.000 pessoas no Terreiro do Paço. Mas não vou ver, porque isso foi uma invenção. Porque dava jeito. Mas a manipulação é um direito que lhe assiste. Qual é o cúmulo do centralismo? É dizer que LISBOA é o Terreiro do Paço.

  4. Note-se que eu não disse que tinham enquadramento partidário.

    Quanto a serem de Esquerda: por muito que haja muitas pessoas de direita tristes com o governo – que há! – o modus operandi, a música escolhida e a instrumentalização dos manifestantes pela organização com um discurso claramente de esquerda praticamente garante que a grande maioria das pessoas envolvidas no 2 de Março fosse de esquerda.

  5. Ricardo G. Francisco

    Ricardo CM,

    DE facto não garante nada sobre a filiação ou orientação ideológica das pessoas. Porque as pessoas não têm alternativas para dar largas à sua indignação. Parece que liberais não têm muita vontade de se organizarem.

  6. Jose

    O que é pena nestes casos é sempre o aproveitamento miserável que a esquerda faz destas manifestações, como se não fossem eles responsáveis pela situação a que se chegou. Esta manifestação deveria ter tido 5 milhões de participantes, contra a esquerda e a direita, contra o sistema que levou o pais à ruína.

  7. O post faz uma síntese perfeita, com a qual concordo completamente!
    Acrescento ainda que a ânsia da “contagem de cabeças” surge quando alguém à viva força pretende convencer que a manif. foi maior que a anterior e assim “provar” que existe um “movimento crescente” de oposição “popular” ao “sistema” e à governação. Nessa lógica, esta teria sempre que ser uma manif. mais expressiva, com mais adesão, mais “festa” e mais gente… Para esses não importam factos nem clareiras. Importa apenas “cumprir” os seus sonhos de fantasia “revolucionária”!
    Não voltará a haver manifestações com as mesmas pretensões. A dúvida e o esgrimir de argumentos e números tornou evidente que a manifestação de 15 de Setembro foi um fenómeno singular. Foi genuína e merece respeito. Foi um alerta que, infelizmente, não foi entendido por quem governa, quando cada vez se torna mais evidente a desarticulação da agenda governativa (como por exemplo, primeiro “abater” a economia e só depois tentar reformar o Estado…).
    A partir de agora, próximas tentativas de “recriar” o 15 de Setembro serão manifestações dum certo “produto branco” que o BE e a “esquerda” florida vai orquestrando enquanto expressão anímica do “nosso” problema, mas que em nada contribuiu para a solução.

  8. Pingback: Continua a mistificação | O Insurgente

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