Mudança política exige uma mudança cultural anterior

Enquanto não houver uma mudança cultural que permita à sociedade portuguesa perceber que a mentalidade de que cabe ao estado ser o grande agente social (político, econômico, cultural, etc.) é a origem da falência do país, não adianta esperar que um governo à esquerda ou à direita dê jeito na crise actual (se é que existe uma direita portuguesa capaz de forma um governo).

Esperar que um ambiente cultural e político como o de hoje em Portugal possa permitir o florescimento de políticos à esquerda ou à direita que pensem diferente do resto da sociedade, e que, uma vez no poder, sejam capazes de resolver o problema, é retomar a velha crença do retorno de D. Sebastião.

(Isto, claro se se acredita que uma mudança substantiva passe artificialmente pela política e não pela sociedade).

O mesmo vale para o Brasil.

7 pensamentos sobre “Mudança política exige uma mudança cultural anterior

  1. fernandojmferreira

    A politica e os politicos sao as causas dos problemas e nunca poderao ser a parte da solucao.
    Politicos de esquerda, politicos de direita, politicos do centro, dos lados, das pontas: sao todos socialistas!!!

  2. vivendipt

    Idealismos…
    Com todos estes desfiles a exigirem mudanças de políticas e de políticos, fica sempre a dúvida:
    Mas mudar para onde? Apostar em que políticas?

    E como já referiu o Vazelios, ouvindo os manifestantes (festivaleiros), a pobreza franciscana das ideias do pessoal entrevistado é enorme. É mesmo de fugir.

    Mas enquanto que toda esta massa de gente chega às 18.30 e decide regressar a casa, outros há que ficam, refletem e organizam a próxima manifestação, e esses, meus caros, são exatamente aqueles que fomentam e semeiam as ideias fáceis na população.

    As suas soluções são apelativas:
    Que se lixe a troika
    Demissão do governo
    Acabar com a pobreza
    Acabar com a miséria
    Acabar com este governo e meter lá outro (Qual?)
    Acabar com o desemprego
    As pessoas não são números, etc, etc

    Soubessem eles quão difícil é fugir da miséria e gerar riqueza PELOS SEUS PRÓPRIOS MEIOS, sem heranças nem cunhas, e não andavam a propalar ideais fáceis de entrar no ouvido.

    A julgar pelo que dizem na televisão, só posso considerá-los idealistas no mau sentido do termo.

    Pseudo-Idealistas inteligentes que sabem muito bem retorcer as ideias e apresentá-las de bandeja, sem mácula, prontas a servir a quem queira ouvir e se sinta revoltado com o que se está a passar.
    Com esta conversa da treta acabam por conseguir cativar todos aqueles e aquelas que se sentem perdidos e que procuram desesperadamente uma âncora.
    Soubessem eles a realidade que esta conversa mole esconde e fugiriam mais depressa deles do que de Passos Coelho.

    O problema destes idealistas é que se focam demasiado no que está mal no sistema vigente e idealizam o que de diferente poderia ele ser. Esquecem-se do que está bem e deve ser mantido.

    Pseudo-Idealistas tivemos no 25 de Abril, que deslumbrados com ideais estrangeiros, quiseram aplicá-los aqui, fazendo tábua rasa ao que já havia de bom ou então silenciando e apropriando-se do mérito do que já vinha de trás.

    Os pseudo-idealistas, como qualquer homem que sonha demais e vê de menos, escapa-lhe o que de bom o mundo já tem, e só pensa no que de mau tem, e de como poderia ser muito bom, bastando para tal irem eles lá para o poder.

    O idealismo exacerbado e míope colide com a força da realidade, e o que acaba sempre por acontecer depois é que o futuro nunca se desenrola como o tínhamos imaginado, e quanto mais o imaginamos à nossa maneira, mais os resultados são diferentes do que se esperaria.

    Idealistas ignorantes temos hoje aos pontapés:

    – Idealistas na política que prometem uma coisa mas depois a realidade afinal não lhes deixa fazer o que queriam.

    – Idealistas nas relações amorosas que acham que a pessoa que conheceram recentemente é muito melhor do que o parceiro(a) que já têm. Depois “provam” e afinal não é aquilo que julgavam ser.

    – Idealistas nas empresas que acham que o novo fornecedor desconhecido será sempre melhor do que o fornecedor que é leal há anos.

    Enfim, o idealismo não deixa de ser um vício de raciocínio, baseado na nossa ignorância, em que apenas nos focamos numa parte da questão, a que nos interessa, e deixamos o resto de fora, como se não existisse.

    E normalmente os idealistas só são idealistas porque vivem BEM, queixando-se sempre de tudo.
    Há aquele exemplo clássico de que só valorizamos a saúde quando estamos doentes.
    Pois quem padece de doenças e tem que se agarrar à vida com todas as forças, dificilmente é idealista, porque valoriza o que de bom a vida tem, e nada desperdiça, sobretudo em assuntos que não levam a lado algum.

    Os ideais simplistas que vemos hoje serem defendidos na rua deveriam primeiro ser ensaiados num pequeno laboratório social, e depois dos resultados logo veriam o que lhes calhava na rifa. Acabavam-se logo os idealismos fáceis.

    Para se ser um idealista a sério é preciso conhecer muito da história dos povos e muito do perfil intelectual do ser humano. Só depois de juntar muitas peças do puzzle é que o nosso idealismo pode ter alguma colagem à realidade.

    Ser idealista só porque não gosto do prato que me põe à frente não é idealismo, é excesso de presunção e défice de vida.

    Insinuações, difamações, registos humorísticos e lugares comuns são mais que muitos.
    Mas ideais realistas que apelam à lógica das coisas, nem vê-los! (até porque nem cabem num cartaz)

    Tiago Mestre

    http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/03/idealismos.html

  3. josé M

    Bruno, estou inteiramente de acordo só que ao longo destes quase 900 anos que Portugal leva ainda não se encontrou outro grande agente social que não fosse o estado. Estou aliás convencido que se esse “Dom Sebastião” existisse já Portugal tinha acabado como nação há muito tempo. Mas como a utopia é a semente da mudança, não desista nessa busca pela verdade…

  4. murphy

    Mas alguém ainda tem dúvidas que este é um país socialista?!

    A “direita” só chega ao governo quando os resultados dos governos socialistas – 3 X em bancarrota, nos úlltmos 30 anos – são demasiado evidentes, fazendo com que a comunicação social e o “povo”, sejam obrigados a olhar para as outras alternativas. Mas as suas convicções ideológicas permanecem as mesmas…

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/portugal-lisboa-e-o-resto-do-pais-1.html

  5. JP

    “4.Mas alguém ainda tem dúvidas que este é um país socialista?! ”

    Portugal é um país comunista do género envergonhado, escondido atrás do PS.
    Não tem as mínimas condições para mudar, senão para pior.
    Portugal tem problemas muito graves na área do combate ao combate à corrupção, a começar pelo pior local. E acha que não.

  6. Comunista

    Murphy

    Nos anos 80 o FMI veio no seguimento do governo dos seus amigos da AD. É estranho que o seu zelo (da treta) pela verdade não mencione este dado.

  7. Sérgio

    Uma mudança de mentalidade dessa ordem na sociedade portuguesa é praticamente impossível… Enquanto a UE e o FMI nos financiarem!

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