«Las devaluaciones internas pueden ser crueles. Pero si algún país cree que va a ser demasiado, se puede salir del euro.» Com um P.S.

Hans Werner Sinn

A entrevista de Hans Werner Sinn ao El Pais é de leitura obrigatória. A ironia do homem é uma espécie de ironia socrática. Provoca. Faz-nos pensar. Ou devia. Se estamos a caminhar para algum lado. Se vamos a algum lado. Se podemos ir a algum lado, sem mudar de mapa. E de viagem. O que é penoso na discussão política é que as alterantivas nunca são ponderadas. O mais que se consegue são coisas vagas, emotivas, descabeladas, têm mesmo de ser muito vagas, porque não são nada, do género, voltar para trás, ao passado, interromper a cura, que está a ser muito dolorosa, na suposição mesmo de que fizemos qualquer coisa de remotamente semelhante a um início de processo de cura, pedir aos outros, ao alemães «paranóicos da inflação», que inflacionem, ou mesmo criar um país para salvar o euro. Ele põe-nos a ponderá-las. Ou deveria pôr. Da entrevista, que aconselho, destaco:

En la zona euro la austeridad es inevitable. Es un proceso extremadamente difícil, pero no hay alternativa. Algunos querrían menos ajustes. Lo entiendo. Pero menos austeridad supondría menos sufrimiento ahora a cambio de más dolor en el futuro y de aumentar el riesgo de ruptura del euro. No hay que hacerse ilusiones con el dolor que viene. Será duro. Las devaluaciones internas pueden ser crueles. Pero si algún país cree que va a ser demasiado, se puede salir del euro.

A isto, devemos atender.

Mais importante, muito mais importante do que a entrevista é o trabalho científico que está na base das suas declarações. É esse que quem puder deveria ler com muita atenção, antes de se pôr de caçadeira mental aos tiros ao alemão desmancha-prazeres. Retiro com a devida vénia um quadro que sintetiza muito bem o que está pela frente, e o que já foi conseguido em matéria de competitividade, o núcleo do problema: no caso da Irlanda, o que era necessário; no caso de Portugal e dos restantes países do ajustamento, praticamente nada:

Hans Werner Sinn taxa de câmbio realA redução dos custos unitários só tem significado, para o que interessa, se se traduzir numa alteração dos níveis de preços, e falta-nos uma desvalorização interna da ordem dos 30%. Porque fez a Irlanda e como o fez? Porque não fizeram os outros?

A pergunta e a resposta tentativa de Hans Werner Sinn:

Why did Ireland succeed in cutting its relative prices, while the other crisis countries failed? The answer seems to be that Ireland’s bubble burst already in 2006, while the other countries lurched into their respective crises after the Lehman debacle in autumn 2008. Whereas Ireland had to help itself by instituting wage and price cuts, the other crisis-stricken countries preferred to have their financial problems solved by collective rescue operations via the ECB, EFSF and ESM. Ireland later also benefited from these operations, but it remains the only country that has managed a sizeable real depreciation.

Boas leituras.

P.S.: as desvalorizações internas necessárias para a competitividade externa não são possíveis com o actual nível de endividamento, que aumentará na sua razão directa, tudo o resto igual. Pelo que retiro do trabalho de Hans Werner Sinn a demonstração more geometrico de que o ajustamento é inconsistente. O que favorece – agora – a reposição da competitividade agrava ipso facto – agora – o problema do endividamento. Infelizmente, vai-se para o futuro com o passado às costas e, o que é mais, com um fardo que muda (aumenta) de peso a cada passo em frente.

38 pensamentos sobre “«Las devaluaciones internas pueden ser crueles. Pero si algún país cree que va a ser demasiado, se puede salir del euro.» Com um P.S.

  1. JS

    Importante. Os números estão certos. Mas a massa humana não é a mesma.
    O que aconteceu na Irlanda é, foi possível, porque o povo Irlandês, os “leaders” irlandeses, a cultura prevalente na Irlanda, é bem outra.
    Nos antípodas, em Portugal qualquer comenda de cortiça, ou “prato de lentilhas” alimenta egos secularmente inebriados, ou atemorizados, por hierarquias religiosas e políticas.
    “Estamos” todos a sacrificar-nos, soa a hipocrisia em S. Bento ou em certos, outros, lugares “santos”.
    Soa mais genuíno nas ruas. E soa triste por esse País fora.

  2. Luís Lavoura

    Não entendo por que é que ele diz que Portugal necessita de uma desvalorização interna quando já hoje a balança externa portuguesa está, grosso modo, equilibrada.
    Além disso, ele fala muito daquilo que os “países do Sul” necessitam, mas muito pouco daquilo que a Alemanha necessita: uma revalorização interna que equilibre a sua balança externa. Nomeadamente, se o governo alemão cobrasse um imposto sobre as exportações, ou aumentasse as contribuições para a Segurança Social, aplicando o dinheiro assim obtido num fundo para precaver o aumento da idade da população alemã, isso ajudaria bastante.

  3. Luís Lavoura

    O postscriptum do Jorge Costa é importante, e significa que os alemães devem dizer adeus ao dinheiro que os seus bancos investiram nos “países do Sul”. Coisa que, naturalmente mas infelizmente, Sinn também se esquece de dizer. Porque é impossível os “países do Sul” andarem para a frente carregndo um peso cada vez maior atrás, decorre que um default mais ou menos abrangente se tornará necessário.

  4. Rui

    O artigo não é nada de especial. Não toca no cerna da questão que são os haircuts que a divida externa terá de sofrer, ou seja, a austeridade da parte dos credores…

    Quanto à “suposta” desvalorização da Irlanda, deixo-vos a seguinte informação:
    These are the minimum rates of pay in Ireland for 2013
    Experienced adult worker €8.65 per hour
    Over 19 and in 2nd year of first employment €7.79
    Over 18 and in first year of first employment €6.92
    Aged under 18 €6.06 per hour
    Trainees:
    Employee aged over 18, in structured training during working hours
    1st one third of course €6.49 an hour
    2nd third of course €6.92
    3rd part of course €7.79

  5. Jorge Costa

    A balança externa está equilibrada. Depois de uma queda acumulada do PIB de 8%. A queda do investimento explica na íntegra o equilíbrio obtido. https://oinsurgente.org/2013/02/27/o-ajustamento-em-curso-explicado-em-dois-segundos-e-meio/. Os actuais níveis de investimento não repõem sequer o stock de capital na economia. https://oinsurgente.org/2013/02/15/nao-vale-a-pena-fingir-que-temos-solucoes-a-mao-para-o-problema/ comprometendo a capacidade futura de crescimento. De modo que o equilíbrio obtido não é nem económica nem socialmente sustentável.

  6. Fernando S

    Luís Lavoura — Março 4, 2013 @ 15:23 :
    “Não entendo por que é que ele diz que Portugal necessita de uma desvalorização interna quando já hoje a balança externa portuguesa está, grosso modo, equilibrada.”

    Grosso modo, a balança externa é o reflexo da balança financeira externa do pais (e inversamente).
    As dividas acumuladas, publica e privada, correspondiam a uma situação em que o pais consumia e investia mais do que produzia, adquirindo bens a crédito no exterior.
    Este processo tornou-se insustentavel, esgotou-se. Agora é preciso reembolsar a divida acumulada.
    Reembolsar corresponde, sempre grosso modo, a mandar para o exterior mais bens e serviços do que aqueles que se mandam vir do exterior. Ou seja, trata-se de acumular saldos positivos da balança externa. Foram anos a acumular divida externa. Agora, para reequilibrar as contas, são necessarios anos e anos de excedentes.
    O problema é que, como refere o Jorge Costa, neste momento o potencial de melhoria da balança externa em resultado duma inevitavel politica de austeridade (menos importações para consumo e investimento ; empresas obrigadas a compensar a insuficiencia do mercado interno através dum esforço maior na exportação) esta-se a esgotar. Este meio de reequilibrio não pode ser acentuado e prolongado eternamente. Também ele é insustentavel a prazo.
    Assim sendo, torna-se indispensavel um choque de competitividade.
    E aqui entra a necessidade duma desvalorização interna. A que tem vindo a acontecer nos ultimos 2 ou 3 anos é ainda muito insuficiente.

  7. Joaquim Amado Lopes

    Luis Lavoura (2),
    “aquilo que a Alemanha necessita: uma revalorização interna que equilibre a sua balança externa”
    Pode explicar como é que isso beneficiaria a Alemanha?

  8. Jorge Costa

    Sim. Descer os preços relativos. Relativos aos pareceiros comerciais. Deflacionar se os parceiros não fizerem o mesmo.

  9. Fernando S

    São sobretudo os preços que de algum modo determinam o nivel de competitividade face aos parceiros e concorrentes comerciais. Concretamente, e nomeadamente : o custo do trabalho, diversos custos de contexto, o custo do financiamento, margens rentistas, etc. A descida destes preços deve resultar dos mecanismos de mercado, da maior liberdade e concorrencia nos diversos mercados de factores e auxiliares de produção. O papel dum governo avisado é o de criar as condições institucionais que favorecem esta maior liberdade e concorrencia.

  10. silver

    Se os preços descerem é benefico para a economia e consumidores, concordo.Uma ressalva: o custo do trabalho, ou seja, os salários devem ser aqueles resultantes da aportação de cada trabalhador, ou seja, decididos pelo mercado,.Isto é, quanto mais fizer x, mais x devo ganhar.
    Adenda: também seria benefico o estado não taxar tanto os rendimentos

  11. Luís

    Na Irlanda a renda de uma moradia com 5 quartos fica por 400 euros. E arranja-se um T2 razoável por menos de 250 euros fora de Dublin. Em Portugal uma moradia em boa parte do país, com 5 quartos, nâo fica por menos de 750 euros. E não se encontra um T2 abaixo de 400 euros. Aliás, na Irlanda é possível arrendar um T0 por 150 euros. No Porto ou em Coimbra não ficam por menos de 300 euros.

  12. Luís Lavoura

    Joaquim Amado Lopes,
    pode não beneficiar a Alemanha, mas esta também deverá contribuir para equilibrar a situação da Europa.
    Além de que beneficiaria os alemães mais pobres, que atualmente têm uma proteção social muito escassa.
    E eu estou apenas a seguir o raciocínio do sr Sinn. Ele é que afirma que a Alemanha tem que fazer uma revalorização interna da ordem dos 20%. Eu sugiro que uma forma de o fazer seria através de um imposto sobre as exportações – que não prejudicaria o povo alemão.

  13. Luís Lavoura

    Fernando S

    neste momento o potencial de melhoria da balança externa em resultado duma inevitavel politica de austeridade (menos importações para consumo e investimento ; empresas obrigadas a compensar a insuficiencia do mercado interno através dum esforço maior na exportação) esta-se a esgotar

    Não me parece. Por um lado, o consumo em Portugal ainda é claramente excessivo (veja-se o consumo de carne, por exemplo, muito acima do que era usual nos anos 1970). Por outro lado, as empresas portuguesas ainda têm imenso mercado externo para conquistar. Imenso, e cada vez mais – veja-se o desenvolvimento da África e da América Latina.

  14. Rb

    Desvalorização interna é um pecado nas actuais circunstancias. Um pecado de lesa-privados. O verdadeiro problema do país não são as contas orçamentais. Não. O verdadeiro problema do país é o endividamento PRIVADO e o defice de performance empresarial medido no peso das exportações no PiB.
    .
    Um dos motivos pelos quais desvalorizar é um pecado é, desde logo, porque reduzir salários não melhora a capacidade de reembolso dos privados junto dos seus credores. Pelo contrario, agrava-o. E sabemos que o endividamento dos privados é dos maiores do mundo todo.
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    Depois, é um pecado porque desvalorizar salários não provocou um aumento da produtividade. Pelo contrario. A redução de salários foi mais do que compensada pela diminuição do PiB. A produtividade é um rácio com duas variáveis.
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    Em terceiro lugar, a desvalorização interna não provoca uma deflação generalizada dos preços essenciais, isto é dos custos de contexto. Pois, o preço da energia continuará a não depender de nós. O preço das materias primas e subsidiarias continuará a não depender de nós já que somos e seremos importadores liquidos desses bens.
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    Em suma os custos de contexto mais relevantes, a energia e materias primas, que se revelam no preço desses bens, não descem em proporção com a descida nos salários. Torna-os, isso sim, mais caros em termos relativos, inibidores, portanto, do investimento.
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    Por outro lado, verificamos duas coisas: 1) Inves de investimento, ocorreu um desinvestimento no país. Inves de afluir dinheiro externo para investimento, verificou-se que saiu mais dinheiro para investimento no exterior. 2) que não ocorreu processo algum de substituição de importações.
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    Este ponto é muito importante para verificarmos que a redução de importações é nominal e inconsistente. A prova disso é que mesmo tendo aumentado as exportações, as importações de materias primas e subsidiarias diminuiu, quando deviam ter aumentado. Quando as importações destes bens que incorporam o processo de fabrico aumentarem eu ficarei muito feliz, porque é sinal que a produção industrial está finalmente a aumentar.
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    Por outro lado, a descida das importações de produtos acabados ou de consumo tambem é nominal e inconsistente e regressará em força a qualquer momento de abertura crediticia. Espero não voltarmos ao mercado tão cedo, ao contrario do que pensa o governo. E porque é que vai voltar. Por um motivo simples. Os bens duraveis relevantes continuam a fazer falta e estão cada vez mais velhos. A idade média do parque automovel portugues é neste momento de 13 anos. As empresas (e particulares) não devem poder aguentar muito mais tempo os ‘chaços’ que tem. Por outro lado, a Capacidade Instalada na industria para exportação está perto dos limites. Mais exportações deve significar mais importações de maquinas.
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    Portanto, a balança comercial está a consolidar-se com cuspo. Da forma mais anti-economica disponivel. A ideia foi simples e idiota que basta: retiramos rendimento aos agentes economicos para eles não terem meios de adquirir bens importados. Pronto está resolvido o defice comercial. Parabens. Mas continuamos a precisar de energia, de maquinas de materias primas, de produtos subsidiarios, de automoveis, de televisões. Não substituimos, nem tomamos medidas que convidem os privados a substituir importações. Nada disso.
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    Existe alguma proposta ou concurso lançado para evitar a importação de 12 mil milhões de euros em energia????
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    Não não há. Mas podia haver. Por que carga de agua gastamos aquele valor em energia e não lançamos licenças para explorar um central nuclear? ou porque é que não acompnhamos alguns paises de leste e os EUA na exploração do Shale-Gas??
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    Estamos à espera de quê? Que venha o pai natal e coma o coelhinho?
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    Bolas.
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    Ricciardi (Rb)
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  15. Rb

    Por outro lado, devo testemunhar, já que estive fora do país, durente 5 anos, aonde importava de Portugal vários milhoes de euros, que as exportações portuguesas se tem efectuado à custa de uma redução violentissima nas margens de comercialização. A violencia era tanta que eu me dava ao luxo de exigir descontos de 40% e jogar com os diferentes fornecedores portugueses. Só quando eu percebia que eles já só tinham uma margem de 5% é que descansava na negociação.
    .
    Os fabricantes portugueses estão praticamente a DAR a mercadoria. Não duvidem disso. Aceitam tudo para sobreviver. O próximo passo desses fabricantes que exportam (aliás já o estão a fazer) é sair rápidamente de Portugal. Instalar as fabricas noutros locais aonde a energia, as materias primas, os custos salariais, impostos etc possam acomodar uma maior margem comercial.
    .
    Nada justifica existirem fabricas em Portugal. Nem em termos fiscais, nem em termos de beneficio nas margens. O que ainda vai prendendo os empresários ao país é a nacionalidade e a pequenez dos negócios que ainda não justifica sairem a par de estarmos num espaço economico comum para aonde vão 70% das exportações. Ora, estando este mercado europeu a reduzir a procura, o mais natural é se tente negócio para fora da comunidade europeia. Estando isso já acontecer, é expectavel que o movimento de deslocalização acompanhe, pois, esta dinamica. Cada vez menos temos razões para manter os negócios em Portugal.
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    Os alemães deviam evidentemente aumentar a procura interna. Para seu próprio bem. Com toda a pujança alemã, com toda a dinamica empresarial, na prática eles tem umas continhas publicas miseraveis. Se uma crise nos paises periféricos coloca a Alemnha em crescimento ZERO, ou perto disso, o aprofundar da crise nos mesmos paises não augura nada de bom para a Alemanha.
    .
    O que o tal Hans diz é precisamente isso. A Alemanha está a BENEFICIAR de ter uma moeda (o EURO) muito baixo. Os beneficios que a Alemanha tem em estar na zona Euro seriam semelhantes aos beneficios que Portugal teria fora dela.
    .
    Fora da zona euro, pressupondo que o Marco valorizaria, em função da balança de transacções alemã, cerca de 30% relativamente ao Euro, a competitividade germanica esgotar-se-ia num ápice. As contas publicas iriam por arrasto. Convém, assim, à alemanha aumentar o consumo interno. Pode fazê-lo de forma inteligente. Mas isso é com eles.
    .
    Não proponho, longe disso, desvalorizações competitivas. Nada disso. Mas proponho que a cotação da moeda estja em perfeita harmonia com a economia de cada país em função de várias coisas incluindo a balança de transações correntes.
    .
    Não vejo, assim, possibilidade de se poder continuar na zona euro. Ganhar produtividade por via da deflação (salarios e alguns preços) e perde-la por via (socializante) da cotação da moeda, não faz sentido algum.
    .
    Se os alemães não querem aumentar o seu consumo junto dos país perifericos, a única forma que temos de eles nos comprarem é regressarmos a uma moeda que reflecta exactamente a nossa real produtividade.
    .
    Ricciardi (rb)

  16. E voltamos ao âmago da questão. A esquizofrenia de ter uma moeda única para países que estão em fases de convergência económica completamente distintas, com culturas e línguas distintas. Asneirada esta de termos entrado no Euro naquilo que não é, e dificilmente será, uma verdadeira federação de Estados.

    E os EUA funcionam não porque a Federão tenha sido decretada — neste caso, esgrimida com sangue —, mas porque os estados são, mais para o mais do que para o menos, homogéneos. A emigração entre Estados é diária, não existem barreiras linguísticas e as barreiras culturais são quase inexistentes.

    Pessoalmente, a existência do Euro obriga-nos a um ajuste real — temos de aumentar a nossa produtividade para sermos competitivos. A questão é se Portugal conseguirá de forma consistente implementar as reformas estruturais que se lhe exigem. Tenho sérias dúvidas sobre isto. Ainda assim, dá-me alguma tranquilidade que Portugal não possa exercer política monetária…

  17. Luís Lavoura

    Eu tenho para mim que esta propaganda a favor da desvalorização interna (= abaixamento dos salários) reflete mais uma preferência ideológica de quem a faz do que quaisquer dados objetivos sobre a economia.
    No caso português, está mais que demonstrado que os salários não perfazem mais do que um terço do preço dos produtos exportados, pelo que uma redução, mesmo que deveras brutal (10%), desses salários dificilmente afetará muito (3%) esse preço. Além de que, no mundo atual, pretender que Portugal compita sobretudo em termos de preço é ridículo.
    Ainda ontem Paulo Portas andou a impingir azeite português aos indianos, e o ministro indiano foi claro em dizer que se pretende incentivar o consumo de azeite na Índia devido a ser uma gordura mais saudável – jamais por ser uma gordura barata.

  18. Não se iluda Luís Lavoura. Comparemos Portugal com França. Eles ainda se aguentam porque o que eles produzem é de valor acrescentado. É o grupo LVMH, L’Oreal, perfumes, óleos, cremes e champôs, é a Airbus, a Bombardier, a AXA, a JCDecaux, a Michelin, a Peugeot/Citroen, a Renault. Daí que não precisem de baixar salários — afinal, só a Louis Vitton vende Louis Vitton. Pegar ou largar.

    Já Portugal exporta maioritariamente produtos indiferenciados ou de baixo valor acrescentado. O nosso vinho é óptimo mas não compete em reputação com o vinho francês. As nossas azeitonas são boas, mas não compete em reputação (nem em quantidade) com o azeite italiano ou espanhol. Os nossos sapatos são porreiros mas temos de usar marcas que se pareçam italianas para vendermos mais.

    Ou seja, a não ser que num futuro muito próximo Portugal se transforme e comece a produzir produtos de valor diferenciado e acrescentado, só temos um caminho. O da desvalorização interna. E isto é teoria económica sólida, doa a quem doer.

  19. silver

    Mario Amorim Lopes, a melhor orientação para os produtos é mesmo a qualidade.É esta que deve ser incentivada em primeiro lugar e não o preço.Se os outros paises são capazes de fabricar produtos com alto valor acrescentado, então é isso que temos que fazer.Ou seja, se o vinho e azeite não têm reputação, então temos que trabalhar no sentido de aumentar a sua reputação e qualidade.E diga-se de passagem que o nosso azeite e vinho são muito melhores que os espanhois e italianos

  20. Mas isso não se faz no curto prazo, silver. A reputação demora anos, senão décadas, a conquistar. Outra solução de médio e longo prazo é o investimento em capital humano.

    A solução de curto prazo é, contudo, só uma — a desvalorização interna.

  21. Fernando S

    Luís Lavoura — Março 5, 2013 @ 09:51 :
    “o consumo em Portugal ainda é claramente excessivo”

    Concordo. Por isso é que ainda é tempo para austeridade. E por isso é que a desvalorização dos salarios vai no bom sentido, no dos ajustamentos necessarios.

    Luís Lavoura :
    “as empresas portuguesas ainda têm imenso mercado externo para conquistar.”

    Concordo. E também mercado interno (substituição de importações e reactivação de actividades mais tradicionais). Mas para o conquistar teem de ganhar competitividade face ao exterior.

    Não perder de vista que Portugal precisaria de ter excedentes comerciais durante varios anos. Para isso não basta a austeridade actual. Nem esta pode ser eterna. As empresas portuguesas teem de ganhar competitividade. Estruturalmente, a longo prazo.

  22. silver

    o consumo em Portugal ainda é claramente excessivo”
    O consumo é o que cada um de nós quiser, o que cada um de nós poder , a quantidade é subjectiva.Mas é verdade que os preços teem de baixar.Como também é que a competitividade tem de ser conquistada também através do aumento da qualidade do que se produz.Oiço muita opinião especializada no exterior elogiar o nosso peixe.O nosso vinho.Os nossos sapatos estão na moda.
    Há vários factores ,e não tem que passar só no preço

  23. Joaquim Amado Lopes

    Luis Lavoura (2): “aquilo que a Alemanha necessita: uma revalorização interna que equilibre a sua balança externa”
    Luis Lavoura (13): “pode não beneficiar a Alemanha, mas esta também deverá contribuir para equilibrar a situação da Europa.”
    Ou seja, o que a Alemanha necessita é algo que “pode” não a beneficiar mas algo que “deve” fazer para ajudar outros.

    Não sou alemão mas, se fosse, respondia-lhe: somos (os alemães) mais do que capazes de decidir por nós próprios o que é melhor para nós; preocupem-se em resolver os vossos problemas e, caso precisem de ajuda, peçam-na; não venham é exigir que sejamos nós a resolver os vossos problemas, principalmente quando fazem manifestações com “1,5 milhões de participantes” a exigirem mais do mesmo que os causou.

  24. Fernando S

    Luís Lavoura — Março 5, 2013 @ 12:04 :
    “no mundo atual, pretender que Portugal compita sobretudo em termos de preço é ridículo.”

    Ridiculo foi ao longo de muitos anos ter acreditado que o modelo economico portugues deveria assentar sobretudo em “qualidade”, “novas tecnologias”, “marketing”, “investigação cientifica”, “diplomas universitarios”, “salarios altos”, e outras ilusões do género. Os produtos portugueses deixaram de ser competitivos sobretudo porque deixaram de ter bons preços. Porque os custos internos subiram enquanto baixavam algures. O nivel salarial é certamente uma das componentes do preço. Não é a unica. Mas é importante. Ridiculo é pensar que o déficit de competitividade em Portugal não tem a ver com custos e preços !

  25. Fernando S

    silver — Março 5, 2013 @ 22:32 :
    “O consumo é o que cada um de nós quiser, o que cada um de nós poder , a quantidade é subjectiva.”

    Não se trata do consumo individual mas sim do conjunto da economia. O nosso pais consumiu mais do que podia relativamente à sua produção, às suas necessidades de poupança, ao seu investimento produtivo. Por isso é que se endividou, por isso é que passou a ser um dos paises com a mais baixa taxa de poupança externa, por isso é que o investimento não foi suficiente para manter e aumentar o seu stock de capital, por isso é que perdeu competitividade, por isso é que as empresas em Portugal não puderam investir tanto quanto seria possivel e desejavel nos outros factores ditos “qualitativos” da competitividade.

    silver : “é verdade que os preços teem de baixar (…) a competitividade tem de ser conquistada também através do aumento da qualidade do que se produz.(…) Há vários factores ,e não tem que passar só no preço”

    Claro. Mas enquanto essa qualidade não for suficiente tem mesmo de passar pelo preço. Pela relação qualidade/preço. Pelo menos numa economia de mercado é assim.

    Entendamo-nos. Quando se fala na vantagem em desvalorizar internamente, em baixar preços, incluindo os salarios médios, não se trata de imaginar uma qualquer intervenção administrativa do governo nesse sentido. Antes pelo contrario. Trata-se de liberalizar a economia, os mercados, o mercado de trabalho, os mercados de factores. Trata-se apenas de deixar que os preços nos diferentes mercados sejam aqueles que a economia livremente estabelece, através do livre jogo da oferta e da procura por parte de todos os agentes economicos envolvidos. Se, porventura, o livre funcionamento do mercado determinasse uma subida de preços relativos, dos salarios relativamente a outros preços internos, dos preços nacionais relativamente a preços internacionais, esses seriam os preços desejaveis e mais vantajosos para a economia nacional. Mas não é esta a situação actual em Portugal. A liberalização do mercado de trabalho provoca uma descida dos salarios médios. Uma maior concorrencia nos sectores não transaccionaveis que determinam custos de contexto para as empresas (incluindo o custo do Estado) provoca uma baixa de preços destes produtos e serviços. Estas baixas de preços são indispensaveis para que os preços internos relativamente ao exterior sejam mais competitivos.

  26. Fernando S

    Correcção ao meu comentario 26 :
    – onde se le : “por isso é que passou a ser um dos paises com a mais baixa taxa de poupança EXTERNA”
    – deve ler-se : “por isso é que passou a ser um dos paises com a mais baixa taxa de poupança INTERNA”
    Obviamente. A poupança externa, que é o endividamento externo, aumentou.

  27. silver

    “ão se trata do consumo individual mas sim do conjunto da economia. O nosso pais consumiu mais do que podia relativamente à sua produção, às suas necessidades de poupança, ao seu investimento produtivo. Por isso é que se endividou, por isso é que passou a ser um dos paises com a mais baixa taxa de poupança externa, por isso é que o investimento não foi suficiente para manter e aumentar o seu stock de capital, por isso é que perdeu competitividade, por isso é que as empresas em Portugal não puderam investir tanto quanto seria possivel e desejavel nos outros factores ditos “qualitativos” da competitividade.”

    Mas o conjunto da economia é formado por pessoas, por entidades. Dizer que se consome e investe-se o que se entender não significa de forma alguma mais endividamento, antes pelo contrário, significa defender o capitalismo e a liberdade.O estado não tem que privar as pessoas dessa liberdade, deve permiti-la.Se uma pessoa ou entidade consomem desajustadamente e não tendo em conta as suas possibilidade, cabe então a essas pessoas por si próprias decidir como resolver essa questão, e não um governo ou parlamento quaisquer.Ou seja, o problema que conta é verdadeiro, mas isso é uma questão do foro estritamente pessoal de cada entidade juridica.

    Obviamente que o mercado manda , e que o preço é um fator decisivo da economia.Concordo que os preços devem baixar.Mas o factor que deve ser incentivado em 1ºé a qualidade.É assim que na Europa e no resto do mundo é.Por exemplo,apesar das reformas que fizeram,os bmws e mercedes que a Alemanha produz não são baratos..O caviar da Russia não é barato.A industria textil, ocular e mobiliária italianas não são propriamente baratas.Tudo isto mostra uma aposta na qualidade.A isto,está subjacente o facto de nem sempre o preço ser o factor mais relevante.E ,atrevo-me a dizer, esta aposta incentiva o mérito e o esforço de cada trabalhadores, e assim a sua produção
    No fundo, o que defendo é uma aposta nos dois factores, porque um e outro são importantes , sem duvida

  28. Fernando S

    silver : “Dizer que se consome e investe-se o que se entender não significa de forma alguma mais endividamento, antes pelo contrário, significa defender o capitalismo e a liberdade.”

    Quando uma ou mais pessoas consomem e investem mais do que teem significa que se endividam. Isto é uma evidencia e não tem nada a ver com “o capitalismo e a liberdade”.
    Quando estas situações individuais se reproduzem à escala dum pais, com diferentes categorias de agentes economicos, desde as empresas até às familias, passando pelo Estado (o qual, parafraseando o silver, também “é formado por pessoas, por entidades”), então podemos dizer que o pais no seu conjunto, no plano macro-economico, consome e investe mais do que tem endividando-se perante o exterior.
    Este endividamento externo não é necessariamente e totalmente feito directamente pelos consumidores e investidores. Uma parte, mais ou menos importante, resulta de endividamento interno sobre entidades que por sua vez recorrem ao crédito no exterior. Trata-se sobretudo do caso dos Bancos, que contraem empréstimos no exterior para poderem conceder créditos no interior.
    Uma parte do endividamento externo, muito significativa no caso portugues, é feita directamente por uma unica entidade, o Estado. O consumo e o investimento do Estado feito com base neste endividamento são uma componente de peso, cerca de metade, no endividamento total do pais.
    O endividamento do Estado também se traduz em excesso de consumo e investimento relativamente às possibilidades reais do pais. Por parte do Estado, naturalmente. Mas, no fim de contas, o excesso de consumo e o investimento publico, aquele que não é financiado por impostos, também se traduz em consumo e investimento privados. Os gastos do Estado são sempre rendimentos (monetarios ou em espécie) distribuidos pela economia, pelas familias (funcionarios publicos, beneficiarios de prestações e serviços publicos) e pelas empresas (fornecedores directos do Estado e das familias receptoras dos rendimentos distribuidos pelo Estado).

    Reconhecer esta evidencia, perfeitamente objectiva, não implica em si absolutamente nada quanto à maneira como isto aconteceu e quanto às responsabilidades individuais e colectivas de uns e de outros.
    O que é certo é que quando se discute sobre a governação dum pais não se pode ignorar ou subestimar a importancia de um facto macro-economico desta natureza.

    Claro que, uma vez reconhecida esta evidencia, pode-se ainda discutir sobre a maneira de corrigir um desequilibrio macro-economico que se tornou insustentavel e que tem consequencias graves para a vida de muita gente.
    O que também é certo é que, seja qual for a politica seguida, corrigir este desequilibrio tem sempre consequencias para a vida das pessoas. A ideia de que seria possivel faze-lo sem sacrificios, simplesmente decretando o “crescimento economico”, é uma ilusão. A austeridade é inevitavel.

    Eu sei que o silver não nega à partida a necessidade de uma politica de austeridade. Mas sei também que acha que a austeridade deveria ser apenas feita pelo Estado, reduzindo drasticamente as despesas publicas, o que permitiria preservar os rendimentos das familias e das empresas e, deste modo, não reduzir os consumos e investimentos privados.
    Não vou agora discutir aqui da viabilidade e eficiencia de uma politica de austeridade assente quase exclusivamente em cortes nas despesas.
    Quero apenas chamar agora a atenção para uma outra evidencia : a de que os cortes nas despesas publicas também afectam muitas e muitas familias (não apenas as dos funcionarios e beneficiarios de prestações) e empresas (não apenas as fornecedoras directas do Estado), e, deste modo, os rendimentos, consumos e investimentos privados.
    Ou seja, qualquer que seja a politica de austeridade adoptada, o resultado é sempre e necessáriamente uma diminuição significativa do consumo e do investimento privados do conjunto do pais.

  29. silver

    “Quando uma ou mais pessoas consomem e investem mais do que teem significa que se endividam. Isto é uma evidencia e não tem nada a ver com “o capitalismo e a liberdade”.
    Quando estas situações individuais se reproduzem à escala dum pais, com diferentes categorias de agentes economicos, desde as empresas até às familias, passando pelo Estado (o qual, parafraseando o silver, também “é formado por pessoas, por entidades”), então podemos dizer que o pais no seu conjunto, no plano macro-economico, consome e investe mais do que tem endividando-se perante o exterior.”
    Tem haver com o capitalismo sim, na medida em que cada entidade juridica, é livre para decidir o que gasta e o que consome.É verdade que se eu gastar mais do que ganho, então o resultado é a minha falência, isso é uma verdade de la palisse.Mas repito, isso é uma questão minha , do fernando e de cada um, não dos governantes.O estado são um conjunto de orgãos financiados com os nossos impostos.Ou seja, a rtp, a Lusa é paga por todos nós, o meu carro pago eu.
    Aquilo que chama de “pais no seu conjunto” não existe, o que existe é dois problemas separados.Mas se o estado gasta demais, é o estado que deve resolver, e se as familias gastam demasiados são estas que teem de decidir sobre a solução, e não o estado, a armar-se em pai e mãe .
    Estes apenas devem ser o mais reduzidos possivel, e a sua unica intervenção deve ser no sentido de aumentar a folga das entidades fiscalmente e não apertando-as.
    Como disse muito bem, sou firmemente a favor da austeridade, mas existem vários de tipos de austeridade, e obviamente que é no estado que esta tem de concentrar, como igualmente bem disse.Quem proclama “o crescimento” não sabe do que fala, escusado dizer.E não, nenhuma via é indolor e suave.Todas têm contrapartidas.Mas é óbvio que o corte de despesa é uma via menos recessiva, mais eficaz, mais assertiva e menos generalista, já que os impostos atingem também aqueles que não dependem do estado.

  30. silver

    Mas por outro lado, concordo que é preciso liberalizar mais,deixar que as forças do mercado ganhem músculo, como um politico da nossa praça dizia.

    Mário Amorim Lopes
    Talvez seja, mas isso não significa adiar o investimento no capital humano e na qualidade.Até porque os nossos produtos são bons , tem qualidade e diria mais: são melhores do que os do estrangeiros.Só que nós não os promovemos mais,e é preciso apostar na promoção,com força e com decisão

  31. Fernando S

    silver : “Aquilo que chama de “pais no seu conjunto” não existe …”

    Bem me parecia !…
    Assim sendo, é até de admirar que ainda faça considerações sobre a macro-economia e sobre politicas publicas !!

  32. silver

    Fernando S,obviamente que não expliquei bem esse ponto, dai essa interpretação.Basicamente contrariando a sua ideia de que “o estado somos nós”. eu digo que existe por um lado, o sector publico e , por outro, o privado.Cada um tem os seus problemas, muito embora, de longe o maior problema seja o estado.
    Assim sendo, faço as considerações que eu quiser

  33. Fernando S

    silver : “existe por um lado, o sector publico e , por outro, o privado.Cada um tem os seus problemas,”

    A economia nacional é um todo. Os sectores publico e privado são interdependentes. Os problemas relativos ao sector publico determinam fortemente os do sector privado. E vice-versa. Ultrapassar os desequilibrios do Estado é uma passagem obrigatoria para melhorar as condições do privado.
    Imaginar que os desequilibrios do Estado podem ser enfrentados sem afectar e condicionar o resto da sociedade e da economia, que é por exemplo possivel cortar nas despesas publicas sem afectar o total do consumo e do investimento privados, é uma mera ilusão.

    silver : “Assim sendo, faço as considerações que eu quiser”

    Mas quem o impede ?!!…

  34. silver

    A economia nacional é um todo. Os sectores publico e privado são interdependentes. Os problemas relativos ao sector publico determinam fortemente os do sector privado. E vice-versa. Ultrapassar os desequilibrios do Estado é uma passagem obrigatoria para melhorar as condições do privado.”
    Mas eu não disse que não afectaria, mas que afectaria muito menos, e é uma solução que ataca directamente o excesso de estado.Excesso de despesa e não escassez de receita.Esta é a causa do défice,e determinar os consumos cabe a cada um de nós, não ao estado.Não precisamos mais da actual despesa.

  35. Fernando S

    silver : “Mas eu não disse que não afectaria …”

    Então reconhece que afecta o consumo e o investimento privados no plano macro-economico ?!…
    Se sim, então não percebo porque disse e continua a dizer, a este respeito, que “determinar os consumos cabe a cada um de nos, não ao estado.” O que é que isto tem a ver com o assunto que estava acima em discussão (a redução do consumo e investimento totais no pais faz baixar as importações e aumenta as exportações) ?…
    Cortar nas despesas do Estado, como o silver deseja (e eu também, de resto), reduz o consumo e o investimentos privados … sim ou não ??!!
    Depois, saber se reduz muito ou pouco, mais ou menos do que aumentos de impostos, até onde e a que ritmo é possivel e desejavel ir na redução das despesas publicas, se é assim possivel evitar subidas de impostos ou até conseguir reduzi-los, etc, etc… é um outro nivel da discussão. Naturalmente, bem mais complexo e dificil, porque tem muitas mais dimensões, desde logo nos planos da compreensão do funcionamento real da economia e da viabilidade politica das diferentes alternativas imaginaveis. Mas não é o que estava em discussão.

  36. silver

    Fernando S, nessa frase que eu disse, interprete-se da seguinte maneira: o estado não deve aumentar impostos.Na verdade, faz sentido falar-se do grau, porque se trata da via menos dolorosa.É melhor do que aumentar os impostos.
    Mas sim, são contas de outro rosário

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