Podem ir indignar-se para outra freguesia?

Como eu moro relativamente perto dos locais onde os indignados costumam indignar-se nos últimos tempos, pedia aqui encarecidamente que amanhã se fossem indignar para outros lados (Istambul, por exemplo). Apetecia-me ter um dia calmo, à noite vou ter gente cá em casa e além de ser simpático não levarmos com berraria o tempo todo também é mais prático os meus amigos poderem deslocar-se até aqui sem ter que ir dar uma volta a Cascais.

Garanto, como registo de interesses, que eu própria ando muito indignada: com os absurdos aumentos de impostos, com a dimensão da contracção económica e do desemprego, com a quantidade de falências de empresas, com a evidente frieza com que o primeiro-ministro reage aos efeitos devastadores em famílias e empresas que as suas medidas têm (estou convencida, até, que o dito senhor de início se regozijava com a aura de implacável que as medidas fiscais draconianas lhe atribuíam), com a desolação, a incerteza e o medo que todos sentimos por percebermos que o governo não teve qualquer noção do que provocaria no país e agora está em pânico ao começar a entender que vai tudo continuar a piorar. Sobretudo indigno-me porque o governo traiu quem votou nos partidos que o constituem, preferindo manter o status quo estatal e saquear os contribuintes em vez de reformar o estado de forma a diminuir despesa pública estruturalmente (e agora conta com a recusa do PS como desculpa para continuar a nada fazer).

Tenho, no entanto, indignações menos selectivas: indigno-me com aqueles que fingem que os nossos problemas começaram em Junho de 2011; com os que assobiaram para o lado perante as criminosamente despesistas políticas de Guterres e Sócrates ou até as louvaram como conquistas civilizacionais; com os que fazem por ignorar que desde o ano 2000 temos estado ou estagnados ou em crise; com os que evidentemente pretendem que o país continue a viver à conta do que os estrangeiros nos emprestam e têm a lata de se indignar com quem nos emprestou dinheiro quando já mais ninguém o fazia; com os que claramente desejam violência generalizada e caos para se poderem aproveitar dos escombros que restarem; enfim, indigno-me com estes indignados.

19 pensamentos sobre “Podem ir indignar-se para outra freguesia?

  1. anonimo

    Apoiado! mas vou fazer F5 até ver aqui um comentário “se vives por esses lados então és uma fascista rica!”

  2. grammar_nazi

    Não é nada uma fascista rica, é uma imigrante que vive numa casa arrendada antiga com mais quinze macacos também imigrantes. Ou então é uma hippie de classe média que divide a casa com outros hippies de classe média que demoram quinze anos a terminar os cursos superiores porque estão a fumar charros nessas casas antigas.
    Ah, e “traiu” não se escreve com acento, o que me leva a inclinar-me para a primeira hipótese, a de uma imigrante que ainda não domina a língua.

  3. JS

    Muito bem.
    Este “movimento” não poderia ter sido um bocadinho mais inteligente e ter escolhido como mau da fita um alvo mais apropriado, que não a Troika.
    Quem andou a administrar, muito mal, este País, há mais de trinta anos, não deveria ser o alvo destas manifestações?.
    Demagogia ou imbecilidade?. Que se lixe semelhante movimento.

  4. jojoratazana

    Post escrito por uma musica, e comentado só por músicos.
    Eu farto de aldrabões, corruptos e cleptocratas.
    Só me resta a rua.

  5. jojoratazana

    Frio?
    Só um medroso tem frio.
    No meio da luta o calor é fraterno.
    Já está a sentir um friozinho na espinha?
    É panico.

  6. jojoratazana

    “Só gostava era que amanhã chovesse a pote”
    Tens bom remédio reza ao teu santo preferido o Coelho.

  7. Vasco

    Claro que só o Gutierreeeez e o Socras é que aumentaram a despesa. Trigo limpo, farinha amparo. E, já agora, não são tempos de receber pessoas em casa.

  8. jsp

    Essa tropa fandanga foi definida, certeira e definitivamente por VPV : “Bìblicamente estúpidos”

  9. oscar maximo

    De acordo com o texto, mas eu ainda tenho indignação menos seletiva. Indignei-me logo por o Cavaco aceitar dinheiro para acabar com produção, isso para mim devia ser considerado crime de alta traição.

  10. Pingback: Há que agradecer uma boa gargalhada matinal a Sérgio Lavos | O Insurgente

  11. Lobo Ibérico

    “De acordo com o texto, mas eu ainda tenho indignação menos seletiva. Indignei-me logo por o Cavaco aceitar dinheiro para acabar com produção, isso para mim devia ser considerado crime de alta traição.”

    x2
    Incluo ainda um cancro com pernas chamado Vitor Constâncio.
    Não esquecer as 900 toneladas de ouro que foram trocadas por… papel?
    E faria a família pagar a bala.

  12. pois

    A Maria João, podia ter avisado, assim marcava-se a manifestação para outro dia. Onde já se viu incomodar os convidados da Maria João. Lamentável.

  13. Tiradentes

    E aceitar dinheiro para não fazer produção mas alcatrão elevado a 10 do Cavaco será o quê? A um prende-se a outro ?????

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