Alguém me faça o favor, e depressa!, de internar Vítor Gaspar

Eu bem sei que este governo se tem esforçado em diminuir o volume de negócios diário das empresas portuguesas – a minha lá no meio – bem como, através do saque de subsídio de Natal por exemplo, afincadamente tenta retirar às empresas os períodos sazonais de pico de actividade. Como resultado, claro que o governo espera que as empresas tenham tão poucas guias de remessa ou facturas para emitir (de resto, já necessárias para acompanhar o transporte de qualquer mercadoria) que possam relaxadamente usar o seu tempo a registar na AT os documentos das mercadorias que se vão entregar e com descontração esperar o tal código da AT para o documento. Ou, claro, arriscar-se à multazinha que, como sempre sucede nestes casos, será aplicada no montante máximo.

Mas vamos supor que uma empresa ou outra lá consegue, contra vontade do governo, manter um número elevado de entregas de mercadorias e, em consequência, um número elevado dos respectivos documentos. O que fazem estas empresas se o portal da AT tiver problemas técnicos e não fornecer o codigozinho? Ou se o portal estiver muito lento e as mercadorias tiverem de ser entregues com urgência? Presumo que a resposta deste governo seja que uma empresa nestas condições não venda e não facture (e – o único argumento que deve incomodar o governo – não crie nova receita de IVA para o estado).

Bem pode Álvaro Santos Pereira pretender desburocratizar a vida das empresas que nada compensará desvarios deste calibre provindos do ministério das finanças. Nunca fui fã de Vítor Gaspar. No entanto não achava possível haver pior ministro das finanças que Teixeira dos Santos; mas há e é o ministro das finanças deste governo ultra-uber-neo-liberal.

40 pensamentos sobre “Alguém me faça o favor, e depressa!, de internar Vítor Gaspar

  1. Ricardo Cerqueira

    Pertinente.

    Só ainda não percebi a razão de rotularem constantemente a este governo pesado, controlador e centralizador de neo-liberal. Só porque obedecem aos “man in black” num projecto de mudança não sufragada de sistema político e de alteração do equilibrio entre parceiros sociais? Porque privatizam ao desbarato os mais apetecidos pedaços do Estado?

    Parece-me curto.

    Não será suficiente éntregarem monopólios aos privados (verdadeira negação do liberalismo económico), aumentarem brutalmente impostos e retirarem direitos sociais para serem automaticamente liberais. Muito antes pelo contrário.

    Convenhamos até que nunca foi tão difícil manter uma empresa como agora (nem no tempo do PREC), nunca foi tão difícil ser profissional liberal (com uma verdadeira perseguição de classe no caso dos Trabalhadores Independentes), nunca a nossa vida privada foi tão esmiuçada, nunca a propriedade privada foi tão ameaçada e desrespeitada, nunca os empreendedores foram tão ameaçados e castigados e – detalhe importante – nunca existiram tantos fiscais que vivam exclusivamente de vigiar e punir aqueles que trabalham e (tentam) produzir riqueza.

    Por isso, podem chamar tudo o que quiserem a este governo, mas o termo “liberal” parece-me que não se aplica nesta actual situação.

  2. 7anaz

    Essa questão do registo de todas as guias vai ser muito mais grave do que todos nós julgamos. Todos os dias ao início da manhã, toda a economia vai estar dependente. (em suspenso, parada) de um qualquer sistema de emissão de códigos. Se eu quiser sair para a rua com pessoas e mercadorias, sim, porque no meu caso, o meio de transporte é o mesmo. Já estou a ver o relógio a andar, as 10 ou 11 horas da manhã a chegarem e eu com o pessoal e as mercadorias dentro de portas sem conseguir obter códigos para as guias. Para que nos sirva de exemplo, aqui há uns tempos atrás, durante um processo eleitoral, o sistema de acesso às bases de dados do MAI pura e simplesmente arreou, porque uma série (limitada) de mesas de voto estava a aceder ao sistema. Agora imeginem toda a economia pendurada num sistema de emissão de códigos para os milhares, ou pontualmente, talvez milhões de guias emitidas em simultâneo. vai ser bonito.

  3. Sérgio

    A parasitagem dos pró-Estado deve aparecer breve a defender esta medida alegando o roubo diário de impostos praticado pelos comerciantes em particular e do privado em geral e como se eles não beneficiassem do roubo praticado pelo Estado ladrão… E dirão que o PSD é liberal!

  4. murphy

    Vivemos num país profundamente centralista… Depois a austeridade é o que é, também, porque vivemos num país socialista enfiado num verdadeiro colete de forças que é esta Constituição. Ainda não vi ninguém explicar ao português comum, o impacto recessivo da decisão do TC em 2012. Este, ao impedir o corte previsto na função pública (que é uma redução de despesa) obrigou a uma subida generalizada de impostos sobre publico e privado. Todos perderam: os funcionários públicos vão ter o mm rendimento aproximadamente, os privados sofreram um rombo no rendimento disponível e o Estado arrecadará menos impostos com a quebra de consumo. Mas algumas consciências andarão, constitucionalmente, tranquilas!

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/portugal-lisboa-e-o-resto-do-pais-1.html

  5. Pedro Martins

    O mal é uma determinada mentaldade vigente, mesmo entre empresários. Estamos a falar de um país onde, após proposta de redução da TSU para as empresas, as associação do sector se mobilizaram para combater a “injustiça social” que estava a ser posta em prática. O mal está numa mentalidade vigente que acha muito bem que cada um seja livre de fazer o que quiser do seu dinheiro, e aplaude as fugas ao fisco, desde que o Estado assegure que o ensino, a saúde e outros que tais, são gratuítos e depois, as pensões e os subsídios estão garantidos. A mentalidade que fazia com que, durante décadas todos os empresários declarassem salários mínimos e depois, nos últimos 5-10 anos, declarassem verdadeiras fortunas para cálculo de pensões. A mentalidade que faz com que, mesmo quem tem dinheiro, declare misérias para ir buscar as migalhas dos apoios sociais. A mentalidade das empresas que só declaram prejuízos. Sou contra a lógica do Estado cobrador, mas a verdade é que, não é possível ter sol na eira e chuva no nabal. Temos de escolher. Se mantivermos este nível de Estado Social, teremos de pagar impostos. TODOS. Empresáros e empresas incluídos, com todas as consequências que isso tratá ao nível da falta de competitividade e desemprego. Mas..são opções!

  6. Francisco Colaço

    Um bancário, há cerca de dois anos atrás, fez formação na mesma empres aonde fiz. Conversando casualmente, ele referiu-me que em menos de três anos o Estado teria feito obrigatório o acesso ao sistema de facturação de cada empresa. Confesso que na altura estava incrédulo. Meses depois, tive de passar a fazer todos os meus recibos através do sistema informático da Autoridade Tributária. Pelos profissionais liberais começava o assalto do Estado à actividade dos contribuintes.

    Em poucos meses ou a um ano, aposto que qualquer factura estará a ser passada através do sistema informático das AT.

    Não sei se o tal bancário era profeta, druida, haruspex ou orago. Que acertou, acertou.

  7. nuno granja

    Absurdo, absurdo, absurdo.

    Presto serviços de consultadoria, logo é menos um colete de forças, mas imagino o pesadelo que será na distribuição.

    Tenho um cliente que diaraiamente distribiu produtos alimentares pereciveis por todas as áreas de serviços do pais, vai ser um horror.

    No entanto começo a imaginar o impacto que vai ter nos meus fornecedores de suportes publicitários, meio onde a rapidez de resposta é fulcral.
    Cada vez mais os clientes tomam decisões em cima da hora e os dead lines são mais curtos. Os meios de produção tem acompanhado esta tendência com soluções inovadores inimaginaveis há uns anos, já a burocracia parece que aposta em andar para trás.

  8. Luís

    Quem distribui aos hipermercados, supermercados, hotelaria e restauração sabe que o cliente está sempre a mudar a encomenda «em cima da hora». Imaginem que o senhor João sai de Beja com 300 pães alentejanos para Lisboa, mas o cliente B diz que nesse dia não quer pão, e o cliente C também não quer. O SenhorJoão, quando saiu de Beja, declarou 300 pães, mas vendeu apenas 240. No dia seguinte os clientes pediram mais pão, e teve de voltar para trás. Declarou 270 mais vendeu 350. É assim que na realidade as coisas funcionam. Mas pelos vistos os «senhores doutores» das finanças não conhecem o país real.

  9. Luís

    O mundo está um lugar perigoso. A pouco e pouco o Brave New World de Aldous Huxley instala-se. É o louco do Obama nos EUA e agora este fascistas mascarados de «liberais modernos». Votei no CDS para isto? Nunca mais.

  10. Luís

    Devo dizer que esta treta dos comerciantes registarem tudo naquelas máquinas caríssimas levou a que muitos cafés, mercearias e lojas encerrassem, um pouco por todo o país, antes de Janeiro. Alguns emigraram, outros pediram a reforma, outros ainda vivem agora de poupanças. Tenho conhecimento de muitos casos.

    Acrescento que este Governo está a ter o mérito de deixar o povo com saudades… de José Sócrates. Sim José Sócrates. O PM que teve o mérito de duplicar a dívida pública.

    Vítor Gaspar é uma desilusão. Não tem coragem de enfrentar os lobbies. Ponto. Está à vista de todos que o corte na despesa deveria ter sido mais célere, e não de 4 milhões. O dobro ou o triplo. E não é necessário ser especialista em Finanças para ver logo onde se deve cortar.

  11. Luís

    Aquela telenovela do relatório do FMI foi vergonhosa. Verdadeiros estadistas teriam avançado logo com um plano de corte na despesa. E assumiam as suas posições perante o público. Não tentariam demonstrar que eram imposições do FMI ou da UE. Esta coisa de ser o menino obediente da Europa, ou o menino graxista, mete nojo. Não temos de cortar para agradar a ninguém. Temos de cortar porque é o correcto. E aquele número mágico de 4 mil milhões é uma anedota. Cobre pouco mais de metade do défice. E a dívida continuará a crescer enquanto não houver excedentes.

  12. Francisco Colaço

    Silver,

    Considerando que nada escrevi sobre o Vítor Gaspar, não sei a que isso vem a propósito. Para ser claro, acho que QUALQUER governo em Portugal tomaria semelhante medida porque na verdade o objectivo desta excrescência procedimental não é senão dar mais uns cobres a ganhar a alguma firma de «I-Tê», cuja sede se situe algures em Lisboa ou arredores e cujos tentáculos se estendam aos corredores do poder.

    Estive quase a criar uma pequena empresa no início deste ano, apesar do clima económico. Medidas burrocráticas e ASAE fizeram-me recuar a tempo, e ainda bem. Esta medida deu a martelada no prego do caixão desse meu ensejo. Ficam os estudos, os projectos dos equipamentos e os modelos económicos. Podem bem realizar-se num outro país ainda não tão tomado pelo socialismo encapotado e por um corpo de funcionáriuos inqualificáveis.

  13. ricardo saramago

    Dentro de pouco tempo vão obrigar a que as facturas sejam emitidas pelo próprio fisco, tal como já fazem nos “recibos verdes”.
    A cereja em cima do bolo virá a seguir quando passarem a cobrar pelo “serviço de emissão de facturas”.
    O gangue do fisco tomou conta de tudo e estamos reduzidos à servidão.

  14. Francisco Colaço

    Ricardo Saramago,

    É exactamente (ou exatamente) isso que o tal bancário, que apenas conheci circunstancialmente, me disse.

    Estranhamente, mais facilmente se foge aos impostos deste modo que do outro. Em empresas de serviços, então, vai ser o diabo a quatro. Basta que comprador e vendedor tenham necessidade de consumir um do outro e parte da faturação nunca será emitida. vai haver muito «encontro de contas» por este país afora.

    Mais uma vez, este sistema vai pura e simplesmente colidir na manigância dos cidadãos. Aposto que muitos cidadãos esfol… assoberbados pelos impostos se irão organizar e irão ter com o agricultor do lado, pagando mais que o hipermercado lhes paga, mas ainda assim pagando menos do que eles pagam ao hipermercado. Sem factura, sem recibo, sem Internet, sem guias, sem IVA, sem IRS.

    Apenas poderão controlar as transacções quando deixar de haver papel-moeda. Mas ainda assim a troca directa (aquela coisa que nenhum governo pode vir a controlar) escapará às malhas apertadas do fisco.

    Quando alguém se esquece de que o dinheiro não é o fulcro da actividade económica, mas o estímulo para que outros acabem por trabalhar a nosso favor (e nós a favor dos outros), e que só se consome aquilo que se produz ou recolhe, o fim do sistema está próximo. Esta é a fase que precede o estertor, aquela em que o moribundo se tenta agarrar a todos os fios de vida.

  15. o fantasma

    Fecharam o hospital dos doidos,ou mudaram-lhe apenas o nome. Agora não é o Julio de Matos,esse fechou,mas deu lugar a outro.Puseram-lhe o nome de Portugal!

  16. ricardo saramago

    Ao contrário do que se possa pensar acho que tudo isto é um bom sinal.
    O estertor do sistema é um bom prenúncio de que o fim se aproxima.

  17. 7anaz

    Caro Pedro Martins,

    “O mal é uma determinada mentaldade vigente, mesmo entre empresários.”

    Você anda uns anitos atrasado no tempo, isso já passou. A geração de empresários é outra.

    “Estamos a falar de um país onde, após proposta de redução da TSU para as empresas, as associação do sector se mobilizaram para combater a “injustiça social” que estava a ser posta em prática.”

    Nas outras empresas não sei o que se passou, mas na minha, os colaboradores somaram 2+2 e disseram em uníssono: – As finanças vão-nos tirar a nós para dar aos fdp’s dos patrões! – Tão simples quanto isso meu caro. Perante isto, o que é que você, como empresário argumentaria em seu favor? Eu fui celere a responder, para não perder produtividade na empresa. Eu devolvo o que o estado vos retira, na íntegra, embora ele (estado) não me devolva exactamento o valor que vos retira a vós, e reconheço que esse valor que o estado me quer retribuir, não me aquece nem arrefece em termos de liquidez mensal, ideia que o estado na altura tentou vender. Ponto final.

    “O mal está numa mentalidade vigente que acha muito bem que cada um seja livre de fazer o que quiser do seu dinheiro,”

    Ora aqui é que acerta na muge. Pode ter a certeza que eu faço infinitamente melhor gestão do dinheiro que ganho do que o estado, que se apodera do meu dinheiro para alimentar uma cáfila de parasitas (vulgo funcionalismo público)

    ” e aplaude as fugas ao fisco, ”

    Eu não faço isso, pago os meus impostos e as minhas contribuições à SS conforme estabelecido. Nem um cêntimo a mais, nem um cêntimo a menos.

    “desde que o Estado assegure que o ensino,”

    Sou contra o estado assegurar o ensino. Eu deveria ser livre de escolher a escola para os meus filhos, sem interferências centralisadoras do estado, que aqui só faz asneiras.

    ” a saúde e outros que tais, são gratuítos”

    Já na saúde, sou adepto do que temos, apesar de saber que ele não é sustentável e de, na idade que tenho, pouco ou nada me servir dele, sinto-me confortável em saber que os meus impostos para o acesso aos excelentes cuidados de saúde dos nosso muitos hospitais públicos por parte de qualquer cidadão desta país, seja qual for a sua condição socila e o tamanho da sua carteira.

    “e depois, as pensões e os subsídios estão garantidos.”

    No que toca às pensões e subsídios, acho que têm que ser reformulados, já que ainda hoje nas notícias um economista dizia que muita gente anda a receber retornos de pensões para os quais nunca descontou. As pessoas têm que começar a saber desde a sua idade de entrada no mundo laboral, que se não descontarem ao longo da vida, não poderão ter direito a reforma alguma. Isso é uma injustiça social, para todos os que descontam pesadamente. no que toca aos subsídios, acho que a situação é escandalosa para quem desconta.

    ” A mentalidade que fazia com que, durante décadas todos os empresários declarassem salários mínimos e depois, nos últimos 5-10 anos, declarassem verdadeiras fortunas para cálculo de pensões.”

    Disse muito bem, durante décadas, mas isso já passou à muito, embora ainda tenhámos muitos monos desse às nossas costas.

    “A mentalidade que faz com que, mesmo quem tem dinheiro, declare misérias para ir buscar as migalhas dos apoios sociais. ”

    Aqui também estou de acordo consigo.

    “A mentalidade das empresas que só declaram prejuízos.”

    Está de acordo comigo, e portanto, a falar contra o estado.

    “Sou contra a lógica do Estado cobrador, mas a verdade é que, não é possível ter sol na eira e chuva no nabal.”

    Pois eu prefiro o sol na eira e o seu dono resolver a questão da rega do nava. Fora com os estado. Quanto menos estado melhor.

    “Temos de escolher. Se mantivermos este nível de Estado Social, teremos de pagar impostos.”

    Eu dispenso alimentar este estado social, eu quero ser responsavelmente o meu estado social.

    “TODOS. Empresáros e empresas incluídos, com todas as consequências que isso tratá ao nível da falta de competitividade e desemprego. Mas..são opções!”

    Eu escolhi as minhas opções! E você, que escolhe?

  18. Pedro Martins

    Caro 7anaz:
    Acredite que também eu já fiz as minhas opções. E concordo, genéricamente, com o que disse.
    Acredito num caminho diferente para saída desta crise, mas também acredito que seguir esse caminho de imediato, com o nível de demagogia que impera no meio político português, seria quebrar de vez a tal corda que está, neste momento, esticada ao limite. Isso entregaria os destinos deste país, novamente, a uma esquerda que não tem interesse na prossecução de reformas. Assim, e por mais que me faça impressão esta forma equilibrio das contas públicas, acredito que o caminho dará resultados, desde que possa ser prosseguido até ao fim.
    E façamos justiça: nas últimas décadas, poucas previsões terão tido uma margem de erro tão pequena. Ainda me lembro de previsões de crescimento de 3-4% e acabar com recessões de 3%. Ou prever défices de 2% e acabar com défices de 10%. Enfim…

  19. Francisco Colaço

    7anaz,

    Em que sector de actividade labora a sua empresa? Suponho pelo que diz que (felizmente!) não é uma das que se enconta ao Estado, vulgo IT, obras públicas e farmacêuticas. (É fácil reconhecer esses sectores: basta ver por onde adejam os ex-ministros.)

  20. Francisco Colaço

    Pedro Martins.

    Não há esperança que possamos ter a partir da rota que tentamos seguir para sair da crise. Conquanto eu fosse compreensivo para com a sobrevivência do Estado no curto prazo aumentando os impostos, verifico que não houve da parte do Estado vontade, capacidade ou acção para se diminuir, contrair a 25% do PIB (níveis de 1977) ou a 1/30 da mão de obra disponível (níveis de 74, quando Portugal tinha 30 vezes o seu território actual e o quádruplo da população).

    Pedro, tem 50.000 professores sem alunos para ensinar. As reduções dos funcionários públicos têm sido conseguidas por desorçamentação dos hospitais ou por passagens à reforma. Veramente, esses ex-funcionários continuam a receber do mesmo orçamento de Estado. Não o diminuem, portanto. E, enquanto isso, nos armazéns das câmaras municipais, nas repartições diversas e nas fundações orçamentadas, encontra toda uma «cáfila» (termo do 7anaz) de funcionários inúteis, indolentes e ineficazes. Há excelentes funcionários públicos, mas são a excepção, não a regra.

    Se queremos sair da crise, há apenas duas medidas a tomar-se: despedir cerca de 250.000 funcionários públicos é a primeira. Sugiro que esses funcionários sejam escolhidos por sorteio, o que será de todo mais eficaz e justo do que avaliações de chefes sensíveis apenas à distância métrica entre a mucosa nasal do funcionário e o seu próprio orifício anal.

    A segunda medida é o término imediato dos controlos sobre as empresas, salvo quando há suspeitas credíveis de grave atentado à saúde pública, ao ambiente ou à higiene e segurança no trabalho. No caso dos azulejos da casa de banho dos empregados serem de cor irregular ou de o tecto ser 10 cm abaixo do previsto na lei, há que deixar passar, fazer oiho gordo e perceber que mais vale uma empresa imperfeita do que uma perfeita inexistência de empresas.

    O Governo de Portugal está a fazer exactamente o contrário: não usa a meioria palramentar (grafia intencional) para passar o que é desconfortável e mandar parte da cáfila beber noutro oásis. E repercute o ónus do pagamento das responsabilidades presentes e passadas nos que não estão no Clube do Dia 22. Deste modo, para quê empreender? Será alguém tão burro que não perceba que não há bem em ser empresário (a não ser que se tenha ligação directa ao orçamento do Estado).

  21. Francisco Colaço

    Ricardo Saramago,

    Quando afirma ser um bom sinal de que o fiz se aproxima está a falar no sentido civilizacional ou escatológico?

    Ainda há dois anos plantei cerejeiras e nogueiras. Gostaria de pensar que posso vir a comer do seu fruto.

  22. 7anaz

    Caro Francisco Colaço,

    Não trabalho nem nunca trabalhei directamente com o estado e fujo dele quanto posso, até porque é mau pagador (a única vez que um cliente meu empurrou o pagamento de um serviço meu para as mãos do estado, disse mal da minha vida e só recebi um ano depois do serviço prestado!) e eu, numa empresa criada em 1982, orgulho-me de nunca ter recorrido ao crédito bancário. Não quer isto dizer que amanhã mesmo não possa ser empurrado, por uma qualquer infeliz razão para os seus braços. De momento, há três tipos de instituições que não considero, de todo, serem meus parceiros; o estado, a banca, e as seguradoras. Com esse tipo de instituições, só lido por obrigação e o menos possível.

  23. Nuno

    When you see that trading is done, not by consent, but by compulsion – when you see that in order to produce, you need to obtain permission from men who produce nothing – when you see that money is flowing to those who deal, not in goods, but in favors – when you see that men get richer by graft and by pull than by work, and your laws don’t protect you against them, but protect them against you – when you see corruption being rewarded and honesty becoming a self-sacrifice – you may know that your society is doomed.

    Ayn Rand

  24. Francisco Colaço

    Já que estamos a citar, deixem-me juntar dois, com negritos meus..

    In 1976 (this statement was made over 35 years ago) Neal A. Maxwell said the following:
    “I fear, that, as conditions worsen, many will react to the failures of too much government by calling for even more government. Then there will be more and more lifeboats launched, because fewer and fewer citizens know how to swim. Unlike some pendulums, political pendulums do not swing back automatically; they must be pushed. History is full of instances when people have waited in vain for pendulums to swing back”.

    In 1966 (this statement was made over 45 years ago) Howard W. Hunter said this:
    “The government will take from the “haves” and give to the “have nots.” [When this happens] Both have lost their freedom. Those who “have,” lost their freedom to give voluntarily of their own free will and in the way they desire. Those who “have not”, lost their freedom because they did not earn what they received. They got “something for nothing,” and they will neither appreciate the gift nor the giver of the gift”.

  25. Francisco Colaço

    7anaz,

    Não deseja indicar o seu ramo de actividade. Aceito isso. Quanto ao que disse sobre não querer parcerias com Estado, banca e seguros, não posso senão louvá-lo por isso.

  26. Pisca

    Estas e outras são paridas, ou parecem ser, por um conjunto de mentes iluminadas que da vida nada, ou quase nada, sabem.

    Para mostrar serviço vendem a ideia, conheci alguns assim, quando a coisa corre mal o erro é de quem deveria cumprir, nunca mas nunca é deles

    O seu maior problema é a realidade não estar em linha com o seu desejo

  27. ricardo saramago

    Caro Francisco Colaço

    Sabemos que estamos perto do fim quando contra toda a lógica e bom senso, se aumentam sucessivamente as taxas de imposto, as receitas baixam, e o monstro reage aumentando novamente as exigências e as taxas.
    O monstro vai comer tudo e no final vai-se comer a si próprio.

  28. Isto é mau demais para ser verdade.
    Já se sabia que em Portugal (governantes leia-se) ninguém pesca nada de cadeias de abastecimento, distribuição e logística, mas isto é uma anormalidade de todo o tamanho! Controlar mercadorias em trânsito???? Mas que raio têm as finanças a ver com a circulação de mercadorias?!
    Ser governados por burocratas que não fazem a mais pequena ideia do que é trabalhar (sim, digo trabalhar!) só pode dar disparate e ainda há quem se admire por não sairmos da cepa torta.
    Agora são as mercadorias, e oxalá de me engane, mas qualquer dia seremos nós.

  29. Ricardo Cerqueira

    Por isso é que já vou tendo alguns dos meus amigos, ex-empresários, a viver um regresso às bases: venderam tudo o que tinham, compraram ou alugaram pequenas parcelas de terreno e vivem do que a terra dá e de trocas entre diversos produtores. Nem impostos pagam, pois também não têm rendimentos.

    A princípio julguei que se estavam a passar. Agora, que os vejo a recuperar a alegria de viver e mesmo a rir desta situação e dos políticos que temos, dou por mim a pensar fazer o mesmo…

  30. ricardo saramago

    Caro Ricardo Cerqueira

    As mentes mais lúcidas (e com mais coragem) já seguiram esse caminho.
    No entanto não se riam muito alto porque quando a coisa se descontrolar completamente, mesmo esses, vão ter que optar entre defender o que é seu da cobiça do Estado e da populaça, ou retirar para fora do país.
    Para quem pense que estou a exagerar lembro os saques e destruições ocorridos durante o PREC

  31. Vama

    “A princípio julguei que se estavam a passar. Agora, que os vejo a recuperar a alegria de viver e mesmo a rir desta situação e dos políticos que temos, dou por mim a pensar fazer o mesmo…”

    Caro Ricardo Cerqueira,

    Nem faz ideia como isso é verdade. A maioria de nós nem imagina a autonomia que nos dá uma parcela de terreno bem tratada e cultivada. E o melhor, é que dá um gozo que nem imagina. Para lá da minha actividade profissional, dedico muito do meu pouco tempo livre à actividade hortícola, enquanto os meus colegas de profissão se dedicam e uma boa parte do seu sustento, ao golfe e aos ginásios encardidos de ar viciado. Os carros deles andam sempre com as mala atulhadas com os equipamentos de golf, enquato a mala da minha carrinha anda sempre cheia de alfaias, galochas, botas, vasos, sacos de composto, sementes, plântulas para transplantação, etc. Notícias não ouço nem veja há muito tempo, só leio aquilo que acho fidedigno, das fontes que muito bem escolho. Recuso-me termionantemente a ver reportagens em directo, que são de produção acéfala e por isso mesmo estupidificadoras dos nossos neurónios.

    Sabe que já nos tempos do prec, contrariamente ao que indica o Ricardo Saramago, era eu um tenro adolescente, e achava estranho as reacções do meu avô às notícias da desgraça, rindo-se, virando as costas a esses aborrecidos assuntos e embrenhava-se no quintal, todo feliz e risonho, no meio de todo o seu precioso sustento e literalmente a burrifar-se para a porca da política. E sabe, ninguém nunca lhe cobiçou nada, porque ninguém cobiça o esforço, o trabalho árduo, de sol a sol, mas compensador.

  32. 7anaz

    Caro Francisco Colaço,

    Peço que me desculpe, mas passou-me completamente a sua pergunta. O ramo de actividade da minha empresa é metalomecânica, com uma derivação mais ou menos recente no ramo energético.

  33. lucklucky

    “Controlar mercadorias em trânsito???? Mas que raio têm as finanças a ver com a circulação de mercadorias?!”

    Não sabe o que se passa nas estradas de Portugal? O ataque constante a quem faz coisas?

    Um caso para ilustração:

    Um trabalhador de uma obra vinha com uma garrafa de vinho na traseira do carrinha da empresa. Não tinha guia ou recibo logo a multa iria ser pesada.
    Felizmente para ele o polícia foi compreensivo e aceitou que a garrafa de vinho passasse para o banco ao lado do condutor.
    Mas há uns que nem aceitam qualquer objecto que não tenha recibo/guia esteja onde estiver. Multa logo.

  34. Francisco Colaço

    Perante o exemplo do lucklucky da insensibilidade das autoridades, creio que a multa é mais importante que a empresa.

    Receio, perante isto, que as nossas metalomecânicas e as nossas fábricas têxteis e os nossos impressores prefiram de uma vez por todas deslocar-se para o outro lado da fronteira (aí para os lados de Fuentes de Oñoro ou de Ciudad Rodrigo) e abastecer o país a partir daí. O galego que está na Moncloa agradece.

    Será que é tão difícil assim despedir 1/3 dos funcionários públicos para salvar o país?

  35. Pingback: A ideia mais perigosa de todas | O Insurgente

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