Sodoma e Camorra, crónica de Alberto Gonçalves no DN.
Venho por este meio confessar um delito, o de não exigir facturas aos comerciantes. Se as facturas forem emitidas automaticamente, atiro-as ao lixo. Se as facturas me forem úteis para efeitos de garantia do produto, procuro guardá-las algures (e consigo perdê-las logo a seguir). Mas se as facturas apenas pretenderem denunciar uma transacção às Finanças para que estas beneficiem de um processo que lhes é moral e materialmente alheio, não contem comigo.
Convencido de que o cumprimento universal aliviaria os contribuintes cumpridores, houve um tempo em que o bem-comum me parecia mais importante do que a margem de lucro dos particulares. Hoje, sei que, salvo pormenores, o bem comum é largamente uma artimanha propagandística e que os particulares em causa saberão dar à verba um destino melhor do que os senhores que nos governam: qualquer que seja o destino e quaisquer que sejam os senhores, não existe alívio para o contribuinte, excepto na medida em que invariável e crescentemente é aliviado do que é seu. Se o dono do restaurante X aproveita os rendimentos não declarados para adquirir um Mercedes ou 2 mil pares de sandálias, antes o Mercedes e as sandálias do homem do que o patrocínio de amigalhaços, grevistas, excedentários e aberrações em que o Estado desperdiça considerável parte do saque fiscal.
Uma das aberrações são os funcionários da autoridade tributária agora destacados para vigiar estabelecimentos, surpreender negociatas desprovidas de factura e multar os hediondos prevaricadores. Isto é, os impostos também visam pagar as criaturas incumbidas de policiar in loco o pagamento dos impostos. Perante tão perfeita paródia da racionalidade estatal, resta-nos rir primeiro e tentar com que o fisco não ria por último.
Os resultados do nosso trabalho já são extorquidos em quantidade suficiente e segundo métodos impossíveis de contornar. É da mais elementar lucidez resistir, dentro do possível, a extorsões adicionais. Não vou ao ponto de, à semelhança de Francisco José Viegas, sugerir que se mande os empregados do fisco “tomar no cú”. O Francisco exagera nos brasileirismos: os verbos “levar” ou “apanhar” chegam e sobram para um Governo com aura liberal, hábitos socialistas e processos napolitanos.
Claro. Eu também não quero factura. Como sou um egoísta prefiro ser só eu a pagar impostos.
amen! Rui
Prefiro o dinheiro na mão dos comerciantes do que no Estado para, entre outras coisas, alimentar os que vêm cá defender que se peça fatura!
Sem dúvida. Depois de se perceber como o Estado desperdiça dinheiro e como os empregados do Estado têm salários superiores ao privado, deixa de haver razão para pruridos morais quanto aos impostos.
pouco a pouco vão começando a perceber…
“Nobody spends somebody else’s money as carefully as he spends his own. Nobody uses somebody else’s resources as carefully as he uses his own. So if you want efficiency and effectiveness, if you want knowledge to be properly utilized, you have to do it through the means of private property.” Friedman
Porque é que senhores não apelam aos consumidores para pedirem facturas nas gasolineiras, nos supermercados, nas lojas de electromésticos, nas empresas de telecomunicações para que assim possam deduzir os tais 5% do IVa como instigam para os cafés, tabernas, barbeiros e mecâncioa de automóveis e de bicicletas? Ah, pois. Compreende-se essa é gebte amiga que tem que ser protegida e os pequenos que se lixem. É assim, ou não é?
Greenspan vs Friedman
“I made a mistake in presuming that the self-interests of organisations, specifically banks and others, were such that they were best capable of protecting their own shareholders and their equity in the firms,” said Greenspan.
O Alberto Gonçalves é uma das poucas leituras imperdíveis da imprensa… não o conheço há muito tempo, mas está no melhor que os jornais portugueses publicam!
Muito lindo Jónatas, não fosse o sr. Greenspan conhecido por Mr. Bubbles, responsável por, entre outras coisas, de produzir as bolhas das Dot.com e do imobiliário devido às suas políticas monetárias acomodatícias. Quando se dá dinheiro de graça aos banqueiros com a garantia de apoiar bailouts na eventualidade de um desastre não há defesa do self-interest, nem aversão ao risco que nos valha. Só há uma coisa: o risco moral.
É uma maneira de olhar para a coisa. A outra é ver empresas e bancos inteiros a falsificarem produtos e lucros e a manipularem o mercado porque, dada a ausência de regulação (porque o mercado regula-se por si só, segundo Friedman), esses lucros, por mais falsos que sejam, permitem obter contrapartidas pessoais ao nível dos bónus que cada um recebe.
Se temos um sistema em que os governantes emitem dívida pública que os bancos compram oferecendo-lhes assim a possibilidade, pelo menos temporária, de dar coisas a troco de nada ao eleitor e, por outro lado, esses governantes correspondem nacionalizando os prejuízos que vão aparecendo a pretexto de um suposto interesse nacional, é fácil perceber que dessa promiscuidade não sairá nenhuma regulação que não vá ao interesse das duas partes em detrimento do cidadão e do cliente bancário, pelo que o melhor é nem a pedir. O que há a fazer é impedir o estabelecimento de um sistema de banco central que manipula taxas de juro, cria dinheiro de papel numa impressora, financia bolhas especulativas, banco frágeis e, através deles, governos populistas e gastadores. Só aí terá condições para haver auto-regulação. Até lá só haverá risco moral, era o que estava a dizer. Mas isso é muito mais complexo de fazer e exigirá porventura tragédias e energias que por agora ainda falham.
Estamos completamente de acordo então, Nuno.
“O que há a fazer é impedir o estabelecimento de um sistema de banco central que manipula taxas de juro, cria dinheiro de papel numa impressora, financia bolhas especulativas, banco frágeis e, através deles, governos populistas e gastadores. Só aí terá condições para haver auto-regulação.”
Bem observado! Essa seria a regulação mais premente, mas que nunca acontecerá porque não convém aos próprios governos.
“The existence of a free market does not of course eliminate the need for government. On the contrary, government is essential both as a forum for determining the “rule of the game” and as an umpire to interpret and enforce the rules decided on.” – The Relation Between Economic Freedom and Political Freedom
“A outra é ver empresas e bancos inteiros a falsificarem produtos e lucros e a manipularem o mercado porque, dada a ausência de regulação (porque o mercado regula-se por si só, segundo Friedman), esses lucros, por mais falsos que sejam, permitem obter contrapartidas pessoais ao nível dos bónus que cada um recebe.”
Continua a passear a ignorância? Não sabe que foi a regulação que causou as bolhas.Não sabe que foi o desejo político de pagar o Estado com crédito e fazê-lo chegar a qualquer um que fez a bolha e os bonus? Não sabe por exemplo que o PCP foi um dos aliados dos bancos?
Outras leituras dominicais: http://www.telegraph.co.uk/news/9875954/Muslim-preacher-urges-followers-to-claim-Jihad-Seekers-Allowance.html
Anjem Choudary was secretly filmed mocking non-Muslims for working in 9-5 jobs their whole lives, and told followers that some revered Islamic figures had only ever worked one or two days a year.
“The rest of the year they were busy with jihad [holy war] and things like that,” he said. “People will say, ‘Ah, but you are not working’.
“But the normal situation is for you to take money from the kuffar [non-believers].
“So we take Jihad Seeker’s Allowance. You need to get support.”
(…)
At another meeting in Slough infiltrated by the Sun, Choudary was filmed proclaiming that Islam was taking over Europe.
“Now we are taking over Birmingham and populating it,” he said.
“Brussels is 30 per cent, 40 per cent Muslim and Amsterdam. Bradford is 17 per cent Muslim.
“These people are like a tsunami going across Europe. And over here we’re just relaxing, taking over Bradford brother. The reality is changing.”
E você continua a passear essa sua má disposição. Mas percebo-o porque estou igual, também me dá uma volta ao estômago quando leio os seus erros de avaliação.
Onde está a factura? Comi
2013 – o ano de combate ao canibalismo fiscal
http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/02/outra-alternativa.html