No Fio da Navalha

O meu artigo de ontem no jornal i.

Experiência (2)

Na passada semana referi que saber que não podemos mudar o mundo não significa conformismo.  Na verdade, o que temos de trabalhar em nós é bem mais difícil e revelador. Hoje chamo a atenção para outro erro que associamos à experiência: a ideia de que com os anos temos de aceitar o fim dos nossos sonhos.

É comum entender-se que a maturidade implica prudência que pressupõe desistir de si mesmo; que crescer passa por confundir os nossos valores mais íntimos com ingenuidade. Foi Ayn Rand, na introdução que em 1968 fez ao seu livro “The Fountainhead”, quem chamou a atenção para a chama que nasce connosco e que tantos querem apagar. Rand dedica esse livro aos que crescem sem que se deixem corromper. Aos que não desistem de se realizar nesta vida e sabem que essa realização pessoal passa por, utilizando a nossa inteligência e engenho, superar o inimaginável. Se a vida é o que é hoje, foi porque houve quem, superando-se, revolucionou a forma como olhamos para as coisas.

Associar a chama juvenil à maturidade é um desafio difícil. Não só obriga a uma vigilância contínua, como, por ser de cariz individual e nascer no foro mais íntimo da pessoa, se sente mais do que se explica. Apenas cada um sabe o que deseja e o que o faz sentir valer a pena estar aqui. Apenas cada um vai conhecendo o que lhe dá o prazer de viver e, com a experiência, qual a fronteira que outros não podem pisar. A liberdade começa no ponto em que a sua vida, única como é, não pode cair nas mãos de terceiros.

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