Imprevisões

O emprego em Portugal atingiu no último trimestre de 2012 o valor histórico de 16,9%. A evolução da taxa de desemprego média anual pode ser observada no gráfico abaixo criado a partir de dados do Pordata, sendo que de acordo com dados do INE, no terceiro trimestre de 2012 verificou-se uma taxa de desemprego de 15,8% e no último trimestre de 16,9%. Além dos dramas pessoais envolvidos, o desemprego representa um desaproveitamento de recursos humanos assim como uma menor receita fiscal e um aumento das despesas sociais.

Desemprego2012

É de salientar que Vítor Gaspar escreveu na Proposta de Orçamento de Estado de 2013, datado de Outubro de 2012, o seguinte: “A taxa de desemprego [em 2013] deverá situar-se em 16,4%, mais 0,9 p.p. do que o previsto para 2012“. Sendo este o valor médio para o ano, o valor esperado em Outubro de 2012 para o ano seria de 15,5% quando na realidade se veio a revelar de 15,7% (dados do INE). Ou seja só no período de três meses registou-se um desvio de 0,2% para o ano inteiro.

Este aumento do desemprego, acima do esperado, não é nada que me surpreenda dada a política fiscal seguida pelo governo ao privilegiar o aumento da receita em detrimento da redução da despesa.

Para o objectivo de 16,4% ser atingido em 2013, o desemprego terá que recuar no valor global do ano em 0,5%. Eu não creio que isto venha acontecer. Antes pelo contrário, acho que a tendência será para aumentar. Pedro Passos Coelho admite que o desemprego irá continuar a subir mas acredita que a partir do Verão haverá uma inversão da tendência. Não sei em que se baseia a crença do primeiro-ministro, mas espero bem que a inversão da tendência se concretize o mais rapidamente possível.

45 pensamentos sobre “Imprevisões

  1. Domingos

    Caro João Cortez: reparou certamente que os valores quadriplicam (aproximadamente) de 4% para 16% entre as datas em análise. Agora quanto ao gráfico, veja que os valores no eixo das ordenadas não correspondem a esta relação. O pasquim onde pescou o boneco deve ter utilizado um desenho de algo que nada tem a ver com a evolução da taxa de desemprego.

  2. ««Este aumento do desemprego, acima do esperado, não é nada que me surpreenda dada a política fiscal seguida pelo governo ao privilegiar o aumento da receita em detrimento da redução da despesa.»»
    .
    Gostava de ver esta tese demonstrada com dados concretos.

  3. Luís

    Não sou economista. Mas conheço bem a realidade das PME’s de alguns sectores, e creio que temos um salário mínimo demasiado elevado, e excesso de impostos e burocracias sobre o trabalho, impostos pagos pelo empresário, sublinhe-se. Por isso muitos patrões já estão a empregar sem documentação, a pagar um salário combinado com o empregado. São os próprios empregados que pedem para não estarem legais, isto acontece especialmente com os vendedores, que preferem trabalhar recebendo uma percentagem das vendas. Penso que deveríamos ter um salário mínimo mais próximo dos valores praticados em países da Europa de Leste, como a República Checa. Simultaneamente, tem de ocorrer alguma deflacção em áreas como o arrendamento. E por que não acabar com o saláro mínimo? As mulheres a dias, pedreiros, electricistas… recebem à hora e ganham mais do que ganhariam se recebessem salário. A minha empregada ganha 6 euros por hora, tira no final do mês quase 1000 euros entre vários clientes.

  4. Luís

    Relato um caso recente.

    Um familiar recebeu uma loja de um tio-avô. O senhor ainda se encontra vivo, mas entregou-a com uma renda simbólica a um sobrinho. Pois ao que parece, segundo a lei portuguesa, o novo patrão não podia despedir nenhuma das empregadas sem lhes dar uma indemnização! Entretanto uma ficou grávida, e enquanto esteve de baixa foi obrigado a pagar perto de 500 euros por mês. Entretanto colocou outra a substituir, com um contrato de seis meses. Quando o contrato acabou, teve de pagar uma taxa de fim de contrato, uma indemnização pelo fim do contrato à empregada (!) e os dias de férias correspondentes aos seis meses. E lá se foi boa parte do lucro… Quem pode empregar com estas condições? Já viram o nosso tecido económico?

  5. Luís

    Portanto, creio que para a redução do desemprego é fundamental acabar com o salário mínimo e com uma série de taxas e burocracias.

  6. Concordo com o comentador Luis. Eu iria no entanto mais longe: acabava com o salário mínimo e retirava do Código de Trabalho a obrigação de pagar ordenado. Podia não ser logo, podia ir lá por fases. Quer dizer, se os empreendedores não tivessem de pagar ordenados, certamente poderiam empregar muito mais gente e o desemprego diminuiria drasticamente. Em forma de compensação, os empregado poderia comer os restos das refeições dos empreendedores, assim poupando-se ainda mais nos custos de trabalho.

  7. Luís

    Caro Sérgio.

    Sugiro que abra uma empresa. Pague salários, impostos, renda.

    Alguma vez passou por essa experiência?

    Tipico comentário de quem está a Leste da realidade económica do país.

  8. Luís

    Saiba que são os próprios empregados que pedem para trabalhar «sem papéis», com salário combinado com o patrão, para não pagarem impostos. Preferem correr riscos. O dinheiro que poupam serve, por exemplo, para pagarem as deslocações para o emprego.

  9. Luís

    E a minha experiência de vida mostra que a realidade do «patrão mau e explorador» é um bocado mito imposto pelo comunada após o 25 de Abril. Quando não havia crise conheci muitos patrões a pagar bem acima da média por livre iniciativa. Havia trolhas a receber mais de 50 euros por dia, empregados de mesa a levar 800 euros, empregadas a dias a receber a 10 euros por hora.

  10. Luís

    O salário mínimo é um empecilho à criação de emprego. O mercado de trabalho ajusta-se por si. Uma mulher a dias não aceita trabalho por 4 euros por hora. Um electricista não faz uma deslocação por menos de 20 euros pelo serviço. Quando o salário é miserável o próprio empregado recusa. É o que sucede há muitos anos com empregadas de limpeza, trolhas, explicadores, electricistas, mecânicos, padeiros, pasteleiros, etc.

  11. Luís

    Com menos impostos sobre o trabalho e salário mínimo a 400 euros, com essas condições aposto que o desemprego iria cair.

    Já viram o preço do petróleo?

    A maioria da população europeia com dinheiro para consumir está na Europa Central. Com a Europa de Leste ali ao lado fica mais barato produzir na Eslováquia ou na República Checa e depois transportar para a Alemanha, Suíça, Norte de Itália, Benelux ou França.

    Se não baixarmos os salários não vamos a lado nenhum.

    Já Vítor Bento salientou recentemente que só haverá crescimento se baixarem os custos do trabalho. E Medina Carreira está farto de dizer que temos de criar condições para competir com a Europa de Leste pela captação de investimento estrangeiro.

    O nosso campeonato não é a Alemanha, Suécia ou Dinamarca. Mas a esquerdelhada socialista e comunista pensam que sim.

  12. Luís

    O problema de Portugal não está apenas nos salários altos. Está acima de tudo no custo de vida. Andei a ver casa na Irlanda para arrendar e por lá arranja-se um T2 decente a 250 euros por mês. No Porto um T2 dificilmente fica por menos de 500 euros.

    E quem tem a culpa?

    O Estado Socialista, que tudo fez para que não houvesse mercado de arrendamento.

  13. Quem lhe disse a si que eu não passei (ou passo) pela situação de receber “por fora”? Go galt, amigo, go galt. Mas a questão não é essa. É impor salários baixos num país, lá está, com um nível de vida muito alto. Acha que se agora o salário médio de repente baixasse para digamos, 500 euros, o preço dos combustíveis iria baixar? Das casas? Da energia? Das telecomunicações? Do básico, como o pão e o leite? E não adiante ir pelo “pensamento mágico”. A desvalorização cambial só seria possível se tivéssemos moeda própria. O que está a ser tentado – desvalorização cambial por outros meios, entre eles a redução dos custos de trabalho – está a falhar redondamente e não irá resultar. Nunca, em lado algum.

  14. E baixar os custos de trabalho – como o Vítor Bento bem sabe, mas não diz – não passa essencialmente por baixar o rendimento dos trabalhadores, mas por reduzir os outros custos, que pesam muito mais no orçamento das empresas do que as compensações pelo trabalho. Entre eles, olhe, a energia, das mais caras do mundo, ou dos combustíveis, também dos mais caros. Outra maneira de lá chegar é pelo aumento da produtividade, mas não vamos lá com salários mais baixos. Por alguma razão os países com mais altas taxas de produtividade são os que pagam melhor.

  15. Luís

    Concordo consigo em alguns pontos, mas para atingir algumas dessas reduções que propõe é mister que o Estado baixe a carga fiscal. E para isso é terá de cortar muito além dos falados 4 mil milhões de euros.

  16. Luís

    Devo acrescentar que nos serviços e até na alimentação é notória uma queda de preços. Apenas sectores protegidos ou dominados por oligarquias e corporações não fizeram o ajuste.

  17. Luis, já escrevi aqui uma vez e mantenho: sou favorável a uma descida do IRC para níveis semelhantes à Irlanda, por exemplo. E também sou favorável à existência de vantagens fiscais para empresas empregadoras (mas não com baixos salários) e exportadoras. O IVA também deveria baixar em alguns produtos, incluindo a restauração. E tenho quase a certeza que se isto tudo fosse feito a quebra nas receitas fiscais não seria tão grande como foi em 2012, por veríamos o efeito da curva de Laffer invertido.

    Quanto a corte nas despesas, a única despesa que não afecta a economia é a do serviço de dívida. Todos os cortes que se façam (e estão a fazer) nas despesas do Estado afectam negativamente a economia (não preciso de explicar porquê). Não quer dizer que não se possa racionalizar muita coisa no funcionamento do estado, reduzindo custos, mas as desvantagens são maiores que as vantagens. A única maneira seria renegociar juros e prazos da dívida, seja a que fizemos juntos da troika, seja (sobretudo) a contraída antes. Os 4 mil milhões é um erro tremendo, que todos iremos sentir a curto e a médio prazo.

  18. Miguel Noronha

    Portanto. Quer baixar os impostos mas não quer cortar na despesa. Pois. O dinheiro há de surgir de qualquer lado. Aliás, o problema está no juros e não na dívida e no desequilibrios orçamentais.
    E a redução de impostos é apenas para quem cumpra as regras do seu agrado.

    Bravo. O dirigismo e despesismo no seu melhor.

  19. Miguel: não leu o que eu escrevi? Quero cortar na despesa, sim: com o serviço da dívida. A única despesa que, quando cortada, não tem um impacto negativo na economia. E por sinal a maior fatia do OE.

  20. Aliás, qual despesismo? Eu falei em investimento público não produtivo? Só digo que mais cortes ainda irão mandar mais abaixo a economia. Dificilmente poderá discordar. Não é o FMI que fala num multiplicador de 1,5 para os efeitos da austeridade na economia?

  21. Miguel Noronha

    Li. E você volta a insistir na asneira de sempre. Acha que o problema é o serviço da dívida e não a despesa corrente. O stock de dívida deve ter surgido por obra e graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi um milagre mas ao contrário.

  22. Miguel Noronha

    E os multiplicadores são sempre constantes e iguais para todo o tipo de despesa e conjuntura. Pagar para abrir e fechar buracos se calhar também tem um multiplicador de 1.5

  23. Miguel Noronha

    Aliás, atendendo ao nível de aumento da despesa que assistimos na última década não se percebe como os multiplicadores se avariaram e não nos tornaram podres de ricos.

  24. Mas tentar negociar as condições de dívida passada significa necessariamente aumentar a despesa corrente? Para o impacto desta despesa ser menor, há duas vias: ou corta-se, corta-se, até não se sabe bem onde, com o consequente impacto na economia (e aumento da despesas sociais, por exemplo) ou a economia cresce. Como neste momento, e depois dos cortes de 2011 e 2012, já devemos estar abaixo da média da OCDE em percentagem de gastos nas áreas sociais – e mesmo assim a divida pública continua a crescer e o défice é pouco reduzido – se cortarmos mais abandonamos metade do país à miséria. É isso que defende? Um proto-estado em vias de subdesenvolvimento?

  25. O Miguel sabe melhor do que eu que o investimento feito na última década e meia foi feito em áreas erradas, visando sobretudo alimentar uma clientela corporativa. Investimento não produtivo, aliás estimulado pela UE. Mas curiosamente não estou a ver este Governo a mudar isso.

  26. Miguel Noronha

    Independentemente do serviço da dívida nós temos mesmo que reduzir a despesa corrente de forma permanente e significativa. As maiores rubricas aumentam quase por inércia.

    Quanto à despesa pública e a ilusória comparação dos gastos sociais remeto-o para <a href=http://www.ionline.pt/opiniao/ainda-despesa-publica>este artigo do Pedro Bráz Teixeira que é capaz de perceber um bom bocado mais do que eu de temas económico. É bastante simples e qualquer leigo será capaz de entender.

  27. Miguel Noronha

    “o investimento feito na última década e meia foi feito em áreas erradas”
    Mas agora se arranjarmos líderes iluminados para investir segundo critérios etico-cientificos tudo será diferente.
    No fundo o que nós faltou foi uma líderança omnisciente.

    Já agora. Quais eram afinal as tais “áreas certas”?
    (por oposição ás “erradas”)

  28. Guillaume Tell

    “Quero cortar na despesa, sim: com o serviço da dívida. A única despesa que, quando cortada, não tem um impacto negativo na economia. E por sinal a maior fatia do OE.”

    Aonde vê isso? Eu fui ao quadro Excel da síntese orçamental e calculei para o Estado social (Educação, Ciência e Investigação, Saúde, Segurança Social e CGA) chegamos a 45,3 mil milhões se olhamos nos programas e acresentamos a CGA (e faltam cerca de 13 mil milhões do orçamento total da Segurança Social mas adiante). Os juros andam nos 7,6 mil milhões, abaixo por isso da SS, da CGA, Educação e Saúde e na nossa história estes juros, que representam cerca de 5% do PIB em 2012, estão mesmo assim muito abaixo dos cerca de 10% do PIB que tinhamos de consacrar para o serviço da dívida nos anos 1980.

  29. 7,6 mil milhões é quase o orçamento de cada uma das áreas sociais, individualmente. Por que razão devemos cortar nas áreas sociais quando podemos tentar reduzir os juros. E depois, a dívida em si. Podemos tentar estender no tempo o pagamento de parcelas da dívida, de maneira a saldarmos menos em cada ano. A Alemanha fez isso no pós-guerra, a Grécia conseguiu isso, porque não tentamos nós? A questão é simples: se continuamos a cortar , destruímos a economia, sem crescimento económico nunca conseguiremos equilibrar os nossos défices, toda a despesa cortada corresponde à soma da quebra nas receitas (ou 100 000 despedidos da função pública não significa menos 100 000 pessoas a pagar impostos, a receber indemnizações e subsídios – mais despesa?) mais à quebra no PIB com a contração da economia (menos receitas fiscais, etc. etc.) Quanto mais se cortar, menos dinheiro o Estado tem. Sem crescimento económico, não saímos do buraco. A única despesa que se pode cortar sem afectar a economia é no serviço de dívida. Dê por onde der.

  30. Miguel:

    basta olhar para a Irlanda para sabermos quais são as “áreas certas”: tecnologia e bens transacionáveis. Não me parece que seja com uma política de baixos salários e nenhuma aposta na formação – parece que o Governo prefere apostar na “lavoura” – que iremos chegar lá.

  31. Miguel Noronha

    “7,6 mil milhões é quase o orçamento de cada uma das áreas sociais, individualmente. Por que razão devemos cortar nas áreas sociais quando podemos tentar reduzir os juros”
    O orçamento dessas rubricas é cerca de 3/4 dos gastos correntes.Não sei se pode cortar nos juros, mas mesmo que possa terá sempre que cortar na despesa corrente porque precisamos passar a ter saldos prímários positivos se queremos combater seriamnete o endividamente público e reduzir a carga fiscal.

    “se continuamos a cortar , destruímos a economia (…) Quanto mais se cortar, menos dinheiro o Estado tem. Sem crescimento económico, não saímos do buraco.”
    Bravo. Pelos vistos a “economia” é a despesa pública. e o crescimento económico é gerado por esta. Alfama School of Economis no seu melhor.

    ” 100 000 despedidos da função pública não significa menos 100 000 pessoas a pagar impostos”
    Não. Significa menos despesa pública.

  32. Miguel Noronha

    “basta olhar para a Irlanda para sabermos quais são as “áreas certas”: tecnologia e bens transacionáveis”
    E menos despesa pública e regulação estatal também já que refere o modelo irlandês. Mas a quem compete apostar nessas áreas é o sector privado. Como um estudo recente referia o grande aumento da despesa pública nos últimos 20 anos provocou um crowding-out que desviou enormes recursos para os sectores não.transacionáveis (onde se inclui construção civil, educação e saúde, por exemplo) o que explica em parte o nosso miserável desempenho económico.

    Por acaso, um das conclusões do estudo foi que um dos maiores perdedores foi exactamente a “lavoura”. Mas pelos vistos o Sérgio já sabe que esse não é o caminho correcto. Eu prefiro que seja cada um a decidir onde melhor colocar os seus recursos. Se interferência estatal e de outros “iluminados”.

  33. lucklucky

    “Gostava de ver esta tese demonstrada com dados concretos.”

    Não é possível haver dados concretos.
    A única coisa concreta é que este Governo está a fazer um grande esforço para manter empregos inúteis e prejudiciais.

    “Todos os cortes que se façam (e estão a fazer) nas despesas do Estado afectam negativamente a economia (não preciso de explicar porquê). ”

    Precisa explicar. Muitos dos gastos no estado é para pagar “empregos” que existem especialmente para destruir a economia dos outros. Dificultar a vida de quem faz coisas.

    O país não melhorará nunca se os portugueses continuarem a produzir o mesmo e mesma quantidade.

    O mundo que existia só “volta” se houver uma guerra ou terramoto que destrua boa parte do país, aí já teremos o mítico “crescimento”.
    O “volta” não incluí obviamente os milhares de mortos…

  34. Joaquim Amado Lopes

    João Cortez:
    “Este aumento do desemprego, acima do esperado, não é nada que me surpreenda dada a política fiscal seguida pelo governo ao privilegiar o aumento da receita em detrimento da redução da despesa.”
    o aumento do desemprego é inevitável no curto-médio prazo e, neste prazo, aumenta menos com o aumento de impostos do que com a diminuição da despesa pública.

    Medidas de curto prazo que levem à diminuição da despesa pública no longo prazo:
    – despedimento de funcionários públicos: altamente improvável por razões políticas, no curto prazo resulta no aumento brutal da despesa pública (devido às indemnizações e subsídios de desemprego) e aumento do desemprego;
    – redução substancial do investimento público: resulta na redução substancial de encomendas ao sector privado, que leva ao encerramento de empresas e aumento do desemprego;
    – redução substancial do consumo público: idem;
    – redução substancial das prestações sociais: altamente improvável por razões políticas, resulta na redução do consumo interno, com impacto em vários sectores da economia, encerramento de algumas empresas e aumento do desemprego.

    Como o objectivo deve ser sempre a sustentabilidade do Estado a longo prazo, estas são medidas necessárias. No entanto, o resultado no curto prazo será sempre o aumento do desemprego. A opção pelo aumento da receita sem medidas decisivas na redução da despesa estrutural do Estado (Função Pública e prestações sociais) é má mas, mesmo assim, resulta em menos desemprego no curto prazo.
    Por outras palavras, precisamente o contrário do que o João afirma.

  35. Joaquim Amado Lopes

    Sérgio Lavos (8),
    “Eu iria no entanto mais longe: acabava com o salário mínimo e retirava do Código de Trabalho a obrigação de pagar ordenado.”
    O Sérgio Lavos paga ou alguma vez pagou o ordenado a alguém?
    Se sim (e apostaria que não), já se viu na situação de lhe ser exigido mais do que o Sérgio achava que o trabalho valia ou do que o que o Sérgio podia pagar?

  36. Joaquim Amado Lopes

    Sérgio Lavos (16),
    “Acha que se agora o salário médio de repente baixasse para digamos, 500 euros, o preço dos combustíveis iria baixar? Das casas? Da energia? Das telecomunicações? Do básico, como o pão e o leite?”
    E o que é que quem paga o salário tem a ver com onde este é gasto?

    Quem paga não está a sustentar um estilo de vida, está a contratar um serviço. Se quem presta o serviço tem um estilo de vida que custa mais do que o valor do seu trabalho, quem tem que fazer alterações é essa pessoa.
    Ou acha que o mesmo trabalho, efectuado com a mesma competência e diligência, vale menos se fôr prestado por um jovem que vive com os pais do que se fôr prestado por uma mãe de três, solteira e a pagar uma casa?

    “E não adiante ir pelo “pensamento mágico”.”
    Porquê? Quer ter o exclusivo?

  37. Joaquim Amado Lopes

    Sérgio Lavos (17),
    “E baixar os custos de trabalho – como o Vítor Bento bem sabe, mas não diz – não passa essencialmente por baixar o rendimento dos trabalhadores, mas por reduzir os outros custos, que pesam muito mais no orçamento das empresas do que as compensações pelo trabalho. Entre eles, olhe, a energia, das mais caras do mundo, ou dos combustíveis, também dos mais caros.”
    Com a excepção EVENTUAL de ALGUMAS empresas transportadoras, que empresas pagam “muito mais” pela energia e/ou combustíveis do que por “compensações pelo trabalho”?

  38. Joaquim Amado Lopes

    Sérgio Lavos (20),
    “Quanto a corte nas despesas, a única despesa que não afecta a economia é a do serviço de dívida. Todos os cortes que se façam (e estão a fazer) nas despesas do Estado afectam negativamente a economia (não preciso de explicar porquê).”
    Precisar precisa, só que claramente não sabe o suficiente de Economia para o explicar. Se acha que sim, explique lá como é que, NO LONGO PRAZO, o corte na despesa pública afecta negativamente a economia.

    “Não quer dizer que não se possa racionalizar muita coisa no funcionamento do estado, reduzindo custos, mas as desvantagens são maiores que as vantagens. A única maneira seria renegociar juros e prazos da dívida, seja a que fizemos juntos da troika, seja (sobretudo) a contraída antes.”
    Não apenas a renegociação de juros e dívida depende de outros como tem condições e consequências.

    As condições são ter que demonstrar primeiro que a renegociação é feita em boa fé, no sentido de que queremos mesmo pagar a dívida mas que, para tal acontecer, é necessário que os credores sejam flexíveis. Isso não acontece se insistirmos em continuar a aumentar a dívida.
    As consequências são que a expectativa dos credores relativamente ao retorno do investimento mudam e, no futuro, irão exigir taxas mais altas e mais garantias, antecipando novas “renegociações”. Se não se reduzir o deficit público, isso significa que a dívida irá aumentar exponencialmente.

    “Os 4 mil milhões é um erro tremendo, que todos iremos sentir a curto e a médio prazo.”
    O erro tremendo é precisamente esse: pensar no curto prazo. A redução inevitável da despesa estrutural anual do Estado em muito mais do que 4 mil milhões de euros (isso é apenas o começo) é o resultado dessa ideia de que “o importante são as pessoas” mesmo quando a consequência é gastar dinheiro que não se tem e que se virá a ter que pagar com juros.

  39. Joaquim Amado Lopes

    Sérgio Lavos (22),
    “Miguel: não leu o que eu escrevi? Quero cortar na despesa, sim: com o serviço da dívida. A única despesa que, quando cortada, não tem um impacto negativo na economia. E por sinal a maior fatia do OE.”
    O Sérgio não faz a mínima ideia de quanto é essa “fatia”, pois não?

  40. Joaquim Amado Lopes

    Sérgio Lavos (27),
    “Para o impacto desta despesa ser menor, há duas vias: ou corta-se, corta-se, até não se sabe bem onde, com o consequente impacto na economia (e aumento da despesas sociais, por exemplo) ou a economia cresce.”

    Sérgio Lavos (28),
    “O Miguel sabe melhor do que eu que o investimento feito na última década e meia foi feito em áreas erradas, visando sobretudo alimentar uma clientela corporativa.”

    E a economia cresce como? Com o Estado a pedir dinheiro emprestado para abrir e fechar valas? Ou o Sérgio Lavos sabe exactamente em que é que o Estado deve investir o dinheiro QUE PEDE EMPRESTADO, de forma a pagar essa dívida e ainda ter lucro?

    Se é esse o caso, por favor liste as empresas que criou e indique quanto tempo levou cada uma delas a pagar o investimento.

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