Sobre Fernando Ulrich, é isto

‘barriga cheia, cabeça vazia’ de Rui A.:

«Subsiste uma sensação de profunda irritação, a evocar os sentimentos provocados pela lenda daquela outra personagem que recomendava brioches e croissants à multidão famélica, quando se ouve o antigo jornalista, travestido de banqueiro, Fernando Ulrich dissertar sobre os sacrifícios alheios, provavelmente depois de pastar alguns pares de crepes Suzete no Gambrinus. Estes despiciendos comentários acerca dos limites do sofrimento dos outros, recentemente retocados com pinceladas de neo-realismo sem-abrigo, por mais verdadeiros que possam ser, não ficam bem a ninguém, menos ainda a quem gere um banco tecnicamente falido, que só restitui os depósitos que lhe foram incautamente confiados à custa dos impostos dos cidadãos portugueses e europeus.»

Acrescento, também na linha da apropriada celebração do centenário de Cunhal de João Vacas: Ulrich não lembra só Maria Antonieta; conseguiu até lembrar Mao recomendando vegetarianismo aos chineses esfomeados durante o grande salto em frente. Mao também estava convencido que os outros ‘aguentam’. Sendo que quem pediu desculpas públicas pelas intragáveis palavras de Ulrich deve também fazer um exame de consciência e desculpar-se pelo apoio que deu e dá às políticas socráticas que nos faliram.

23 pensamentos sobre “Sobre Fernando Ulrich, é isto

  1. Gaussian blur

    Portanto comentários acerca da viabilidade da austeridade são tão mais legítimos quanto mais pobre for o orador, porque está mais em contacto com a realidade.

  2. Rui

    normalmente damos mais credito quando:
    um economista fala sobre economia;
    um advogado fala sobre direito
    um engenheiro fala sobre engenharia, etc etc

    porque é que não damos mais credito a um pobre quando se fala sobre pobreza?

  3. neotonto

    Uma pergunta que só pode ser respondida neste blog.
    Porque é que o FMI nao cotiça em bolsa ?Impede alguma lei internacional?

  4. JS

    Perspicaz. A esquerda declarou como causa de todos os males do País o comentário do rico Sr. F. Ul. Dor de cotovelo promovida a construtiva crítica política?. Perene infantilismo ?

  5. Comunista

    JS, só porque você categoriza tudo em termos de dor de cotovelo, revelando o padrão porque você se mede, não quer dizer que os outros também o façam.

  6. lucklucky

    Perene infantilismo ?

    Nah perene tribalismo, a esquerda só está contente quando formos todos mediocremente iguais.

  7. Comunista

    Bom…lucklucky, o Ulrich é que nivelou a capacidade geral de resistência à austeridade pelo contingente de sem-abrigos. Chegou a dizer que virar sem-abrigo poderia acontecer-lhe também quando nós sabemos bem que mais depressa os insurgentes e seus adeptos apoiariam um regime fascista do que um banqueiro como o Ulrich virar sem-abrigo.

  8. A. R

    Os ucranianos aguentaram o Gulag, os soviéticos os sucessivos pogroms, os norte-coreanos aguentam o regime militarista e de fome de muitas gerações, os cubanos vivem em meados do séc XX e aguentam com umas ajudas do império, os venezuelanos aguentam escassez de tudo e 15 mil mortos anos. Para explicar como se aguenta os comunas podem dar explicações

  9. Vasco

    Que comparação da treta! Porventura também achais que todos somos iguais e, já agora, todos devemos ser pobres.

  10. Comunista

    A. R, não fique por aí. Os norte-coreanos aguentaram 3 milhões de mortos e todas as cidades e vilas arrasadas nos anos 50 pelos bombardeamentos americanos (os americanos assassinaram 30% da população da Coreia do Norte); os palestinos aguentam o gulag em que se tornou a sua terra pela acção dos governos de Israel/EUA; os sul-americanos aguentaram ditatores sanguinários patrocinados pelos americanos; milhões de africanos e indianos (só no período entre 1942 e 43 do sec. passado 3,5 milhões de indianos morreram de fome e doença resultado do domínio inglês) aguentaram séculos de exploração, escravatura e assassinato por portugueses, franceses e ingleses…etc

    http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_major_famines_in_India_during_British_rule

    http://www.globalresearch.ca/know-the-facts-north-korea-lost-close-to-30-of-its-population-as-a-result-of-us-bombings-in-the-1950s/22131

    “”if our country were defeated, I hope we should find a champion as indomitable to restore our courage and lead us back to our place among the nations.” (Churchill sobre Hitler)

    “If I had been an Italian, I am sure I would have been with you [Mussolini] from the beginning to the end of your victorious struggle against the bestial appetites and passions of Leninism.” (Churchill para o partido fascista italiano)

    “I do not admit… that a great wrong has been done to the Red Indians of America, or the black people of Australia… by the fact that a stronger race, a higher grade race… has come in and taken its place.” (Churchill para Palestine Royal Commission, 1937)

  11. A. R

    O comunista cria a sua realidade e espoldrinha-se nela sem vergonha. O comunista continua com a sua grande confusão e com a mania que a morte de uma andorinha acaba com a primavera: confunde vítimas de guerra com vítimas indefesas da sua ideologia, confunde vítimas com agressores, esquece quem causou as guerras e confunde a escravidão com sua liberdade.
    Curioso e paradigmático é o caso da Coreia: quem lançou a guerra da Coreia não foram os EUA nem a guerra foi travada pelos EUA. Israel não agride defende-se: no “gulag” bem armado “palestiniano” tem-se pão, água e electricidade tudo doado por Israel. Tem ainda o maior índice de obesidade do mundo e o de maior corrupção e ainda ocupam parte do Território de Israel. O regime de Assad, apoiado por Moscovo já causou mais mortes que todas as guerras em que Israel foi obrigado a defender-se.

    Nada parecido “o gulag de um povo inventado” com o drama das Terras Virgens e do Belomorkanal do regime soviético. Na índia morria-se de fome e doença antes dos ingleses, morreu-se durante e morre-se depois. E morreram mais no Camboja comunista.
    Esquece a guerra do Afeganistão que a URSS lançou. Os ditadores sanguinários da América Latina são Chavez, são Evos Morales, são Allendes, são Ortegas, são Castros e quem matou na América Latina em grande número são as guerrilhas comunistas que o PCP aqui idolatra.

    A fome e a doença são imagens de marca do comunismo: toda a fome de África foi lançada pelos comunistas (Etiópia, Eritreia, Sudão, Angola, Moçambique : tudo regimes a mando de Moscovo e alguns entregues pelo PCP) quando Frankl levou a sua ideologia socialista para África a reboque de Julius Nierere e a produção de alimentos se reduziu 50% em poucos anos. E onde entra o comunismo entra a fome: basta ver o Zimbábue.

  12. A. R

    O PCP queria isto para Portugal e naturalmente estes campos são de férias para aprofundar a ideologia do “Nunca tão poucos mataram tantos em tão pouco tempo” que eles ostentam e da qual nunca se arrependem nem pedem perdão.
    As many as 50,000 inmates are held at the camp, producing furniture or labouring in coal mines or the fields. In total, some 100,000 people are believed to be held in North Korean labour camps.
    Defectors have recounted numerous forms of torture at Camp 22, as well as claiming that medical and weapons experiments were carried out on inmates, including children.
    http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/asia/northkorea/9632345/Satellite-images-show-gulags-still-operational-in-North-Korea.html

  13. Comunista

    AR, você é essencialmente uma caixa de ressonância de propaganda capitalista, um devorador de bullshit da diplomacia e propaganda dos EUA, de Inglaterra e de Israel. Faça bom proveito.

  14. economista

    Despacho n.º 5776/2011

    Nos termos dos artigos 3.º, n.º 2, e 16.º, n.os 1 e 2, do Decreto-Lei
    n.º 28-A/96, de 4 de Abril, nomeio consultora da Casa Civil

    Isabel Diana Bettencourt Melo de Castro Ulrich,

    funcionária do Partido Social Democrata, com efeitos a partir desta data e em regime de requisição, fixando-lhe os abonos previstos nos n.os 1 e 2 do artigo 20.º do referido diploma em 50 % dos abonos de idêntica natureza estabelecidos para os adjuntos.

    9 de Março de 2011. — O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
    15514 Diário da República, 2.ª série — N.º 66 — 4 de Abril de 2011
    2045175844

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