A mentalidade socialista em Portugal

Depois da indignação provocada pelos lucros do BPI esperemos que os comentadores se regozijem com o prejuízo recorde que se adivinha no BCP.

15 pensamentos sobre “A mentalidade socialista em Portugal

  1. anti-praticos

    Permita-me dizer que a maior indignação não se deve tanto aos lucros(que eu pessoalmente não acho relevante), mas sim com os bailouts encapotados dos quais o Banif é um exemplo ilustrativo, ou as ajudas ao Bcp ou ao BPI.Em suma, não subscrevo o principio “Too Big to Fail”

  2. JP

    Tudo o que tiver vara, constâncio ou qualquer outro do género é “esquecido” nas teorias, como se viu na última quadratura.
    No sustentáculo estratégico (dito “jornalismo”), o país é entretido com casos como o de um GNR que pontapeou um porco…afinal para este não fugir para a faixa de rodagem e ser atropelado.
    Sobre o tal banco de que já disseram publicamente ter sido invadido por razões políticas, nada.
    Tudo isto é normal, em Luanda.

  3. Miguel Noronha

    “Permita-me dizer que a maior indignação não se deve tanto aos lucros…”

    Não estou a comentar o seu caso particular mas inúmeros comentários feitos nos últimos dias que eram dirigidos à uma suposta impralidade de ter lucros quando estão “intervencionados”. Mas se a indignação é com os processos de recapitalização (que não são necessariamente bailouts) porquê criticar os lucros? É um sinal positivo que indica que o banco vai conseguir pagar o empréstimo e provavelmente até mais cedo do que se esperava.

  4. anti-praticos

    Com certeza, miguel,é um sinal bastante positivo.Mas as recapitalizações na maior parte dos casos não devem ser compostas por fundos públicos.No caso do Bpi e BCP é compreensivel, mas no caso do Banif creio que .. não é correcto

  5. JMJ

    Está a ser injusto Miguel.

    O problema dos lucros do BPI ou do Santander ou do BES e de tantos outros bancos, é que mesmo quando aumentam os lucros e os dividendos (E as fugas aos impostos e as fugas de capital do país) continuam a despedir trabalhadores e a exigir junto dos seus amigos que aprovem leis que espremam ainda mais que lhes criou os lucros fabulosos.

    O meu problema não é o Ulrich e o que ele diz, mas que ele se sinta à vontade para dizer aquilo e que tenha apoio no governo para me roubar ainda mais, todos os dias.

  6. Carlos

    Estes resultados do BCP, em grande parte, também devem ser imputados à CGD. E, se assim se fizer, o “nosso” Banco, o Banco do povo português, apresenta umas contas muito bonitas: em vez de ajudar a pagar a dívida, ajuda a aumentá-la, mesmo a pagar juros ridículos aos seus depositantes. Concluindo: venda-se a CGD o mais breve possível (ou seja, antes que seja tarde) a aproveite-se o dinheiro que render para abater à divida pública. E mandem-se os seus actuais gestores para o desemprego, como merecem.

  7. Pisca

    o Carlos com mais um paragrafo ainda descobria que os prejuizos do BCP eram causados pelas fases da Lua e a pressão atmosférica, logo há que privatizar o luar e o ar que respiramos

    Não lhe digo o resto mas o Saramago já o disse, procure

  8. A. R

    Entretanto a “oposição socialista” ouve de boca aberta o papandreu da grécia depois de adorar reverencialmente o papandreu português

  9. António

    O problema não são os lucros do BPI.

    O problema é que não são lucros. São subsídios. E são lucros-subsidios feitos às custas dos juros e ajudas cobrados ao Estado. E são utilizados para dar dividendos e pagar ordenados que todos os outros não podem receber para o Estado pagar esses juros e subsídios ao BPI.

    O BPI é parte do socialismo corporativo de ricos para ricos que actualmente se vive em Portugal

  10. lucklucky

    Precisamente António.

    “Fuga de capitais”

    Até parece que o capital é seu JMJ para fugir de si…ou então um nacional soci@lista…

    “continuam a despedir trabalhadores”

    Então é favorável à ineficiência e más práticas. A vossa inflexibilidade soci@lista impediu de criar dias de trabalho menores e assim obviar despedimentos
    Já agora qual a obrigação de alguém criar, manter postos de trabalho? há uns que pelos vistos para si são…

  11. JS

    A anedota é o Estado “Socialista”, PS, com o perspicaz apoio de imensos comentadores anexos, nacionalizar um Banco (BPN) para salvar o País(!?) do colapso de uma fracção minima da sua Banca, e deixar incólumes os accionistas, desse Banco, a SLN!.
    Durante este percurso … foi arruinando o País … que salvou!.
    Para os anais do despudor do “socialismo” no poder. Salvar bancos, falídos, salvando accionistas!.

    A partir daqui tudo é possível, tudo está a ser possível, e legal.
    Aliás executado por credenciados e laureados governantes e respectiva corte, longe da crise, nas suas respectivas torres de marfim (a Europa das Comissões e Parlamentos, AR e partidos), perante a crescente confusão e pânico na mente de eleitores, na sua maioria abstencionistas relapsos, culturalmente crentes, atavicamente com fé, na boa fé dos detentores do poder.

    Pouco a pouco confrontados com a realidade atráz dos mitos, “Democracia” “Socialismo” “Europa e o salvífico Euro” com que foram entretidos, senão burlados e fiscalmente espremidos, estarão novamente à mercê de um próximo D. Sebastião que, nevoenta pan-europeia personagem, se avizinha?.

  12. Fernando S

    Varios dos comentadores acima aprazem-se a designar a Banca privada como a causa de todos os males e como um inimigo a abater.
    Claro que é verdade que o sector bancario em Portugal foi favorecido pelo modelo economico que vigorou no pais e que assentou num peso e num intervencionismo excessivo do Estado na economia. No fim de contas, o sector bancario foi um dos sectores de serviços não transaccionaveis que viveu em boa medida encostado ao Estado, beneficiando de certos privilégios e tirando partido do crescimento das dividas publicas e privadas que o despesismo estatal favoreceu.
    Mas também é verdade que não foi apenas o sector bancario que esteve nesta situação. Um conjunto muito vasto de empresas e familias, em diversos sectores de actividade, viveu encostado ao Estado e tirou partido da situação.
    Não é por isto ter acontecido que se justifica uma critica de fundo e moralista destas empresas e destas familias. No fim de contas, os agentes economicos limitaram-se a agir racionalmente e a adaptaram-se aos quadros legais e aos efeitos das politicas publicas em vigor. O que estava errado era a politica e não o comportamento dos agentes economicos.
    Para o futuro, justifica-se e é desejavel uma modificação das politicas e das praticas anteriores no sentido de diminuir o peso do Estado na economia e de, deste modo, acabar com despesismos e intervencionismos discriminatorios. Isto é valido para todas as areas, incluindo naturalmente o sector bancario e financeiro, tendo obviamente em conta as especificidades e as situações de cada sector, de cada categoria de agentes, de cada caso particular.
    Até aqui não ha qualquer problema.
    O problema é que a critica aos Bancos e à finança em geral tem ido muito mais longe ultrapassando o que é razoavel e sensato.
    Um exemplo disto é precisamente o apontar dos lucros elevados da Banca em periodo de crise e de grande dificuldade para outras empresas e para muitas familias.
    Acontece que, como decorre do post do Miguel Noronha, e como ja foi de resto aqui referido por um ou outro comentario, o facto de haver empresas que teem lucros não é um mal ou algo de imoral, antes pelo contrario, é a condição normal das empresas numa economia capitalista e de mercado e é um sinal do dinamismo e da eficiencia das empresas em questão. O problema não é as empresas, incluindo as do sector bancario, terem lucros. O problema é não terem.
    No caso particular do BPI e dos lucros que teve em 2012, que não foram sequer nada de espectacular relativamente ao volume de negocios, estes resultados são mais-valias contabilisticas provenientes sobretudo da valorização dos titulos de divida publica, portuguesa e de outros paises, que o banco tem em carteira, e refletem a percepção dos mercados de que ha uma melhoria na situação das contas publicas dos paises em questão, com destaque para a portuguesa. Infelizmente, para o BPI e para o pais, estas mais-valias estão ainda muito aquém do que seria necessario para recuperar as menos-valias anteriores, registadas quando a situação das contas publicas era ainda mais critica e a divida publica valia ainda menos. Oxala o BPI e os outros Bancos possam ter ainda mais lucros de modo a poderem recuperar e consolidar as suas situações patrimoniais e, a partir daqui, dispensar as ajudas do Estado e financiar adequadamente a economia.
    A critica virulenta da finança e dos Bancos é uma pratica populista bem antiga que une areas ideologicas e politicas muito diversas, do nacionalismo direitista ao anti-capitalismo esquerdista.

  13. anonimo

    Ninguém que eu tenha visto aponta os dedos aos bancos apenas.O que sucede é que: Sendo correcto que as politicas estavam evidentemente erradas,também não é menos verdade que alguns bancos(alguns, não todos) tinham consciencia disso e basearam as suas politicas de crédito suportadas no intervencionismo do Estado.Por exemplo: bancos como o Bpi , o BES, ou o Santander não cometeram erros, ou poucos.
    Mas em relação ao BCP,ao Banif, e ao BPN(sobretudo este) não pudemos dizer o mesmo.
    Está relativamente correcto em relação ao diagnóstico
    Mas a questão de fundo não é esta: A questão é que, como qualquer empresa, os bancos devem ser livres de declarar falência, independetemente das causas.

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