Nanny of the Month – Fevereiro 2013

Vejam o vídeo da lei mais estúpida na América em Fevereiro de 2013.

Credit Ratings

A revista The Economist publicou hoje uma tabela com as diferentes notações de crédito de vários países pelas principais agências de rating: a Moody’s, a Standard & Poor’s e a Fitch. Tirando alguns outliers, notavelmente os Estados Unidos (afinal de contas as agências de rating referidas são todas elas americanas) e o Japão, observa-se uma correlação entre o défice e a dívida pública e as notações de rating; sendo que falta um indicador importante que é o do crescimento do económico.

CreditRatings

A tabela abaixo faz o mapeamento dos diferentes níveis de rating das três agências.

Ratings

Desolador é o número muito baixo e cada vez menor (o Reino Unido perdeu o estatuto Aaa da Moody’s no passado dia 22 de Fevereiro) de países que ainda mantêm o rating máximo das três agências. A lista consiste apenas em 11 países: Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Singapura, Suécia e Suiça.

E para que serve um curso de Economia?

Estas palavras de Camilo Lourenço foram despropositadas e infelizes como já aqui muitos referiram. E foram ainda deveras curiosas: não só porque há bem pouco tempo estive no lançamento do último livro do Henrique Raposo, que não por acaso é licenciado em História, tendo o livro sido apresentado pelo Camilo Lourenço, como, sobretudo, porque eu sempre opinei que a minha licenciatura em Economia (algo que Camilo Lourenço deve considerar ‘produtivo’) não me serviu para absolutamente nada no meu trabalho. Eu poderia ter-me licenciado em História (coisa que me passou pela cabeça), em Psicologia (também passou mas menos), em Filosofia (não passou) ou algo esotérico como astrologia inca – o efeito teria sido o mesmo.

Talvez se eu vivesse o martírio de me ocupar da gestão financeira da empresa – algo de que, felizmente, estou totalmente arredada – me tivesse sido útil um curso de gestão financeira; ou se tivesse o azar de ter sob a minha alçada os recursos humanos (enquanto não deprimisse severamente por trabalhar numa área tutelada por uma legislação laboral criada por lunáticos) quem sabe ganharia com um curso de Psicologia Social ou Direito. Não sei. Durante muitos anos uma parte substancial do meu trabalho foi contactar e negociar com os nossos fornecedores (que, de leste para oeste, vão da Manchúria ao Rio Grande do Sul), para diferentes áreas de negócio, com grande variedade de produtos, quantidades, formas de pagamento, logísticas de transporte (não é o mesmo comprar uns tantos contentores de 40′ high cube embarcados em Dalian ou comprar umas caixas vindas dos arrabaldes de Madrid). Ora esta capacidade de comprar algo que outros vão querer para si ou existe ou não existe e não se aprende. E quanto à negociação, não há teoria que valha: aprende-se observando os bons e com os nossos erros. Não é o mesmo uma negociação com um chinês e um indiano (nem sequer é o mesmo negociar com um chinês de Cantão ou um chinês de Hong Kong), não é o mesmo uma negociação na Europa, com preços já razoavelmente fixos e onde sobra negociar condições de entrega ou pagamento (e valem muito as boas relações pessoais), ou na China, onde se negoceiam sobretudo preços (e se valoriza a antiguidade da relação comercial). Acima de tudo, em negociações que envolvem grandes distâncias temporais e espaciais e culturais, nunca se conseguirá ensinar qual o momento em que se tem de parar de negociar porque, por menos uns cêntimos ou um prazo mais apertado, já se receberá algo diferente e de menor qualidade do que aquilo que se encomendou; ou conseguimos aprender por nós quando parar ou não conseguimos. E agora, que contacto sobretudo com clientes numa área de negócio diferente das anteriores, mantém-se a irrelevância da minha licenciatura.

No meu caso nem posso sequer argumentar que com a licenciatura ganhei disciplina, método de trabalho e outras coisas boas e correlacionadas. Sou incapaz de trabalhar com horários certos e em tarefas repetitivas; se com a gravidez da minha criança mais velha deixei de passar a vida a viajar para o outro lado do mundo, continuo felizmente sem estar confinada a um escritório. O método de trabalho e a disciplina ganhei-os quando de repente, e era novinha, tinha várias pessoas cujos ordenados dependiam do meu trabalho. Durante a licenciatura esforcei-me por fazer tudo para ir o menos possível às aulas, sendo que bastava estudar uns dias antes do exame pelos apontamentos da melhor aluna do curso (minha amiga de tempos anteriores e mais aplicados) para passar. Porventura terei aproveitado com este comportamento pouco exemplar para a minha vida profissional, já que valorizo a eficácia (qualquer tarefa é para se fazer bem, à primeira e dentro do prazo), mas penso que não é esta a aprendizagem que geralmente se espera do ensino universitário.

Gostei muito do meu curso de Economia e aprendi imensa coisa que apreciei aprender. Curiosamente, e dada a nacionalidade tanto de fornecedores como de muitos clientes nossos, o mestrado a que actualmente me dedico e que tem uma fortíssima componente de História tem-se sido bastante útil.

(Era inevitável que se caísse no extremo oposto ao de Camilo Lourenço: os economistas, coitados, não conseguem perceber nada que não seja mensurável, blablablabla.)

A diferença que faz uma sentença judicial primaveril

Cairo: Court orders Gaza tunnels destroyed

Egyptian court orders government to demolish labyrinth of underground passageways, said to include 450 main tunnels and 750 sub-tunnels.

É impressão minha ou o silêncio passou discretamente à condição de perpétuo?

Um dos meus textos preferidos da Bíblia – e muito adequado ao dia de hoje

Diz Iahweh, aquele que te criou, ó Jacó, aquele que te modelou, ó Israel: não temas porque eu te resgatei, chamei-te pelo teu nome: tu és meu. Quando passares pela água, estarei contigo, quando passares por rios, eles não te submergirão. Quando andares pelo fogo, não te queimarás, a chama não te atingirá. Com efeito, eu sou Iahweh, o teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador. Pelo teu resgate dei o Egipto, Cuch e Sebá, dei-os em teu lugar. Pois que és precioso aos meus olhos, és honrado e eu te amo, entrego pessoas no teu lugar e povos pela tua vida. Não temas porque estou contigo. (Is 43, 1-5)

Para quem acha uma crueldade que Deus dê países e pessoas por mim (e por vós) faça o favor de ler este documento magnífico, preparado pelo então Cardeal Ratzinger. Pode ser que ajude não só a aprender a ler a Bíblia como ajude mesmo a aprender a ler.

Uma ajuda de peso

Segundo consta, a troika entende que os “cortes na despesa do Estado português não têm sido suficientes” e como tal não vê com bons olhos “a ideia de abrandar o ritmo do ajustamento, proposta pelo Executivo“. Ainda bem, digo eu. Há meses que eu e outros contribuintes nos queixamos exactamente do mesmo. Sem grande sucesso. Calha bem porque a troika terá um maior poder de influencia junto do governo e pode ameaçar com a retenção de verbas. Já eu e restantes contribuintes seremos sempre forçados a contribuir coercivamente para compensar o laxismo do governo. Estamos cá é para isso.

Os indignados já sabem usar calculadora?

Sobre a próxima manifestação do dia 2 de Março, convocada pelo movimento “Que Se Lixe a Troika – Queremos as Nossas Vidas”, mantenho o que escrevi quase seis meses atrás:

Somos, em Portugal, a geração mais instruída de sempre? Então, antes de saírem à rua, tenham a necessária discência de fazer todas as contas de somar e subtrair.