Coisas que se dizem, assim, para dizer qualquer coisa & tal (actualizado)

É que não há bicho careta que não garanta que tudo o que precisamos para voltar a crescer é financiamento. E o financiamento à economia pode chegar de muitas maneiras: pela acesso das empresas à banca, aos mercados de capitais e de dívida, ou – maravilha das maravilhas! – pelo investimento directo estrangeiro, o conhecido Investimento Directo Estrangeiro, o IDE. Qualquer uma das duas primeiras formas, se não aumentar a poupança interna, traduz-se em défice externo, mas isso não interessa nada agora, como diria a Teresa Guilherme. A última traduz-se, por definição, em défice externo, mas está dito. Não estaria mal ver em que deu o IDE, recuando pelo menos ao início da cavalgada socialista que nos enterrou nesta caverna, que tem vindo a ser destruída. IDEE porque foi o IDE parar àquela montanha vermelha? O relatório de onde se gamou este lindo quadro explica:

As estimativas da equipa técnica sugerem que o «markup» do lucro [conceito aparentado da margem de lucro, mas que é mais rigorosamente definido como: (Preço de Venda – Preço de Custo) / Preço de Custo] no sector transaccionável foi persistentemente mais baixo do que no sector não transaccionável, e que a vantagem no markup do sector não transaccionável aumentou na sequência da adopção do euro. (…). O elevado markup no sector não transaccionável reflectiu a falta de políticas efectivas de concorrência e regulação, com barreiras de entrada e redes informais (ênfase minha) protegendo uma teia de rendas excessivas. A situação foi exacerbada pelo crédito fácil e o rápido crescimento da procura interna, e pelas transferências da UE, na sua maior parte absorvidas pelo sector não transaccionável, particularmente pela construção. A estrutura distorcida de incentivo económico induziu uma deslocação relativa dos recursos de capital e trabalho para o sector não transaccionável, como é ilustrado pelo facto de virtualmente toda a entrada de IDE,  desde 1995, se ter dirigido para o sector não transaccionável.

Tirando a contracção brutal da procura interna (17% em termos acumulados, entre 2009 e este ano), o que está a acontecer para assegurar que isto não se replique no futuro, encurralando o país numa economia fechada e afundando-o numa taxa de crescimento tendencial negativa – sim, porque ela é actualmente negativa? (By the way, se se mantiver o fenómeno que se observa no gráfico desde os primeiros anos da década de 2000, com entrada em território negativo a partir de 2008, não há programa de ajustamento possível e o melhor é mandar todos os memorandos de entendimento para o caixote do lixo).

PIB tendencial

3 pensamentos sobre “Coisas que se dizem, assim, para dizer qualquer coisa & tal (actualizado)

  1. António Pires

    Pedido a Jorge Costa:

    Coriija a citação, sff, que diz que ” o lucro markup no sector transacionável foi … do que no sector transacionável”. Falta um “não” !

  2. Pingback: Possível é; não vai lá é com bruxedos, agendas e coisas do género | O Insurgente

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