A Rádio Televisão dos Contribuintes

A privatização da RTP foi adiada para “um momento mais adequado às circunstâncias” que em linguagem política significa que não devemos esperar que a RTP seja privatizada durante o nosso tempo de vida.

O argumento principal invocado foi a “queda do mercado publicitário no último ano“. Mas porque é que isto há de ser um argumento válido? Se a RTP fosse privatizada, esse passaria a ser um problema do novo dono e não do contribuinte. Não sei se se estará a tentar salvaguardar o mercado publicitário dos dois canais de televisão privados – a SIC (Impresa) e a TVI (Media Capital),  mas isto seria um argumento muito estranho, porque quer a Impresa quer a Media Capital não respondem aos contribuintes nem deles está dependente.

A RTP vai entretanto avançar com um processo de  “reestruturação profunda” que poderá custar 42 milhões de euros.

O ministro Miguel Relvas diz ainda que “com a reestruturação os portugueses deixarão de pagar a RTP duas vezes” ao que eu respondo: e porquê pagar uma vez sequer?

O mesmo ministro terá referido que “em 2012, a RTP custou 540 milhões de euros“. É enviar a factura para o contribuinte se faz favor.

16 pensamentos sobre “A Rádio Televisão dos Contribuintes

  1. Luís Lavoura

    É um argumento válido porque
    (1) Implica que o comprador da RTP não dará muito dinheiro por ela, uma vez que sabe que ela não será muito lucrativa.
    (2) Prejudica também outros operadores no mercado, nomeadamente os proprietários de jornais. Não é boa medida o governo estar a prejudicar ainda mais a economia e as empresas que ainda vão sendo viáveis.

  2. paam

    Gastar 42 milhões para restruturar a RTP quando todos sabemos que daqui a uns 2 ou 3 anos a despesa da mesma vai igualar, ou superar, os custos actuais.

    Perdeu-se uma bela oportunidade para livrar os contribuintes de mais este ónus. E nós bem que precisávamos.

  3. Andre

    Farto dos Servicinhos… do e para o Serviço Público de Televisão. Farto de jornalismo de M.

    Ontem, João Adelino Faria propagandeava perante a assistência de André Macedo e João Marcelino que, acaso o estado tivesse regularmente feito a transferência das indemnizações compensatórias desde 2005, a RTP daria lucro desde então. Tudo isto complementado com um queijinho maravilhoso em que se via que +/- 50% das “receitas” da RTP são Taxa do Audiovisual.

    Tive uma vontadezinha de ligar para os estúdios e dizer-lhes que lucro também eu faria se 50% da minha actividade fosse financiada por todos os aqueles que quisessem usar electricicada. Se desse prejuizo, também não desdenharia a dita indemnização compensatória.

    Bom, como a partir de agora vão finalmente começar a dar lucro, venham daí os dividendos. Mal posso esperar!!!

    Enfim… devem ser coisas destas que os constitucionalistas preveêm dos “Servicinhos” do e para o Serviço Público da Televisão.

  4. Rafael Ortega

    Se o serviço público da RTP é essencial (que eu duvido muito, mas nem vou entrar por aí) mantinha-se a RTP2, que não custa nem metade da RTP1, paga pelo OE, e o restante grupo era vendido ou, se não houver comprador, desmantelado.

    Farto deste elefante branco!

  5. João

    Ultimately, public service broadcasting and the licence fee that sustains it are an anachronism – something which might (just) have been appropriate when we had two TV channels and limited broadcasting spectrum, but no longer make sense in a world of thousand-channel satellite television and high-speed internet streaming. With almost limitless choice available at the click of a button, we don’t need government to entertain us, inform us, or filter our cultural diets for us. Curiously enough, the way that technology has democratized the media means that democracy itself no longer has any valuable role in broadcasting.

    http://www.adamsmith.org/blog/media-culture/the-anachronism-of-public-service-broadcasting

  6. Não será que o Governo quer apenas tornar a RTP um investimento mais atrativo? Se assim for, até é uma boa ideia. Tal como quando se pinta a casa antes de a vender, podem aparecer mais compradores e dar muito mais dinheiro do que aquele investido na pintura.

  7. barbarrossa

    É de ficar sempre muito impressionado quando um (dito) liberal tem do mercado a visão manipuladora de um estalinista. Ora agora o estado atira com um elefante daqueles para o mercado e … amanhem-se! Podia lá haver maior intervenção estatal – isto será assim tão difícil de perceber?

  8. JS

    Não será porque ninguém está interessado em ser proprietário de empresas de rentabilidade duvidosa e com excesso de dispendiosos, dificilmente removíveis, funcionários?.
    Os Estaleiros de Viana, as TAPs, as RTPs … só deixarão de ser sustentadas pelo Estado (leia-se o contribuinte) após “restruturações internas”, como foi o BNP, ou por um preço simbólico como era o acordo TAP, ou até as duas coisas.
    Numa Europa de empresários (e empregados) as actividades económicas (e os empregos) têm pouco a ver com líricos eufemísmos: “bandeiras”, “serviços públicos”, “defesa da cultura nacional”, “centro de decisão” “too big to fail”.
    As ideologias socialistas e o seu sustentáculo, os funcionários, foi chão que já pouca uva dá.
    Entretanto, imutável, o monstro continua a destruir o que ainda resta …

  9. Luís

    Os comensais da manjedoura estão muito entusiasmados com o que se passou ontem. Temo que tenhamos perdido mais uma oportunidade de reformar o país. De crise em crise até ao estoiro final.

  10. Eu ouvi a entrevista surreal do Orelhas ao Relvas. Quando o ministro perguntou a quem devia perguntar se este sabia quanto teria custado em 2012 a RTP, o intrépido entrevistador – que começou por perguntar ao ministro se isto não era uma derrota pessoal com o recuo da privatização ou alienação de um canal – ousou atirar se “não me vai dizer que custou 1 milhão de euros por dia”. Os 540 ME em 2012 foi só para pôr o Orelhas a fazer contas, esta a especialidade do Relvas.
    No fim lembrei-me da razão de há tantos anos ter deixado de ver o Telejornal (na RTP). Esqueci-me, perdi-me nas contas…

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