Não estou a ver muito bem

O argumento do ministro Gaspar para abrir em Bruxelas um processo de reestruturação da dívida com os credores europeus, segundo o qual há uma excessiva concentração de pagamentos em 2014, 2015 e 2016, é só muito parcialmente compreensível. De facto, dos anos que referiu, apenas em 2016 há «concentração» relevante de pagamentos susceptíveis de serem renegociados nos seus prazos com os referidos credores. Em 2013 e 2014 não há mesmo nada. Em 2014 e 2015 há uma enorme concentração de pagamentos, diríamos mesmo um engarrafamento, mas é basicamente de Obrigações do Tesouro: quase 15 mil milhões euros. É só em 2016 e, depois, já só em 2021, que os reembolsos à Europa pesam, e só em 2021 excedem os valores a amortizar de outra dívida, dívida de mercado, transaccionável. Não estou a ver muito bem como resolve o problema que alega, que é basicamente referente aos anos de 2014 e 2015, anos em que supostamente quer «regressar aos mercados». Se alguma coisa, ele deveria estar a pedir um novo pacote de empréstimos à Europa, para amortizar dívida de mercado nas quantidades em que nos dois próximos anos vão ter de o ser, e não uma extensão dos prazos para a dívida dos credores europeus, que só em 2016 e 2021 «roem» verdadeiramente, e nos próximos dois próximos anos é insignificante. Em suma, não pega. Gostava que explicasse melhor. É tudo «politics», ou há mais qualquer coisa?

IGCP

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12 pensamentos sobre “Não estou a ver muito bem

  1. Sérgio

    Os portugas são burros como portas. Os políticos de esquerda e agora este individuo andam a falar de renegociar a dívida com a troika. mas esta só é responsável por cerca de 75 mil milhões, valor do empréstimo. Mas temos outra de quase 190 mil milhões que não pode ser negociado porque corremos o perigo dos mercados considerarem isso como um “default”!

  2. Jorge Costa

    Não sei. O certo é que não dilui pagamentos em 2014 e 2015, como «explica» o ministro das Finanças.

  3. jr

    A menos que as OTs colocadas em privados, vulgo, Bancos Portugueses, alguns deles sob controlo estatal a terminarem em 13, 14 e 15 sejam alvo de mais uma “troca” por prazos mais longos como ocorreu o ano passado, aligeirando as responsabilidades nestes anos

  4. Pedro Pestana Bastos

    Portugal tem urgentemente de reduzir a despesa estrutural do estado.

    Esta cartada de Gaspar mais não é do que um pedido de reestruturação da divida. Se não é seguro de como será lida pelos mercados a médio prazo a verdade é vem estreitar as condições políticas para cortes estruturais na despesa.

    Não tenham duvidas qualquer aligeiramento vai tornar praticamente impossível cortar a sério na despesa. Quem disser o contrário não conhece os políticos portugueses.

    PS – Grande contratação do Insurgente (a somar à do Alexandre Homem Cristo).

  5. Pingback: uma batalha « O Insurgente

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