Da série “o governo mais liberal de sempre”

Macedo “Universalidade do SNS deve ser mantida”

Cono referia o Luciano Amaral, o governo não procura reformar nada. Limita-se a proceder a cortes no estado social mantendo, no essêncial, o modelo social(ista) que nos trouxe até aqui. Um bom exemplo seria exactamente na área da Saúde permintindo”opt-out” e evitando que os que não pretendem usufruir do sistema pública não sejan obrigados a custeá-lo. Mas pelos vistos nem “o governo mais liberal de sempre” nos dá liberdade de escolha.

30 pensamentos sobre “Da série “o governo mais liberal de sempre”

  1. Miguel Noronha

    No caso tribunais por acaso, em parte, até se pode usar o principío do utilizador-pagador. No caso da segurança interna, por se tratar de um bem público em que não é possível implmentar tarifas de utilização e evitar o problemas do “free-riding” deverá ser sempre financiada por impostos.

  2. Neste momento, não daqui a 5, 10 ou 20 anos, defende que todos possam fazer o “opt out” do SNS e , caso existisse um imposto dedicado a financiar o SNS, este seria de 0, impossibilitando por isso um sistema de saúde potencialmente universal?

  3. Miguel Noronha

    Defendo que quem quiser participar num sistema público gerido pelo estado (ou por qualquer outra entidade) pode fazê-lo. Quem não quiser deve não deve ser obrigado a financiá-lo.

  4. Pois sim, claro. Idealmente seria isso… Mas hoje, dia 21 de Janeiro de 2013, defende a aplicação imediata disso? Como faria a transição do modelo actual para esse que defende? Estaria disposto a que existissem pessoas sem acesso a cuidados de saúde por incapacidade económica? Que entidade garantiria coisas como plano nacional de vacinação ?

  5. Lucas

    “Defendo que quem quiser participar num sistema público gerido pelo estado (ou por qualquer outra entidade) pode fazê-lo. Quem não quiser deve não deve ser obrigado a financiá-lo.”

    Ou seja, na prática defende o fim de um sistema público de saúde. Mais precisamente, defende que quem tem dinheiro se safa, quem não tem que morra. Que espécie de liberdade há nisto?

    “o governo mais liberal de sempre” A ironia à volta desta sentença já perdeu há muito razão de ser. Tendo em conta que os últimos que às vezes ainda apoiam este governo são precisamente os sectores ultraliberais da sociedade, está bem de ver que este é de facto o governo mais liberal de sempre

  6. Miguel Noronha

    “Mas hoje, dia 21 de Janeiro de 2013, defende a aplicação imediata disso?”
    Hoje é capaz de já não irmos a tempo mas quanto mais cedo começarmos a trabalhar nisso melhor.

    “Estaria disposto a que existissem pessoas sem acesso a cuidados de saúde por incapacidade económica?”
    Falando genericamente sim tal como já acontece agora onde nem todos os serviços existem no SNS para todos gerando consideráveis lista de espera. Mas se quer falar em cuidados básicos não me oponho à criação de um sistema que os proporcione a pessoas sem meios (sublinho). Mas isso não é um sistema universal tipo SNS.

    “Que entidade garantiria coisas como plano nacional de vacinação ?”
    Não faço ideia porque percebo muito pouco do assunto. Mas não me parece difícil que havendo um mínimo que continuaria a ser garantido de serviços pelo estado se pudesse subsidirar directamente os beneficiários para que adquirissem estes serviços.

  7. Miguel Noronha

    “Ou seja, na prática defende o fim de um sistema público de saúde”
    Universalista tal como o SNS, sim

    “precisamente, defende que quem tem dinheiro se safa, quem não tem que morra. ”
    Como que humanistas como você não necessitem de ser coagidos a financiar a assistência aos mais necessitados e o façam voluntariamente.

    “Que espécie de liberdade há nisto?”
    Ver acima.

  8. Lucas

    Qualquer sistema público de saúde só pode ser universalista. Se você não o quer financiar, tem uma boa solução. Não ganhe para isso. Vê como o sistema lhe dá essa liberdade!?

    “Ver acima.” É natural que a sua concepção de liberdade não seja exactamente a minha.

  9. Miguel Noronha

    “Qualquer sistema público de saúde só pode ser universalista. Se você não o quer financiar, tem uma boa solução. Não ganhe para isso. Vê como o sistema lhe dá essa liberdade!?”
    E depois ainda se admiram por termos ido à falência.

    ” É natural que a sua concepção de liberdade não seja exactamente a minha.”
    Na minha não está incluida a liberade para usufruir do dinheiro dos outros.

  10. Nogueira da Costa

    Põe uma questão interessante: não é necessário haver um sistema de saúde universal para que haja um mecanismo que garanta cuidados de saúde básicos aos necessitados. Era da maneira que se acabava com muitos exageros… mas já por isso há um lobby muito forte contra uma mudança de paradigma.

  11. Como é que se pode designar um governo que não tem feito mais do que recorrer à expropriação fiscal de “mais liberal de sempre”? Parece-me que há quem faça confusão entre o verdadeiro liberalismo e um tal de “neoliberalismo” que nos conduziu (ao mundo ocidental em geral) aonde estamos. Começaram por privatizar os lucros e agora nacionalizam os prejuízos!

    Eu defendo a universalidade do SNS, embora me considere um liberal. Acho que é do interesse de qualquer cidadão (mesmo egoísta) que os Portugueses sejam saudáveis, pois melhora a produtividade dos serviços a que recorre como consumidor e minimiza a probabilidade de contrair doenças por falta de cuidados básicos de saúde a cidadãos em situação de pobreza. Agora é preciso é fazer contas à “vida” e tornar financeiramente sustentável o sistema.

  12. Miguel Noronha

    Outros argumentos não existissem, tentar conter os custos de um sistema univesalista de saúde é tentar a quadratura do círculo. A continuação da expropriação fiscal não acontece porque os tipos do governo são mauzinhos mas porque não querem admitir que o problema está precisamente no estado social. Mas, boa sorte

  13. Lucas

    “A continuação da expropriação fiscal não acontece porque os tipos do governo são mauzinhos mas porque não querem admitir que o problema está precisamente no estado social.” Se a sua solução passa por aniquilar o estado social, quais são as alternativas? Existe algum país que lhe sirva de exemplo?

  14. Lucas

    “Põe uma questão interessante: não é necessário haver um sistema de saúde universal para que haja um mecanismo que garanta cuidados de saúde básicos aos necessitados.” Financiado por quem, tendo em conta que passa por garantir cuidados de saúdes aos necessitados? O tratamento de cancros são considerados cuidados de saúde básicos?

  15. Lucas

    Pois, fico a saber que o vosso modelo anda algures entre o norte do mali e o sudão do sul, regiões sem estado social, ou mais radicalmente, sem estado.

  16. Lucas

    Errado, eu não me parece mal a social democracia europeia – que representa tudo aquilo que você detesta.

  17. Miguel Noronha

    Ok, estou a ver. Também não sei onde é que você foi buscar as referências aos outros dois. Mas assim ficamos quites.

  18. Miguel Noronha

    São só nesses que não existe serviço universal de saúde ou segurança social pública ou salário mínimo?

  19. Luís Lavoura

    Errado.
    O problema é que ninguém sabe que necessidades de saúde eventualmente terá daqui a muitos anos.
    Eu atualmente posso não querer usufruir do sistema de saúde estatal (nem de qualquer outro). Mas suponhamos que daqui a una anos tenho um acidente e preciso de abundantes cuidados de saúde. E que, se não os receber, morro à vista de toda a gente. O que acontecerá? Vão-me deixar morrer?
    A questão é que, se um sistema como este que o Miguel aqui nos propõr fosse implementado, na prática acabaria por haver montes de pessoas que, ou morriam à vista de todos, o que seria intolerável, ou acabariam por ter cuidados de saúde prestados pelo Estado, por piedade. E o problema dos free riders lá surgiria.

  20. Miguel Noronha

    “problema é que ninguém sabe que necessidades de saúde eventualmente terá daqui a muitos anos”
    Muito simples. Jogue pelo seguro e não saia do sistema.

    “na prática acabaria por haver montes de pessoas que, ou morriam à vista de todos, o que seria intolerável,”
    Se for mesmo intolerárvel então espera-se que pessoas como Luís Lavoura prestem esse auxilio de forma voluntária. Ou então o que está a dizer não tem qualquer significado.

  21. Lucas

    “São só nesses que não existe serviço universal de saúde ou segurança social pública ou salário mínimo?” Claro que não, Isso são conceitos que não existem em praticamente todo o continente africano.

  22. Lucas

    Pois, então faça-me cair na realidade e encontre uma justificação para a miséria no Congo a partir da insustentabilidade do estado social

  23. Luís

    Um tema que ninguém aborda em público, com abertura.

    As doenças crónicas são na sua maioria preveníveis pelo estilo de vida. Até o cancro pode ser prevenido. 95% dos cancros resultam do estilo de vida, os restantes 5% de hereditariedade mendeliana. Os factores de risco para as doenças civilizacionais estão identificados: falta de exercício físico, excesso de calorias na alimentação, tabaco, açúcar, stress, carência de vegetais e frutas. Ora com um SNS parcialmente privado a população seria mais responsabilizada pelas suas opções individuais, pois saberiam que comer em excesso ou fumar implicaria no futuro mais despesas de saúde. Digo SNS parcialmente privatizado porque considero que deve existir um sistema de saúde mínimo para atender casos muito específicos (doenças oncológicas, genéticas, infecciosas de declaração obrigatória, DST’s, transplantes, doações de sangue). Com o sistema actual cometem-se muitos abusos. Tipo, doentes com DPOC que continuam a fumar, com DM tipo II que continuam a comer em excesso e a ingerir doces. E isso implica mais despesa, mais desperdício de recursos, dinheiro que poderia continuar na carteira dos cidadãos.

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