Refresco

Raptores continuam dentro do complexo de extração de gás natural de In Amenas. Países ocidentais criticam intervenção das forças argelinas

A crise dos reféns no complexo de extracção de gás natural de In Amenas, na Argélia, ainda não está terminada, disse nesta sexta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Londres, que continua à espera de notícias dos 20 cidadãos britânicos no local. Isto apesar de Argel ter dado a situação como regularizada, com um número indeterminado de vítimas entre os reféns ocidentais e os atacantes de uma milícia islamista.

Um porta-voz do katiba (batalhão) dos Signatários do Sangue que falou com a Al-Jazira declarou que a operação das forças especiais argelinas fez cinco dezenas de vítimas – 34 reféns e 15 raptores. A agência argelina TSA está a avançar nesta manhã, citando “uma fonte local bem informada”, que 31 pessoas terão morrido: 20 reféns e 11 islamistas. Dois militantes terão ainda sido capturados, segundo esta fonte.

Público.

Mas que grande falta de solidariedade dos “países ocidentais” para com a acção das bravas forças especiais argelinas no seu território.

Então não estão a compreender, como os irmãos de luta do Paquistão ou do Iémen têm a possibilidade de experimentar com frequência, a inevitabilidade da existência de danos colaterais, essa consequência menor na perseguição ao inimigo?

42 pensamentos sobre “Refresco

  1. Duvmet

    Um post que, essencialmente, mostra que não deve o sapateiro ir além da chinela.
    A crítica à intervenção das FA argelinas é técnica.
    Este tipo de operações, para terem alguma hipotese de sucesso, têm de ser feitas por unidades especialmente preparadas. Vide, por exemplo, o que aconteceu no famoso raid israelita em Entebbe, no qual o único morto foi justamente o comandante da força de resgate, irmão do actual 1º ministro israelita.

    Há uns anos um grupo de extremistas islâmicos instalou-se na Kaaba, durante um haji. Como os sauditas não estavam preparados para os neutralizar sem de caminho matarem centenas de pessoas, pediram ajuda aos franceses e estes fizeram o serviço, com limpeza e um mínimo de baixas.
    Neste caso da Argélia, o governo argelino, em vez de avançar à doida com aviação e tropa de choque, deveria ter pedido a ajuda de corpos especializados americanos, franceses, ingleses ou até noruegueses, países com cidadãos sequestrados.
    E qq um destes países teria o maior interesse em enviar essas unidades.

  2. JS

    Com esta forma de agir as forças militares argelinas vão esgotar o “stock” de virgens, à espera dos heróis, num ápice.

  3. Miguel Noronha

    “como os irmãos de luta do Paquistão ou do Iémen têm a possibilidade de experimentar com frequência, a inevitabilidade da existência de danos colaterais, essa consequência menor na perseguição ao inimigo?”

    Não estou a perceber bem o sentido disto. Achas que não se devia ter sido feito nada dada a existência de civis? È que neste caso nem podias mandar evacuar o local.

  4. CN

    Portanto parece que estamos outra vez a meter-nos num assunto de um conflito que vem muito de trás com a desculpa que são extremistas.

    O neconservadorismo (de direita e d esquerda, na verdade é mais de esquerda) faz mal á cabeça. Eu bem digo.

    “In the Great Scramble for European colonies that began at the end of the 19th century, French colonialists invaded, seized the land, and subjected the locals to a program of forced “assimilation” into “French civilization.” The Tuaregs have been fighting to regain their independence ever since. Today, however, that struggle has been reinterpreted as yet another example of “Islamic terrorism.”

    This is outright false. The Tuareg independence movement is led by the National. Movement for the Liberation of Awazad (MNLA), a secular organization that only wants autonomy for the Tuareg areas of Mali. There are active Islamists in Mali, affiliated with Ansar Dine, which has no known affiliation with Al Qaeda in the Mahgreb other than the fact that Ansar Dine’s leader, Ag Ghaly, is a cousin of AQIM commander Hamada Ag Hamada. “It is true that Ansar Dine have the black flags, but they are not Al Qaeda,” said MNLA spokesman Ag Assarid. “They want stability on the streets,” which the “government” of Mali is unable to provide, and “they are against Al Qaeda too.” North African specialist Salma Belaala concurs: “We can’t make a systematic link between the AQIM and Tuareg. It’s completely false.”

    In any case, the tactical alliance between the MNLA and Ansar Dine has been an on and off affair: days after the “merger” of their forces was announced, the MNLA began to back off – and, a week later, the lash up was back on again. This link to “terrorism,” never mind Al Qaeda, is tenuous indeed – but how else will the revanchist dream of a revived French empire in Africa be realized except under the rubric of the “war on terrorism”?
    ..
    As for the “government” of Mali – after a series of Tuareg victories in the north, the military overthrew the elected government and declared martial law. The army complained that not enough attention was being paid to crushing the Tuareg insurgency, and last month they seized the presidential palace, the state television station, and arrested key members of the legitimate government, although the President, Amadou Toure, escaped.” Justin Raimundo no antiwar.com

  5. CN

    Miguel, sei pouco sobre o Mali, Mas atenção ao que disseste que isto era uma luta contra a imposição de uma ditadura totalitária (o quer quer que isso queira dizer lá deserto).

    Analisar-se estes conflitos como de luta do bem contra o mal, democracia versus não-sei-o-quê em processos históricos complexos… e insisto, no meio do deserto, é sempre o mesmo erro (não-inocente) consecutivo.

  6. Duvmet

    “Analisar-se estes conflitos como de luta do bem contra o mal”

    Apre, que esta malta complica.
    Uns extremistas islâmicos raptam uma data de gente e usam-na como escudo e como carta negocial para o que quer que sejam os seus objectivos. E, dado o registo histórico, é de presumir que não hesitassem em separar toda aquela gente da respectiva cabeça.

    Do ponto de vista dos raptados, e dos seus compatriotas, e das pessoas que, de algum modo partilham alguma identidade com eles, é claramente uma luta do bem contra o mal.

    Tal como o CN, num dia em que se veja do lado do cano de uma pistola, em menos de um fósforo achará estar numa luta do bem contra o mal, sendo que ele é o bem e o gajo que lhe aponta a pistola, o mal

    Mas isto é assim tão dificil de compreender? É mecânica quântica?

  7. paam

    Também é uma questão de perspectiva. Para os países cujos cidadãos faziam parte dos reféns que foram mortos, ou feridos, a operação foi um desastre. Contudo, se a intenção do governo argelino era mostrar uma clara posição de força, recusando negociar com terroristas, e admitindo mesmo sacrificar reféns de outras nacionalidades, a operação pode ser considerada um sucesso por eles. Desse modo poderão evitar que situações similares ocorram no futuro, e os terroristas procurarão realizar as suas acções em locais onde os chefes de estado aceitem negociar.

    De qualquer forma é sempre de lamentar a morte de civis.

  8. CN

    Duvmet

    Sempre a cabeça confusa proto-neocon. Estava a falar do Mali.

    Que a intervenção do Mali sirva de incentivo a forças mais próximas da Alqeda noutro lado qualquer só demonstra a estupidez do intervencionismo que ainda não tem parado de dar força a uma ideologia terrorista abstracta (sem luta concreta) que tenderia a esvanecer-se tal como o marxismo de extrema-esquerda.

  9. CN

    É curioso que o Justin Raimundo nesse mesmo artigo escrito no dia 16:

    “If the French invasion – or, rather, re-invasion – of Mali is really aimed at expunging Al Qaeda, then perhaps they ought to be attacking the Algerians: Professor Jeremy Keenan, of the School of Oriental and African Studies in London, says the Algerians have longtime links not only to Ag Ghaly, but also to important Al Qaeda figures, including Abdelhamid abou Zaid. The Algerians, he says, have an interest in supporting the “specter” of Al Qaeda looming in the Sahel because it increases their value to the US – and promises to reap a bonanza in military and economic aid.”

    Diria é que acertar em cheio.

    Vamos lá então, consegue ver as nuances ou é mecânica quântica?

  10. Contexto histórico: http://www.andrewbostom.org/blog/2013/01/18/american-hostages-to-jihad-in-algeria-1640-to-present/
    O islão não evolui e a sua relação com o dar-al-harb evolui na medida em que os infiéis vão mudando a sua forma de se relacionar com o islão ou com a incapacidade do islão se impôr, altura em que recua para preparar o próximo assalto.

    Posta deplorável, como alguns comentários. Dignos do Filipe Abrantes e dos do CGP sobre estas matérias.

  11. Duvmet

    “Que a intervenção do Mali sirva de incentivo”

    Ó homem, use a cabeça.
    Incentivo? Mas você ainda não percebeu que o “incentivo” está nas ideias em que eles acreditam e não no que quer que alguém faça ou deixe de fazer?
    Você não entende, porque não tem a mais pequena ideia do mundo real, que uma operação como a desencadeada pelos islamistas leva semanas ou meses a preparar?
    Chiça, homem de Deus, saia do seu labirinto e estude os textos que “incentivam” esta malta, em vez de desatar logo a aplicar a sua naive grelha de análise.
    Você parece aqueles comunistas fanáticos e estúpidos que aplicam a tudo a grelha da luta de classes. É uma boa maneira de evitar pensar mas o resultado é esta sua inacreditável produção de inaninades.

  12. Duvmet

    “ideologia terrorista abstracta (sem luta concreta)”

    Abstracta?
    Mas o CN não conhece mesmo os textos? Nunca leu Qutb? Os textos de Bin Laden? O Corão? Maududi? al Banna?
    Abstracta?
    Impressionante a sua ignorância deste assunto…

  13. CN

    Duvmet, nunca vai perceber, está obcecado e indoutrinado pelo neoconservadorismo, cuidado com a islamofobia, deu no que deu com aquele maluco terrorista.

  14. lucklucky

    O autor do post JLP parece que não percebe diferenças de grau entre danos colaterais – não estou a referir-me a este caso que ainda está verde e pouco se sabe, a critica até pode ser injusta- mas para quem parece professar pesar pela morte de 1 uma pessoa inocente parece não ter pesar pela morte de outras 20 quando há outras 10 já mortas.

    “uma ideologia terrorista abstracta (sem luta concreta) ”

    Aleluia! já conseguiu falar de ideologia dos outros, pelos vistos os outros são finalmente alguém, têm vontade.

    Só que veio o inevitável opting out desta vez com uma pérola que deveria dar estudo e tese de doutoramento:

    É “Ideologia Abstracta (sem luta concreta)”

    “Ó homem, use a cabeça.”

    Como? o CN acredita piamente nos terroristas quando dizem que cortam cabeças como retaliação, mas quando dizem que lhe querem cortar a cabeça por ser Infiel já não acredita.

  15. Duvmet

    CN, deixe de usar palavras (islamofobia) criadas pelos mulás justamente para castrar qualquer crítica ao Islão.
    O medo do islamismo não é uma fobia. Resulta do conhecimento dos textos e dos factos. Uma fobia é um medo irracional. O medo ao Islão nada tem de irracional, tal como o medo do fascismo , ou do comunismo.
    E acredito que se o CN optar por conhecer também a fundo a ideologia que move os islamistas, ganhará rapidamente, tal com o fascismo e o comunismo, um saudável e racional medo.
    Isto porque, pelos vistos, ainda não reparou na dimensão do fenómeno da violência islâmica que preenche o mundo onde vive.
    Nem, pelos vistos, a História lhe faz qualquer mossa.

    Ah, já agora, o que entende por “neoconservadorismo”? Leu os textos ou limita-se a agitar bonecos de pau? Detecto aí uma fobia, ou é capaz de sustentar as razões pelas quais teme o neoconsevadorismo?

  16. CN

    Ó cruzes e credo, querem transformar conflitos ancestrais, territoriais, tribais, intra-islamicos, numa massa uniforme de conspiração islâmica enquanto invadem, ocupam, bombardeiam, drones, apoiam monarquias absolutas como antes ditaduras seculares (agora minadas para dar lugar a quê?) e acham que tudo isto não contribui para suportar uma causa ideologicamente marcada como a Alqaeda, e pior, fazem tudo para provar que esses conflitos com raízes concretas são apenas a expressão do islamismo e fusionados com a Alqqeda na mesma causa.

    Não sei que vos diga mas seguramente são um perigo para o Ocidente, perto de ficar exausto com tanto estatismo e irracionalidade em todos os domínios.

    Só tenho resposta à bom americano (quando os havia): mind your own business.

  17. Luís Lavoura

    Gostei do post. Parece-me uma comparação muito apropriada. Quando os danos colaterais de uma operação militar (não interessa para o caso se bem ou mal planeada e executada) são indivíduos terceiro-mundistas, o Ocidente borrifa-se para eles; quando são cidadãos ocidentais, o Ocidente critica a operação militar.

  18. A. R

    Islamofobia? Não é islamofobia quando nos querem matar. Como bem lembra o CN “aquele maluco terrorista” despejou, a gritos alluah Akbar, rajadas em cima dos colegas de armas nos Estados Unidos.

    Mas estes islâmicos é tudo a mesma selvajaria: cortar cabeças, retalhar, cortar mãos, vulvas, brandir espadas, sangue, martírio, jihad, grupos de sangue, Halal, etc. O deus da lua deles é pior que o vampiro

  19. Miguel, só estou surpreendido por esta súbita atenção aos “danos colaterais” da “luta contra o terrorismo e o islamismo”. Normalmente costumam ser alegadamente o custo menor a pagar pelo sucesso dessas missões. Neste casos parece que são danos com uma cotação especial no mercado.

  20. “Como os sauditas não estavam preparados para os neutralizar sem de caminho matarem centenas de pessoas, pediram ajuda aos franceses”

    O quê? Esperar que sejam os argelinos a fazer algum pedido do género ou a decidir como vão resolver esse problema no seu país? É tempo perdido, e possibilidade de “desvio de informação” que pode compremeter seriamente o objectivo mais elevado. É já entrar por lá a dentro e resolver o problema, meus senhores. Quem são esses tipos para andarem a meter areia na engrenagem?

  21. Duvmet

    Caro JLP, compreendo que para o poder argelino seria humilhante pedir ajuda.
    Mas saia por momentos desse seu registo do contra e procure colocar-se nas botas de um decisor. Chama-se a isso empatia e é a melhor maneira de olharmos para os problemas com aquele filtro que toda a gente acha que tem em quantidade suficiente, mas não tem: o bom senso!
    Imagine que é o decisor argelino e tem em mãos o problema em questão.
    Dava ordem de ataque, sabendo que os seus instrumentos são fortes mas pouco precisos e que provavelmente vai matar uma data de gente, ou procurava junto dos países que tb têm gente sequestrada, coordenar uma acção com mais hipoteses de sucesso?

    Eu optava pela segunda. E você?

  22. Duvmet

    ” querem transformar conflitos ancestrais, territoriais, tribais, intra-islamicos, ”

    O seu problema, CN, é que não faz o mais pequeno esforço para compreender as causas dessa conflitualidade.

    Eu compreendo o seu raciocínio e é por isso que vejo que está errado.
    Pensando aqui no meu vizinho, em teoria não tenho efectivamente nada a ver com o modo como ele lava a louça. Todavia, se o seu peculiar método de lavagem fizer com que, de vez em quando, me aterrem panelas de pressão em cima da cabeça, insisto em que tenho uma palavra a dizer.
    Não que eu seja um perigoso neocon, bushista, neoliberal, capitalista e da “extrema-direita”.
    Não sou, pelo contrário sou do Benfica.
    E sou até pós-modernista e culturalmente relativista, por exemplo com os costumes dos índios Jarawara. De facto não só me estou nas tintas para eles, como nem sequer sei se existem ou, se existem, se se governam à pancada ou aos beijos na boca.
    Já com os muçulmanos a coisa fia mais fino, porque o mundo desta gente teima em me entrar pela casa dentro, de muitas maneiras, nenhuma delas particularmente agradável.
    E infelizmente tenho esta pouco “progressista” ideia de que a pancadaria da rua islâmica se deve principalmente ao caldo de cultura cujo imprimatur vem dos valores religiosos islâmicos (e não às “injustiças” e “agressões”, como papagueia o Dr Soares, o Dr Boaventura e você)

    É portanto perfeitamente normal que eu (um detestável egoísta pouco motivado para o idealismo e a missionação), não estando particularmente entusiasmado com a perspectiva de continuar a levar com panelas islâmicas na cabeça, comece por sugerir ao meu vizinho barbudo que mude o seu método de lavagem de louça. Claro que ele pode “rejeitar” a “injustiça”, afiançar que assim é que lava mais branco, acusar-me de “imperialismo cultural” e ameaçar-me para não meter o nariz na vida dele.
    É o que farei, se sentir que não tenho poder para o obrigar a mudar, tendo de resignar-me a andar de capacete e a comprar betadine e compressas. Porém, se eu tiver em casa 1 caçadeira, 1 pistola e 2 pitt-bull esfomeados, e lhe der subtilmente a entender, limpando a zagalote, que não estou na disposição de levar com mais panelas na testa, há uma hipótese de que ele comece a pensar na excelência do método alternativo que lhe proponho.

    E se demorar muito a fazer opções, poderei até passear o pit-bull, mesmo que me arrisque a levar com um tacho na mona, durante o passeio.

    E não me podem chamar intolerante, porque em relação aos costumes dos Jarawara, a minha paciência e tolerância são infinitas.
    Em relação às panelas do vizinho, lamento não ser tão tolerante, mas tenho esta ideia catastrofista e certamente neocon de que, se as coisas não mudarem, um destes dias uma panela islâmica atingirá um filho ou um neto meu.
    E aí não há Maomé nem meio Maomé. É imitar o islamófobo Pai Afonso e desatar rachar cabeças da moirama a golpes de montante.

  23. jsp

    Talvez ( um muito, muitíssimo céptico “talvez” ) o CN & Associados tenham catrapiscado qualquer coisita…
    A paciente pedagogia do Duvmet merece-o…

  24. Miguel Noronha

    “Miguel, só estou surpreendido…”
    Não me parece comparável uma situação como esta da Argélia das outras que evocas. Aqui, a acção visa primariamente libertar reféns que serão mortos pelos captores assim que deixarem de ter qualquer valor numa eventual negociação.

  25. A. R

    Caro Duvmet

    Está inspirado. Esta gente não entendeu ainda que o Islão e a democracia são incompatíveis. O Islão é em si um sistema político.

  26. rr

    o Duvmet vive na ficção e na mais pura febril loucura.
    O Tarantino quando souber um dia da sua existência, vai querer satirizá-lo num daqueles filmes…

  27. rr

    “Pensando aqui no meu vizinho, em teoria não tenho efectivamente nada a ver com o modo como ele lava a louça. Todavia, se o seu peculiar método de lavagem fizer com que, de vez em quando, me aterrem panelas de pressão em cima da cabeça, insisto em que tenho uma palavra a dize”
    “á com os muçulmanos a coisa fia mais fino, porque o mundo desta gente teima em me entrar pela casa dentro, de muitas maneiras, nenhuma delas particularmente agradável.”

    Momento perfeito para perguntar assim:E será essa história que conta verdadeira? E não será anrtes o Duvmet a entrar na casa dele, em vez de ser ele a entrar na sua casa? Ou não entrará ele na sua casa porque voce insiste em entrar na dele?
    Outra: É ou não verdade que esse vizinho foi criado pelo ocidente para combater o seu anterior inimigo no Afeganistão, sucedendo que o feitiço virou-se contra o feiticeiro como na história da disney?

  28. CN

    “Esta gente não entendeu ainda que o Islão e a democracia são incompatíveis” durante muito tempo diziam (e dizem) isso do catolicismo, e até com boas razões. Obediência a um estrangeiro e organismo supra-estado-nacional, um problema crónico com sistemas não-hierarquicos e resquícios medievais, direito próprio. O fascismo menos mau como substituto na ausência das velhas monarquias. Etc. Por mim, nada razões para me não me sentir por bem por fazer parte. Outros não sei bem. Ponho-me a pensar.

    Quanto ao medo do islamismo do Duvmet, exactamente onde está ou alguma vez estará, desde que o Ocidente não se destrua por causa dos seus supostos incansáveis defensores, qualquer capacidade militar ou algo que se aproxime? Já não falando das suas próprias rivalidades e inimizades internas? Era confusão entre guerras civis e problemas territoriais, rivalidades étnicas e uma conspiração islâmica é.. enfim, absurdo. Muito parecido com o Vietname ou com a ideia de frente comunista internacional. As ideologias tal como o comunismo não sustentam internacionalismos com uma causa comum, nem o comunismo conseguiu isso, o comunismo foi apenas uma ferramenta usada por povos a combater os antigos impérios (caso de Vietname e muitos outros). Nem sequer a China e URRS conseguiram deixar de defender cada um o seu interesse e serem mesmo rivais.

    Muito menos o islão o terá. Só mesmo a cegueira supostamente moralista destes geoetrategas consegue na verdade acabar por alimentar o que se poderia desvanecer aos poucos.

  29. A. R

    O Islão é uma nova versão do Nazismo. Por isso adoram Hitler mesmo nos centros comercias da Ancara. Por isso, após muitas visitas do Mufti a Berlin onde era apelidado de “Führer of the Arabic world” e a campos de concentração onde já se gaseava, o mesmo Mufti, além de participar de inflamados discursos de ódio da rádio alemã para o médio oriente, viajou até à Bósnia para honrar a divisão Hanjar de Amin Al Husseimi que exterminava metodicamente quase 90% dos judeus.

  30. A. R

    “terrorista nordico não era um anti-anti-semita-islamofóbico” Islamofófico? Mas ele matou alguém islâmico? Então e os da Eta que causaram quase 1000 mortos para si são o quê? O nórdico pode argumentar que protestou contra quem introduz na Noruega quem mata, estupra, rouba e maltrata os Noruegueses por serem brancos

  31. Duvmet

    CN: durante muito tempo diziam (e dizem) isso do catolicismo

    Quem diz o quê?
    Por acaso Nietzsche, que odiava ambas, dizia que a democracia é a versão profana do Cristianismo. Mas pronto, admito que o CN mete o o rapaz num chinelo velho, em termos de profundidade filosófica-

    Quanto ao Islão, há que colocar água na fervura. Na cosmovisão muçulmana, as ordens política e religiosa pertencem à mesma esfera, o que difere radicalmente daquilo que se passa no Ocidente, onde estas ordens sempre estiveram filosoficamente separadas (a Deus o que é de Deus, a César o que é de César), ainda que a ordem religiosa predominasse durante muitos séculos sobre a ordem política. As revoluções foram, no Ocidente, não processos de separação do político do religioso, mas de inversão da relação de subordinação, subordinando o religioso ao político,

    No Islão a crença religiosa legitima o poder político que, por sua vez, ampara e possibilita a difusão da crença religiosa. Na umma, há uma unidade na fé e o Califa é, tal como Maomé, cuja conduta é exemplo a seguir, o chefe político e religioso. O poder é absoluto e totalitário.

    Na verdade, se se olhar para as coisas tal como elas são, e evitar os filtros do whisfull thinking, torna-se evidente que as turbulências políticas têm, no mundo islâmico, o objectivo, consciente ou inconsciente, de restaurar o Califado.

    É também por isso que as ditaduras existentes no mundo islâmico são vistas como inimigas figadais dos islamistas que lhe declararam guerra, apelidando-as de “regimes corruptos”. É que, de facto, elas impedem o propósito último de instauração da Lei Divina e dificultam a coesão da umma sob a mesma autoridade, uma vez que são movidas, como é natural, por propósitos mais venais, tais como sobreviver, manter o poder, etc.

    Para o Islão, a democracia é uma abominável blasfémia, uma vez que o poder não é do povo que é “submisso”, mas sim de Deus. Quando os muçulmanos falam de democracia, estão a falar uma língua equivalente à dos comunistas quando falavam do mesmo conceito. (A República “Democrática” Alemã, estava longe de ser democrática, segundo o nosso conceito de democracia). Democracia é, para eles, a recuperação da umma.

    CN: “onde está ou alguma vez estará, desde que o Ocidente”

    Este é o argumento da culpa. Eles fazem isto, porque nós fizemos aquilo. É a velha história do ovo e da galinha em versão pecado original. Muito cristão, ironicamente. Esquecendo que o Islão apareceu muito depois e varreu a cristandade a golpes de alfanje, antes que uma reacção se esboçasse, alguns séculos depois.
    A culpa, que pode desaguar no masoquismo, é uma doença ocidental, especialmente europeia (judaico-cristã, berrava Nietzche do alto de um penhasco helvético) que conduz directamente ao relativismo do séc. XX e deu credibilidade a masoquistas convictos como Sartre, ou a loucos furiosos como Fanon.

    Tendo sido dada como demodé no cair do pano do séc. XX, eis que, dezenas de anos depois do fim dos impérios coloniais, a culpa volta a estar na moda.
    Edward Said teve um imenso sucesso na criação dessa nossa doença, relativamente ao Islão.
    Não, garantem, o problema não é o Islão, somos nós que somos maus. Eles apenas reagem.
    É uma mentira mas Goebbels sabia que até as mentiras se transformam em verdades.

    O problema é que este novo terceiromundismo, de natureza introspectiva e suicida, parasita as consciências e conduz ao ódio a si mesmo, frequentemente maior do que o proclamado amor ao “outro”.
    E o facto de não estar já apoiado numa proposta política, corrói aos poucos a alma do Ocidente, cada vez mais indefesa perante a paulatina destruição dos valores que lhe deram corpo.

    Há muitos “CN’s” por aí. Lenine chamava nomes pouco abonatórios a esta gente que, animada das melhores intenções, acaba a fazer o jogo dos seus inimigos…

  32. A. R

    Excelente Duvmet. O Estaline chamava “idiotas úteis” a quem o ajudava sem ele pedir os islâmicos acrescentam “kuffars” pois idiotas úteis já todos se tornaram.

  33. rr

    Este é o argumento da culpa. Eles fazem isto, porque nós fizemos aquilo”

    Duvmet,e não haverá culpa nenhuma do ocidente ? Vá, não seja tão sectário..

  34. Duvmet

    rr, já respondi a isso, nomeadamente em ” O problema é que este novo terceiromundismo, de natureza introspectiva e suicida, parasita as consciências e conduz ao ódio a si mesmo”

    Creio que se lhe aplica…

  35. rr

    A questão é simnples: As evidências apontam quem é culpado e quem é inocente.Se bem que nesse conflito não há preto nem branco, todos teem sido maus.
    Não aplica grande coisa não

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