Raquel Varela Business School

Alarmada com as notícias do retorno na dívida portuguesa em 2012 (uns fantásticos 57%) a Raquel Varela defende a imediata suspensão do pagamento da dívida e a nacionalização dos bancos. Alega ela “Ela é uma renda privada de alta rentabilidade porque [reparam na seguinte lógica da especialista em mercados financeiros:] baseada na transferência de salários para a carteira dos investidores“.

Pemitam que sossegue a Raquel Varela e demais alarmados e indignados. Connforme se percebe pela notícia do Jornal de Negócios os 57% de rentabilidade resultam da redução do preço dos títulos no mercado secundário motivado pelo aumento do risco percepcionado da dívida soberana portuguesa (reparam quem são as outras “estrelas” no ranking da rentabilidade) a que se soma um cupão (ie os juros pagos) que se manteve constante. Resumindo, para o estado (ie, os contribuintes) portugueses o montante a pagar ficou logo fixado aquando do leilão. Quem suportou o acréscimo de rentabilidade foram os investidores que tendo comprado no leilão de dívida (ou posteriormente no mercado secundário) não quiseram assumir a possibilidade de “default” total ou parcial tendo preferido vender os títulos por um valor mais baixo do que aquele que o tinham adquirido..

Não se vislumbra por aqui a tal “transferência de salários para a carteira dos investidores” que segundo rezam os mitos produz sempre retornos elevadissimos. Aliás neste caso , a elevada rentabilidade premeiou aqueles que, contrariamente a outros, decidiram assumir o risco de financiar o estado português. A suspesnão do pagamento da dívida produzira produzirá o corte no financiamento e um ajustamento muito mais rápido e brutal. Mas talvez seja isso que Raquel Varela e outros preferem.

39 pensamentos sobre “Raquel Varela Business School

  1. Carlos Duarte

    Bah, idiotices (da Raquel Varela, entenda-se – concordo no geral consigo Miguel).

    O que é “negócio” actualmente (e existindo financiamento mais barato – ou seja, pedindo mais dinheiro à Troika ou ao BCE ou a quem quer que seja) é comprar dívida em mercado secundário a preço de saldo (caso o preço ainda o seja – honestamente não tenho acompanhado o mercado da dívida).

  2. Miguel Noronha

    “O que é “negócio” actualmente é comprar dívida em mercado secundário a preço de saldo”

    A grande limitção desta medida é que quem o fizer vai ter de assumir um “buraco” no balanço. E dado que muitos dos detentores são bancos é capaz de não haver muita vontade do fazer. Provavelmente preferem ficar com ele até à maturidade e fazer figas.

  3. Carlos Duarte

    Já lhe respondi abaixo. Obviamente que se o Estado fosse ao mercado e dissesse “compro toda a dívida” estabelecendo um preço máximo equivalente ao resultasse num YTD igual ao financiamento exterior, o problema do juro acabava da noite para o dia…

  4. zeca marreca

    “Aliás neste caso , a elevada rentabilidade premeiou aqueles que, contrariamente a outros, decidiram assumir o risco de financiar o estado português”

    Essa afirmação é digna da Varela School of Economics, não…

    Quem assumiu o risco de comprar a dívida, em tese, foi quem comprou a emissão inicial e recebeu o valor do cupão, quem foi aos 57% foram os especuladores que estiveram a brincar no mercado secundário, né?

    Tanto moralismo e tanto estudo em economia mas as falacia não são muito diferentes das da camarada Varela pá!

  5. Miguel Noronha

    “Quem assumiu o risco de comprar a dívida, em tese, foi quem comprou a emissão inicial ”
    Errado. Quem assume o risco é que detem o título em cada instante.

    ” e recebeu o valor do cupão”
    A não ser que seja uma emissão de cupão zero, o cupão é pago periodicamente ou no final da maturidade.

    “quem foi aos 57% foram os especuladores que estiveram a brincar no mercado secundário, né?”
    Como é que sabe? Mas o que me está a dizer é que quem comprou o titulo a 100 vendeu-o a 80 e recompro-o mais tarde ainda conseguiu os tais 57% de rentabilidade? Não me parece muito certo.

    “Tanto moralismo e tanto estudo em economia ”
    Moralismo é mais o post da Raquel Varela. E isto não é economia mas finanças. Os meus conheciemntos na área estão um bocadito enferrujadas mas para falácias básicas como esta ainda chega e sobra.

  6. Alexandre Carvalho da Silveira

    A Raquel Varela além de ignorante, censura os comentários de que não gosta no “5 dias”. Continuam por lá os velhos hábitos soviéticos da “verdade a que temos direito”!

  7. zeca marreca

    “quem foi aos 57% foram os especuladores que estiveram a brincar no mercado secundário, né?”
    Como é que sabe? Mas o que me está a dizer é que quem comprou o titulo a 100 vendeu-o a 80 e recompro-o mais tarde ainda conseguiu os tais 57% de rentabilidade? Não me parece muito certo.

    Não o que eu estou a dizer é que quem sacou 57% de rentabilidade estava a brincar ao monópolio, senão só tinha sacado os 4% ou 5% ou 8% do cupão… digo eu que não estudei em nenhuma school of economics and/or managemnet… e que quem assegurou o risco e a viabilidade da divida foi quem avançou no mercado primário e não quem consumiu os derivados em que essa emissão foi posteriormente mastigada e regurgitada (se bem que revendida/transformada por parte dos que compraram a emissão inicial)

  8. zeca marreca

    ““quem foi aos 57% foram os especuladores que estiveram a brincar no mercado secundário, né?”
    Como é que sabe?”

    Sei porque sou de uma inteligência suprema.
    Porque nunca houve uma emissão de divida primária com uma taxa de 57%.
    Logo: “QUEM FOI AOS 57% FORAM OS ESPECULADORES QUE ESTIVERAM A BRINCAR NO MERCADO SECUNDÁRIO”

    Percebeu? Ou quer um desenho?

  9. Miguel Noronha

    “Porque nunca houve uma emissão de divida primária com uma taxa de 57%.”
    Vamos lá rever a matéria básica. O cupão é fixo e é fixado no leilão. No mercado secundário o valor do título vária e com esta varia também a taxa de rentabildade.

    Se alguém que tinha títulos e vendeu títulos a um preço mais baixo para forçar a queda perdeu logo uma carrada de dinheiro.

    Uma dos aspectos trágicos do mercado de dívida soberana foi o desaparecimento do mercado secundário. Ninguém queria comprar mesmo a desconto porque ninguém queria assumir o risco do default. Pelo visto quem o fez foi bem recompesando. Felizmente.

  10. zeca marreca

    “Vamos lá rever a matéria básica. O cupão é fixo e é fixado no leilão.”

    Alguém discordou?

    O que eu disse foi:
    “quem foi aos 57% foram os especuladores que estiveram a brincar no mercado secundário, né?”

    Ler 20 vezes (recomendação a um putativo utente da Varela School): “no mercado secundário”

  11. Miguel Noronha

    Ainda não soube explicar de que forma foi manipulado o mercado para atingir os tais 57% (que pelos vistos beneficiaram quem comprou no leilão) nem quais foram as implicações disso para a serviço da dívida.

  12. zeca marreca

    “Ainda não soube explicar de que forma foi manipulado o mercado para atingir os tais 57”
    Nem nunca pretendi tal coisa, mas se vocemerce admite que poderá ter sido manipulado é consigo…

    “nem quais foram as implicações disso para a serviço da dívida”
    Aí não foram nenhumas… não me confunda com a camarada Varelá, pá, o serviço da dívida foi o dos 3% ou 5% ou 8% ou wahtever do respectivo cupão (ou leilão, se perferir, para não me vir azucrinar a cabeça com as datas e periodicidade de pagamento do mesmo).

    …..

  13. PedroS

    Miguel, não me parece que o “zeca marreca” tenha dito isso. Ele apenas chamou a atenção para a elevada rentabilidade não ter ter beneficiado aqueles que financiaram directamente o estado, mas aqueles que aceitaram ficar com a “batata quente” nas mãos quando os credores originais recearam ficar sem o guito 🙂

  14. Miguel Noronha

    Como disse noutro comentário parece-me que mereceram o prémio.
    Continuo sem perceber a mensagem do Sr.Zeca Marreca.

  15. Miguel P

    Zeca Marreca, os ganhos de 57% foram feitos à custa dos privados que negoceiam as obrigações, e não do Estado, pois o dinheiro que o Estado se comprometeu a pagar (bem como os vários cupões) foram feitos na settlement date (ou data do acordo). A partir dessa altura o que acontece ou deixa de acontecer às obrigações, está relacionado com o desempenho do Estado! Chama-se investir e arriscar 😉

  16. Argala

    «”Não se vislumbra por aqui a tal “transferência de salários para a carteira dos investidores”»

    Vislumbra-se, mas não na totalidade dos 57%, porque uma parte dessa taxa é conseguida à custa da destruição de capital (depreciação do título no mercado secundário e aumento da sua rentabilidade). Isto é, há transferência de trabalho para capital e há desruição de capital. E de acordo com a teoria marxista, em momentos de crise as duas coisas são necessárias para contrariar a queda tendencial da taxa média de lucro.
    Noto com agrado que escreveram “Business School” e não “School of Economics”. É normal, é mais com isso que gostam de se comparar. Ciência Económica é muito mais do que dominar os pormenores dos mercados financeiros. A omissão desta explicação é uma questão de pormenor que não fere a ideia principal do texto.

  17. zeca marreca

    Mas não é o merecer o prémio ou não que está em questão. A minha única objecção foi `seguinte afirmação (comentário 4):

    “Aliás neste caso , a elevada rentabilidade premeiou aqueles que, contrariamente a outros, decidiram assumir o risco de financiar o estado português”

    E isto é factualmente falso, como estamos todos de acordo. Quem assumiu o risco de financiar o estado foi quem comprou a dívida ao valor da emissão (os tais 6% ou 7%, ou 2% se em 2001). A partir daí o estado estava financiado. Logo não foi quem financiou o estado que foi premiado, mas quem investiu no mercado secundário que obteve o prémio de 57%.

  18. zeca marreca

    E pior que isso poderá acontecer (e certamente que aconteceu) que quem EFECTIVAMENTE financiou o estado (comprou a divida na emissão) e a teve de vender (obrigações contratuais com ratings, necessidades de liquidez etc.) a meio fe-lo com um desconto de 50%, ou seja perdeu dinheiro… e aí a frase seria:

    “Aliás neste caso , a A PERDA DE METADE DO CAPITAL INVESTIDO premeiou aqueles que, contrariamente a outros, decidiram assumir o risco de financiar o estado português”

    That’s my only point.

  19. Miguel Noronha

    “Vislumbra-se, mas não na totalidade dos 57%, porque uma parte dessa taxa é conseguida à custa da destruição de capital (depreciação do título no mercado secundário e aumento da sua rentabilidade). Isto é, há transferência de trabalho para capital e há desruição de capital.”

    Explique lá como se processa essa transferência. Não me parece nada óbvio. Qual é o rendimento do trabalhop que é perdido?

  20. Miguel Noronha

    “Aliás neste caso , a A PERDA DE METADE DO CAPITAL INVESTIDO premeiou aqueles que, contrariamente a outros, decidiram assumir o risco de financiar o estado português”
    A existência de um mercado secundário é de extrema importãncia para incentivar o mercado primário. Felizmente existiu quem estava disposto assumir o risco do financiamento quando quem comprou no leilão achou que não podia/queria suportar o acréscimo do risco.

  21. Joao Passos Dias Aguiar Mota

    Meus caros,

    Parece que os comentarios a mensagem original estão bloqueados. Nesse sentido, deixo aqui a mensagem que tentei deixar lá. O meu modesto contributo para o esclarecimento dos demais, em particular a senhora Raquel Varela.

    “Raquel, desculpe mas o seu post revela ignorancia.

    Vou tentar explicar-lhe de forma simples como funciona o mercado de dívida:

    1. A Raquel, por ex., em 2004 decidia investir em dívida portuguesa comprando um título por €100, título esse que daria direito a um cupão (“juro”/interest”) de 3%/ano até 2014 (10 anos maturidade).

    2. Chegamos ao início de 2012 e surgem dúvidas sobre a capacidade pagadora da Republica Portuguesa (incluindo a de fazer face ao compromisso que tem para consigo: juros anuais + pagamento de €100 em 2014).

    4. A Raquel não quer saber de investimentos de alto risco e decide vender esse seu título no mercado. Tendo em conta a incerteza existente o max. que alguem lhe paga seria, digamos, €50.

    5. Esse comprador teria entao pago €50 opr um título com direito a 3%/ano sobre €100 + €100 na maturidade (2014). Isto em teoria, ie aparte o risco de incumprimento de Portugal.

    6. Assumindo no default até essa data, o rendimento/mais-valia (ou “yield”) desse segundo comprador seria 3%*€100/ano + (€100-€50), o que daria um ganho de mais de 100%. Ao invés, a Raquel teria perdido €50, ie 50% do seu investimento inicial (excluindo juros corridos desde 2004 ate ao momento de venda, para ser mais rigoroso).

    7. Ora, os 57% rendimento que fala no seu post tem só e apenas a ver com a mudança de expectativas sobre a capacidade pagadora da República Portuguesa entre o início e o fim de 2012. Quem comprou dívida portuguesa em Janeiro do ano passado assumiu riscos e teve ganhos (mas tb poderia ter tido perdas). A Raquel poderia tê-lo feito.

    8. Este funcionamento do mercado não afecta o cupão inicialmente contratualizado (3% no seu exemplo). Muitas vezes confunde-se conceitos diferentes – cupao/”interest” e rendimento/”yield” – como sendo a mesma coisa (juro das obrigações).

    Espero que útil e que ajuda a diminuir a desinformação que por aí graça.
    Saudações,”

  22. Argala

    “Explique lá como se processa essa transferência. Não me parece nada óbvio. Qual é o rendimento do trabalhop que é perdido?”

    É menos óbvio do que a extracção da mais-valia no processo produtivo. Uma parte do valor em juros definido no mercado primário (6, 7%?) será pago por impostos sobre o trabalho (transferência de trabalho para capital) e a outra parte em impostos sobre o capital (circulação da mais-valia já extraída ao trabalho no processo produtivo). Calcular exactamente aquilo que se transfere a mais com a emissão da dívida seria o cabo dos trabalhos. Se calhar teríamos que encontrar uma média ponderada com receita fiscal proveniente do trabalho e do capital, e depois aplicar a taxa ao juro. Creio que teria de ser algo deste género.

    Cumprimentos

  23. Pingback: Como funciona o mercado de dívida « O Insurgente

  24. Mário Amorim Lopes

    Argala, esse seu raciocínio é anedótico. Seguindo o seu rationale, qualquer que seja a receita arrecadada pelo Estado, parte dela será para financiar custos de capital — incluindo, como é óbvio, a receita do imposto sobre trabalho —, então *tudo* são transferências de trabalho para capital ou então o Estado não pode ter qualquer custo com capital.

    Isso não é economia, não é finanças. É marxismo. Algo que existe numa outro planeta onde a erva é demasiado barata e o tabaco caro. Mas noto com satisfação um dos corolários da sua teoria. Que o Estado não deve ter capital ou custos com capital para evitar transferências do trabalho. Parece-me bem.

  25. Miguel Noronha

    “Uma parte do valor em juros definido no mercado primário (6, 7%?) será pago por impostos sobre o trabalho (transferência de trabalho”

    Isso não faz grande sentido. A emissão de dívida acontece porque as receitas do OE não cobrem as despesas- Para não aumentar os impostos no periodo corrente emite-se dívida que será paga no futuro (daí a equivalência ricardiana). Há sempre duas hipótese de evitar emissão de dívida (e logo o pagamento). Ou se ajusta a despesa á receita ou se aumentam os impostos. Mas pelo que se tem visto ninguém está disposto a qualquer das duas coisas.

  26. Argala

    “Seguindo o seu rationale, qualquer que seja a receita arrecadada pelo Estado, parte dela será para financiar custos de capital — incluindo, como é óbvio, a receita do imposto sobre trabalho —, então *tudo* são transferências de trabalho para capital”

    Tudo não. Há receitas fiscais que são destinadadas a salários e salário social (educação, saúde, segurança social). Mas o juro é uma transferência do trabalho para o capital. E talvez aquilo que quisesse dizer é que toda a riqueza é fruto do trabalho, e que o trabalho se remunera a si próprio e ao capital. Portanto, mesmo que parte do juro seja pago com impostos sobre os dividendos, esses dividendos provêem do trabalho (a circulação da mais-valia de que falei).

    “ou então o Estado não pode ter qualquer custo com capital.”

    Depende do que entende com “custos com capital”. Eu uso a definição marxista de capital (http://www.marxists.org/glossary/terms/c/a.htm). E sim, isto é Marxismo e é Economia. Existem diferentes escolas económicas. Pegue num bom manual de História do Pensamento Económica e veja que não há só a economia neoclássica que se aprende na faculdade.

    Quando falo em transferência de trabalho para capital, estou a escrever de forma coloquial para poupar explicações.
    O que eu quero dizer é que há um aumento na taxa de exploração.

    Se pode ou não.. até a Coreia do Norte emite dívida, e paga juros com a riqueza criada pelo trabalho. O que não existe numa economia socialista, ou deixaria de o ser, é propriedade privada de meios de produção. A acumulação, o capital, tem um carácter social.

    Caro Miguel Noronha,

    “Isso não faz grande sentido. A emissão de dívida acontece porque as receitas do OE não cobrem as despesas- Para não aumentar os impostos no periodo corrente emite-se dívida que será paga no futuro (daí a equivalência ricardiana).”

    Sim, mas isso explica como se contraiu a dívida, não explica quem é que a paga. Não altera o facto de que se paga à custa do aumento da exploração sobre o trabalho. Diminuição de salários e salário social.

  27. Miguel Noronha

    Mas não deixa de fora os benficíarios. Que são todos aqueles que vivem á custa do OE. Se tivermos em conta que 80% das despesas correntes servem para pagar as funções ditas “sociais” do estado e a função pública temos uma boa perspectiva de quem beneficiado com o endividamento do estado.

  28. Miguel Noronha

    “Mas o juro é uma transferência do trabalho para o capital”
    Isso é uma teoria extremamente fascinante. Quer dizer que se nos livramos da maquinaria (os chamados “bens de capital” e duplicarmos a força laboral não só teremos qualquer perde de produtvidade como ainda duplicamos os lucros?

  29. Argala

    “Mas não deixa de fora os benficíarios. Que são todos aqueles que vivem á custa do OE. Se tivermos em conta que 80% das despesas correntes servem para pagar as funções ditas “sociais” do estado e a função pública temos uma boa perspectiva de quem beneficiado com o endividamento do estado.”

    Mesmo que isso fosse verdade (que não é), não alteraria o facto de que é uma transferência de trabalho para capital. O mesmo aconteceria se fosse ao banco pedir crédito para férias em Cancun.

    “Quer dizer que se nos livramos da maquinaria (os chamados “bens de capital” e duplicarmos a força laboral não só teremos qualquer perde de produtvidade como ainda duplicamos os lucros?”

    Que confusão.. Maquinaria é aquilo a que chamamos capital constante. Uma diminuição da maquinaria corresponde a uma menor produtividade do trabalho. O lucro já depende de outras variáveis. O que existe é uma relação entre taxa média de lucro e capital constante, e explica-se de forma simples e matemática aqui: http://youtu.be/-e8rt8RGjC
    O meu problema não é com a existência de maquinaria, nem com os custos da manutenção e inovação. O meu problema é apenas com a propriedade. Só isso.

  30. Miguel Noronha

    “Mesmo que isso fosse verdade (que não é)”
    O que é que não é verdade?

    “é uma transferência de trabalho para capital”
    Muito pelo contrárip. O que se passa é que toda a receita fiscal seja qual for a sua origem não cobre as despesas. Não há qualquer tipo de transferênjcia.A Apenas a divida a avolumar-se porque estamos sempre a ter défices primários.

    “é uma transferência de trabalho para capit”
    O que sucede é que para aumentar o meu consumo no presente vou ter de convencer outros a adiarem o seu consumo para o futuro. Para isso vou ter de os compensar. Mas se me fizer especie pedir empréstimos ou pagar juros posso sempre poupar para a tal viagem (diminuindo o consumo no presente). A escolha é minha.

    “Maquinaria é aquilo a que chamamos capital constante”
    “capital constante” em que sentido? Não sofre desgaste e não tem de ser reposto?

    “Uma diminuição da maquinaria corresponde a uma menor produtividade do trabalho”
    Quer dizer que a produtividade do trabalho é uma função directa da produtividade dos bens de capital? Isso é uma excelente razão para os remunerar. Mas o que não me parece muito correcto é fazer depender um do outro. Recordo de várias situações em que não existe tal interdependência. E em situações de automoção total a prudutividade do trabalho será irrelevante.

    ” O lucro já depende de outras variáveis.”
    O lucro não depende da produtividade?! Muito bom

    “O meu problema é apenas com a propriedade. Só isso”
    Ainda bem porque o resto da sua teoria era uma enorme confusão. Mas quanto à propriedade pode ficar descansado que isso não me causa qualquer problema. A propriedade é facilmente establecido.

  31. Argala

    “O que é que não é verdade?”

    Não é verdade que 80% do OE seja para salários e salário social.

    “Muito pelo contrárip. O que se passa é que toda a receita fiscal seja qual for a sua origem não cobre as despesas. Não há qualquer tipo de transferênjcia.A Apenas a divida a avolumar-se porque estamos sempre a ter défices primários.”

    Obviamente que enquanto pagarmos as obrigações com novas emissões, a transferência não se materializa. Mas vamos começar a pagar agora. Se pagar as prestações do empréstimo das férias a Cancun com o cartão de crédito, o seu trabalho também ainda não remunerou o capital.. mas é só uma questão de tempo.

    “O que sucede é que para aumentar o meu consumo no presente vou ter de convencer outros a adiarem o seu consumo para o futuro. Para isso vou ter de os compensar.”

    Não é verdade. Isso é ignorância absoluta de como funciona o sistema bancário. A dívida pública contraída pela República Portuguesa não corresponde a um adiamento de consumo de outrém. Isso poderá ser verdade num mútuo pessoal que você faça com um amigo, ou no caso dos certificados de aforro, mas é falso para o grosso da dívida. Aliás, os títulos satisfazem necessidades de investimento e aplicações na banca, que de outra forma não existiriam.

    «“capital constante” em que sentido? Não sofre desgaste e não tem de ser reposto?»

    Capital constante é apenas um nome que Marx lhe dá. Inclui o dinheiro gasto com a sua manutenção.

    “Quer dizer que a produtividade do trabalho é uma função directa da produtividade dos bens de capital? Isso é uma excelente razão para os remunerar.”

    Ora aqui chegamos ao busílis da questão. O capital não produz nada. O que o capital faz é aumentar a produtividade do trabalho. E no modo de produção capitalista, os seus detentores são remunerados com parte do valor criado pelo trabalho. E embora isso tenha sido importante para desenvolver as forças produtivas, tem no limite uma série de problemas, que no vídeo que lhe deixei estão mais ou menos explicadas. Aliás, estamos a sofrer na pele as consequências.

    “Mas o que não me parece muito correcto é fazer depender um do outro. Recordo de várias situações em que não existe tal interdependência. E em situações de automoção total a prudutividade do trabalho será irrelevante.”

    A produtividade continua a ser do trabalho.

    “O lucro não depende da produtividade?! Muito bom”

    De outras variáveis para além da produtividade.

    “Ainda bem porque o resto da sua teoria era uma enorme confusão. Mas quanto à propriedade pode ficar descansado que isso não me causa qualquer problema. A propriedade é facilmente establecido.”

    Não. A propriedade dos meios de produção precisa da força do Estado. Aliás, o Estado existe para isso mesmo. A propriedade dos meios de produção mantém-se pela força, e retira-se pela força.

  32. Miguel Noronha

    “Não é verdade que 80% do OE seja para salários e salário social.”
    Não invente. O que escrevi foi que 80% das despesas correntes destinam-se a pagar as funções sociais do estado e a FP.

  33. Miguel Noronha

    “Mas vamos começar a pagar agora. Se pagar as prestações do empréstimo das férias a Cancun com o cartão de crédito, o seu trabalho também ainda não remunerou o capital.. mas é só uma questão de tempo.”
    Não consegue provar a sua premissa não é?

    “Aliás, os títulos satisfazem necessidades de investimento e aplicações na banca, que de outra forma não existiriam.”
    A sério. Vamos dar cabo do negócio á banca.Começamos só a gastar o que arrecadamos em impostos. Vamos lá. Agora mesmo a sério.Vá estudar um bodadinho.Depois falamos.

  34. Argala

    “Não consegue provar a sua premissa não é?”

    Já o fiz. Toda a criação de riqueza provém do trabalho, portanto as formas de apropriação de riqueza que não tenham origem no trabalho (rendas, lucros, juros, dividendos, royalties, mais-valias e quejandos) são uma transferência de trabalho para capital. Parece-me simples.

    “A sério. Vamos dar cabo do negócio á banca.Começamos só a gastar o que arrecadamos em impostos. Vamos lá. Agora mesmo a sério.Vá estudar um bodadinho.Depois falamos.”

    Mas algum Comunista a sério esconde a sua vontade em dar cabo do negócio bancário? Obviamente que sim.
    Aliás, tomar conta da banca, expropriando os accionistas, é logo a primeira coisa a fazer. A banca passa a ser detida pelo Estado e a desempenhar funções de intermediação financeira sobretudo para o comércio externo.
    E já lhe disse que é perfeitamente normal, e muitas vezes inevitável, que um país socialista tenha que emitir dívida, pagando juros ao exterior. Acontece que, como não tem que sustentar um bando de parasitas e pesos mortos que não produzem nada e vivem do trabalho dos outros, têm menos possibilidades de cair na ratoeira em que nós estamos.

  35. “E já lhe disse que é perfeitamente normal, e muitas vezes inevitável, que um país socialista tenha que emitir dívida, pagando juros ao exterior. Acontece que, como não tem que sustentar um bando de parasitas e pesos mortos que não produzem nada e vivem do trabalho dos outros, têm menos possibilidades de cair na ratoeira em que nós estamos”.

    A Polónia e a Roménia “socialistas” acumularam dívida sobre dívida, até ao limite da insustentabilidade. E a Rússia viu-se aflita para pagar as dívidas contraídas pelo regime soviético. E só o conseguiu graças à subida do preço de petróleo e do gás natural. À luz da História recente, este seu ponto não colhe. A não ser que esteja a falar de uma república socialista do dever ser.

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