Artur Baptista Lains (2)

Tréplica de Jorge Costa (no facebook) à resposta de Pedro Lains (que continua a ter dificuldades em nomear as pessoas a quem se dirige)

O Pedro Lains é uma pessoa que tem uma enorme dificuldade em expressar-se. É anormalmente confuso, baralhado, afásico. Mas além disso é muito troca-tintas, aldrabão.

Ontem escrevi aqui uma notazinha a estranhar que um economista, professor universitário, além disso historiador, gente normalmente atenta ao concreto, tivesse ido à Sic-N dizer que a contracção da despesa pública originou uma contracção na economia de 9.000 milhões de euros, o que explicaria a crise presente, ou o seu estado presente, como se pode rever por este vídeo, 30 segundos depois do 17º minuto. Diz ainda que metade dessa contracção «foi provocada pelo Governo». A economia teria contraído 9.000 milhões de euros e 4.500 milhões desse valor teriam sido «originados pelo governo».

Para o Pedro Lains a economia é uma ciência de mistérios, com «vertentes insondáveis», e eu não tenho jeito para o oculto, nem para o «insondável». Acho que o Pedro Lains está a falar de astrologia, ou coisa assim, e não de economia, ou a confundir as coisas (mais uma vez), mas isso é outra conversa. A verdade é que o que ele diz é um barrete completo, pois a contracção da economia apurada pelo INE no ano terminado em Setembro, e divulgada no dia em que ele foi perorar as suas aldrabices para a Sic-N, foi de 4000 milhões de euros, menos de metade do que ele diz, e isso é perfeitamente sondável no site do INE. Vai daí, o meu amigo Miguel Noronha transcreveu o meu post no Insurgente. E o Pedro Lains, que até pode não ser idiota, mas é vigarista a sério, responde à bota com a seguinte perdigota: «Há um certo nervosismo no ar (que não cito porque não vale a pena) quanto à extensão da pancada que o Governo deu à economia mas, sim, foram 9 mil milhões de euros e, em prol dos leitores deste blogue, aqui deixo o quadro relevante, do Orçamento de 2012.» «Pancada» na economia não é um conceito facilmente decifrável, ele não fala bem, escreve mal, já sabemos, mas advinhamos o que pretende dizer pelo quadro para que remete: o somatório das medidas previstas do lado da despesa e da receita quantificado na proposta do Orçamento do Estado para 2012 – na proposta, pois efectivamente os valores obtidos nem sequer foram aqueles, especialmente do lado da receita, como sabe qualquer taxista.

Além disso, ele confunde alterações nos agredados das receitas e despesas públicas com contracção na economia, ou, tendo sabido que estava a vender uma coisa pela outra, confundindo-as, chama-lhe agora «pancada na economia», quando antes se referira a uma «contracção da economia», noção nada esotérica, que teria sido provocada pelas tais alterações orçamentais. Nada disto teria importância nenhuma. O Pedro Lains é um aldrabão primário, grosseiro. Mas é professor universitário e passeia pela praça pública a sua confusão, ou vontade de confundir, ignorância de coisas elementares, ou vontade de mistificar quem não dominada naturalmente coisas elementares da realidade económica. E é uma pena que o deixem. Pode-se ter todas as opiniões que se quiser. Mas não é moralmente aceitável este tipo de vigarices.

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17 pensamentos sobre “Artur Baptista Lains (2)

  1. A. R

    Hoje, no jornal da RTP da manhã lá estava a claque com o Manel comentador (entre quase todos escolhidos a dedo) e a apresentadora a fazer a promoção de Pedro Lains. É uma comunicação social de sentido único: não aprenderam nada com o ABS.

  2. Miguel Noronha

    O ABS é que aprendeu com eles. Eles meramente usaram-no como autoridade legitimadora das suas fraudes

  3. Comunista

    Uma coisa é seguramente verdade, Pedro Lains ficou sem palavras no fim do debate da SICN; a meu ver isso deve-se desde logo a uma tentativa de manter o anterior governo fora da discussão. Isso não é possível. Não há dúvida, julgo, que o governo do PS desbundou dinheiros públicos em obras sem retorno e que parte do chamado ajustamento actual se deve a essa desbunda. A questão porém é que remédio está a dar o governo actual à economia? Porque razão o governo corta nos salários e aumenta os impostos sem ter ao menos descontado nas necessidades de poupança do Estado muitos contratos de PPP que parece afinal pouco disposto e renegociar.

    Depois há ainda a ideia do governo de que baixando salários e precarizando contratos aumentará o investimento privado. Até agora isso não aconteceu e o desemprego que tem aumentado continuamente durante o actual governo já tem uma dimensão para a qual há poucas perspectivas de resolução por via desse investimento. Esperar que o aumento do investimento privado por via da baixa de salários e precarização dos contratos gere ao menos 500.000 empregos nos próximos 10 anos é ser optimista. A questão, então, é que sustentabilidade terá portugal com uma constante de desemprego como a que temos agora; enfim, quem é que vai comprar produtos às empresas que trabalham para o mercado interno de forma a que possam crescer o suficiente para gerar algum emprego? Parece-me que não há grandes perspectivas de crescimento da procura interna.

    Resta as exportações. Bom, aqui Portugal não está sozinho, todos os países querem aumentar as exportações de modo que a meu ver também não vai ser pelas exportações que Portugal vai conseguir gerar emprego suficiente para que não tenha uma massa brutal de gente sem rendimentos.

    Enfim, apesar de falarem o mais alto que podem e usarem os adjectivos o mais agressivos que conseguem a direita, na verdade, também não tem, no contexto da política actual do governo, uma saída para a crise.

    Ou seja, a meu ver, o conjunto das políticas do PS e as do PSD estão a ser trágicas para o país.

  4. Joaquim Amado Lopes

    Comunista (4),
    “Resta as exportações. Bom, aqui Portugal não está sozinho, todos os países querem aumentar as exportações de modo que a meu ver também não vai ser pelas exportações que Portugal vai conseguir gerar emprego suficiente para que não tenha uma massa brutal de gente sem rendimentos.”

    Com isto, o Comunista parece pretender que, como não será possível criar empregos suficientes por via das exportações, será necessário aumentar o consumo interno. Se é assim, continua a não perceber minimamente o nosso problema, que se resume numa simples pergunta: esse consumo interno será pago como?

  5. Comunista

    Na verdade, eu penso que estamos numa situação que, dadas as coordenadas actuais para a sua resolução, não tem resolução, quer dizer, penso que espera-nos em Portugal longos anos de pobreza, desemprego, emigração. Julgo que estamos na mesma rota do que a Grécia.

  6. Joaquim Amado Lopes

    Comunista (6),
    Se acha que esses “longos anos de pobreza, desemprego, emigração” são inevitáveis (tradução: não há nada que alguém possa fazer para evitar que aconteçam), então não pode culpar este Governo pela pobreza, pelo desemprego e pela emigração actuais nem criticá-lo por não conseguir reduzi-las.
    Ou acha que esta situação irresolúvel em que estamos foi causada por este Governo?

    E, só por curiosidade, o que quer dizer com “coordenadas actuais”?

  7. Comunista

    Se a minha posição fosse toda ela criticar o actual governo do PSD, eu seria do PS.

    Eu digo que não há solução porque ela, ou melhor um de seus fundamentos essenciais, é basicamente proibida, não por decreto de Deus ou da Natureza mas por decreto do capitalismo. Um desses fundamentos para começar a resolver o nosso problema está, a meu ver, na proposta do PCP de relacionar o pagamento do serviço da dívida a uma porcentagem das exportações a negociar com os credores. Isto implica que Portugal toma um parte da responsabilidade pela dívida que contraiu sem poder pagar nos termos em que foi contraída e os credores tomam outra parte, a da responsabilidade de terem emprestado a Portugal sem garantias de que poderiam ser pagos nos termos em que fizeram os empréstimos.

    Se os credores têm como negócio vender crédito devemos dar-lhes ‘o direito e a liberdade’ de fazerem maus negócios e como tal, no exercício pleno dessa liberdade e desse direito, pagarem a parte que lhes cabe no mau negócio que fizeram.

    A responsabilidade moral da crise das dívidas é de ambos – dos que pediram emprestado e dos que emprestaram, uma vez que ninguém esteve a fazer favores a ninguém mas estiveram ambos a resolver uma necessidade sua: a necessidade do que pede emprestado de pedir emprestado e a necessidade do que empresta de emprestar.

  8. lucklucky

    Se é verdade é mais uma demonstração da incompetência deste Governo, só tirou 4 mil milhões…

    O Lains não sabe o que é a palavra défice, a palavra dívida? Se compra um Maserati a crédito e não pode pagar o crédito não sabe que os próximos orçamentos são obviamente menores, porque têm menos ou nenhum crédito?

    Pelos vistos segundo Pedro Lains se Sócrates tivesse ainda feito mais dívida no nosso nome – vamos imaginar que os Governos anteriores não tinham feito batota e tinham mantido os 15% de Dívida Publica desde o 25 de Abril -, ainda mais culpado era este Governo, pois teria de ainda tirar mais dinheiro-crédito- da economia.

    Como era de esperar os jornalistas continuam a achar muito bem o PM José Sócrates. Ou então nem têm consciência do que dizem, o que também é possível.

    “Na verdade, eu penso que estamos numa situação que, dadas as coordenadas actuais para a sua resolução, não tem resolução, quer dizer, penso que espera-nos em Portugal longos anos de pobreza, desemprego, emigração. Julgo que estamos na mesma rota do que a Grécia.”

    Totalmente de acordo. Por causa de ideias do seu partido sempre pronto a gastar mais.

    “A responsabilidade moral da crise das dívidas é de ambos – dos que pediram emprestado e dos que emprestaram”

    O Facilitismo do Crédito é uma engenharia política realizada por consenso da esquerda à direita social aos maiores bancos. As pessoas foram comprada pelo poder total que os Governos têm sobre o dinheiro,
    Credito pagar o crescimento do Estado sem onerar na totalidade as pessoas e ao mesmo tempo forçar o crescimento a qualquer custo como se o crescimento sem ideias com qualidade/tecnologia fosse possível.
    O Futuro não interessa, estaremos todos mortos no longo prazo não é? . Mas o Futuro chegou.

  9. Comunista

    “Por causa de ideias do seu partido sempre pronto a gastar mais.”

    Essa é boa. Depois de 35 anos de alterne PS/PSD com o CDS a fazer serviço de taxi quando é preciso, a culpa é do PCP…

    Quando se começou a falar de aderir à moeda única já o PCP disse logo que ia desatroso para o país. Na altura, como hoje, talvez também dissessem que o PCP era contra o euro porque quanto pior melhor…e aqui estamos, no euro, na verdade, como país, com um euro [no bolso] literalmente, ou melhor, nem isso.

  10. Joaquim Amado Lopes

    Comunista (8),
    “relacionar o pagamento do serviço da dívida a uma porcentagem das exportações a negociar com os credores”
    O Comunista continua a pretender ignorar que a dívida é resultado de deficits sucessivos e que, independentemente de quaisquer perdões ou renegociações, é sempre impossível pagar a dívida se esta continuar a subir sistematicamente. Renegociar a dívida sem acabar com os deficits sucessivos é dizer aos credores “perdoem-nos o que já devemos e continuem-nos a emprestar mais dinheiro que também não temos intenção de vir a pagar”.

    E não venha com a treta de “35 anos de alterne PS/PSD com o CDS a fazer serviço de taxi quando é preciso”. O PCP esteve SEMPRE do lado do aumento da despesa e tudo o que propõe é no sentido de aumentar a dívida exponencialmente.
    Se há partido político que não tem qualquer autoridade para falar da dívida é precisamente o PCP. O PSD, o PS e o CDS têm a responsabilidade pelo estado actual do País mas só não estamos muitíssimo pior porque os portugueses nunca deram ao PCP a possibilidade de aplicar as suas políticas de faz-de-conta.

  11. Comunista

    Políticas de faz-de-conta? Faz-de-conta são os seus amigos do PS/PSD-CDS.

    A propaganda diz que o PCP quer acabar com a propriedade privada do capital mas, por exemplo, o Partido em 2010 propunha uma redução de 20% do IRC para as PMEs com um aumento na mesma proporção, do mesmo imposto, para lucros acima dos 50 milhões de euros nas grandes empresas. Infelizmente os nossos governos são incapazes de apoiar quem mais dá emprego em Portugal porque não querem perturbar lucros de 50 milhões em quem depois vai investí-los fora do país.

  12. Miguel Noronha

    ” Partido em 2010 propunha uma redução de 20% do IRC para as PMEs ”
    Porquê apenas para as PME’S? E propunham a redução na despesa para compensar a perda de receita ou comensavam com o aumento da dívida pública? Suponho que nesse caso os juros já não fizessem especie.

  13. Comunista

    Para compensar propunham o aumento, na mesma proporção, para as grandes empresas e grupos económicos nos lucros a partir de 50 milhões.

  14. Miguel Noronha

    Porquê? Se reconhecem que os impostos prejudicam a actividade económica e promovem o desemprego porque razãO defedem o seu aumento? Porquê a discriminação?

  15. Comunista

    Porque as PMEs geram mais emprego que os grandes grupos. Porque as PMEs pagam todos os impostos em Portugal e não se inscrevem na Holanda – e porque em política fazem-se escolhas.

  16. Joaquim Amado Lopes

    Comunista (16),
    Questiona a expressão “política de faz-de-conta” para, logo a seguir, dar um exemplo claríssimo dessa mesma política.

    O que é que o Comunista acha que “as grandes empresas e grupos económicos” fariam se tivessem que pagar mais impostos em Portugal, sabendo que se podem “inscrever” noutros países e dessa forma deixar de declarar os lucros em Portugal?

    É verdade que em política se fazem escolhas e o Comunista, mesmo sem representar o PCP, tem contribuído de forma louvável para demonstrar a falta de senso das escolhas desse partido. Começo a pensar que é deliberado.

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