Um país de Baptistas da Silva

Excerto de Um país de Baptistas da Silva de Adolfo Mesquita Nunes no iOnline:

Não estou a dizer que tem de haver apoio unânime ao rumo deste governo. É natural e desejável que, em democracia, surjam alternativas. O que estou a dizer é, e nisto estou particularmente seguro, que a crise que atravessamos não se resolve com a facilidade apregoada pelos vendedores da banha da cobra.

É tentador pensar que a crise poderia ser resolvida de uma vez, sem dor, com bravura e coragem. E é tentador pensar que essa solução não é aplicada apenas porque uma conspiração de interesses lucra com a crise. É o mundo a preto e branco: os bons e os maus.

Mas o mundo não é uma história de quadradinhos. Não existe uma receita simples e directa capaz de acabar de vez com a crise e que é posta de lado por políticos mal-intencionados apostados na desgraça dos povos.

Quem pretender, seja ele o senhor Baptista da Silva, seja ele um comentador encartado, que tudo isto se resolveria fácil e rapidamente assim quisessem os políticos está a mentir. E descaradamente.

20 pensamentos sobre “Um país de Baptistas da Silva

  1. Comunista

    Não se trata de resolução simples, trata-se de resolução. O Adolfo acredita que a política actual está a resolver a crise – é isto que a esquerda, o PCP pelo menos, contesta.

  2. Lucas Galuxo

    É óbvio que não há uma receita milagrosa. Há medidas que melhorarm e medidas que pioram a situação. Delapidar o património público que gera dividendos seguros para beneficiar comissionistas de ocasião e permitir uns truques contabilísticos não melhora.

  3. Duvmet

    “Delapidar o património público”

    Património público? Quem é o “público”? Eu sou proprietário? A ANA era minha? A TAP é minha? Mas então não tenho de pagar bilhete ao mesmo preço do que os tipos que não são proprietários?
    Não sei, ó Galuxo, mas quem anda a delapidar o meu património, desde há uns tempos, são exactamente estas empresas, com dívidas brutais cujo pagamento sai dos meus bolsos.
    Desculpe lá, mas aqui este seu amigo, tão “público” quanto você, não o mandatou para se arvorar em defensor do património “público”. Por isso trate do seu património privado, em vez de vir para aqui largar postas de pescada sobre o meu.

  4. Duvmet

    “o PCP pelo menos, contesta.”

    Pelo menos e pelo máximo. Na realidade não faz outra coisa senão contestar uma coisa e o seu contrário. Como aqueles putos que passam a vida a berrar, a protestar e a exigir, estando-se nas tintas para o facto de os seus pais terem capacidade de lhe darem o que ele exige.
    Só se calam com uma lapada nas nalgas…

  5. Comunista

    Quem passa a vida a berrar, a protestar e a exigir são bem outros, pode começar nos banqueiros e passar pelo gajo do Pingo Doce. Ninguém se queixa mais do que eles.

  6. Alexandre Carvalho da Silveira

    Mas os comunistas alguma vez resolveram os problemas de alguem em algum lado? Talvez na Coreia do Norte, não sei…
    Comunistas e fascistas, a mesma luta, são irmãos de sangue!

  7. Comunista

    “Comunistas e fascistas, a mesma luta, são irmãos de sangue!”

    O KGB quando quis limpar o passado estudantil comunista de Kim Philby para introduzí-lo nas simpatias do establishment inglês solicitou-lhe que ele encarnasse o papel de um jornalista pró-fascista. Fez tão bem o seu papel que Franco lhe deu uma medalha e a Inglaterra acabou por colocá-lo nos lugares mais sensíveis dos serviços secretos. Recebeu ainda uma condecoração da Raínha. Nada disto teria contecido se Philby não se tivesse passado por pró-fascista.

  8. Duvmet

    “Nada disto teria contecido se Philby não se tivesse passado por pró-fascista.”

    O que, obviamente, é bastante fácil. As teorias são semelhantes e as práticas idem. Um bom fascista dá sempre um bom socialista ou vice versa. Mussolini é a prova.
    Sim, são inimigos um do outro e então? Há mulheres bonitas que são inimigas figadais de outras mulheres bonitas, justamente porque ambas são bonitas…

  9. Comunista

    O Duvmet simplesmente chutou para canto.
    O que não foi difícil foi o KGB perceber até onde iam as simpatias pelo fascismo na Inglaterra. Iam ao ponto de terem levado Philby a chefe da divisão de contra-espionagem do MI6, ou seja, chefe da divisão responsável por desmascarar espiões soviéticos. Nada mau…para um espião soviético.

  10. Alexandre Carvalho da Silveira

    Este comuna vem práqui falar do KGB e do Philby. fala antes do KGB e dos Gulags, e já agora dos milhões que lá morreram. Como hoje li noutro blog, o estalinismo é como a ferrugem, nunca dorme!

  11. mggomes

    Um tipo que durante anos defendeu a redução do peso do estado na economia e depois votou a favor deste orçamento a falar sobre burlões?
    Faz todo o sentido! Não há nada como falar com conhecimento de causa…

  12. Duvmet

    Comunista, reconheço que é chato, para um bom comunista, verificar que o fascismo é apenas o seu reflexo no espelho. É, futebolisticamente falando, e já que parece que é nesse rico mundo que enraíza as suas mais sagradas convicções, como chutar o canto, do canto oposto. Uns chutam com o pé direito, outros com o pé esquerdo. Mas a baliza é a mesma e o objectivo exactamente igual.
    Mas tem de viver com isso. Quem opta por olhar o mundo através de uns filtros criados por um barbudo piolhoso e racista, no dealbar da revolução industrial, quem acredita que Marx é a reencarnação do profeta Isaías, não pode fugir às inevitáveis contradições que a realidade lhe planta à frente.
    Se quer manter a sua convicção no estrito campo da fé, fica a salvo, já que a fé não se discute. Quando salta para o campo da realidade e da racionalidade, armado apenas de versículos sagrados, não pode evitar fazer as figuras que faz e que outros, mais versados na realidade, lhe propinem metafóricos pontapés nas gónadas.

  13. jsp

    Caro ” comunista” ( não o quero ofender, daí as aspas…),
    Aquela belíssima arquitectura “ideológica” resume-se á imortal frase do imortal Czar georgiano : ” Onde não há pessoas , não há problemas”.
    Tudo o resto, e já que estamos numa de internacionalismo,são “words, words, words” – e milhões e milhôes de mortos.
    A propósito – o tal georgiano nunca agradeceu suficientemente aos “japs” o milagre do 7 de Dezembro – aliás , mostrou-se até bastante ingrato no fim da “festa”…

  14. A. R

    Kim Philby, Burgess, etc eram paneleiros e foi se calhar isso que lhes permitiu ir tão longe. Agora que fascistas, comunas e nazis são a mesma coisa e o seu passado não se limpa por episódios e curiosidades de alcova isso é que não.

  15. António Dias Diogo

    Há uma pequenina diferença. O grande capital internacional apoiou Mussolini, Hitler, a extrema direita inglesa, Estado Novo (nos seus negócios coloniais). Franco, na Guerra Civil. Quanto ao bêbado ditador e homicida Stalin, o que tentaram fazer foi minar-lhe o poder, o que ele agradeceu a partir de 1927 para acabar com qualquer tipo de oposição. Mas os liberais não se importaram de se lhe aliar e vender meia Europa.

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