E que tal um pouco menos de Europa?

Excertos de E que tal um pouco menos de Europa? por Adolfo Mesquita Nunes:

A crise que atravessamos pôs a nu as deficiências do nosso modelo económico. Tenho insistido na classificação desse modelo como socialista, mas deixemos de lado as classificações e procuremos um consenso: o nosso modelo económico, socialista ou neoliberal, profundamente estatista ou fervorosamente capitalista, mostrou-se inimigo do crescimento.

Existe, e de forma tristemente transversal, uma enorme resistência a tratar esta crise por aquilo que ela é: uma crise de modelo económico. Só isso explica que, em vez dessa urgente reflexão, a crise se tenha tornado um pretexto para o reforço da integração política e da intensificação dos poderes de Bruxelas.

A Europa está a perder demasiado tempo a tentar perceber como pode agigantar-se politicamente sem perceber que é esse gigantismo, já real, que está na génese da crise que vivemos.

É uma ilusão pensar que a centralização (política, económica, financeira, fiscal e bancária) em Bruxelas resolverá os nossos problemas, e é por isso que urge introduzir uma nova questão no debate europeu: a nossa economia não terá Europa a mais?

6 pensamentos sobre “E que tal um pouco menos de Europa?

  1. GriP

    “Tenho insistido na classificação desse modelo como socialista”

    Curioso, os socialistas não são por norma a favor dum modelo socialista? Ou é apenas na aprovação do OE?

  2. tina

    Tem Europa a mais no que diz respeito a legislação e quem mais sofre com isso são os países mais industrializados. Uma das grandes queixas do Reino Unido é quanto a burocracia e a nova legislação europeia lhes custa anualmente. De resto, a UE tem sido boa para obrigar o Estado a não interferir em negócios nem fazer concorrência desleal (por exemplo, quando a Comissão Europeia não deixou Sócrates usar a “golden share” para vetar a compra da PT na Vivo) e normalmente os empresários portugueses ganham contra o Estado português quando recorrem ao tribunal europeu.

    O padrão repete-se em tudo, os países mais atrasados são os que mais beneficiam da EU e os mais evoluídos são os que perdem.

  3. jhb

    “O padrão repete-se em tudo, os países mais atrasados são os que mais beneficiam da EU e os mais evoluídos são os que perdem.”

    Daí o futuro da terra ser o “Planeta dos Macacos” porque os seres mais evoluídos (nós) continuaremos a perder com o socialismo da UE…

  4. por

    E que tal um pouco menos de impostos aqui em Portugal?

    E que tal mais cortes na despesa?

    Gostava de ver um artigo do AMN a abordar estas duas questões.

  5. ricardo saramago

    Quando não se sabe( ou não se quer) resolver os problemas que estão à nossa frente, filosófa-se sobre o mundo, a metafísica e as “grandes questões”.
    É inútil, inóquo e fica sempre bem em discursos e entrevistas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.