O que é um mau economista

Mário Amorim Lopes (O Comité)

Um mau economista é alguém que não reconhece e não admite os seus limites e, como tal, prefere fazer mais, a fazer menos.

Alguém que, do topo da sua pretensa autoridade, se julga capaz de planear uma economia.

Alguém que privilegia os seus ditames às escolhas individuais e livres dos agentes económicos.

Alguém que, na sua altivez, se acha capaz de controlar as manivelas da economia, como se de uma máquina inorgânica se tratasse.

Alguém que se julga preparado para prever e antever as consequências das suas ações.

Citando Friedrich A. Hayek,

“The curious task of economics is to demonstrate to men how little they really know about what they imagine they can desig

12 pensamentos sobre “O que é um mau economista

  1. Totalmente de acordo. Neste momento existe um problema nas teorias causa-efeito behavioristas, considera-se esta relação linear e isto está demonstrado empiricamente que é erróneo. Consideram-se diferentes pessoas como todas iguais, não se dá importância a variações individuais de outras culturas que não a ocidental e fazem-se teorias globais quando são impossíveis. E com tanta probabilidade de falibilidade destas teorias, o apoio total nas mesmas e a tecnocracia poderá, sem dúvida, levar à ruína.

    A inevitabilidade da imprevisibilidade do comportamento humano é o que faz com que a teconcracia pura em economia não faça o mínimo sentido. “Alguém que, na sua altivez, se acha capaz de controlar as manivelas da economia, como se de uma máquina inorgânica se tratasse.”

  2. fernandojmferreira

    Mas Miguel, como se determina o “minimo”? Quanto e’ o minimo de uma entidade monopolista e coerciva?
    E mais, assumindo que se conseguia determinar quanto e’ o ‘minimo’, como se limita essa ‘besta’? Esta claro que a coisa nao vai la com constituicoes, basta olhar para os EUA dos dia de hoje.

    E se um governo minimo e’ melhor do que um governo nao minimo, entao, um governo que e’ um minimo do governo minimo e’ muito melhor do que o minimo inicial. Em ultima instancia, o melhor governo de todos e’ nao haver governo.

  3. Miguel Noronha

    Eu diria que limitar o estado ao fornecimento de bens públicos (em que não exista provisão privada) são um mínimo aceitável. Podemos também aceitar que se ocupe da rede básica de infraestruturas.

  4. fernandojmferreira

    Mas o que sao “bens publicos”? Um bem e’ uma coisa subjectiva, o que e’ um “bem” para uma pessoa, pode nao ser um “bem” para outra. E se uma coisa e’, de facto, um bem, nao quereria dizer que essa coisa ja teria sido gerada pelo privado?
    Podemos aceitar que o estado se ocupe da rede de infrastruturas? E se nem todos aceitarem? Terao de ser forcados a aceitar? Quem decide o que se tem de aceitar (e financiar) ou nao?
    Porque assumir que o estado tem de se ocupar das infrastruturas? Por acaso sao os politicos que constroem as estradas e os esgotos? Nao contratam eles empresas privadas para os construirem, com custos elevadissimos e um bom quinhao para o bolso deles? Porque entao assumir que nao poderiam ser concebidas, construidas e financiadas por privados?
    Com tantos exemplos de gestoes danosas, despesismos, corrupcao e desperdicio nas infrastruturas, porque continuar a ‘confiar’ no colectivo para provimento desses bens?

  5. Miguel Noronha

    “Mas o que sao “bens publicos”?” http://www.econlib.org/library/Enc/PublicGoods.html

    “Podemos aceitar que o estado se ocupe da rede de infrastruturas? E se nem todos aceitarem? Terao de ser forcados a aceitar? Quem decide o que se tem de aceitar (e financiar) ou nao?” Neste caso ou se arranja uma forma de impedir o acesso às infraestruturas comuns cobrarando apenas a utilização (nalgumas será fácil noutras nem por isso) ou então temos aqui um problema. Não havendo forma de evitar o free-riding terá que fazer parte de um “pacote básico” (por assim dizer) de adesão obrigatória.

  6. fernandojmferreira

    Colectivizar algo com vista a resolver o problema dos “free riders” esta longe de ser uma solucao. Os free riders continuam a existir. A diferenca e’ que os free riders dos bens publicos tem um sentimento de “terem direito” a uma free ride.

    Entao a coisa funciona assim. Constroe-se uma estrada. Como impedir o acesso a essa estrada a quem nao pagou a estrada? Nao se consegue. Entao, a estrada tem de ser construida pelo colectivo e o problema esta resolvido. Como a estrada foi paga ‘por todos’, pode ser utilizada por todos.

    Nada de mais errado, na minha opiniao. A estrada vai continuar a ser utilizada por quem nao a pagou ja que nem todos o que a utilizam pagam impostos. E mais, como ficam os que pagam impostos e nunca a utilizam?

    Ainda ontem vi um exemplo disso nas noticias portugas. Foi construida uma ponte entre duas aldeolas em Ponte de Lima. Era uma ‘reivindicacao’ das populacoes de ha varios anos. A ponte custou 7 milhoes de euros. Os habitantes estavam todos contentes porque vao poder usar uma ponte que nao pagaram. Por outro lado, aposto que 99,9% dos que pagaram a ponte nunca a vao utilizar. Nao serao os habitantes das duas aldeolas uns ‘free riders’? A mim parece-me que sao. A colectivizacao de infrastruturas nao resolve, de todo, o problema dos free riders.

    A unica maneira de garantir que os ‘free riders’ nao conseguem uma free ride e’ o principio do utilizador-pagador. Quem utiliza paga, quem nao utliza nao paga. Quem recebe foi quem investiu para construir. O que fazer com as infrastruturas ja existentes? Privatizem-se.

  7. tiago

    Em relação ao artigo da econ lib dois pontos:

    -As estradas não são privadas porque podem existir portagens. Na sua origem a estrada era privada, sem necessidade de portagens, era um elemento necessário à cooperação e à mobilidade.

    -O mesmo tipo de argumentos serve para sustentar o mercado dos direitos de autores que querem prevenir “free riders” da cultura/arte. As ideias são os elementos mais susceptíveis de free riders, isso não quer dizer que o Estado deva intervir (como o faz) na sua “protecção”. O argumento de quem sem direitos de autor acaba a cultura é estúpido, do mesmo modo que dizer que sem defesa nacional acaba a defesa do território. Uma outra defesa surgirá mais descentralizada e mais adaptada às circunstâncias. O que o estado faz é uma redundância mais violenta e menos eficiente.

    http://renderingfreedom.blogspot.pt/2012/12/descentralizando-drenagem-urbana.html

  8. Pingback: Outras freguesias | À vontade do freguêsÀ vontade do freguês

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