Portugal caracterizado em termos culturais

Já aqui publiquei como Hofstede caracterizava um povo. Mas ele mudou completamente o site dele, quebrou os links antigos e colocou gráficos mais apelativos. Aqui ficam os de Portugal face a outros países.

Comparativamente com as potências:

Comparativamente com os países que ajudamos a criar:
(Orientação de Longo Prazo simplesmente não foi medida)
Comparativamente com Espanhóis e Alemães:
Chave:
  • PDI (Power Distance Index) –  Distância ao Poder – Mede até que ponto os membros menos poderosos de uma sociedade aceitam e esperam uma distribuição desigual do poder. Representa a desigualdade medida a partir de baixo, ou seja, aceite pela população.
  • Ind – Individualismo – A mentalidade é individualista ou colectivista? Nas sociedades individualistas, as ligações entre indivíduos são mais soltas, esperando-se que cada um seja capaz de tratar de si próprio e se precaver para eventuais adversidades. Nas sociedades mais colectivistas, as pessoas desde o nascimento que são integradas em grupos (familiares mas também profissionais ou de interesses) que são coesos, fortes, protectores e onde se espera uma lealdade inquestionável.
  • Mas – Masculinidade – A comunicação é directa e assertiva ou cheia de floreados? A sociedade é mais competitiva ou mais modesta e sentimental?
  • UAI  (Uncertainty Avoidance Index) – Atitude face  à Incerteza – A sociedade evita o risco, preferindo a certeza e o Status Quo ou aceita o risco? Despreza ou valoriza os que falharam em tentativas anteriores?
  • LTO (Long Term Orientation) – Longo Prazo – A orientação é para soluções de curto prazo ou de longo prazo? (proposta por investigadores Chineses, só disponível para 23 países)

Explica muita coisa.

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16 pensamentos sobre “Portugal caracterizado em termos culturais

  1. Interessante, sobretudo a forte correlação positiva entre aversão ao risco e colectivismo porque teóricamente poderia ir nos dois sentidos. Questão: pode publicar comparações por grupos de países com alguma homogeneidade? Por exemplo, clube med, anglo-saxónicos, nórdicos, ditaduras comunistas, etc.

  2. José António Salcefo

    Os estudos de Hofstede são excepcionalmente interessantes e úteis. Refiro-os muitas vezes na discussão dos aspectos a ter em conta quando se constrói uma empresa internacional, ou uma empresa quer entrar em novos mercados. É essencial compreender as culturas, até porque um peixe não sabe o que é água.

  3. José António Salcedo

    Marques Mendes – Essa comparação (lado a lado) pode ser feita directamente no site de Hofstede.

  4. José António Salcedo

    Os estudos de Hofstede são interessantíssimos. Recorro a eles com frequência quando discuto aspectos a ter em conta para construir uma empresa internacional, ou quando uma empresa pretende entrar num novo mercado, criando uma operação nova nesse mercado. É muito interessante ver as semelhanças entre Portugueses e Japoneses, por exemplo (com a excepção da decisão ser individual no caso dos Portugueses e de grupo no caso dos Japoneses), assim como reparar que a cultura que caracteriza Portugal pouco tem de comum com a do Brasil – que seguem, essencialmente, a cultura Norte-Americana e que é quase nossa antípoda. É essencial compreender os caldos de cultura em que as pessoas vivem… até porque um peixe não sabe o que água. Obrigado pelo post interessante, Ricardo.

  5. JP Ribeiro

    Explica muita coisa? Explica tudo. Hofstede foi Director de Recursos Humanos da IBM durante muitos anos. Não foi por acaso que a IBM chegou onde chegou.

  6. FilipeBS

    Estamos muito mal cotados em termos do indicador de masculinidade. Gostamos muito de floreados. Nao gostamos de ofender susceptibilidades. Nao somos assertivos. Isto tambem explica muito coisa…

  7. Jaques Towakí

    Eu descobri o Hofstede quando fazia uma tradução sobre o preço de ações (herd behaviour e assim por diante). Uma das questões prendia-se à concentração de propriedade [das empresas]. Nos países mais individualistas a propriedade era mais dispersa e nos países mais colectivistas a propriedade tendia a ser mais concentrada (…hmmm…sound familiar?). O artigo apenas referia o índice de individualismo, mas, intrigado procurei saber mais! Sendo mais do que bilingue, considero-me bi-cultural (luso-anglo). Toda a vida senti-me perdido numa cultura e na outra…era um conflito interno por vezes brutal. O Hofstede ajudou-me IMENSO em esclarecer essas sensações confusas! Desde então, tenho falado MUITÍSSIMAS vezes sobre estes indíces e as comparações tal como apresentadas aqui e tenho dado o link para o site aos meus alunos. Formidável, Ricardo!…Aliás…como sempre! Um abraço!

  8. Jaques,
    “Nos países mais individualistas a propriedade era mais dispersa e nos países mais colectivistas a propriedade tendia a ser mais concentrada (…hmmm…sound familiar?)”
    Faz todo o sentido. Onde é que está mesmo esse material?

    Obrigado pelas palavras simpáticas. Tento sempre escrever os artigos como gostaria de os ter lido, com links relevantes e informações que me despertem curiosidade. Ainda bem que gosta.

    Bem haja, Ricardo.

  9. Nunes,
    Vamos lá ver… Subjectivo é tudo, não é?
    Mas eu gosto desta abordagem, que considero útil para compreender a realidade e comunicar.
    Uma pessoa tem uma ideia e pensa que está certa, mas ajuda sempre escrevê-la. Se depois testar com números ainda melhor. E se submeter à apreciação de milhões de pessoas como o fez este autor…
    Não deixa de ser sempre subjectivo, mas para mim – e para muita gente nessas universidades pelo mundo fora, inclusivamente na FEP, onde fiz o meu mestrado – este é o melhor autor na área.

  10. Jaques Towakí

    Pois, como disse foi uma tradução que eu fiz para alguém que nem cheguei a conhecer. Tive o contacto através de um amigo e de resto foi tudo tratado pela net. Em breve irei estar novamente com esse amigo; se houver alguma maneira de lhe fazer chegar esse material, eu dir-lhe-ei.

  11. Nunes

    12:
    não digo que não tenha alguma utilidade, mas parece-me que utilizar meia dúzia de critérios é um pouco redutor… mas enfim, são as limitações das ciências sociais. no entanto, estou a falar um pouco de cor, pois não conheço o método a fundo, mas se é baseado em inquéritos individuais agregados por nacionalidade, como me parece, seria interessante verificar que ferramentas estatísticas o autor utilizou. foi o quê, ACP? ACP parece adequar-se a isto…
    outra coisa interessante seria verificar as diferenças entre diferentes origens sociais, pois numa perspectiva marxista (ai que herege que sou!) são mais semelhantes dois operários de países diferentes que um operário e um burguês.

  12. Pingback: A distância hierárquica e o produto interno bruto | Rua da Constituição

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